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Como Medir a Vazão no Teste de Bombeamento: Tonel, Orifício ou Medidor

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 20 horas
9 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

Para medir a vazão no teste de bombeamento, cronometre o enchimento de um recipiente de volume conhecido. Segundo o manual da CPRM, use recipiente de 20 L ou mais até 3,6 m³/h e de 200 L ou mais entre 3,6 e 36 m³/h. Acima disso, use orifício circular. Hidrômetro ou medidor eletromagnético registram o volume o tempo todo.

Capa com o texto “Medir vazão no teste de bombeamento” sobre fundo azul-petróleo com linhas de sinal e a faixa HIDROPAAS · Monitoramento de água e energia

Vai fazer um teste e quer registrar a vazão sem ficar de plantão no poço? Fale com o HIDROPAAS no WhatsApp sobre o seu teste.

A vazão (Q) é o volume de água que sai do poço por unidade de tempo, em geral em m³/h ou L/s. No teste, ela é metade da conta: a outra metade é o rebaixamento do nível. Se a vazão estiver errada, todo o resultado herda o erro. Para a visão completa do método, veja o guia de teste de bombeamento automático.

Por que a vazão precisa ficar constante no teste de bombeamento?

Porque os cálculos do teste usam um único valor de Q. Se a vazão oscila, o rebaixamento medido não corresponde a nenhuma vazão definida e a interpretação perde sentido.

O rebaixamento (s) é a diferença entre o nível dinâmico (ND, com a bomba ligada) e o nível estático (NE, em repouso): s = ND − NE, conforme a CPRM. A capacidade específica é Q/s, em m³/h por metro. Um erro na vazão entra direto nesse número, como explicamos no post sobre capacidade específica do poço.

O mesmo vale para a transmissividade. No método de Cooper-Jacob (USGS), T = 0,183·Q/Δs. Pela própria fórmula, T é proporcional a Q: uma vazão lida 10% acima gera uma transmissividade 10% acima (exemplo ilustrativo, mantendo o mesmo Δs).

No teste escalonado a lógica se repete por etapa. A ANA descreve o escalonado como pelo menos 3 etapas de vazão constante e crescente. Cada degrau precisa de uma vazão estável e medida.

Na prática, a vazão tende a cair à medida que o nível desce, porque a bomba passa a vencer uma altura maior. Por isso, em campo, usa-se um registro (válvula) na descarga, e alguém confere e corrige a vazão ao longo do teste. A escolha da bomba e do registro está no post sobre bomba para teste de vazão.

Qual método usar em cada faixa de vazão?

O manual da CPRM de 1998 divide a medição em três faixas. Quanto maior a vazão, maior o recipiente, até o ponto em que o recipiente deixa de ser prático e entra o orifício.

Faixa de vazão

Método

Recipiente ou dispositivo

Observação

Até 3,6 m³/h

Volumétrico

20 L ou mais

Balde ou bombona aferida

De 3,6 a 36 m³/h

Volumétrico

200 L ou mais

Erro abaixo de 5%, segundo a CPRM

Acima de 36 m³/h

Orifício circular

Placa com orifício na descarga

Recipiente deixa de ser prático

Fonte: Manual Prático de Testes de Bombeamento da CPRM (Feitosa e Costa Filho, 1998). O mesmo manual pede aferir o cabo do medidor de nível a cada teste.

Infográfico com as três faixas de medição de vazão da CPRM: recipiente de 20 litros até 3,6 m³/h, de 200 litros até 36 m³/h e orifício circular acima disso.

Um detalhe que a conta revela: no limite de cada faixa, o recipiente mínimo enche em cerca de 20 segundos. A 3,6 m³/h (1 L/s), 20 L levam 20 s. A 36 m³/h (10 L/s), 200 L também levam 20 s. Tempos muito curtos aumentam o peso do erro de cronômetro, por isso vale usar recipiente maior quando possível.

Como fazer o método volumétrico com tonel e cronômetro?

Desvie toda a descarga para o recipiente, cronometre o tempo até encher e divida o volume pelo tempo. A fórmula prática é Q (m³/h) = V (L) ÷ t (s) × 3,6, porque 1 L/s equivale a 3,6 m³/h.

