Teste de Recuperação do Poço: Quanto Tempo e Quanto Precisa Recuperar

O teste de recuperação do poço mede a subida do nível da água depois que a bomba desliga, no fim do bombeamento. Não há um critério nacional único: no Paraná, o IAT pede 6 h de recuperação; o edital de Itaipu, 90% ou 7 h; e a ANM, acima de 97% no teste contínuo de água mineral.

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O que é o teste de recuperação do poço?
É a segunda metade do teste de bombeamento: começa quando a bomba para e acompanha o nível voltando. O nível parte do nível dinâmico (ND), a profundidade da água com a bomba ligada. E sobe em direção ao nível estático (NE), a profundidade com o poço em repouso.
A diferença entre os dois no fim do bombeamento é o rebaixamento: no manual da CPRM, s = ND − NE, em metros. Na recuperação, o que interessa é o rebaixamento residual (s'), quanto o nível ainda está abaixo do NE em cada leitura. Revise os conceitos no post sobre nível estático e dinâmico do poço.
A recuperação mostra se o aquífero repõe a água retirada. Com a bomba parada, as leituras não sofrem com oscilações de vazão, por isso ela costuma servir para conferir a transmissividade do rebaixamento.
Nas fichas da CPRM (1998), a recuperação é lida nos mesmos tempos do rebaixamento, e o termo de referência de Victor Graeff/RS pede a mesma frequência de leitura.
Quanto tempo dura a recuperação em cada fonte?
Depende de quem pede o teste. Alguns documentos fixam horas, outros um percentual, e há quem combine os dois. A tabela resume os documentos que conferimos.
Fonte | Critério de recuperação | Contexto | Observação |
6 h | Outorga no PR, após pelo menos 24 h de bombeamento | Conforme NBR 12.244/2006; teste feito há no máximo 5 anos | |
Mínimo de 4 h, com a mesma frequência de leitura | Após 24 h na vazão máxima | Regra do edital municipal | |
Até 90% ou 7 h, o que ocorrer primeiro | Teste final de pelo menos 24 h | Regra do edital | |
Acima de 97% | Água mineral, contínuo de pelo menos 30 h em poço com menos de 10 m³/h | Antes, pré-teste de pelo menos 12 h com recuperação completa (4.4.2) | |
6 h no cristalino; 12 h no sedimentar | Após 12 h (cristalino) ou 24 h (sedimentar) de bombeamento | Referência técnica | |
Até voltar ao NE | Outorga, uso insignificante e renovação | IN AGERH 002/2017; confira a IN AGERH 002/2019, posterior |
Para água mineral, a Portaria DNPM 374/2009 continua valendo porque a Resolução ANM 193/2024 manteve os itens 4.4 a 4.5.4. O restante do item 4.4 está no post sobre teste de bombeamento para água mineral.
O TR HP02A da SEMA-RS pede o gráfico recuperação x tempo em semilog (arquivo de 2016; confira a versão no SIOUT), e a IN SEMADS 5/2023 de Goiás pede a curva tempo x recuperação. Em SC e MG, não confirmamos regra pública de duração da recuperação: pergunte ao órgão antes.
Sobre a NBR 12.244: o texto não é público, e não confirmamos tempo ou percentual de recuperação fixado pela norma. O IAT e a IT-DPO 10 de SP citam a norma, mas os números acima vêm de cada órgão ou edital. A duração do bombeamento está no post sobre quanto tempo dura o teste de bombeamento.

Tempo ou percentual: qual critério usar?
Use o critério de quem vai analisar o teste. Há quatro lógicas: tempo fixo (IAT, Victor Graeff, CPRM), percentual (ANM), o que vier primeiro entre os dois (Itaipu) e volta ao nível estático (AGERH).
O critério por tempo é fácil de planejar. O percentual depende do poço, e um poço que recupera devagar pode exigir muitas horas a mais. Se o mesmo poço atende a um edital e a uma outorga, deixe o registro correndo até cumprir os dois: encerrar cedo pode obrigar a repetir o teste.
Não confunda recuperação do ensaio com regime de operação. A IT-DPO 10 de São Paulo limita o bombeamento a 20 h por dia e, em casos excepcionais, prevê parar a bomba até o poço recuperar pelo menos 80%. Essa regra trata do regime de bombeamento, não da duração do ensaio. A instrução é de 2017, atualizada em 2018; confira se a SP Águas publicou versão nova.

