Intervalo de Leitura no Teste de Bombeamento: Tabelas ANA, CPRM e ABAS

Atualizado: há 9 horas
O intervalo de leitura no teste de bombeamento não segue uma tabela nacional pública única. As tabelas da ANA, CPRM e ABAS seguem a mesma lógica: nível a cada 1 minuto no início, com intervalos crescentes até 60 ou 100 minutos. No Paraná, o IAT pede os intervalos da seção 6.1 da NBR 12.244.

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Este guia funciona como ficha de campo: compara as tabelas técnicas públicas, mostra onde entra a NBR 12.244 e o que registrar além do nível. Para ver o teste completo, do equipamento ao relatório, leia o guia do teste de bombeamento automático.
Por que as leituras são mais frequentes no começo do teste?
Porque o nível da água cai rápido logo que a bomba liga e depois desce cada vez mais devagar. Com intervalo fixo e longo, a parte mais informativa da curva ficaria quase sem pontos.
O valor acompanhado é o rebaixamento (s): a diferença entre o nível dinâmico (ND, bomba ligada) e o nível estático (NE, antes de ligar). O manual da CPRM define s = ND − NE, em metros.
Os dados costumam ir para um gráfico semilog, com o tempo em escala logarítmica. Nele, o trecho de 1 a 10 minutos ocupa o mesmo espaço que o de 100 a 1.000 minutos, e leituras que se espaçam aos poucos distribuem bem os pontos. No RS, o termo de referência HP02A da SEMA pede os gráficos em semilog (arquivo de 2016; confira a versão atual no SIOUT).
Os pontos finais formam o trecho reto usado no método de Cooper-Jacob, que vale para tempos longos. Para interpretar o desenho completo, veja como ler a curva de rebaixamento x tempo.
Quais são as tabelas de intervalo de leitura da ANA, da CPRM e da ABAS?
São quatro referências públicas, e nenhuma é idêntica à outra. ANA, CPRM e ABAS começam com leituras de minuto em minuto; o IPAAM começa em 1, 3 e 5 minutos. Todas terminam com intervalos de 1 hora ou mais.
ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico): apresentação técnica na oficina do Progestão, nov/2025.
CPRM (Serviço Geológico do Brasil): Manual Prático de Testes de Bombeamento, Feitosa e Costa Filho, 1998.
IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas): formulário de relatório de teste, 2016.
ABAS (Associação Brasileira de Águas Subterrâneas): artigo técnico de Mariano, de cerca de 2005.
A tabela compara ANA, CPRM e ABAS pelas faixas da ANA. Os valores dizem de quanto em quanto tempo o nível é lido, contando a partir do momento em que a bomba liga.
Tempo de bombeamento | ANA (2025) | CPRM (1998) | ABAS (c. 2005) |
0 a 10 min | 1 min | 1 min até 6 min; 2 min depois | 1 min |
10 a 20 min | 2 min | 2 min até 12; 3 min até 15; 5 min até 20 | 2 min até 18; 3 min depois |
20 a 50 min | 5 min | 5 min até 30; 10 min depois | 3 min até 30; 10 min depois |
50 a 100 min | 10 min | 10 min até 80; 20 min depois | 10 min |
100 a 500 min | 30 min | 20 min até 120; 30 min até 180; 60 min depois | 20 min até 180; 30 min até 300; 60 min depois |
500 a 1.000 min | 60 min | segue até 720 min (cristalino) ou 1.440 min (sedimentar) | 60 min |
Acima de 1.000 min | 100 min | até 1.440 min no sedimentar | 60 min |
O IPAAM lista tempos em vez de faixas: 1, 3, 5, 10, 15, 20, 25, 30, 40, 50, 60, 80, 100, 120, 150, 180, 210, 240 e 300 minutos. Depois, a leitura passa a ser de hora em hora até 1.440 minutos (24 horas).

