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Curva de Rebaixamento x Tempo: Como Ler o Gráfico do Teste de Bombeamento

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 20 horas
8 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

A curva de rebaixamento mostra quanto o nível da água desceu no poço ao longo do teste de bombeamento, com a bomba em vazão constante. Na escala linear, ela revela se o nível dinâmico estabilizou. Na escala semilog, o trecho reto permite calcular a transmissividade do aquífero pelo método de Cooper-Jacob.

Capa com o texto “Como ler a curva de rebaixamento” sobre a foto: técnico acompanha no notebook os gráficos de um poço monitorado junto ao cavalete

O que é a curva de rebaixamento x tempo?

É o gráfico que coloca o tempo de bombeamento no eixo horizontal e o rebaixamento no eixo vertical. Cada ponto é uma leitura de nível feita com a bomba ligada e a vazão mantida constante.

O rebaixamento (s) é a diferença entre o nível dinâmico (ND), medido com a bomba ligada, e o nível estático (NE), medido com o poço em repouso. A conta é s = ND − NE, em metros, como define o Manual Prático de Testes de Bombeamento da CPRM. Se os dois níveis ainda confundem, veja como medir o nível estático e dinâmico do poço.

Essa curva é o registro central do teste de produção, que, segundo o material técnico da ANA de 2025, é o tipo usualmente solicitado pelos órgãos gestores. Depois que a bomba desliga, as leituras formam a curva de recuperação, explicada no post sobre teste de recuperação do poço.

Como ler a curva de rebaixamento em escala linear?

Na escala linear, a curva desce rápido nos primeiros minutos e depois vai achatando. Quando o nível quase não muda entre leituras seguidas, o poço está chegando à estabilização.

O começo é íngreme porque a água sai primeiro do próprio poço e do aquífero logo ao redor. Com o tempo, o cone de rebaixamento (a depressão em forma de funil que o bombeamento cria no nível da água) se abre, e cada centímetro a mais de descida exige muito mais tempo de bomba ligada.

Gráfico em escala linear do rebaixamento x tempo de um teste de bombeamento ilustrativo, com queda rápida nos primeiros minutos e rebaixamento estabilizado perto de 6,60 m no fim do teste.

No exemplo ilustrativo do gráfico, com vazão de 10 m³/h, o rebaixamento vai de 1,30 m no 1º minuto a 5,66 m aos 100 minutos. A partir de 1.200 minutos, fica em torno de 6,60 m. O eixo vertical cresce para baixo, como a água descendo no poço.

Não há um critério nacional único publicado para dizer que o nível estabilizou. No RS, o termo de referência da SEMA para outorga de poço tubular pede, para poços abaixo de 5 m³/h, vazão constante por pelo menos 24 h com o ND estabilizado por pelo menos 4 h. O arquivo é de 2016, então confira a versão vigente no SIOUT.

O limite da escala linear é que a primeira hora fica espremida no canto esquerdo, justamente onde está o comportamento do aquífero.

Por que usar o gráfico semilog e onde fica a reta de Cooper-Jacob?

No gráfico semilog, o tempo vai em escala logarítmica: 1, 10, 100 e 1.000 minutos ficam com o mesmo espaçamento. Em muitos aquíferos, depois dos minutos iniciais, os pontos se alinham numa reta, e a inclinação dessa reta dá a transmissividade.

Transmissividade (T) é a facilidade com que o aquífero deixa a água passar em toda a sua espessura. Pelo método de Cooper-Jacob, descrito pelo USGS, T = 0,183 × Q / Δs. O Δs é quanto o rebaixamento aumenta em um ciclo logarítmico, por exemplo, de 10 para 100 minutos.

Com Q em m³/h, T sai em m²/h; com Q em m³/dia, sai em m²/dia. O método vale para tempos longos, quando os efeitos iniciais já passaram. Por isso, a reta não deve ser traçada pelos primeiros pontos.

Gráfico semilog do mesmo teste ilustrativo, com os primeiros minutos fora da reta de Cooper-Jacob, com rebaixamento menor que o previsto, os pontos alinhados entre 10 e 200 minutos e se afastando dela no fim, quando o rebaixamento estabiliza.

