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Método de Cooper-Jacob: Como Calcular a Transmissividade (Exemplo Resolvido)

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 20 horas
9 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

O método de Cooper-Jacob calcula a transmissividade do aquífero com uma reta: você plota o rebaixamento contra o logaritmo do tempo, lê quanto o nível desce em um ciclo log (Δs) e aplica T = 0,183·Q/Δs. Com a vazão em m³/h, T sai em m²/h; com a vazão em m³/dia, sai em m²/dia.

Capa com o texto “Cooper-Jacob: calcule a transmissividade” sobre a foto: técnico acompanha no notebook os dados de uma tubulação com medidor de vazão

Tem os dados de um teste de bombeamento e quer conferir a transmissividade? Mande suas leituras para um especialista no WhatsApp.

O que é o método de Cooper-Jacob?

O método de Cooper-Jacob é uma simplificação da solução de Theis para interpretar testes de bombeamento. Ele troca o ajuste de curvas por uma reta em gráfico semilog, o que deixa o cálculo rápido e fácil de conferir. A formulação aparece no manual de testes de aquífero do USGS (Ferris e colaboradores, 1962).

Transmissividade (T) é a capacidade do aquífero de transmitir água em toda a sua espessura saturada. Quanto maior o T, menos o nível desce para uma mesma vazão. É um dos parâmetros usados para dimensionar o poço e avaliar a interferência entre captações.

A base é a equação de Theis, s = (Q/4πT)·W(u), com u = r²S/(4Tt), como resume o artigo publicado na revista Águas Subterrâneas, da ABAS. Quando u fica pequeno, isto é, nos tempos longos do teste, W(u) passa a se comportar como uma reta contra o logaritmo do tempo. É essa reta que o método aproveita.

Qual é a fórmula de Cooper-Jacob e quais unidades usar?

A fórmula é T = 2,30·Q/(4π·Δs), que simplifica para T = 0,183·Q/Δs, segundo o USGS (Water-Supply Paper 1536-E). O 0,183 é 2,30 dividido por 4π, e o 2,30 converte logaritmo natural em decimal. Δs é o rebaixamento ao longo de um ciclo logarítmico, por exemplo entre 10 e 100 minutos.

Como Δs está em metros, a unidade de T acompanha a unidade da vazão. É aqui que aparece a maior parte dos erros de conta:

Vazão (Q) em

Δs em

T sai em

Observação

m³/h

m

m²/h

Para m²/dia, multiplique por 24

m³/dia

m

m²/dia

Unidade comum em relatórios

L/s

m

Converta Q antes

1 L/s = 3,6 m³/h

A unidade do tempo não entra no cálculo de T. Um ciclo log é uma razão de 10 entre dois tempos, então Δs não muda se você registrou em minutos ou em horas. O tempo só volta a importar no coeficiente de armazenamento.

Como calcular a transmissividade passo a passo?

O cálculo tem seis passos. Veja um exemplo ilustrativo, com números escolhidos para a conta ficar clara: poço bombeado a vazão constante de 20 m³/h durante 24 horas (1.440 minutos).

Tempo (min)

log10 do tempo

Rebaixamento s (m)

1

0

3,00

10

1

5,00

20

1,30

5,60

100

2

7,00

500

2,70

8,40

1.440

3,16

9,32

  1. Calcule o rebaixamento de cada leitura. Use s = ND - NE (nível dinâmico menos nível estático), como define o Manual Prático de Testes de Bombeamento da CPRM (1998).

  2. Plote em semilog. Tempo no eixo logarítmico, rebaixamento no eixo linear.

  3. Trace a reta pelos tempos longos. Descarte pontos iniciais fora do alinhamento.

  4. Leia Δs em um ciclo. Em 10 minutos, s = 5,00 m; em 100 minutos, s = 7,00 m. Logo, Δs = 7,00 - 5,00 = 2,00 m.

  5. Converta a vazão, se quiser T por dia. 20 m³/h × 24 h = 480 m³/dia.

  6. Aplique a fórmula. T = 0,183 × 480 / 2,0 = 87,84 / 2,0 ≈ 43,9 m²/dia.

No exemplo, todos os pontos já caem na reta porque são dados ilustrativos; com dados reais, os primeiros minutos costumam desviar e devem ficar fora do ajuste.

Confira pela outra unidade: T = 0,183 × 20 / 2,0 = 1,83 m²/h. Multiplicando por 24, dá os mesmos 43,9 m²/dia. Se as contas não baterem, há erro de unidade.