Como calcular o percentual recuperado?
O percentual recuperado compara quanto o nível já subiu com o rebaixamento total do fim do bombeamento. A conta usual é % recuperado = (s − s') ÷ s × 100, em que s = ND − NE e s' = nível medido − NE.
Exemplo ilustrativo: NE de 20,00 m e ND de 45,00 m no fim de 24 h de bombeamento, então s = 25,00 m. Seis horas após desligar a bomba, o nível está em 22,56 m, então s' = 22,56 − 20,00 = 2,56 m. O percentual é (25,00 − 2,56) ÷ 25,00 × 100 = 89,8%.
Nesse exemplo, o poço cumpre as 6 h do IAT, mas ainda não chegou aos 90% de Itaipu, e pelo edital o registro continuaria. Pela curva do gráfico, os 90% chegam por volta de 6 h 17 min, antes do limite de 7 h.

O critério de 97% pede mais paciência: na mesma curva teórica, sem recarga, o nível só chegaria a 97% perto de 40 h após a parada. Poços reais podem recuperar mais rápido ou mais devagar. Se o documento definir o percentual de outro jeito, siga o documento e anote a fórmula no relatório.
Como calcular a transmissividade pela recuperação de Theis?
No método de recuperação de Theis, você plota o rebaixamento residual contra uma razão de tempos em escala semilog e mede a inclinação da reta. A equação é s' = (2,30·Q ÷ 4πT)·log(t/t'), em que t é o tempo desde o início do bombeamento e t' é o tempo desde a parada.
Como t = tb + t' (tb é a duração do bombeamento), t/t' é igual a tb/t' + 1. É a coluna "tb/t' + 1" das fichas de recuperação da CPRM e do IPAAM.
O termo 2,30 ÷ 4π vale cerca de 0,183, o mesmo coeficiente do método de Cooper-Jacob. Se Δs' é a variação do residual em um ciclo de log de t/t', então T = 0,183·Q ÷ Δs' (USGS, Ferris et al., 1962). Com Q em m³/h, T sai em m²/h.
Exemplo ilustrativo, com Q = 10 m³/h, tb = 1.440 min (24 h), NE = 20,00 m e ND = 45,00 m:
t' (min) | tb/t' + 1 | s' (m) | % recuperado |
1 | 1.441 | 11,56 | 53,8% |
10 | 145 | 7,91 | 68,4% |
60 | 25 | 5,12 | 79,5% |
240 | 7 | 3,09 | 87,6% |
360 | 5 | 2,56 | 89,8% |
720 | 3 | 1,75 | 93,0% |
Na reta desse exemplo, s' cai 3,66 m a cada ciclo de log, por exemplo de t/t' = 100 para t/t' = 10. Então T = 0,183 × 10 ÷ 3,66 = 0,50 m²/h.
A equação vale para u pequeno, isto é, tempos longos, então use os pontos do fim da recuperação, com t/t' baixo. Os primeiros minutos tendem a refletir a água armazenada no poço e as perdas de carga, e podem sair da reta. Para a fase de bombeamento, veja curva de rebaixamento x tempo.
Quais erros comuns atrapalham a recuperação?
Nos relatórios que revisamos, os problemas costumam aparecer nos primeiros minutos ou na hora de encerrar:
Perder os primeiros minutos. É quando o nível sobe mais rápido. Se a equipe desliga a bomba e só depois pega o medidor, a parte mais informativa da curva se perde.
Retenção com defeito. Sem válvula de retenção funcionando, a água da coluna volta para o poço ao desligar a bomba e distorce as primeiras leituras.
Trocar a referência de medida. Bombeamento e recuperação precisam ser medidos do mesmo ponto, em geral a boca do tubo. Anote qual foi.
Encerrar só pelo relógio. Se o critério é percentual, como em Itaipu ou na ANM, confira o percentual antes de parar o registro.
Ligar poços vizinhos. Um poço próximo ligado segura o nível e mascara o resultado. O IAT pede o poço e os vizinhos desligados por 12 h antes do teste; mantenha os vizinhos parados até o fim da recuperação.