  1. Estabilize a vazão. Ajuste o registro e espere a descarga ficar regular antes de medir.

  2. Afira o recipiente. Confirme o volume real do tonel até a marca de cheio, não o volume nominal do rótulo.

  3. Cronometre o enchimento. Uma pessoa troca o jato de lugar e outra dispara e para o cronômetro.

  4. Faça a conta. Volume em litros dividido pelo tempo em segundos dá L/s; multiplique por 3,6 para m³/h.

  5. Repita e anote. Meça algumas vezes seguidas, use a média e registre o horário e a posição do registro.

Fluxo do cálculo volumétrico da vazão: estabilizar o registro, cronometrar o enchimento de um tonel de 200 litros em 60 segundos e converter para 12 m³/h.

A tabela abaixo traz exemplos ilustrativos, com a conta aberta. Os valores não vêm de um poço real.

Exemplo ilustrativo

Leitura

Conta

Vazão

Balde de 20 L

Encheu em 40 s

20 ÷ 40 × 3,6

1,8 m³/h

Tonel de 200 L

Encheu em 60 s

200 ÷ 60 × 3,6

12 m³/h

Tonel de 200 L

Encheu em 25 s

200 ÷ 25 × 3,6

28,8 m³/h

Hidrômetro

6,0 m³ em 30 min

6,0 ÷ 0,5 h

12 m³/h

Poços de vazão muito baixa pedem paciência no cronômetro. No termo de referência de Victor Graeff/RS, poço com menos de 0,50 m³/h é considerado improdutivo (regra daquele edital). Nessa vazão, em exemplo ilustrativo, um balde de 20 L leva cerca de 144 segundos para encher.

Tubulação de saída com registros, manômetro e transmissores usados para controlar e medir a vazão

Quando usar o orifício circular?

Quando a vazão passa de 36 m³/h, segundo o manual da CPRM. Nessa faixa, encher um tonel leva poucos segundos e o recipiente vira fonte de erro, não de medida.

O orifício é uma placa com furo calibrado instalada na saída do tubo de descarga. A vazão sai da altura de água medida antes da placa, com a tabela ou equação do conjunto usado. O ponto crítico é usar placa e tubo de dimensões conhecidas. Um medidor de vazão instalado na linha é a alternativa, com registro do volume durante todo o teste.

Hidrômetro ou medidor eletromagnético servem no teste?

Servem, e alguns órgãos citam esses dispositivos de forma expressa. A diferença para o tonel é que o medidor registra o volume de forma contínua, em vez de uma medida pontual.

Com hidrômetro, a vazão média sai da diferença de leitura dividida pelo tempo. O medidor eletromagnético mede a velocidade da água no tubo sem peças móveis e mostra a vazão instantânea. A comparação entre tipos está em medidores de vazão de água: tipos e como escolher.

O que os órgãos escreveram:

Detalhes do medidor sem peças móveis estão no post sobre o medidor de vazão eletromagnético. O checklist completo do IAT para registro automático está no post sobre datalogger e transdutor no teste de bombeamento.

O que os órgãos pedem sobre a vazão no teste?

Nas fontes públicas que consultamos, não há uma regra nacional única para medir a vazão. A outorga de poço é estadual, e cada órgão pede os dados no seu formato.

Fonte

O que a fonte pede (ligado à vazão)

Status

Fotos do teste com coordenada, data e hora no início e a cada 6 h (registro geral do teste, não só da vazão)

Orientação do órgão

Foto do hidrômetro no início, 12 h e 24 h

Orientação do órgão

Vazão no relatório, com NE, ND, rebaixamento e memória de cálculo

Arquivo de 2016; confira a versão no SIOUT

Hidrômetro e tubo auxiliar "ou algum outro dispositivo de tecnologia atualizada"; o usuário guarda registros de volume, NE e ND

Confira se há versão nova

Medir a vazão a cada 1 h

Fonte técnica, não norma

Antes do teste, confira o termo de referência do seu estado. Regras variam por órgão, e a análise do caso é de um profissional habilitado.

Erros comuns ao medir a vazão no teste

Em campo, muitos problemas de vazão não estão no cálculo. Estão no jeito de medir, e costumam aparecer só quando a planilha é interpretada.

  • Medir antes de estabilizar. O manual da CPRM prevê pré-bombeamento de 1 a 2 horas. Na prática, é quando se acerta o registro e se confere o equipamento.

