Relatório de Teste de Bombeamento: O Que Precisa Ter e Quem Assina

Atualizado: há 8 horas
O relatório de teste de bombeamento reúne a planilha de leituras (tempo, nível estático, nível dinâmico, rebaixamento e vazão), os gráficos de rebaixamento e recuperação, a interpretação, a vazão de explotação recomendada, fotos e a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). O formato segue o termo de referência ou formulário do órgão estadual, e quem assina é um profissional habilitado, em geral geólogo ou engenheiro de minas.

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Para que serve o relatório de teste de bombeamento?
O relatório transforma horas de leitura de campo em um documento que o órgão gestor consegue analisar. Ele mostra quanto o nível desce, como o poço se recupera e qual vazão pode ser bombeada com segurança.
Segundo o material técnico da ANA de novembro de 2025, o teste de produção é "o tipo de teste usualmente solicitado pelos órgãos gestores". Ele é feito no próprio poço e define a vazão e a profundidade da bomba. O teste de aquífero, com poço de observação, estima parâmetros como a transmissividade.
A outorga de poço é estadual, porque a ANA outorga só corpos d'água de domínio da União. Por isso, o formato do relatório segue o órgão do seu estado. Se você ainda está planejando o ensaio, o guia do teste de bombeamento automático explica equipamento, cálculos e registro.
O que o relatório de teste de bombeamento precisa ter?
Nas regras que conferimos, o núcleo se repete: identificação, leituras, cálculos, gráficos, conclusão e assinatura. O checklist abaixo junta os itens que aparecem nas regras do RS, de Goiás e do Paraná.
Identificação do teste: data, duração, empresa executora e equipamentos, como pede a IN SEMADS 5/2023, de Goiás.
Planilha de leituras: tempo, profundidade da bomba, vazão, nível estático (NE, bomba parada) e nível dinâmico (ND, bomba ligada), campos listados no TR HP02A da SEMA-RS (arquivo de 2016; confira a versão no SIOUT).
Rebaixamento e capacidade específica: s = ND − NE, em metros, e Q/s, em m³/h/m, conforme o manual de testes de bombeamento da CPRM (1998).
Gráficos: rebaixamento x tempo e recuperação x tempo. No RS, o TR HP02A pede os dois em escala semilog.
Interpretação e memória de cálculo: método usado, transmissividade quando calculada e as contas que levaram ao resultado.
Resultado: vazão de explotação com o ND e o NE correspondentes, item exigido em Goiás.
Fotos: no Paraná, as orientações do IAT pedem fotos com data, hora e coordenada.
Assinatura e ART do responsável técnico.

A recuperação é a subida do nível depois que a bomba desliga, e ela entra na planilha e no gráfico. Para conferir as curvas antes de fechar o documento, veja como ler a curva de rebaixamento x tempo.
Quando o relatório traz transmissividade, uma conta muito usada é a de Cooper-Jacob: T = 0,183·Q/Δs, em que Δs é o rebaixamento em um ciclo logarítmico (com Q em m³/h, T sai em m²/h), segundo o USGS (Ferris et al., 1962). O método vale para u pequeno, isto é, tempos longos de bombeamento; vale indicar na memória de cálculo o trecho da curva usado. O passo a passo está no método de Cooper-Jacob com exemplo resolvido.

