Medidor de Nível Elétrico ou Sensor Hidrostático: Qual Usar no Teste de Bombeamento

Atualizado: há 9 horas
No teste de bombeamento, o medidor de nível elétrico do poço (sonda de cabo graduado que apita ao tocar a água) serve para conferir o nível. Mas exige alguém lendo a cada minuto no início e também de madrugada. O sensor hidrostático com registro automático faz essas leituras sozinho. Em geral, o melhor arranjo é usar os dois.

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A escolha define quantas pessoas ficam no poço, a qualidade da curva de rebaixamento e o que você terá para mostrar ao órgão. Abaixo, comparamos as três opções mais usadas durante o teste.
Qual a diferença entre medidor elétrico, sensor hidrostático e transdutor com datalogger?
Os três medem a profundidade da água no poço, mas registram de formas diferentes. O medidor elétrico depende de uma pessoa lendo e anotando; o sensor e o datalogger registram sozinhos.
O medidor de nível elétrico, também chamado de pio ou sonda de nível, é um cabo graduado com um eletrodo na ponta. Quando o eletrodo toca a água, o aparelho apita ou acende, e o operador lê a marca do cabo na boca do poço.
O sensor hidrostático fica submerso e mede a pressão da coluna de água acima dele; ligado a uma central, envia as leituras de forma contínua. O transdutor com datalogger usa o mesmo princípio, mas guarda as leituras na memória, descarregada depois. A construção de cada um está nos posts sobre sensor de nível submersível (hidrostático) e transdutor de pressão para poço. Aqui o foco é o uso no teste.
Critério | Medidor elétrico | Sensor hidrostático com central | Transdutor com datalogger autônomo |
Quem registra | O operador, leitura por leitura | O sistema, no intervalo programado | O aparelho, no intervalo programado |
Madrugada | Exige alguém acordado no poço | Segue registrando | Segue registrando |
Ver os dados durante o teste | Só quem está no local | Ao vivo, de longe | Só ao baixar os dados |
Papel no teste | Nível estático, conferência e reserva | Registro principal | Registro principal onde não há transmissão |

Por que os primeiros minutos do teste pesam na escolha?
Porque é no começo do bombeamento, e de novo no começo da recuperação, que o nível muda mais rápido. As tabelas de leitura concentram medições nesses trechos, e perder leituras ali deixa buracos na curva.
Na apresentação técnica da ANA de novembro de 2025, o intervalo entre leituras começa em 1 minuto e vai se abrindo:
Tempo desde o início | Intervalo entre leituras (ANA) |
0 a 10 min | 1 min |
10 a 20 min | 2 min |
20 a 50 min | 5 min |
50 a 100 min | 10 min |
100 a 500 min | 30 min |
500 a 1.000 min | 60 min |
Acima de 1.000 min | 100 min |
Com o medidor elétrico, são 10 leituras nos primeiros 10 minutos, cada uma com ajuste do cabo, leitura e anotação. Ao mesmo tempo, alguém regula a vazão. Não por acaso, o manual de testes de bombeamento da CPRM (1998) indica equipe mínima de 2 pessoas.
O sensor lê no intervalo programado, sem atraso de anotação, o que tende a deixar o início da curva mais completo. As tabelas de cada fonte estão lado a lado no post sobre intervalo de leitura no teste de bombeamento.
O que muda à noite e na troca para a recuperação?
Um teste de 24 horas atravessa a madrugada, e a recuperação recomeça com leituras de minuto em minuto. Com medidor elétrico, alguém precisa estar acordado e no poço nesses horários.
No exemplo ilustrativo abaixo, usamos a tabela da ANA e a duração pedida pelo IAT no Paraná: pelo menos 24 h de bombeamento e 6 h de recuperação. O teste começa às 8h00.
Horário | Minutos do teste | O que acontece |
8h00 | 0 | Bomba liga; leituras a cada 1 min até 8h10 |
16h20 | 500 | Leituras passam a ser de hora em hora |
0h40 | 1.000 | Leituras a cada 100 min, madrugada adentro |
8h00 (dia seguinte) | 1.440 | Bomba desliga; recuperação volta a pedir leitura a cada minuto |
14h00 | 1.800 | Fim das 6 h de recuperação |
No Paraná, a planilha segue os intervalos da seção 6.1 da NBR 12.244, conforme as orientações do IAT para o teste de produção; a tabela da ANA entra aqui só para mostrar o ritmo.
O termo de referência de Victor Graeff (RS) deixa isso explícito: 24 h na vazão máxima e recuperação mínima de 4 h, com a mesma frequência de leitura. É regra daquele edital, mas as fichas da CPRM também repetem, na recuperação, os tempos do bombeamento.