Medidor sem aferição. A CPRM orienta aferir o cabo do medidor a cada teste. Uma marcação errada desloca todas as leituras.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra a recuperação como registra o bombeamento: automaticamente, com sensor de nível hidrostático, medidor de vazão e central de monitoramento, e os dados vão para a plataforma web e app. Veja o conjunto no post sobre teste de bombeamento automático.
Primeiros minutos registrados. Intervalo de leitura configurável: leituras frequentes logo após a parada e mais espaçadas depois.
Bomba desligada pelo app. A recuperação começa na hora programada, sem ninguém no poço, e você acompanha o gráfico ao vivo.
Cálculos e gráficos automáticos. Rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade por Cooper-Jacob e Theis, curva e percentual de recuperação, sugestão de vazão de explotação e gráficos rebaixamento x tempo e recuperação x tempo.
Relatório e planilha. Relatório automático com gráficos e cálculos, e leituras exportáveis em Excel ou CSV.
A equipe não precisa ficar 24 h ou mais no poço. Há três formas de usar: kit reutilizável que vai de poço em poço, aluguel ou contratação por teste, ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS.
O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada órgão. No Paraná, o IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, com os documentos da orientação, como planilha de dados brutos e faixa, resolução e acurácia do sensor. Para água mineral, a Portaria 374/2009 não trata do tipo de sensor; combine com a ANM.
Perguntas frequentes
Quanto tempo deve durar o teste de recuperação do poço?
Depende de quem pede. No Paraná, o IAT pede 6 h após pelo menos 24 h de bombeamento. O manual da CPRM de 1998 usa 6 h no cristalino e 12 h no sedimentar, e o termo de referência de Victor Graeff/RS pede no mínimo 4 h.
Quanto o poço precisa recuperar no teste?
Não há um percentual nacional único. O edital de Itaipu pede recuperação até 90% ou 7 h, o que ocorrer primeiro. Para água mineral, a Portaria DNPM 374/2009, mantida pela Resolução ANM 193/2024, pede mais de 97% no teste contínuo.
A NBR 12.244 define o tempo ou o percentual de recuperação?
O texto da NBR 12.244 não é público, e não confirmamos tempo ou percentual de recuperação fixado pela norma. Órgãos como o IAT citam a norma, mas os números vêm dos próprios documentos. Confira o termo de referência de quem vai analisar o teste.
Como calcular o percentual de recuperação do poço?
Use (s − s') ÷ s × 100, em que s = ND − NE no fim do bombeamento e s' = nível medido − NE. Com NE de 20 m, ND de 45 m e nível de 22,56 m, o poço recuperou 89,8% (exemplo ilustrativo).
Dá para calcular a transmissividade só com a recuperação?
Sim, pelo método de recuperação de Theis. Plote o rebaixamento residual contra tb/t' + 1 em escala semilog e use T = 0,183·Q ÷ Δs', com Δs' medido em um ciclo de log. Prefira os pontos do fim da recuperação.
O que fazer se o poço não recupera no prazo exigido?
Primeiro, descarte erro de medida, poço vizinho ligado ou retenção com defeito. Se os dados estiverem certos, a vazão testada pode estar acima do que o aquífero repõe. Um geólogo avalia se cabe repetir o teste com vazão menor, limpar o poço ou revisar a vazão pedida.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Para registrar bombeamento e recuperação sem equipe de plantão, veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
A recuperação vale quando segue o critério de quem analisa: horas, percentual ou os dois. Para registrar a sua sem passar a noite no poço, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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