Gráfico semilog do exemplo ilustrativo: o rebaixamento sobe 2,0 m por ciclo log, de 5,00 m em 10 minutos para 7,00 m em 100 minutos, com vazão de 20 m³/h

Às vezes o trecho confiável da reta não cobre um ciclo inteiro. Use então dois pontos quaisquer dela: Δs = (s2 - s1) / log10(t2/t1). No exemplo, entre 20 min (5,60 m) e 500 min (8,40 m), Δs = 2,80 / log10(25) = 2,80 / 1,398 ≈ 2,0 m.

O mesmo teste dá a vazão específica: 20 m³/h divididos por 9,32 m de rebaixamento em 24 horas resultam em cerca de 2,15 m³/h/m. Veja como usar esse número no post sobre capacidade específica do poço (Q/s).

Poço tubular em teste de bombeamento com o tubo de descarga lançando água num canal e o medidor de nível ao lado da boca do poço

Exemplo real: quanto deu a transmissividade no estudo da UFOP?

Uma monografia da UFOP de 2018 aplicou o método a um teste com Q = 216 m³/h e Δs = 0,072 m. Pela fórmula, T = 0,183 × 216 / 0,072 = 549 m²/h, cerca de 13.200 m²/dia. A conta confere com o valor publicado no trabalho.

Repare no Δs: pouco mais de 7 centímetros por ciclo. Em aquíferos muito transmissivos, a reta fica quase deitada e pequenos erros de leitura pesam muito. Exemplo ilustrativo: se o Δs fosse lido como 0,062 m, só 1 cm a menos, T subiria para cerca de 638 m²/h.

Em poços de alta vazão, fazem diferença as leituras densas, um sensor de nível com resolução adequada e a vazão realmente constante.

Quando o método de Cooper-Jacob vale?

O método vale quando u é pequeno, ou seja, nos tempos longos do teste, conforme o resumo do USGS. Como u = r²S/(4Tt), ele diminui com o tempo e aumenta com a distância r. Por isso os primeiros minutos costumam ficar fora da reta.

  • No poço bombeado, r é o raio do próprio poço, e a condição tende a ser atingida cedo.

  • Num poço de observação distante, é preciso esperar mais para os pontos entrarem na reta.

  • Vazão constante é premissa. Se a vazão mudou no meio do teste, o trecho seguinte não pode ser lido na mesma reta.

  • Hipóteses de Theis. O método herda premissas como aquífero confinado, homogêneo e extenso. Fora delas, o resultado tende a ser uma aproximação.

As perdas de carga do poço, o termo CQ² da equação característica s = BQ + CQ² descrita pela ANA, somam um valor fixo quando Q é constante. Elas deslocam a reta, mas não mudam a inclinação, que é o que dá T. Entenda esse termo no post sobre teste escalonado e equação característica.

Mudanças de inclinação no fim do teste podem indicar barreira ou recarga. Para reconhecer esses sinais, veja como ler a curva de rebaixamento x tempo.

Como calcular o coeficiente de armazenamento (S)?

O coeficiente de armazenamento sai de S = 2,25·T·t₀/r², onde t₀ é o tempo em que a reta cruza s = 0 e r é a distância até o poço bombeado. Para isso, o USGS usa um poço de observação a distância conhecida.

No poço bombeado, o raio efetivo é incerto e as perdas de carga deslocam a reta, então o t₀ lido ali não representa o aquífero. A ANA separa os casos: o teste de produção define vazão e profundidade da bomba; o teste de aquífero, com poço de observação e 24 a 72 horas por etapa, fornece K, T e S.

T e t₀ precisam estar na mesma base de tempo: T em m²/dia pede t₀ em dias; T em m²/h pede t₀ em horas. S é adimensional.

Qual a diferença entre Cooper-Jacob e Theis?

Theis ajusta uma curva-tipo a todos os dados do teste; Cooper-Jacob usa só o trecho reto dos tempos longos. Os dois partem da mesma equação e, com dados bons, tendem a dar valores de T próximos.

Aspecto

Theis

Cooper-Jacob

Como interpreta

Ajuste da curva W(u) aos dados

Reta em gráfico semilog

Trecho usado

Todo o teste

Tempos longos (u pequeno)

Cálculo de T

s = (Q/4πT)·W(u)

T = 0,183·Q/Δs

Cálculo de S

Com poço de observação

Com poço de observação (t₀ e r)

Conferência

Ajuste visual ou software

Fácil de refazer à mão

A recuperação segue a mesma lógica: pela recuperação de Theis, s' = (2,30·Q/4πT)·log(t/t'), então T = 0,183·Q/Δs'. As fichas da CPRM trazem a coluna tb/t' + 1 para esse gráfico. Veja o post sobre teste de recuperação do poço.

Infográfico com os seis passos do método de Cooper-Jacob, do registro de nível e tempo até o cálculo de T igual a 43,9 m²/dia no exemplo ilustrativo

O órgão ambiental pede o método de Cooper-Jacob?