Para que o medidor elétrico continua servindo?
Mesmo com sensor automático, o medidor elétrico segue na caixa de ferramentas. Ele é a referência para o nível estático antes do teste e para conferir se o sensor está lendo certo.
Nível estático inicial: com o poço em repouso, a sonda dá o ponto de partida do rebaixamento, s = ND − NE (nível dinâmico menos nível estático), como define o manual da CPRM.
Conferência do sensor: compare as duas leituras antes de ligar a bomba e depois do fim da recuperação.
Reserva: se o sensor ou a comunicação falharem, leituras manuais nos tempos da tabela podem salvar o teste.
O cuidado com o próprio medidor costuma ser esquecido: o manual da CPRM recomenda aferir o cabo do medidor a cada teste. Cabo esticado ou marcação gasta podem deslocar todas as leituras.
Os dois equipamentos precisam de caminho livre até a água. O tubo auxiliar, instalado junto ao edutor da bomba, evita que a sonda ou o sensor enrosquem no cabo elétrico. Ele aparece no TR de Victor Graeff, como regra daquele edital, e na IT-DPO nº 10 de São Paulo (2017, atualizada em 2018; confira se há versão nova). A montagem está no guia como instalar sensor de nível em poço artesiano.
O que o órgão pede quando o nível é medido por sensor?
Poucos documentos tratam do tipo de medidor de nível. Entre as fontes que levantamos, o mais detalhado é o IAT, no Paraná, com orientação própria para teste com transdutor.
Fonte | O que diz sobre a medição de nível |
Aceita o teste com transdutor, com cronograma, datalogger com modelo e intervalo de registro compatíveis com a NBR 12.244, faixa, resolução e acurácia do sensor, planilha de dados brutos, foto do hidrômetro no início, com 12 h e com 24 h, e imagens da telemetria, se usada | |
Prevê hidrômetro e tubo auxiliar "ou algum outro dispositivo de tecnologia atualizada"; confira se a SP Águas publicou versão nova | |
Aceita controle de rebaixamento "eletrônico" | |
Não trata do tipo de sensor; combine com a ANM antes do teste |
Mesmo fora do Paraná, é prudente ter em mãos a faixa, a resolução e a acurácia do sensor, tiradas da ficha técnica. O checklist completo está no post datalogger e transdutor no teste de bombeamento.
A outorga de poço é dada pelo órgão estadual, não pela ANA, que outorga só águas da União. Antes do teste, confirme com o órgão do seu estado se a medição por sensor precisa de algum registro extra.
Quando usar cada um?
Em geral, o arranjo que funciona melhor é o sensor registrando e o medidor elétrico conferindo. O datalogger autônomo faz sentido quando não há como transmitir os dados do local.