O que cada órgão pede no relatório?
Os órgãos que conferimos usam termo de referência, instrução ou formulário próprio, e as diferenças estão nos detalhes. A tabela resume o que conferimos em fontes oficiais, com as ressalvas na última coluna.
Órgão (fonte) | O que o relatório traz | Quem assina | Atenção |
Planilha padrão do DRH; tempo, profundidade da bomba, vazão, NE, ND e rebaixamento; gráficos semilog; memória de cálculo | Responsável técnico, com ART | Arquivo de 2016: confira a versão no SIOUT | |
Teste de no mínimo 24 h com 6 h de recuperação, feito há no máximo 5 anos; planilhas e relatório fotográfico | Planilhas assinadas pelo RT, com ART | Fotos com coordenada, data e hora | |
Ensaios de vazão e recuperação pela NBR 12.244/2006; interpretação preferencialmente por Jacob, com a transmissividade | RT conforme DN CONFEA 59/97 | Texto de 2017, atualizado em 2018: confira se a SP Águas publicou versão nova | |
Interpretação; curvas de rebaixamento, recuperação e característica; todas as medidas; duração, data, equipamentos; vazão de explotação com ND e NE | RT, com ART de profissional habilitado em GO | Anexo II, item 5 | |
Teste de vazão como mínimo para outorga, uso insignificante e renovação; recuperação até o NE | ART de geólogo ou engenheiro de minas | Existe a IN AGERH 002/2019, posterior; aviso de 10 dias ao órgão | |
Gráficos; equação característica para 1 h, 1 ano e 5 anos; vazão máxima possível pelo rebaixamento máximo disponível | Confira no formulário | Formulário de 2016 | |
Fotos e vazões Máxima Permissível, Máxima Possível e Recomendada (item 4.4.15) | Confira no processo da ANM | Redação por resumo: confira o texto da portaria |
Paraná: fotos, planilha e teste com transdutor
As orientações do IAT para o teste de produção pedem fotos no início e a cada 6 h (6, 12, 18 e 24 h), com no mínimo 5 no rebaixamento. A planilha segue os intervalos da seção 6.1 da NBR 12.244, citada pelo IAT. Se houver poço a menos de 200 m, entra o teste de interferência.
Para teste com transdutor, a orientação específica do IAT acrescenta documentos, detalhados no post sobre datalogger e transdutor no teste de bombeamento.
Água mineral (ANM)
A Resolução ANM 193/2024 manteve os itens 4.4 a 4.5.4 da Portaria DNPM 374/2009, incluindo os ensaios de bombeamento. Pelo art. 17, a vazão de explotação é a aprovada no Relatório Final de Pesquisa ou na reavaliação de reservas, considerando os testes de vazão.
Outros estados
Em Santa Catarina, o teste é pré-requisito para outorga ou uso insignificante após a autorização de perfuração, pela Resolução CERH 78/2024, art. 12. Em Minas Gerais, um parecer do IGAM cita teste de 24 h e verificação de poço outorgado num raio de 200 m. É prática de parecer, não ato normativo. Veja a tabela de teste de bombeamento para outorga por estado.
Quem assina o relatório de teste de bombeamento?
Assina um profissional habilitado no CREA, com ART emitida para o serviço. Em geral, é o geólogo ou o engenheiro de minas responsável pelo teste.
A base nacional é a DN CONFEA 59/1997 (Decisão Normativa do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Segundo o CREA-MT, ela exige que empresas de poço tenham geólogo e/ou engenheiro de minas no quadro técnico. Alguns órgãos detalham essa regra:
São Paulo: RT dos ensaios conforme a DN CONFEA 59/97, na IT-DPO 10, item 15.3 d.
Espírito Santo: ART de geólogo ou engenheiro de minas, pelo art. 29, §1º, da norma da AGERH.
Goiás: assinatura do RT e ART de profissional habilitado em Goiás, segundo a IN SEMADS 5/2023.
Paraná: planilhas assinadas pelo RT, com ART, segundo o IAT.
Rio Grande do Sul: ART exigida no TR HP02A.

