Teste de Interferência entre Poços: Quando é Exigido e Como Fazer

Atualizado: há 9 horas
O teste de interferência entre poços mede quanto o bombeamento de um poço rebaixa o nível de poços vizinhos. Você bombeia um poço com vazão constante e lê o nível nele e em um ou mais poços de observação. Ele é pedido conforme o órgão: no Paraná, o IAT exige quando há poço a menos de 200 m.

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O que é teste de interferência entre poços?
É o ensaio que mostra se o cone de rebaixamento de um poço chega aos vizinhos e quanto rebaixa o nível deles. A norma de outorga de água subterrânea da AGERH (ES), art. 2º, XIII, define interferência como a sobreposição dos cones de rebaixamento de poços bombeados ao mesmo tempo, com queda de rendimento.
Cone de rebaixamento é o "funil" que se forma no nível da água quando a bomba liga: fundo no poço bombeado, mais raso à medida que você se afasta. Quando dois funis se encontram, os poços disputam a mesma água.
O rebaixamento é s = ND − NE, nível dinâmico (bomba ligada) menos nível estático (em repouso), como no manual de testes de bombeamento da CPRM (1998). Aqui, você o acompanha em dois ou mais poços ao mesmo tempo.
Teste de produção ou teste de aquífero?
A apresentação técnica da ANA de novembro de 2025 separa os dois. O teste de produção é feito só no próprio poço e define a vazão e a profundidade da bomba. O teste de aquífero usa poço de observação e permite calcular a condutividade hidráulica (K), a transmissividade (T) e o coeficiente de armazenamento (S).
O teste de interferência pertence a esse segundo grupo. Transmissividade é a facilidade com que o aquífero deixa a água passar; armazenamento é quanto de água ele libera quando o nível cai. Para o teste em geral, veja como funciona o teste de bombeamento automático.
Quando o teste de interferência é exigido?
Depende do órgão estadual que analisa a outorga. A ANA outorga só águas de domínio da União; o poço fica com o estado, e cada estado define se pede o teste. Veja também o quadro do teste de bombeamento para outorga por estado.
Órgão | O que pede sobre interferência | Tipo de regra | Fonte |
IAT (PR) | Teste de interferência se houver poço a menos de 200 m; poço e vizinhos desligados por 12 h; repouso mínimo de 12 h antes | Orientação oficial do órgão (2026-09) | |
IGAM (MG) | Verificação de poço outorgado num raio de 200 m | Prática em parecer, não ato normativo | |
AGERH (ES) | Teste de interferência a critério do órgão; aviso de 10 dias para o órgão acompanhar o ensaio | Norma AGERH 002/2017 (há IN AGERH 002/2019 posterior; confira a vigente) | |
ANM (água mineral) | Poços do sistema parados 24 h antes dos ensaios | Item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009, mantido pela Res. ANM 193/2024 (confira o texto) | |
Demais estados | Regra específica de interferência não localizada neste levantamento | Confira o termo de referência do órgão | Órgão estadual |
No Paraná, o IAT também pede pelo menos 24 h de bombeamento e 6 h de recuperação, feitos há no máximo 5 anos. Os detalhes estão no guia de teste de bombeamento para outorga no Paraná.
Em Minas Gerais, os 200 m aparecem num parecer do IGAM de 06/10/2020, não em ato normativo. Trate isso como sinal do que o analista olha, não como regra geral de MG.
Como fazer o teste de interferência, passo a passo?
Você bombeia um poço com vazão constante e lê o nível nele e nos poços de observação, nos mesmos instantes, até o fim da recuperação. O resto é preparação para que nada além da bomba mexa no nível.

