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Vazão de Explotação, Vazão Máxima e Vazão Outorgada: Qual a Diferença

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 20 horas
9 min de leitura

Vazão de explotação é a vazão que o poço pode fornecer no regime de operação previsto, sem rebaixar o nível além do que o poço e o aquífero suportam. Ela é recomendada pelo responsável técnico a partir do teste de bombeamento, costuma ficar abaixo da vazão máxima e serve de base para a vazão outorgada, que é a fixada pelo órgão.

Capa com o texto “Vazão de explotação x vazão outorgada” sobre a foto: tubulação de saída com registros, manômetro e transmissores usados para controlar e medir a vazão

Tem um teste pronto e não sabe qual vazão pedir? Mande os dados do teste para o HIDROPAAS no WhatsApp.

Vazão de teste, vazão máxima, vazão de explotação e vazão outorgada aparecem no mesmo relatório. Misturar uma com a outra tende a gerar pedido de complementação do órgão e bomba mal dimensionada.

O que é vazão de explotação de um poço?

Vazão de explotação é a vazão de uso do poço: quanto se pode bombear, em regime de operação, com segurança para o aquífero e para a bomba. É uma recomendação técnica calculada, não uma leitura de campo.

Explotação é o termo técnico para a retirada da água do aquífero. Ele aparece assim nas normas, como no art. 17 da Resolução ANM 193/2024 e na IN SEMADS 5/2023 de Goiás, que pede a vazão de explotação com nível dinâmico e estático no relatório.

Três grandezas sustentam a conta. O nível estático (NE) é a profundidade da água com a bomba parada; o nível dinâmico (ND), com a bomba ligada; e o rebaixamento é s = ND − NE, em metros, conforme o manual de testes da CPRM. Revise os conceitos no post sobre nível estático e dinâmico do poço e veja como esses dados são coletados no teste de bombeamento automático.

Qual a diferença entre vazão de teste, máxima, de explotação e outorgada?

A vazão de teste é medida, a máxima é um limite calculado, a de explotação é a recomendada para operar e a outorgada é a autorizada pelo órgão. Em geral, a outorgada fica igual ou abaixo da de explotação, que por sua vez não passa da máxima.

Vazão

O que é

De onde vem

Quem define

Vazão de teste

Vazão aplicada no ensaio, constante ou em etapas

Medida em campo (hidrômetro, medidor ou método volumétrico)

Quem executa o teste

Vazão máxima (possível)

Maior vazão dentro do rebaixamento disponível

Cálculo com Q/s ou equação característica

Responsável técnico

Vazão de explotação

Vazão recomendada para operar, com margem

Relatório do teste, com NE, ND e horas por dia

Responsável técnico, com ART (na água mineral, é a vazão aprovada pela ANM)

Vazão outorgada

Vazão autorizada no ato de outorga

Análise do pedido

Órgão estadual de recursos hídricos

A vazão de teste depende do plano do ensaio. No termo de referência de Victor Graeff/RS, por exemplo, o edital pede 24 h de bombeamento na vazão máxima. No teste escalonado, com etapas de vazão crescente, a maior vazão testada deve ser igual ou maior que a vazão de explotação, segundo a ANA.

A outorgada é a que vale juridicamente, e é com ela que o uso do poço é comparado na fiscalização. Lembre que a outorga de poço é estadual: a ANA outorga apenas águas de domínio da União.

Infográfico com quatro cartões que comparam vazão de teste, vazão máxima possível, vazão de explotação e vazão outorgada de um poço tubular.

Como o teste de bombeamento chega à vazão de explotação?

O caminho passa por três contas: rebaixamento, capacidade específica e rebaixamento disponível. Com elas, o técnico estima quanto o poço entrega sem levar o nível dinâmico abaixo de um limite seguro.

Fluxo em seis etapas que mostra como o teste de bombeamento leva ao rebaixamento, à vazão máxima, à vazão de explotação e à vazão outorgada do poço.

A capacidade específica é Q/s, em m³/h por metro de rebaixamento, segundo a CPRM (1998). O post capacidade específica do poço (Q/s) detalha a conta.

O mesmo manual traz um método simplificado, feito para o programa emergencial de poços. O rebaixamento disponível (RD) é 0,6 × (PC − NE) no sedimentar, onde PC é a profundidade do crivo da bomba, e 0,6 × (FP − NE) no cristalino, onde FP é a fenda mais produtora. A vazão de instalação é a Q/s do teste (12 h ou 24 h) vezes o RD.

