Teste de Bombeamento Automático: Equipamento, Cálculos e Relatório

Atualizado: 22 de out.
O teste de bombeamento automático usa um sensor de nível hidrostático no poço, um medidor de vazão e uma central que registra as leituras sozinha. A bomba liga e desliga pelo app e o gráfico aparece ao vivo. O sistema calcula rebaixamento, capacidade específica, transmissividade e recuperação e gera o relatório para o responsável técnico assinar.

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O que é um teste de bombeamento automático?
É o teste de bombeamento tradicional (também chamado de teste de vazão) com uma diferença: quem anota nível e vazão é o equipamento, não uma pessoa com medidor elétrico e prancheta. O método segue o clássico. Você bombeia o poço com vazão controlada, mede quanto o nível da água desce e, depois de desligar a bomba, quanto ele volta.
A grandeza central é o rebaixamento: a diferença entre o nível dinâmico (com a bomba ligada) e o nível estático (poço em repouso). No Manual Prático de Testes de Bombeamento da CPRM (1998), ele aparece como s = ND − NE, em metros. Se esses dois níveis ainda confundem, veja o guia de nível estático e dinâmico do poço.
A ANA, em material técnico de novembro de 2025, separa dois tipos. O teste de produção, feito no próprio poço, define a vazão e a profundidade da bomba, e é o tipo usualmente solicitado pelos órgãos gestores. O teste de aquífero usa um poço de observação e permite estimar condutividade hidráulica (K), transmissividade (T) e coeficiente de armazenamento (S).
Automatizar muda a coleta, não a hidrogeologia. A leitura contínua tende a captar melhor os primeiros minutos e as madrugadas, pontos fracos da leitura manual, como mostra a comparação entre medidor de nível elétrico ou sensor hidrostático.
Como funciona o teste automático, passo a passo?
O kit tem três peças: a central de monitoramento HIDROPAAS, um sensor de nível hidrostático no poço e um hidrômetro ou medidor de vazão com telemetria na saída. Os dados vão para a plataforma online, acessível pela web e pelo app de qualquer lugar com internet.
O sensor mede a pressão da coluna de água acima dele e a converte em nível, como explica o post do sensor de nível submersível (hidrostático). Para a vazão, as opções vão do recipiente cronometrado ao medidor eletromagnético, comparadas em como medir a vazão no teste de bombeamento.
Instalação. O sensor desce abaixo do nível dinâmico esperado e acima da entrada da bomba. O medidor vai na linha de descarga.
Nível estático. Com o poço em repouso, o sistema registra o ponto de partida. Vale conferir com um medidor elétrico manual.
Início do bombeamento. A bomba liga pelo app na hora programada, e as leituras começam bem próximas umas das outras.
Acompanhamento. Nível, vazão e gráfico em tempo real ficam no celular do responsável.
Recuperação. No tempo definido, a bomba desliga pelo app e o sistema continua medindo a subida do nível.
Entrega. A plataforma gera gráficos, cálculos, relatório e a planilha das leituras.

A bomba do teste precisa manter vazão estável na faixa que se pretende usar ou outorgar. A escolha entre bomba de teste e bomba definitiva está em bomba para teste de vazão.
Com que frequência o sistema registra nível e vazão?
O intervalo de leitura é configurável: leituras frequentes no início, quando o nível muda rápido, e mais espaçadas depois. Assim, o teste segue a tabela que o órgão ou o projeto pedir, sem ficar preso a um intervalo fixo.
Não existe uma tabela nacional pública única. A referência da ANA (2025) usa leitura a cada 1 minuto nos primeiros 10 minutos, a cada 2 minutos até os 20 e a cada 5 até os 50. Depois os intervalos crescem, até 100 minutos após os 1.000 minutos de teste. As fichas da CPRM seguem lógica parecida, começando em 1, 2, 3, 4 e 5 minutos.
