Teste Escalonado de Poço: Equação Característica e Eficiência

O teste escalonado de poço bombeia em etapas de vazão crescente e mede o rebaixamento no fim de cada etapa. Com esses pares, ajusta-se a equação característica s = BQ + CQ², que separa a perda no aquífero (BQ) da perda no poço (CQ²) e dá a eficiência e = BQ/(BQ + CQ²), segundo a ANA.

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O que é o teste escalonado de poço?
É um teste de produção em que a vazão sobe em degraus, e cada degrau tem vazão constante. A ANA (oficina técnica de nov/2025) descreve pelo menos 3 etapas. A maior vazão deve ser igual ou maior que a vazão de explotação, isto é, a vazão que o poço vai bombear no uso.
Segundo a mesma apresentação, cada etapa dura em geral de 2 a 6 horas. O teste de produção é feito no próprio poço e ajuda a definir a vazão e a profundidade da bomba.
O rebaixamento (s) é a diferença entre o nível dinâmico (ND, com a bomba ligada) e o nível estático (NE, em repouso): s = ND − NE, como define o Manual Prático de Testes de Bombeamento da CPRM. Para o teste completo, do equipamento ao relatório, leia o guia de teste de bombeamento automático.
Escalonado, sucessivo ou contínuo: qual a diferença?
A diferença está no que acontece entre as etapas. No escalonado, a bomba não para e a vazão sobe direto para o degrau seguinte. No sucessivo, o poço recupera entre uma etapa e outra, segundo a terminologia da ANA.
Cuidado com os nomes. No Espírito Santo, a norma AGERH 002/2017 chama de “contínuo” o que a ANA chama de “escalonado”. Existe uma IN AGERH 002/2019 posterior, então confira o termo no formulário vigente.
Em São Paulo, a IT-DPO nº 10 (texto de 2017, atualizado em 2018; confira se há versão nova da SP Águas) também pede as etapas sem parar a bomba. Se a bomba desligar no meio do teste, o ensaio deixa de ser escalonado e a interpretação muda.
Quando o órgão pede o teste escalonado?
Depende do órgão e, em vários casos, da vazão do poço. Não há regra nacional única: a outorga de poço é estadual, e a ANA outorga só águas de domínio da União.
Fonte | Quando se aplica | Etapas | Duração por etapa |
Teste de produção escalonado | 3 ou mais, vazão crescente; maior etapa igual ou acima da explotação | 2 a 6 h | |
Vazão estabilizada de 20 m³/h ou mais; recomendado para aquífero sedimentar | 4: 20, 60, 80 e 100% da vazão máxima | 1 h ou mais, sem parar a bomba | |
Vazão acima de 30 m³/h | 4: Q/4, 2Q/4, 3Q/4 e Q | 1 h | |
Relatório de teste de bombeamento | 4: Q/4, 2Q/4, 3Q/4 e Q | 1 h | |
Água mineral com vazão acima de 10 m³/h | 4: 25, 50, 75 e 100% | Confira no texto da portaria |
Duas ressalvas. O termo do RS é um arquivo de 2016: confira a versão atual no SIOUT. A IT-DPO 10 é de 2017, atualizada em 2018: confira se a SP Águas publicou versão nova. Para o caso paulista em detalhe, veja teste de bombeamento para outorga em SP.