Exemplo ilustrativo

  • Poço sedimentar, NE = 20 m, crivo da bomba previsto a 65 m.

  • Teste de 24 h a 15 m³/h, ND final de 50 m: s = 50 − 20 = 30 m.

  • Q/s = 15 ÷ 30 = 0,5 m³/h/m.

  • RD = 0,6 × (65 − 20) = 0,6 × 45 = 27 m.

  • Vazão de instalação = 0,5 × 27 = 13,5 m³/h.

Os 13,5 m³/h ficam abaixo dos 15 m³/h testados, sem recomendar acima do que foi ensaiado. Como o RD usa só 60% da coluna até o crivo, o resultado já traz folga: a CPRM o chama de vazão de instalação, e o responsável técnico pode adotá-lo como base da vazão de explotação. Com 16 h de bombeamento por dia (exemplo ilustrativo), o volume seria 13,5 × 16 = 216 m³/dia. Vazão, horas e volume formam o conjunto que vai para o pedido.

O método simplificado supõe que o rebaixamento cresce na mesma proporção da vazão. Na prática, parte dele é perda no próprio poço, que cresce mais rápido. Por isso o teste escalonado usa a equação característica s = BQ + CQ², em que BQ é a perda no aquífero e CQ² a perda no poço, como apresenta a ANA. Veja como obter B e C no post sobre teste escalonado e equação característica.

Técnico acompanha no notebook os dados de uma tubulação com medidor de vazão

O que a ANM chama de vazão de explotação na água mineral?

Na água mineral, a vazão de explotação é a aprovada pela ANM no Relatório Final de Pesquisa ou na Reavaliação de Reservas, considerando os testes de vazão, conforme o art. 17 da Resolução ANM 193/2024. O número nasce no teste, mas só vale depois de aprovado.

A resolução manteve os itens 4.4 a 4.5.4 da Portaria DNPM 374/2009, sobre ensaios de bombeamento. Segundo o item 4.4 da Portaria 374/2009, o relatório traz fotos e três vazões: Máxima Permissível, Máxima Possível e Recomendada (item 4.4.15). Confira o texto integral da portaria antes de montar o relatório.

A portaria também pede o nível dinâmico acima da principal zona de contribuição (item 4.4.8) e recomenda eficiência mínima de 75% (item 4.4.10). Como a eficiência cai quando a vazão sobe, esses critérios tendem a limitar a vazão recomendada. Detalhes em teste de bombeamento para água mineral: o que a ANM exige.

O que os órgãos estaduais pedem sobre vazão na outorga?

Cada estado tem seu formulário, e a regra de um órgão não vale para outro. Nos órgãos da tabela abaixo, o ponto em comum é o relatório com NE, ND, vazão e responsável técnico; o que muda é o detalhe.

Órgão

O que pede sobre vazão

Observação

RS (SEMA/DRHS)

Tempo, profundidade da bomba, vazão, NE, ND, rebaixamento, memória de cálculo e ART, no TR HP02A

Arquivo de 2016; confira a versão no SIOUT

SP (IT-DPO nº 10)

Bombeamento de no máximo 20 h por dia; em caso excepcional, parar até recuperar ao menos 80%; guardar registros de volume, NE e ND, na IT-DPO 10

De 2017, atualizada em 2018; confira se a SP Águas publicou versão nova

PR (IAT)

Teste de pelo menos 24 h com 6 h de recuperação, feito há no máximo 5 anos, planilhas assinadas por RT e ART, segundo o IAT

Teste mais antigo não atende a regra

GO (IN SEMADS 5/2023)

Vazão de explotação com ND e NE, curvas e curva característica, assinatura do RT, na IN SEMADS 5/2023

ART de profissional habilitado em GO

AM (IPAAM)

Equação característica para 1 h, 1 ano e 5 anos e vazão máxima possível pelo rebaixamento máximo disponível, no formulário do IPAAM

Formulário de 2016

Para durações e recuperação de cada estado lado a lado, consulte a tabela de teste de bombeamento para outorga por estado, no site da PAAS. As regras mudam; a análise de cada caso é feita por profissional habilitado.