A NBR 12.244:2006 também traz intervalos de leitura, na seção 6.1. É essa referência que o IAT, no Paraná, cita na orientação de teste de produção. Como o texto da ABNT não é público, confira a tabela na própria norma. O comparativo das tabelas da ANA, CPRM, IPAAM e ABAS está em intervalo de leitura no teste de bombeamento.
Leituras densas no começo importam porque o rebaixamento muda mais depressa nos primeiros minutos, e é ali que o gráfico semilog ganha forma. Quem mede à mão costuma perder esses pontos enquanto ajusta a vazão.

O que o sistema calcula a partir do teste?
Com nível e vazão registrados, a plataforma calcula rebaixamento, capacidade específica, transmissividade, curva e percentual de recuperação e uma vazão recomendada de explotação, como sugestão. Ela também desenha os gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo.
As fórmulas são as da literatura. Rebaixamento (s = ND − NE) e capacidade específica (Q/s, em m³/h/m) seguem a CPRM. Para a transmissividade, o método de Cooper-Jacob usa T = 0,183·Q/Δs, em que Δs é o rebaixamento em um ciclo logarítmico de tempo, conforme o relatório do USGS de Ferris e outros (1962). O método de Theis, descrito em artigo da revista Águas Subterrâneas (ABAS), é a alternativa.
Cálculo | Como sai | Para que serve | Aprofunde |
Rebaixamento | s = ND − NE (m) | Mostra quanto o nível desceu em cada momento | |
Capacidade específica | Q/s (m³/h/m) | Compara poços e apoia a escolha da vazão de instalação | |
Transmissividade | Cooper-Jacob (T = 0,183·Q/Δs) ou Theis | Indica quanto o aquífero consegue transmitir de água | |
Recuperação | Curva e percentual recuperado | Mostra se o nível volta e em quanto tempo | |
Vazão recomendada | Sugestão a partir do teste | Ponto de partida para a bomba e o pedido de outorga, revisado pelo responsável técnico |
Exemplo ilustrativo. Um poço bombeado a 10 m³/h por 24 h termina com rebaixamento de 4,84 m. A capacidade específica é 10 ÷ 4,84 ≈ 2,07 m³/h/m. Se, no gráfico semilog, o rebaixamento aumenta 0,90 m por ciclo log, T = 0,183 × 10 ÷ 0,90 ≈ 2,0 m²/h. Seis horas após desligar, o rebaixamento residual é 0,63 m, ou cerca de 87% recuperado.

Cooper-Jacob vale para u pequeno, isto é, tempos longos de bombeamento. O coeficiente de armazenamento (S) só sai com um poço de observação a distância conhecida, caso tratado no post sobre teste de interferência entre poços.
No teste escalonado, a ANA descreve a equação característica s = BQ + CQ², que separa a perda no aquífero (BQ) da perda no próprio poço (CQ²). O responsável técnico ajusta essa equação com a planilha exportada, e o passo a passo está em teste escalonado de poço.
Quanto tempo dura o teste e o que cada órgão pede?
A duração depende do órgão, do aquífero e da vazão. A outorga de poço é estadual: a ANA outorga só águas de domínio da União, e o poço fica com o órgão do estado. Por isso a regra muda de um estado para outro.
Fonte | Bombeamento | Recuperação e outras regras |
Produção: 24 a 48 h em etapa única. Aquífero: 24 a 72 h por etapa | Escalonado: 2 a 6 h por etapa | |
Pelo menos 24 h | 6 h de recuperação; teste feito há no máximo 5 anos | |
Abaixo de 5 m³/h: vazão constante por 24 h ou mais, com ND estabilizado por 4 h ou mais | Acima de 30 m³/h: 4 etapas de 1 h | |
Vazão estabilizada de 20 m³/h ou mais: escalonado em 4 etapas (20, 60, 80 e 100% da vazão máxima), 1 h ou mais cada, sem parar a bomba; recomendado para aquíferos sedimentares | Interpretação preferencialmente pelo método de Jacob | |
24 h em aquífero poroso; 12 h em fraturado | Recuperação até o nível estático | |
120 h ininterruptas, só no Sistema Aquífero Urucuia com vazão de 100 m³/h ou mais | Se interromper, o teste recomeça | |
Abaixo de 10 m³/h: teste contínuo de 30 h ou mais | Recuperação acima de 97%; pré-teste de 12 h ou mais |
*Versões a conferir: no RS, a versão do termo de referência no SIOUT; em SP, se a SP Águas publicou instrução nova; no ES, a IN AGERH 002/2019, posterior à resolução citada.