Levante os poços vizinhos. Anote localização, profundidade, aquífero captado e outorga. Meça a distância (r) com GPS ou trena, porque ela entra ao quadrado no cálculo de S.
Confira a regra do órgão. Leia o termo de referência do estado. No ES, lembre do aviso prévio se a AGERH for acompanhar.
Deixe os poços em repouso. No PR, o IAT pede repouso mínimo de 12 h, com o poço e os vizinhos desligados. Se um vizinho não puder parar, anote quando ligou e desligou.
Meça o nível estático em todos. Ler o poço de observação por algum tempo antes mostra se o nível já estava variando.
Bombeie com vazão constante. Leia os poços nos mesmos instantes, com relógios sincronizados. Na tabela da ANA, a leitura é a cada 1 min até os 10 min e depois espaça; veja o intervalo de leitura no teste de bombeamento.
Mantenha pelo tempo do plano. A ANA cita 24 a 72 h por etapa no teste de aquífero com poço de observação. Veja quanto tempo dura o teste de bombeamento em cada estado.
Registre a recuperação. Desligue a bomba e continue lendo todos os poços, nos mesmos tempos.
Interprete e monte o relatório. Calcule T e S, descreva a resposta de cada poço de observação e assine com ART.
O manual da CPRM indica equipe mínima de 2 pessoas e aferição do cabo do medidor a cada teste. Com leitura manual, cada poço de observação a mais tende a pedir mais gente no campo.

Como calcular transmissividade e armazenamento com o poço de observação?
O método de Cooper-Jacob dá a transmissividade pela inclinação da reta no gráfico semilog e o armazenamento pelo ponto onde ela cruza o rebaixamento zero. Pelo USGS (Ferris et al., 1962), T = 0,183·Q/Δs e S = 2,25·T·t₀/r².
Q: vazão constante do bombeamento, em m³/h.
Δs: rebaixamento em um ciclo log (de 100 para 1.000 min, por exemplo), em metros.
t₀: tempo em que a reta cruza s = 0, na mesma unidade de tempo de T.
r: distância entre o poço bombeado e o poço de observação, em metros.
O método vale quando u é pequeno, isto é, em tempos longos. Na solução de Theis publicada na revista da ABAS, u = r²S/(4Tt). Quanto mais longe o poço de observação, maior o r e mais tempo leva até os pontos entrarem na reta.
Grandeza | Exemplo ilustrativo | Como chegar |
Vazão Q | 20 m³/h | Medida no teste |
Distância r | 50 m | Medida em campo |
Δs por ciclo log | 1,82 m | 4,54 m (1.000 min) − 2,72 m (100 min) |
Transmissividade T | 2,0 m²/h | 0,183 × 20 ÷ 1,82 = 2,01 |
t₀ | 3,2 min ≈ 0,053 h | Reta cruzando s = 0 |
Armazenamento S | ≈ 9,5 × 10⁻⁵ | 2,25 × 2,0 × 0,053 ÷ 50² = 0,2385 ÷ 2.500 |