As três tabelas quase se sobrepõem na primeira hora e se afastam depois de 100 minutos. No campo, o que mais pesa é não perder os primeiros minutos.
A ANA não outorga poço: segundo a própria agência, isso cabe ao órgão estadual. A tabela dela é referência técnica.
Quantas leituras tem um teste de 24 horas?
Pela tabela da ABAS, um teste de 24 horas soma 52 leituras de nível, sem contar o nível estático no tempo zero. Mais da metade cai nas primeiras 3 horas.
Exemplo ilustrativo, contando os tempos da tabela da ABAS:
0 a 10 min, a cada 1 min: 10 leituras.
10 a 18 min, a cada 2 min: 4 leituras.
18 a 30 min, a cada 3 min: 4 leituras.
30 a 100 min, a cada 10 min: 7 leituras.
100 a 180 min, a cada 20 min: 4 leituras.
180 a 300 min, a cada 30 min: 4 leituras.
300 a 1.440 min, a cada 60 min: 19 leituras.
São 52 leituras, 29 delas até os 180 minutos. Com 4 horas de recuperação lidas nos mesmos tempos, entram mais 31, somando 83. Dependendo da hora de início, várias caem de madrugada.

E a tabela da NBR 12.244, onde entra?
A NBR 12.244:2006, norma da ABNT de construção de poço tubular, traz os intervalos de leitura na seção 6.1, como registra o IAT nas orientações para teste de produção. Como o texto da ABNT não é público, este post não reproduz os valores da norma.
Paraná: o IAT pede pelo menos 24 h de bombeamento e 6 h de recuperação, conforme a NBR 12.244/2006, com planilha nos intervalos da seção 6.1.
São Paulo: a IT-DPO nº 10 pede os ensaios de vazão e recuperação conforme a NBR 12.244/2006. É de 2017, atualizada em 2018; confira se a SP Águas publicou versão nova.
Água mineral: o item 4.4.5 da Portaria DNPM 374/2009, mantido pela Resolução ANM 193/2024, manda ler "conforme normas da ABNT".
Quando o órgão cita a NBR, vale a tabela da norma. As tabelas técnicas ajudam a entender a lógica e servem de base quando o formulário não define os tempos.
Como fica a leitura na recuperação e no teste escalonado?
Na recuperação, o relógio zera quando a bomba desliga e as leituras recomeçam densas. No manual da CPRM, a recuperação é lida nos mesmos tempos do bombeamento.
O termo de referência de Victor Graeff (RS) segue a mesma ideia: recuperação mínima de 4 horas com a mesma frequência de leitura. Duração e percentual recuperado variam por órgão; veja o post sobre teste de recuperação do poço.
No escalonado, a vazão sobe em etapas. O formulário do IPAAM descreve 4 etapas de 1 hora (Q/4, 2Q/4, 3Q/4 e Q); o artigo da ABAS propõe 4 etapas de 1 hora depois do teste de 24 h e de pelo menos 4 h de recuperação.
As fontes consultadas não trazem tabela própria por degrau. Como cada aumento de vazão gera novo rebaixamento rápido, em geral vale adensar as leituras no início de cada etapa. O cálculo está no guia do teste escalonado.
O que registrar além do nível da água?
A planilha também precisa mostrar que a vazão ficou constante e, em alguns estados, provar quando e onde o teste aconteceu.
Vazão: o artigo da ABAS indica medir a vazão a cada 1 hora.
Fotos no Paraná: as orientações do IAT pedem fotos com coordenada, data e hora no início e a cada 6 horas (6, 12, 18 e 24 h), com mínimo de 5 no rebaixamento.
Hidrômetro com transdutor: a orientação do IAT para transdutores pede foto do hidrômetro no início, com 12 h e com 24 h.
Relatório no RS: o TR HP02A (arquivo de 2016; confira a versão atual no SIOUT) pede tempo, profundidade da bomba, vazão, NE, ND, rebaixamento e memória de cálculo.