Em Santa Catarina, a Resolução CERH 78/2024 coloca o teste como pré-requisito para outorga ou uso insignificante após a autorização de perfuração. A duração deve ser confirmada com a SEMAE. Já a frase "a NBR exige 24 h", comum no mercado, não aparece confirmada em texto público.
As regras de cada estado estão na tabela de teste de bombeamento para outorga por estado, com guias próprios para São Paulo e para o Paraná, e as durações comparadas em quanto tempo dura o teste de bombeamento. Na água mineral, a Resolução ANM 193/2024 manteve os itens de ensaios de bombeamento da Portaria 374/2009, explicados em teste de bombeamento para água mineral.
O órgão aceita teste feito com sensor e registro automático?
Depende do órgão, e o Paraná é o caso mais claro. A orientação do IAT para teste com transdutores aceita o teste com transdutor, com ou sem telemetria, desde que o processo traga estes itens:
cronograma do teste;
modelo do datalogger e intervalo de registro compatíveis com a NBR 12.244;
faixa, resolução e acurácia do sensor de nível;
planilha com os dados brutos do datalogger;
foto do hidrômetro no início, com 12 h e com 24 h;
imagens do sistema de telemetria, se ele for usado.
Em São Paulo, a IT-DPO nº 10 fala em hidrômetro e tubo auxiliar "ou algum outro dispositivo de tecnologia atualizada". No Amazonas, o formulário do IPAAM prevê controle de vazão eletrônico ou eletromagnético e rebaixamento eletrônico. Na água mineral, o item 4.4 da Portaria 374/2009 não trata do tipo de sensor, então combine com a ANM antes.
Nos demais estados, confirme com o órgão antes do teste. O detalhe item por item está em datalogger e transdutor no teste de bombeamento.
O que o relatório precisa ter e quem assina?
O relatório reúne leituras, gráficos e interpretação, e quem assina é um profissional habilitado, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). O conteúdo exato segue o formulário de cada órgão.
Dois exemplos mostram o padrão. No RS, o termo de referência HP02A da SEMA (arquivo de 2016; confira a versão atual no SIOUT) pede planilha padrão, gráficos de rebaixamento e recuperação x tempo em semilog, profundidade da bomba, vazão, NE, ND, rebaixamento, memória de cálculo e ART. Em Goiás, a IN SEMADS 5/2023 pede curvas de rebaixamento, recuperação e característica, equipamentos, vazão de explotação e assinatura do responsável técnico.
Sobre quem assina, o CREA-MT lembra que a DN CONFEA 59/1997 exige geólogo e/ou engenheiro de minas no quadro técnico das empresas de poço. No ES, a AGERH pede ART de geólogo ou engenheiro de minas. O checklist por órgão está em relatório de teste de bombeamento.
Erros comuns que atrapalham o teste de bombeamento
Nos testes que acompanhamos, os problemas costumam ter causa simples, e automatizar a leitura não corrige uma preparação ruim. Estes pontos pedem atenção:
Nível estático medido cedo demais. No Paraná, a orientação do IAT pede repouso de 12 h ou mais, com o poço e os vizinhos desligados por 12 h, e teste de interferência se houver poço a menos de 200 m.
Vazão oscilando. Sem válvula para regular, a vazão muda ao longo do teste e os cálculos perdem a base.