O que é a equação característica do poço?
É a equação que liga o rebaixamento à vazão: s = BQ + CQ². Segundo a ANA, BQ é a perda de carga no aquífero (escoamento laminar) e CQ² é a perda no poço (escoamento turbulento).
Na prática, B reflete o aquífero em volta do poço. C reflete a construção e o estado do poço: filtro, pré-filtro e desenvolvimento. Como CQ² cresce com o quadrado da vazão, dobrar a vazão tende a mais que dobrar o rebaixamento.
A Portaria DNPM 374/2009, no item 4.4, usa a forma geral s = BQ + CQⁿ. Com n = 2, é a mesma equação da ANA. A redação aqui é resumida, então confira o texto oficial.
Alguns órgãos pedem a equação no relatório. O formulário do IPAAM pede a equação característica para 1 hora, 1 ano e 5 anos. Em Goiás, a IN SEMADS 5/2023 pede a curva característica junto das curvas de rebaixamento e de recuperação.
Como calcular B, C e a eficiência? (exemplo resolvido)
Divida cada rebaixamento pela vazão da etapa. Como s/Q = B + CQ, os pontos de s/Q contra Q formam uma reta: o intercepto é B e a inclinação é C.
Meça o NE com o poço em repouso e registre o rebaixamento no fim de cada etapa, com a mesma duração em todas.
Calcule s/Q de cada etapa.
Plote s/Q contra Q e ajuste uma reta (a regressão linear da planilha resolve).
Leia B onde a reta cruza Q = 0 e C na inclinação.
Calcule a eficiência na vazão de interesse: e = BQ/(BQ + CQ²).
Exemplo ilustrativo. Um poço com vazão máxima de teste de 20 m³/h passa por 4 etapas de 1 hora, em 25, 50, 75 e 100% dessa vazão: 5, 10, 15 e 20 m³/h. Os rebaixamentos no fim das etapas foram 2,25 m, 5,00 m, 8,25 m e 12,00 m.

Vazão Q (m³/h) | Rebaixamento s (m) | s/Q (m por m³/h) | Eficiência e |
5 | 2,25 | 0,45 | 88,9% |
10 | 5,00 | 0,50 | 80,0% |
15 | 8,25 | 0,55 | 72,7% |
20 | 12,00 | 0,60 | 66,7% |
Os valores de s/Q sobem 0,05 a cada 5 m³/h. A inclinação é C = 0,05 ÷ 5 = 0,01 m/(m³/h)². Voltando a reta até Q = 0, B = 0,45 − (0,01 × 5) = 0,40 m/(m³/h).
A equação do exemplo fica s = 0,40Q + 0,01Q². Na etapa de 20 m³/h: BQ = 0,40 × 20 = 8,0 m e CQ² = 0,01 × 400 = 4,0 m. A soma dá 12,0 m, igual ao medido.
A eficiência a 20 m³/h é e = 8,0 ÷ 12,0 = 0,667, ou 66,7%. Nessa vazão, um terço do rebaixamento é perda no próprio poço.