Passo

Exemplo ilustrativo

Vazão constante (Q)

10 m³/h

Rebaixamento aos 10 min, lido na reta

3,83 m

Rebaixamento aos 100 min, lido na reta

5,66 m

Δs em um ciclo log

5,66 − 3,83 = 1,83 m

T = 0,183 × Q / Δs

0,183 × 10 / 1,83 = 1,0 m²/h (24 m²/dia)

Com um poço de observação a uma distância conhecida (r), a reta também dá o coeficiente de armazenamento: S = 2,25 × T × t₀ / r², em que t₀ é o tempo em que a reta cruza o rebaixamento zero. O passo a passo, com um exemplo real, está no post sobre o método de Cooper-Jacob para calcular a transmissividade.

Técnico acompanha no notebook os dados de uma tubulação com medidor de vazão

O que os desvios da reta podem indicar?

Quando os pontos saem da reta, o aquífero ou o próprio teste estão mostrando algo. A leitura é qualitativa e deve ser conferida com a geologia do local e com as anotações de campo.

  • Primeiros pontos fora da reta: em geral, refletem a água armazenada no próprio poço e o ajuste inicial da vazão.

  • Curva achatando no fim: pode indicar recarga, como um rio próximo, uma camada que cede água ou uma zona mais permeável alcançada pelo cone. É o que aparece no fim do exemplo.

  • Curva ficando mais inclinada: pode indicar uma barreira, como uma falha, o fim da camada ou uma fratura que deixa de alimentar o poço. Tende a aparecer em aquíferos fraturados.

  • Degraus e saltos: em geral, a vazão mudou (válvula mexida, queda de energia) ou um poço vizinho ligou ou desligou.

  • Curva serrilhada ou reta horizontal repentina: desconfie. Pode ser o nível chegando ao crivo (a entrada de água da bomba) ou o sensor fora da água. Nesses casos, o trecho plano não indica estabilização real; se o nível chegou ao crivo, a vazão também tende a cair.

Para reduzir o efeito de vizinhos, no Paraná, as orientações do IAT para o teste de produção pedem o poço e os vizinhos desligados por 12 h antes do teste, e teste de interferência se houver poço a menos de 200 m.

Por que as primeiras leituras precisam ser tão frequentes?

Porque, no semilog, o trecho de 1 a 10 minutos ocupa um ciclo inteiro do gráfico, o mesmo espaço que vai de 100 a 1.000 minutos. Com poucas leituras no começo, a curva fica sem forma justamente onde mais muda.

Não existe uma tabela nacional pública única de intervalos. O material técnico da ANA indica leitura a cada 1 minuto até os 10 minutos, a cada 2 minutos de 10 a 20 e a cada 5 minutos de 20 a 50, espaçando depois. A NBR 12.244 traz a sua tabela na seção 6.1, citada pelo IAT, mas o texto da ABNT não é público. As tabelas da CPRM, do IPAAM e da ABAS estão comparadas no post sobre intervalo de leitura no teste de bombeamento.

O que os órgãos pedem sobre a curva de rebaixamento?

Depende do estado. A outorga de poço é dada pelo órgão estadual, como explica a ANA, e não há um modelo nacional único de gráfico. Alguns órgãos pedem o gráfico expressamente; outros, a interpretação que sai dele.

Estado (órgão)

O que pede sobre curvas e interpretação

Fonte e ressalva

RS (SEMA/DRHS)

Gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo em semilog, memória de cálculo e ART

TR HP02A (arquivo de 2016): confira a versão no SIOUT

GO (IN SEMADS 5/2023)

Interpretação, curvas tempo x rebaixamento, tempo x recuperação e curva característica, com assinatura do RT

SP (SP Águas/DAEE)

Interpretação preferencialmente pelo método de Jacob, informando a transmissividade

IT-DPO nº 10 (2017, atualizada em 2018): confira se há versão nova

AM (IPAAM)

Gráficos do teste e equação característica para 1 h, 1 ano e 5 anos

PR (IAT)

Planilha com leituras nos intervalos da seção 6.1 da NBR 12.244

Antes do teste, confira o formulário do seu órgão. A duração mínima também muda: veja quanto tempo dura o teste de bombeamento em cada fonte.

Erros comuns ao montar e ler a curva de rebaixamento

É comum chegarem até nós curvas que não permitem interpretação por falhas de campo, e não de cálculo. As mais frequentes:

  • NE medido sem repouso: o poço ainda está se recuperando e todo o rebaixamento sai menor. No Paraná, o IAT pede repouso de pelo menos 12 h.