No gráfico, os trechos retos das duas curvas ficam paralelos: mesma inclinação, mesma transmissividade. O poço de observação reage depois e rebaixa menos. O poço bombeado sozinho permite estimar T, mas o S depende da distância r até um poço de observação. O passo a passo completo está no post sobre o método de Cooper-Jacob para calcular a transmissividade.
Como saber se houve interferência?
Houve interferência quando o nível do poço de observação desce durante o bombeamento e volta a subir na recuperação, acompanhando a bomba. Se ele não reage, o resultado depende do tempo de teste, da distância e do aquífero; sozinho, isso não prova que os poços são independentes. Para ler o formato de cada trecho, veja a curva de rebaixamento x tempo.
Resposta cedo e forte: os poços tendem a captar o mesmo aquífero, bem conectado. Bombear os dois juntos pode reduzir o rendimento de ambos.
Resposta tardia e pequena: há conexão, mas o efeito pode crescer em bombeamentos mais longos que o teste.
Nenhuma resposta: distância grande, teste curto ou aquíferos separados. Em rocha fraturada, a conexão depende das fraturas, não só da distância.
Variação que não acompanha a bomba: chuva, outro poço ligando ou oscilação natural.
Com interferência confirmada, o responsável técnico pode propor vazão menor, horários alternados entre os poços ou bomba em outra profundidade.
Erros comuns no teste de interferência
Em testes com poço de observação, a maior parte dos problemas vem da preparação, não da conta:
Vizinho ligado sem registro: um poço próximo que liga no meio do teste cria degraus na curva. Sem o horário anotado, não há como separar os efeitos.
Distância estimada no olho: r entra ao quadrado no cálculo de S, então um erro pequeno na distância pesa mais do que parece.
Unidades misturadas: T em m²/h com t₀ em minutos dá um S 60 vezes maior. Use a mesma unidade de tempo nos dois.
Concluir cedo demais: encerrar antes de o poço de observação entrar no trecho reto leva a dizer "não há interferência" sem base.
Confundir interferência com perda do poço: queda de rendimento também vem de incrustação ou filtro obstruído. Compare com o histórico de nível e vazão.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra automaticamente o nível e a vazão no poço bombeado. O kit reúne central de monitoramento, sensor de nível hidrostático e medidor de vazão com telemetria, com os dados na plataforma web e no app.
Intervalo de leitura configurável: frequente no início e mais espaçado depois.
Bomba ligada e desligada pelo app: bombeamento e recuperação começam na hora programada, o que ajuda a alinhar os tempos com os poços de observação.
Acompanhamento ao vivo: gráfico em tempo real do poço bombeado no celular, sem a equipe ficar 24 h ou mais junto a ele. Os poços de observação seguem o plano de leitura do responsável técnico.
Cálculos automáticos: rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade por Cooper-Jacob e Theis, percentual de recuperação e sugestão de vazão de explotação, com gráficos rebaixamento x tempo e recuperação x tempo.
Planilha exportável: as leituras saem em Excel ou CSV e se juntam às dos poços de observação para o cálculo de S em planilha ou software dedicado.
Há três formatos: kit reutilizável para levar de poço em poço, aluguel ou contratação por teste, ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS.
O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada um. No Paraná, o IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, com os documentos da orientação, como a planilha de dados brutos e a faixa, resolução e acurácia do sensor.
Perguntas frequentes
O que é teste de interferência entre poços?
É o ensaio que mede quanto o bombeamento de um poço rebaixa o nível de poços vizinhos. Um poço é bombeado com vazão constante e o nível é lido nele e em poços de observação, nos mesmos tempos. Com esses dados, calculam-se a transmissividade e o coeficiente de armazenamento do aquífero.
Quando o teste de interferência é obrigatório?
Depende do órgão estadual. No Paraná, o IAT pede o teste quando há poço a menos de 200 m. No Espírito Santo, a norma AGERH 002/2017 deixa o teste a critério do órgão; há instrução normativa posterior, de 2019, então confira a versão vigente. Em Minas Gerais, um parecer do IGAM verificou poços outorgados num raio de 200 m, mas isso é prática de análise, não ato normativo.
A que distância deve ficar o poço de observação?
As normas citadas aqui não fixam uma distância única. Quanto mais longe o poço de observação, mais tempo ele leva para reagir, porque u = r²S/(4Tt) cresce com r². Escolha a distância pensando na duração do teste e meça-a com precisão, porque ela entra ao quadrado no cálculo do armazenamento.
Quanto tempo dura um teste de interferência?
A ANA cita 24 a 72 horas por etapa para o teste de aquífero com poço de observação. No Paraná, o IAT pede pelo menos 24 horas de bombeamento e 6 horas de recuperação. Confira a regra do seu estado antes de planejar.
Dá para calcular o coeficiente de armazenamento só com o poço bombeado?
Pelo método de Cooper-Jacob, o poço bombeado permite estimar a transmissividade pela inclinação da reta. O coeficiente de armazenamento usa a distância r até um poço de observação, na fórmula S = 2,25·T·t₀/r². Sem poço de observação, o S fica sem base confiável.
Preciso desligar os poços vizinhos antes do teste?
No Paraná, o IAT pede o poço e os vizinhos desligados por 12 horas antes do teste. Em água mineral, segundo o item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009 (subitem 4.4.6), mantido pela Resolução ANM 193/2024, os poços do sistema ficam parados 24 horas antes; confira a redação no texto oficial. Se um vizinho não puder parar, registre os horários em que funcionou.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Registro automático de nível e vazão no poço bombeado, cálculos e relatório do teste em uma só plataforma: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
O teste de interferência mostra, antes da outorga, se os poços vão disputar a mesma água; para planejar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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