  • Recipiente pequeno demais. Se enche em poucos segundos, o tempo de reação de quem aperta o cronômetro pesa demais no resultado.

  • Volume nominal no lugar do real. Tonel "de 200 L" nem sempre tem 200 L até a borda usada como marca.

  • Perdas antes do ponto de medição. Vazamento na mangueira ou respingo fora do tonel faz a vazão parecer menor.

  • Mexer no registro sem anotar. Cada ajuste muda a vazão; sem o horário anotado, não dá para separar o efeito no rebaixamento.

  • Descarga perto do poço. A água pode voltar ao aquífero e mascarar o rebaixamento.

  • Uma pessoa só no poço. A CPRM indica equipe mínima de 2 pessoas; sozinho, alguém acaba perdendo leitura de nível ou de vazão.

Como o HIDROPAAS ajuda

O kit HIDROPAAS reúne central de monitoramento, sensor de nível hidrostático no poço e hidrômetro ou medidor de vazão com telemetria. Nível e vazão são registrados automaticamente, com intervalo de leitura configurável: leituras frequentes no início e mais espaçadas depois.

  • Acompanhamento ao vivo: gráfico em tempo real pelo celular ou pela web, de qualquer lugar com internet.

  • Bomba pelo app: liga e desliga a bomba na hora programada, iniciando o bombeamento e a recuperação remotamente.

  • Cálculos automáticos: rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade por Cooper-Jacob ou Theis, percentual de recuperação e sugestão de vazão de explotação.

  • Relatório e planilha: relatório com gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo, e exportação das leituras em Excel ou CSV.

  • Sem plantão: como o registro é automático, a equipe não precisa ficar 24 h ou mais no poço.

O registro contínuo não substitui o que cada órgão pede à parte. No Paraná, por exemplo, as fotos do hidrômetro continuam na lista do IAT. O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada órgão.

Há três formas de usar. A primeira é o kit reutilizável, para perfurador, geólogo ou consultoria levar de poço em poço. As outras são o aluguel ou pagamento por teste e o serviço em que a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, quem assina com ART é o responsável técnico do cliente. No serviço, assina o geólogo da PAAS, com ART.

Perguntas frequentes

Como medir a vazão de um poço com balde ou tonel?

Desvie toda a descarga para o recipiente e cronometre o tempo até encher. Divida o volume em litros pelo tempo em segundos e multiplique por 3,6 para obter m³/h. Repita algumas vezes e use a média.

Qual o tamanho do recipiente para medir a vazão?

O manual da CPRM de 1998 indica recipiente de 20 L ou mais até 3,6 m³/h e de 200 L ou mais entre 3,6 e 36 m³/h. Acima de 36 m³/h, o manual indica orifício circular. Na dúvida, use o maior recipiente que você consegue manusear.

Como converter L/s em m³/h?

Multiplique por 3,6, porque 1 L/s equivale a 3.600 L por hora, ou 3,6 m³/h. Em exemplo ilustrativo, um tonel de 200 L cheio em 60 segundos dá 3,33 L/s, ou 12 m³/h.

Posso usar hidrômetro ou medidor eletromagnético no teste?

Pode, e alguns órgãos citam esses dispositivos. O IPAAM aceita controle de vazão eletrônico ou eletromagnético, e o IAT pede foto do hidrômetro no início, com 12 h e com 24 h no teste com transdutores. Confira o termo de referência do seu estado.

De quanto em quanto tempo medir a vazão durante o teste?

Nas fontes públicas que consultamos, não há uma regra nacional única. Uma fonte técnica da ABAS recomenda medir a vazão a cada 1 hora. Meça também sempre que mexer no registro e anote o horário.

O que fazer se a vazão cair durante o teste?

Corrija pelo registro da descarga até voltar à vazão definida e anote o horário e o valor. Quedas grandes ou repetidas podem indicar bomba no limite ou nível chegando perto do crivo. Nesses casos, avalie com o responsável técnico se o teste deve ser refeito.

Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento

Se você quer nível e vazão registrados sem equipe no poço durante todo o teste, veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Medir bem a vazão, com o método certo para a faixa e a vazão constante, é o que dá validade ao resto do teste. Se quiser ajuda para planejar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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