Depende do estado, porque a outorga de poço é estadual e a ANA outorga só águas de domínio da União. Alguns órgãos citam o método ou os gráficos que ele usa:

  • São Paulo: a IT-DPO nº 10 pede interpretação "preferencialmente pelo Método de Jacob", informando a transmissividade. O texto é de 2017, atualizado em 2018; confira se a SP Águas publicou versão nova. Veja o guia do teste de bombeamento para outorga em SP.

  • Rio Grande do Sul: o termo de referência HP02A da SEMA pede gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo em semilog, com memória de cálculo. O arquivo é de 2016; confira a versão atual no SIOUT.

  • Goiás: a IN SEMADS 5/2023 pede a interpretação do teste e as curvas tempo x rebaixamento e tempo x recuperação, assinadas pelo responsável técnico.

Nos demais estados, confira o formulário do órgão antes do teste.

Erros comuns no cálculo de Cooper-Jacob

É comum chegarem até nós planilhas com a transmissividade errada por detalhes simples:

  • Misturar unidades. Calcular com Q em m³/h e escrever o resultado em m²/dia sem multiplicar por 24.

  • Confundir Δs com s. Δs é a variação por ciclo log, não o rebaixamento total.

  • Traçar a reta pelos primeiros minutos. O trecho inicial costuma sair do alinhamento e distorce a inclinação.

  • Ler a reta com vazão oscilando. A inclinação passa a refletir a oscilação, não o aquífero.

  • Poucas leituras no começo. Sem pontos nos primeiros minutos, a primeira década do gráfico fica vazia.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS registra nível e vazão automaticamente, com sensor de nível hidrostático no poço, medidor de vazão com telemetria e central de monitoramento. O intervalo de leitura é configurável: frequente no início e mais espaçado depois, o que preenche bem o gráfico semilog.

A plataforma calcula rebaixamento, capacidade específica e transmissividade pelos métodos de Cooper-Jacob e Theis, e gera os gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo. Você acompanha ao vivo pelo celular, liga e desliga a bomba pelo app e inicia a recuperação na hora programada, sem equipe 24 horas no poço.

As leituras saem em planilha (Excel/CSV), para conferir a reta em outro software. Veja o funcionamento completo no guia do teste de bombeamento automático.

  • Kit reutilizável: para perfurador, geólogo ou consultoria levar de poço em poço.

  • Aluguel ou por teste: para quem testa poços de vez em quando.

  • A PAAS executa o teste com o sistema e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS).

No kit e no aluguel, a plataforma gera o relatório automático, e quem assina com ART é o responsável técnico do cliente. No serviço, o geólogo da PAAS assina com ART. O relatório reúne os dados que o órgão costuma pedir; o formato final segue o formulário de cada órgão.

Perguntas frequentes

O que é transmissividade de um aquífero?

É a capacidade do aquífero de transmitir água em toda a sua espessura saturada. Com transmissividade alta, o nível desce pouco para uma mesma vazão. A unidade é m²/h ou m²/dia, conforme a unidade da vazão.

Qual é a fórmula do método de Cooper-Jacob?

T = 0,183·Q/Δs, que vem de T = 2,30·Q/(4π·Δs). Q é a vazão constante do teste e Δs é o rebaixamento em um ciclo logarítmico do tempo.

Dá para usar Cooper-Jacob só com os dados do poço bombeado?

Sim, para estimar a transmissividade, desde que a vazão seja constante: as perdas de carga deslocam a reta sem mudar a inclinação. Já o coeficiente de armazenamento (S) depende de t₀ e da distância r, e pede um poço de observação.

Qual a diferença entre o método de Theis e o de Cooper-Jacob?

Theis ajusta uma curva-tipo a todos os dados do teste. Cooper-Jacob simplifica Theis e usa só o trecho reto dos tempos longos, em gráfico semilog.

Dá para calcular a transmissividade pela recuperação?

Sim. Pela recuperação de Theis, plota-se o rebaixamento residual contra o log de t/t', e T = 0,183·Q/Δs'. É uma boa forma de conferir o valor obtido no bombeamento.

O órgão ambiental exige o método de Cooper-Jacob?

Depende do estado. Em São Paulo, a IT-DPO nº 10 (texto de 2017, atualizado em 2018) pede interpretação preferencialmente pelo Método de Jacob, informando a transmissividade; confira se a SP Águas publicou versão nova. Em outros estados, confira o formulário do órgão.

Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento

Registre nível e vazão automaticamente, sem precisar de equipe 24 horas no poço, e receba gráficos e transmissividade calculados: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Com vazão constante, reta semilog e unidades certas, o método de Cooper-Jacob entrega a transmissividade em poucos minutos. Quer ajuda com o seu teste? Fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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