Erros comuns na planilha de leituras
É comum chegarem até nós fichas em que o problema não está na tabela escolhida, e sim na execução:
Tempo zero sem registro: a bomba liga e só depois alguém dispara o cronômetro, deslocando as primeiras leituras.
Primeiros minutos perdidos: a equipe regula a vazão e deixa de ler o nível no trecho mais denso da tabela.
Relógio da recuperação sem zerar: a recuperação é anotada com o tempo total do teste, e não desde o desligamento.
Nível estático sem repouso: no Paraná, as orientações do IAT pedem repouso de pelo menos 12 horas antes do teste.
Medidor sem conferência: o manual da CPRM recomenda aferir o cabo do medidor de nível a cada teste.
Madrugada "completada" depois: valores preenchidos de memória costumam aparecer como degraus estranhos na curva.
Anote o horário do relógio e os minutos decorridos, para cruzar leituras, fotos e hidrômetro. Se o teste for com transdutor, veja o que o IAT pede no post sobre datalogger e transdutor no teste de bombeamento.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra nível e vazão automaticamente, com intervalo de leitura configurável: frequente no início e mais espaçado depois. Assim o registro pode seguir a tabela que o órgão ou o edital pedir.
Kit: central de monitoramento, sensor de nível hidrostático no poço e hidrômetro ou medidor de vazão com telemetria, com dados na plataforma online (web e app).
Tempo zero programado: a bomba liga e desliga pelo app, iniciando o bombeamento e a recuperação na hora marcada.
Ao vivo: gráfico em tempo real, sem a equipe precisar ficar 24 horas ou mais no poço.
Cálculos: rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade por Cooper-Jacob ou Theis, curva e percentual de recuperação e sugestão de vazão de explotação.
Saídas: gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo, relatório automático e planilha das leituras em Excel ou CSV.
São três formatos: kit reutilizável para perfurador, geólogo ou consultoria levar de poço em poço; aluguel ou contratação por teste; ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS.
O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir; o formato final segue o formulário de cada um. No Paraná, a orientação do IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, desde que venham os documentos listados.
Perguntas frequentes
De quanto em quanto tempo se mede o nível no início do teste de bombeamento?
Nas tabelas da ANA e da ABAS, o nível é medido a cada 1 minuto nos primeiros 10 minutos. Na ficha do manual da CPRM, a leitura é de minuto em minuto até 6 minutos e passa a 2 minutos depois. Se o órgão do seu estado define outra tabela, vale a do órgão.
A NBR 12.244 tem tabela de intervalo de leitura?
Sim. Segundo o IAT do Paraná, a NBR 12.244:2006 traz os intervalos de leitura na seção 6.1. O texto da ABNT não é público, por isso a tabela deve ser consultada na norma original.
A recuperação usa os mesmos intervalos do bombeamento?
No manual da CPRM, sim: a recuperação é lida nos mesmos tempos, contados a partir do desligamento da bomba. O termo de referência de Victor Graeff (RS) também pede recuperação mínima de 4 horas com a mesma frequência.
De quanto em quanto tempo medir a vazão durante o teste?
O artigo técnico publicado pela ABAS indica medir a vazão a cada 1 hora. No Paraná, no teste com transdutor, o IAT pede foto do hidrômetro no início, com 12 horas e com 24 horas.
Um registrador com leitura a cada 1 minuto atende a qualquer tabela?
Em termos de dados, tende a atender, porque os tempos das tabelas da ANA, CPRM, IPAAM e ABAS caem em minutos inteiros. Basta filtrar os tempos pedidos. No Paraná, o IAT exige intervalo de registro compatível com a NBR 12.244 e a planilha de dados brutos.
Qual tabela usar se o órgão não definir os intervalos?
Siga primeiro o formulário ou termo de referência do órgão ou do edital. Se ele não trouxer tempos, as tabelas da ANA, CPRM e ABAS seguem a mesma lógica e servem de referência. Informe no relatório qual foi usada; a decisão cabe ao responsável técnico.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Registre nível e vazão no intervalo que a tabela pede e receba o relatório com gráficos: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Leituras densas no início, espaçadas no fim e conferidas com o formulário do órgão formam uma planilha de teste que se sustenta. Para automatizar as leituras do próximo teste, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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