O que costuma entrar no pedido de outorga

  • Vazão pedida, em m³/h, apoiada na vazão de explotação do relatório.

  • Horas de bombeamento por dia e volume diário ou mensal.

  • NE e ND do teste, com data e profundidade da bomba.

  • Relatório com gráficos, memória de cálculo e ART.

A lista exata e o formato seguem o formulário de cada órgão.

Erros comuns ao definir a vazão de explotação

É comum chegarem até nós relatórios com os mesmos problemas:

  • Pedir outorga pela vazão do teste. Ela mostra o que o poço deu no ensaio; a de explotação inclui margem para operar todo dia.

  • Recomendar acima da maior vazão testada. Extrapolar Q/s ignora as perdas no poço, que crescem mais rápido que a vazão.

  • Confundir vazão da bomba com vazão do poço. A curva da bomba diz o que ela consegue recalcar; o teste diz o que o poço entrega.

  • Esquecer as horas por dia. A mesma vazão com 8 h ou 20 h gera volumes e rebaixamentos bem diferentes.

  • Ignorar a época do teste. O nível estático varia no ano. Registre a data e deixe folga para a estiagem.

  • Posicionar o crivo sem olhar o ND. Com o nível dinâmico perto do crivo, a bomba pode puxar ar, e o rebaixamento disponível do cálculo deixa de valer.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS registra o teste que dá origem a essas vazões. O kit tem central de monitoramento, sensor de nível hidrostático no poço e hidrômetro ou medidor de vazão com telemetria; os dados vão para a plataforma online, na web e no app.

  • Registro automático de nível e vazão, com intervalo de leitura configurável.

  • Liga e desliga a bomba pelo app, na hora programada, para iniciar o bombeamento e a recuperação.

  • Acompanhamento ao vivo pelo celular, sem equipe 24 h ou mais ao lado do poço.

  • Cálculo automático de rebaixamento, Q/s, transmissividade (Cooper-Jacob e Theis), curva e percentual de recuperação, e sugestão de vazão recomendada de explotação.

  • Gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo, relatório automático e exportação em planilha (Excel/CSV).

A sugestão de vazão é um ponto de partida: quem define a vazão de explotação é o responsável técnico. O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada órgão.

Há três modelos: kit reutilizável, para perfurador, geólogo ou consultoria levar de poço em poço; aluguel ou contratação por teste; ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS, com ART.

Perguntas frequentes

O que é vazão de explotação?

É a vazão recomendada para operar o poço no regime de operação previsto, sem rebaixar o nível além do que o poço e o aquífero suportam. Ela é definida pelo responsável técnico a partir do teste de bombeamento.

Vazão de explotação e vazão outorgada são a mesma coisa?

Não necessariamente. A de explotação é a recomendação técnica do relatório; a outorgada é a que o órgão autoriza. Em geral, a outorgada fica igual ou abaixo da de explotação, conforme a necessidade de uso e a análise do órgão.

A vazão de explotação pode ser maior que a vazão do teste?

Não é o recomendado. Segundo a ANA, no teste escalonado a maior vazão testada deve ser igual ou maior que a vazão de explotação.

Como calcular a vazão de explotação a partir do teste?

Um caminho é o método simplificado da CPRM: capacidade específica (Q/s) vezes o rebaixamento disponível. Em teste escalonado, a equação característica s = BQ + CQ² dá uma estimativa mais completa. O valor final é decisão do responsável técnico.

Quantas horas por dia posso bombear o poço?

Depende do estado e do ato de outorga. Em São Paulo, a IT-DPO nº 10 (de 2017, atualizada em 2018; confira se a SP Águas publicou versão nova) prevê bombeamento de no máximo 20 horas por dia. Em outros estados, confira o regime previsto na sua outorga.

Na água mineral, quem define a vazão de explotação?

A ANM. Pelo art. 17 da Resolução ANM 193/2024, ela é a vazão aprovada no Relatório Final de Pesquisa ou na Reavaliação de Reservas, considerando os testes de vazão.

Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento

Para ter NE, ND, Q/s e uma sugestão de vazão de explotação saindo direto do teste, veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Resumindo: a vazão de teste é medida, a máxima é o limite, a de explotação é a recomendada pelo responsável técnico e a outorgada é a que o órgão autoriza. Para definir a do seu poço, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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