Com dados reais, os pontos raramente caem numa reta perfeita. Desconfie se C sair negativo: isso costuma indicar vazão oscilando, etapa curta ou leitura errada. Este é o método gráfico simplificado; um software dedicado pode corrigir o efeito do tempo acumulado entre etapas.
No exemplo, a capacidade específica (Q/s) cai de 2,22 m³/h/m, a 5 m³/h, para 1,67 m³/h/m, a 20 m³/h. Veja como usar esse número em capacidade específica do poço. O B do escalonado não é a transmissividade: T costuma sair do teste de vazão constante, pelo método de Cooper-Jacob.
O que a eficiência do poço indica?
A eficiência mostra quanto do rebaixamento vem do aquífero e quanto é perdido na entrada do poço. Pela fórmula, ela cai quando a vazão sobe: no exemplo ilustrativo acima (s = 0,40Q + 0,01Q²), vai de 88,9% a 5 m³/h para 66,7% a 20 m³/h. Por isso, informe a eficiência junto com a vazão em que foi calculada.
Para água mineral, o item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009, mantido pela Resolução ANM 193/2024, recomenda eficiência mínima de 75%. A redação aqui é resumida; confira o texto oficial e veja o teste de bombeamento para água mineral.
Dividindo tudo por Q, a eficiência fica e = B/(B + CQ). No exemplo ilustrativo, e = 75% quando B + CQ = 0,40 ÷ 0,75 = 0,533. Isso dá CQ = 0,133 e Q ≈ 13,3 m³/h. Acima dessa vazão, o poço do exemplo ficaria abaixo dessa referência.
Eficiência baixa em poço novo pode indicar desenvolvimento incompleto ou filtro mal dimensionado. Em poço antigo, a queda entre dois testes pode apontar incrustação ou colmatação do filtro, e não perda do aquífero. Esse diagnóstico ajuda quando a vazão do poço está caindo.
Erros comuns no teste escalonado
É comum chegarem até nós testes escalonados que não fecham a conta por detalhes de campo:
Etapas com durações diferentes. Comparar rebaixamentos lidos em tempos diferentes distorce B e C.
Vazão oscilando dentro da etapa. A equação supõe vazão constante em cada degrau. Teste a abertura da válvula no pré-bombeamento.
Bomba parada entre etapas. O teste vira sucessivo, e o cálculo precisa considerar a recuperação.
Nível dinâmico perto do crivo na última etapa. O rebaixamento passa a ser limitado pela bomba, não pelo aquífero.
Unidades misturadas. B e C mudam de valor se a vazão estiver em m³/h, m³/dia ou L/s. Use uma unidade só.
Começar sem o nível estático estável. Se o poço ainda está recuperando de um bombeamento anterior, o primeiro degrau sai errado.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra automaticamente o nível e a vazão de cada etapa. O kit reúne a central de monitoramento, o sensor de nível hidrostático no poço e o medidor de vazão com telemetria, com os dados na plataforma online (web e app).
Intervalo de leitura configurável: leituras frequentes no início do teste e mais espaçadas depois, conforme o roteiro que você definir.
Acompanhamento ao vivo pelo celular ou pela web, com o gráfico de rebaixamento x tempo.
Liga e desliga a bomba pelo app para iniciar o bombeamento e a recuperação na hora programada.
Cálculos automáticos de rebaixamento, capacidade específica, transmissividade (Cooper-Jacob e Theis), recuperação e uma sugestão de vazão de explotação.
Exporta a planilha das leituras (Excel ou CSV) para ajustar s/Q x Q e obter B, C e a eficiência em planilha ou software dedicado.
Relatório automático com gráficos e cálculos.
A troca de vazão entre etapas continua sendo feita na válvula pela equipe. Já no teste longo de vazão constante, ninguém precisa ficar 24 horas ou mais no poço, porque o registro é automático.
Há três formas de usar: kit reutilizável para levar de poço em poço, aluguel ou contratação por teste. Ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS. O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada órgão.
Perguntas frequentes
Quantas etapas tem o teste escalonado?
A ANA indica pelo menos 3 etapas de vazão constante e crescente. Vários roteiros estaduais e o da ANM usam 4 etapas. Confira o formulário do órgão do seu estado antes de planejar.
Quanto tempo dura cada etapa do teste escalonado?
A ANA cita de 2 a 6 horas por etapa. A IT-DPO 10 de SP (2017, atualizada em 2018) pede no mínimo 1 hora, e o termo do RS (arquivo de 2016) e o formulário do IPAAM usam etapas de 1 hora. Confira a versão vigente no órgão e mantenha a mesma duração em todas.
Precisa parar a bomba entre as etapas?
No escalonado, não: a vazão sobe de uma etapa para a outra sem desligar a bomba. Quando há recuperação entre as etapas, a ANA chama de teste sucessivo. No Espírito Santo, a AGERH usa os nomes de outra forma, então confira o termo no formulário.
O que significam B e C na equação característica?
B é o coeficiente da perda no aquífero, ligada ao escoamento laminar; sua parcela cresce na proporção da vazão. C é o coeficiente da perda no poço, ligada ao escoamento turbulento; sua parcela cresce com o quadrado da vazão. Juntas, BQ e CQ² somam o rebaixamento total.
Qual eficiência de poço é considerada boa?
Não existe um número único para todos os órgãos. Para água mineral, o item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009, mantido pela Resolução ANM 193/2024, recomenda eficiência mínima de 75%; confira a redação no texto oficial. Nos demais casos, a eficiência serve para comparar vazões e decidir se o poço precisa de limpeza ou novo desenvolvimento.
O teste escalonado substitui o teste de vazão constante?
Em geral, não. O escalonado mostra como o rebaixamento cresce com a vazão; o teste longo de vazão constante mostra o comportamento do aquífero ao longo do tempo. Alguns roteiros, como o de um artigo técnico da ABAS, combinam 24 horas de bombeamento, recuperação e depois 4 etapas de 1 hora.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
O registro automático de nível e vazão acompanha cada etapa do escalonado e o teste longo: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
O teste escalonado separa a perda no aquífero da perda no poço e orienta a escolha da vazão. Quer ajuda para planejar ou interpretar o seu? Fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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