  • Vazão que varia: Cooper-Jacob parte de vazão constante. Registre a vazão durante todo o teste.

  • Poucas leituras na primeira hora: o semilog fica com buracos no trecho que mais importa.

  • Profundidade no lugar do rebaixamento: plotar o ND direto leva a uma capacidade específica (Q/s) errada. Subtraia o NE antes.

  • Reta pelos primeiros pontos: a inclinação sai errada e, com ela, a transmissividade.

  • Cabo do medidor sem aferição: o manual da CPRM recomenda aferir o cabo a cada teste.

  • Sensor ou bomba na profundidade errada: sensor acima do ND final ou bomba rasa demais podem gerar falsa estabilização.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS registra o teste automaticamente e monta a curva de rebaixamento enquanto o bombeamento acontece. O kit tem central de monitoramento, sensor de nível hidrostático no poço e medidor de vazão com telemetria.

  • Intervalo configurável: leituras frequentes no início e mais espaçadas depois, no ritmo que a curva pede.

  • Gráfico ao vivo: rebaixamento x tempo e recuperação x tempo em tempo real, no celular ou no computador.

  • Cálculos automáticos: rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade por Cooper-Jacob ou Theis, percentual de recuperação e sugestão de vazão de explotação.

  • Bomba pelo app: bombeamento e recuperação começam na hora programada, remotamente.

  • Planilha exportável: Excel ou CSV para refazer a interpretação em software dedicado ou no formulário do órgão.

  • Sem plantão: a equipe não precisa passar 24 h ou mais no poço.

A plataforma faz as contas, mas a leitura dos desvios continua com o profissional. O relatório automático reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada órgão.

Há três formas de usar: kit reutilizável para levar de poço em poço, aluguel ou contratação por teste, ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS. Detalhes no guia do teste de bombeamento automático.

Perguntas frequentes

O que é curva de rebaixamento?

É o gráfico do rebaixamento do nível da água no poço ao longo do tempo de bombeamento, com vazão constante. O rebaixamento é o nível dinâmico menos o nível estático, em metros. A curva mostra se o nível estabilizou e permite calcular a transmissividade.

Por que a curva de rebaixamento é feita em escala semilog?

Porque a escala logarítmica do tempo abre os primeiros minutos do teste, quando o nível mais muda. Em muitos aquíferos, os pontos formam uma reta, usada no método de Cooper-Jacob para calcular a transmissividade.

Como saber se o nível dinâmico estabilizou?

O nível está estabilizado quando praticamente não muda entre leituras seguidas por várias horas. Não há critério nacional único publicado. No RS, o termo de referência da SEMA (arquivo de 2016; confira a versão no SIOUT) pede, para poços abaixo de 5 m³/h, ND estabilizado por pelo menos 4 h.

Como calcular a transmissividade pela curva de rebaixamento?

Trace a reta no trecho de tempos longos do gráfico semilog e meça quanto o rebaixamento aumenta em um ciclo logarítmico (Δs). Aplique T = 0,183 × Q / Δs. Com Q em m³/h, o resultado sai em m²/h.

O que significa a curva ficar mais inclinada no fim do teste?

Pode indicar que o cone de rebaixamento encontrou uma barreira, como uma falha ou o fim da camada aquífera. Também pode ser vazão aumentando ou poço vizinho ligado. A interpretação deve ser feita por profissional, com a geologia do local.

O órgão ambiental pede o gráfico de rebaixamento x tempo?

Depende do estado. O termo de referência da SEMA-RS (arquivo de 2016; confira a versão no SIOUT) pede os gráficos de rebaixamento e recuperação em semilog, e a IN SEMADS 5/2023 de Goiás pede as curvas tempo x rebaixamento e tempo x recuperação. Em SP, a IT-DPO 10 (2017, atualizada em 2018; confira se há versão nova) pede interpretação preferencialmente pelo método de Jacob.

Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento

O sistema registra nível e vazão, desenha a curva de rebaixamento ao vivo e gera o relatório do teste: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Uma curva de rebaixamento bem medida mostra se o poço estabiliza e quanto o aquífero transmite; para registrar a sua sem plantão no poço, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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