Só medidor elétrico: quando há equipe para cobrir todos os horários da tabela, inclusive a madrugada e o início da recuperação.
Sensor hidrostático com central: testes de 24 h ou mais, quando você quer acompanhar o gráfico de longe sem gente lendo nível à noite.
Transdutor com datalogger: locais sem sinal para transmitir. A desvantagem é que um problema só aparece quando os dados são baixados, às vezes depois do fim do teste.
Erros comuns na medição de nível durante o teste
Os problemas que mais vemos em campo são de preparo, não de equipamento. Quase todos se resolvem antes de ligar a bomba.
Cabo do medidor sem aferição: a marcação deixa de corresponder à profundidade real, e o erro passa para todas as leituras.
Falso contato da sonda: água escorrendo pela parede do revestimento pode fazer a sonda apitar antes do nível real. O tubo auxiliar reduz esse risco e evita que a sonda fique presa.
Sensor sem referência: profundidade de instalação não anotada ou não conferida com o nível estático da sonda. O registro sai completo, mas sobre uma referência errada.
Hora de partida sem registro: sem o horário exato em que a bomba ligou e desligou, a curva inteira se desloca no tempo.
Transdutor não ventilado sem correção barométrica: sensores de pressão absoluta também leem a pressão do ar. Sem descontar, a mudança do tempo aparece como mudança de nível.
Como o HIDROPAAS ajuda
O kit HIDROPAAS para teste reúne uma central de monitoramento, um sensor de nível hidrostático no poço e um hidrômetro ou medidor de vazão com telemetria. Nível e vazão são registrados automaticamente numa plataforma online, na web e no app.
Intervalo de leitura configurável: leituras frequentes no início e mais espaçadas depois, conforme a tabela pedida.
Acompanhamento ao vivo pelo celular ou pela web, com gráfico em tempo real.
Liga e desliga a bomba pelo app: inicia o bombeamento e a recuperação na hora programada.
Cálculos e gráficos automáticos: rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade por Cooper-Jacob e Theis, curva e percentual de recuperação, sugestão de vazão de explotação e gráficos rebaixamento x tempo e recuperação x tempo.
Relatório automático e planilha em Excel ou CSV, útil quando o órgão pede dados brutos, como o IAT no Paraná.
Com o registro automático, a equipe não precisa ficar 24 horas ou mais no poço lendo o nível. O que o órgão pede em campo, como as fotos do hidrômetro no Paraná, continua valendo.
Há três formas de usar: kit reutilizável para perfurador, geólogo ou consultoria levar de poço em poço; aluguel ou contratação por teste; ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS).
No kit e no aluguel, quem assina o relatório com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é o responsável técnico do cliente. No serviço, assina o geólogo da PAAS. O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada um. Veja o teste de bombeamento automático completo.
Perguntas frequentes
O medidor de nível elétrico serve para teste de bombeamento?
Serve. É o método tradicional de leitura manual e segue útil para medir o nível estático e conferir outros equipamentos. A limitação é operacional: alguém precisa ler cada tempo da tabela, inclusive à noite.
Qual a diferença entre sensor hidrostático e transdutor com datalogger?
Os dois medem a pressão da coluna de água acima deles. O sensor ligado a uma central envia as leituras e permite acompanhar ao vivo. O datalogger guarda os dados no aparelho, e você só vê o resultado ao baixá-los.
Preciso aferir o cabo do medidor de nível elétrico?
Sim. O manual de testes de bombeamento da CPRM, de 1998, recomenda aferir o cabo do medidor a cada teste. Cabo esticado ou com marcação gasta pode deslocar todas as leituras.
O órgão aceita teste feito com sensor de nível?
Depende do órgão. No Paraná, o IAT aceita teste com transdutor e lista os documentos exigidos, como faixa, resolução e acurácia do sensor. Em São Paulo, a IT-DPO nº 10 prevê "algum outro dispositivo de tecnologia atualizada"; a instrução é de 2017, atualizada em 2018, então confira se há versão nova. Nos demais casos, confirme com o órgão antes do teste.
Preciso de tubo auxiliar para medir o nível no teste?
É recomendável, e alguns documentos pedem: o termo de referência de Victor Graeff (RS), como regra daquele edital, e a IT-DPO nº 10 de São Paulo citam o tubo auxiliar. Ele evita que a sonda ou o sensor enrosquem no cabo elétrico e no edutor. Confira o que o órgão ou o edital do seu caso pede.
Dá para fazer o teste sem ninguém no poço?
Com registro automático, a equipe não precisa ficar as 24 horas ou mais lendo o nível. Ainda assim, alguém precisa preparar o poço, medir o nível estático e cumprir o que o órgão pede em campo, como as fotos do hidrômetro que o IAT pede no Paraná.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Se você executa ou contrata testes e quer o nível registrado sem equipe lendo na madrugada, veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
No teste de bombeamento, o sensor hidrostático cuida do registro contínuo e o medidor de nível elétrico cuida da referência e da conferência. Quer montar esse arranjo nos seus testes? Fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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