Confira o registro no estado antes do teste. Em Goiás, a ART precisa ser de profissional habilitado em GO, então quem atua a partir de outro estado deve verificar a situação no CREA-GO.
O relatório automático substitui o responsável técnico?
Não. O sistema monta planilha, gráficos e cálculos, mas a responsabilidade pelo teste e pela interpretação é de quem assina a ART.
O que muda é a origem dos dados. No Paraná, o IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, desde que venham os documentos da orientação. Entre eles estão a planilha de dados brutos do datalogger e fotos do hidrômetro no início, com 12 h e com 24 h.
Em São Paulo, a IT-DPO 10 cita hidrômetro e tubo auxiliar "ou algum outro dispositivo de tecnologia atualizada". No Amazonas, o formulário do IPAAM prevê controle eletrônico de vazão e de rebaixamento.
Erros comuns no relatório de teste de bombeamento
É comum chegarem até nós relatórios devolvidos pelo órgão por falhas simples. Quase todas são evitadas com um checklist fechado antes de ir a campo.
Profundidade da bomba ausente: sem ela, o analista não sabe se o nível dinâmico chegou perto da bomba.
Gráfico em escala errada: onde o órgão pede semilog, como no RS, o gráfico linear dificulta ver o trecho reto usado no método de Cooper-Jacob.
Recuperação sem registro: a bomba desliga, a equipe recolhe o material e a subida do nível fica sem leitura.
Transmissividade sem memória de cálculo: o número aparece, mas o analista não consegue refazer a conta.
Nome do teste trocado: no ES, a AGERH chama de "contínuo" o que a ANA chama de "escalonado". Use o termo do órgão.
Teste antigo: no Paraná, o IAT pede teste feito há no máximo 5 anos.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra o teste e gera o relatório com gráficos e cálculos, para o responsável técnico revisar e assinar. O kit reúne central de monitoramento, sensor de nível hidrostático e medidor de vazão com telemetria, com os dados na plataforma online (web e app).
Registro automático de nível e vazão, com intervalo de leitura configurável para seguir a tabela do órgão.
Acompanhamento ao vivo pelo celular e liga/desliga da bomba pelo app, para iniciar o bombeamento e a recuperação na hora programada.
Cálculo automático de rebaixamento, capacidade específica, transmissividade (Cooper-Jacob e Theis), percentual de recuperação e sugestão de vazão de explotação.
Gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo, relatório automático e exportação das leituras em Excel ou CSV.
A equipe não precisa ficar 24 h ou mais no poço anotando leituras.
Há três formas de uso: kit reutilizável, que o perfurador, geólogo ou consultoria leva de poço em poço; aluguel ou contratação por teste; ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, quem assina com ART é o responsável técnico do cliente. No serviço, assina o geólogo da PAAS, com ART.
O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada órgão.
Perguntas frequentes
O que é um relatório de teste de bombeamento?
É o documento com as leituras e os resultados do teste de vazão do poço. Traz a planilha de tempo, nível estático, nível dinâmico, rebaixamento e vazão, os gráficos, a interpretação e a vazão recomendada, com a ART do responsável técnico.
Quem pode assinar o relatório de teste de bombeamento?
Um profissional habilitado no CREA, em geral geólogo ou engenheiro de minas. A DN CONFEA 59/97 exige esses profissionais no quadro das empresas de poço. No Espírito Santo, a AGERH pede ART de geólogo ou engenheiro de minas; em Goiás, de profissional habilitado no estado.
Existe um modelo único de relatório de teste de bombeamento?
Não há modelo nacional único. Os órgãos que conferimos usam termo de referência ou formulário próprio, como a planilha padrão do DRH no Rio Grande do Sul e o formulário do IPAAM no Amazonas. O núcleo se repete: leituras, cálculos, gráficos, conclusão e ART.
O órgão aceita relatório gerado por sistema automático?
Depende do órgão. No Paraná, o IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, desde que venham os documentos da orientação específica. Em outros estados, confira o formulário e mantenha o responsável técnico revisando e assinando o relatório.
Por quanto tempo um teste de bombeamento vale para a outorga?
No Paraná, o IAT pede teste feito há no máximo 5 anos. Nas outras fontes que conferimos, esse prazo não aparece de forma geral, então consulte o órgão antes de reaproveitar um teste antigo.
O que muda no relatório para água mineral?
Para a ANM, vale o item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009, mantido pela Resolução ANM 193/2024. Segundo o item 4.4.15, o relatório traz fotos e as vazões Máxima Permissível, Máxima Possível e Recomendada. Confira o texto oficial da portaria antes de montar o documento.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Registro automático de nível e vazão, gráficos e relatório prontos para o responsável técnico: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Um relatório de teste de bombeamento com planilha, gráficos, interpretação e ART no formato do órgão tende a reduzir pedidos de complementação. Para montar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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