Bomba ou sensor mal posicionados. Se o nível dinâmico chega perto da entrada da bomba, o teste pode parar ou perder valor. Defina as profundidades pelo perfil construtivo.
Descarga perto do poço. A água que infiltra ao lado pode voltar ao aquífero e mascarar o rebaixamento.
Medição sem conferência. A CPRM recomenda aferir o cabo do medidor a cada teste. Com sensor, confira a leitura com um medidor manual no início e no fim.
Fotos esquecidas. No PR, a mesma orientação pede fotos com coordenada, data e hora no início e a cada 6 h. A leitura automática não dispensa essas visitas.
Se o resultado ficar abaixo do necessário, isso não significa, por si só, que o poço está perdido. As causas e as saídas estão em poço reprovado no teste de vazão.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra nível e vazão automaticamente, com intervalo configurável, e mostra o teste ao vivo no celular ou na web. A bomba liga e desliga pelo app, então bombeamento e recuperação começam na hora programada, sem a equipe ficar 24 h ou mais ao lado do poço.
No fim, a plataforma entrega gráficos, cálculos e relatório automático, além da planilha das leituras em Excel ou CSV para uso em outro software. O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada um.
Kit reutilizável: para perfurador, geólogo ou consultoria que leva o sistema de poço em poço. O relatório é assinado pelo seu responsável técnico, com ART.
Aluguel ou por teste: para quem faz testes eventuais. A assinatura também fica com o responsável técnico do cliente.
A PAAS executa o teste: fazemos o teste com o sistema e entregamos o relatório assinado por geólogo da PAAS, com ART. No RS, vamos ao local; nos outros estados, trabalhamos com parceiro da região ou alugamos o aparelho, o cliente instala e a PAAS acompanha o teste a distância.
Leia também: teste de bombeamento no Paraná
O que o IAT pede e como fazer com o kit:
Perguntas frequentes
O teste de bombeamento automático substitui o geólogo?
Não. O sistema registra as leituras, faz os cálculos e gera o relatório, mas a interpretação e a assinatura com ART são de um profissional habilitado. No kit ou no aluguel, assina o responsável técnico do cliente. No serviço da PAAS, assina o geólogo da PAAS.
O órgão ambiental aceita teste feito com sensor automático?
Depende do órgão. No Paraná, a orientação do IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, se vierem cronograma, dados do datalogger e do sensor, planilha de dados brutos e fotos do hidrômetro. Nos outros estados, confirme com o órgão antes de começar.
Quanto tempo dura um teste de bombeamento?
Varia com o órgão e o aquífero. A ANA cita 24 a 48 horas para o teste de produção, e o IAT do Paraná pede pelo menos 24 horas mais 6 de recuperação. Para água mineral abaixo de 10 m³/h, a Portaria DNPM 374/2009, mantida pela ANM, pede 30 horas ou mais no teste contínuo. Confira a regra do seu estado.
Preciso ficar no poço durante todo o teste?
Não durante todo o tempo. O registro é automático, a bomba liga e desliga pelo app e o teste pode ser acompanhado ao vivo. Ainda é preciso ir ao local para instalar, conferir o nível estático e fazer as fotos que alguns órgãos pedem.
Quais cálculos o sistema entrega?
Rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade por Cooper-Jacob ou Theis, curva e percentual de recuperação e vazão recomendada de explotação, como sugestão. Também gera os gráficos e exporta as leituras em Excel ou CSV.
Dá para usar o mesmo equipamento em vários poços?
Sim. O kit reutilizável foi pensado para quem leva o sistema de poço em poço. Para testes eventuais, há aluguel ou contratação por teste, e a PAAS também pode executar o teste e entregar o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS).
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Central, sensor de nível e medidor de vazão trabalham juntos para registrar, calcular e documentar o teste: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
O teste automático mantém o método clássico e tira da equipe a tarefa de anotar leituras por 24 h ou mais. Para planejar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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