Como saber se o poço está perdendo vazão: sinais, medição e causas

Atualizado: há 18 horas
Resposta rápida: para saber se o poço está perdendo vazão, compare o poço de hoje com o teste de bombeamento original. Meça a vazão, o nível estático e o nível dinâmico depois do mesmo tempo de bomba ligada e calcule a capacidade específica (vazão ÷ rebaixamento). Se ela caiu, o poço está produzindo menos água por metro de rebaixamento.

Quer tirar a dúvida com números? Mande pelo WhatsApp a vazão do teste original e a de hoje e o nosso geólogo diz se o poço está perdendo vazão.
Quais são os sinais de que o poço está perdendo vazão?
O poço quase nunca perde vazão de uma vez. Um trabalho da COPASA no XIV Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, da ABAS, trata do tema. Ele descreve a deterioração como "lenta e gradual", acelerando depois até o colapso. Por isso os primeiros sinais são pequenos e fáceis de ignorar.
Os sinais que mais aparecem no dia a dia são estes:
A caixa d'água demora mais para encher, com o mesmo consumo de antes.
O hidrômetro registra menos metros cúbicos por hora de bomba ligada.
A bomba liga e desliga sozinha, porque o eletrodo ou o relé de nível corta quando a água desce até ele.
A torneira cospe ar ou o jato falha no meio do uso.
A água muda de cara: areia, cor, turbidez, cheiro ou manchas de ferro.
A corrente do motor muda sem que nada tenha mudado na instalação.
Nenhum desses sinais prova sozinho que o poço perdeu vazão. Uma caixa que demora a encher pode ser vazamento na rede. Areia pode ser filtro rompido. O que confirma a perda é a medição de nível e vazão, explicada a seguir.
Como medir para ter certeza?
A prova é comparar três números de hoje com os do teste de bombeamento original. São eles: vazão, nível estático e nível dinâmico. O nível estático é a profundidade da água com a bomba parada há bastante tempo. O nível dinâmico é a profundidade da água com a bomba ligada.
Pegue o relatório do teste de bombeamento do poço. Ele traz a vazão, os dois níveis e o tempo de bombeamento.
Meça o nível estático com a bomba desligada há várias horas. Use um medidor de nível elétrico (a "sonda" que apita na água) ou o sensor já instalado.
Ligue a bomba e anote a vazão pelo hidrômetro: leia o volume em dois horários e divida pelo tempo.
Meça o nível dinâmico depois do mesmo tempo de bombeamento usado no teste original.
Calcule o rebaixamento (nível dinâmico menos nível estático) e a capacidade específica (vazão ÷ rebaixamento).
O tempo de bombeamento importa. Com a bomba ligada, o nível continua descendo por um bom tempo, como mostra a curva de rebaixamento x tempo. Por isso a capacidade específica tende a cair quanto mais longo o bombeamento. Comparar uma leitura de 10 minutos com a de um teste de 24 horas dá uma conclusão errada.
O passo a passo da medição de nível está no nosso guia de nível estático e nível dinâmico do poço.

O que é capacidade específica e como fazer a conta?
Capacidade específica é quanta água o poço entrega para cada metro que o nível desce. A unidade é m³/h por metro. Ela é um dos melhores indicadores da saúde do poço, porque junta vazão e nível num número só. O cálculo completo está no artigo sobre capacidade específica do poço (Q/s).
Veja um exemplo com números ilustrativos, só para mostrar a conta:
Medida | Teste original | Hoje |
Vazão | 10 m³/h | 8 m³/h |
Nível estático | 20 m | 20 m |
Nível dinâmico | 40 m | 44 m |
Rebaixamento | 20 m | 24 m |
Capacidade específica | 0,50 m³/h/m | 0,33 m³/h/m |
Nesse exemplo, o poço entrega menos água e ainda rebaixa mais. A capacidade específica caiu cerca de um terço. Repare que o nível estático não mudou: isso aponta para um problema no próprio poço, e não no aquífero. A próxima seção explica essa leitura.
O problema está no poço, na bomba ou no aquífero?
O nível estático e a capacidade específica separam as causas. Se o estático está igual e a capacidade específica caiu, o problema costuma estar dentro do poço. Se ela ficou igual e só a vazão caiu, olhe a bomba. Se o estático também desceu, a água está mais funda na região, por seca, por poços vizinhos ou por retirada acima da recarga.
O que você mediu | Causa mais provável | Próximo passo |
Estático igual, dinâmico mais fundo, capacidade específica menor | Filtros obstruídos (colmatação), incrustação ou ferrobactérias | Filmagem do poço e limpeza |
Estático igual, dinâmico mais raso, vazão menor, capacidade específica igual | Bomba gasta, válvula ou tubulação com problema | Revisão da bomba e da tubulação |
Estático mais fundo que no teste | Estiagem, poços vizinhos ou bombeamento acima da recarga | Rever a vazão e as horas de bomba ligada |
Vazão menor e areia na água | Filtro rompido, corrosão ou desgaste dos rotores | Parar, filmar e avaliar o poço |
Essa tabela é um ponto de partida, não um laudo. A COPASA lista várias causas de queda de vazão. Entre elas estão incrustações, finos da formação, corrosão, bactérias, desgaste da bomba, poços vizinhos, superexplotação e estiagens. Segundo o mesmo trabalho, esses problemas muitas vezes aparecem somados.

Com que frequência devo medir?
Não existe uma regra nacional para todo poço, mas a prática de quem opera muitos poços serve de referência. No trabalho apresentado na ABAS, a COPASA relatou que acompanhava seus poços assim:
Toda semana: a vazão retirada e o nível dinâmico.
Todo dia: o tempo de operação, a amperagem e a voltagem do motor.
Todo mês: as ocorrências, como areia, cor, turbidez, odor, ferrobactérias e queda de vazão.
Com esses registros, ela programava a manutenção preventiva antes que o poço parasse. Para um poço de empresa, condomínio ou propriedade rural, vale o mesmo. O que mostra a tendência é uma série de leituras, não uma leitura solta. Se o poço tem outorga, a sua portaria também pode exigir registros de volume ou de nível; confira o texto dela.

Por que não dá para esperar a bomba parar?
Porque o prejuízo maior costuma vir depois da queda de vazão. Quando o nível dinâmico desce até perto da bomba, ela passa a puxar ar e pode rodar a seco. O manual da bomba Leão (Franklin Electric) proíbe operar a seco e pede o nível dinâmico pelo menos 6 metros acima da bomba.
O mesmo manual limita as partidas a 10 por hora (5 na série 920). Um poço fraco, com o relé de nível cortando a toda hora, pode chegar a esse limite. Ainda segundo o fabricante, funcionamento a seco e falta de proteção cancelam a garantia. Veja as outras causas no post sobre bomba submersa queimando.
O trabalho da COPASA vai na mesma linha. Segundo ele, a manutenção corretiva, feita depois do colapso, muitas vezes deixa o poço parado por um longo período. Há casos em que a recuperação não dá certo e o poço precisa ser substituído.
Erros comuns ao avaliar a vazão do poço
Confiar na impressão. "A pressão caiu" pode ser registro, boia ou vazamento. Sem número de vazão e de nível, é palpite.
Medir com tempos diferentes. Nível dinâmico lido logo após ligar a bomba parece melhor do que é.
Medir o estático logo depois de desligar. O nível ainda está subindo e a leitura sai mais funda que a real. Entenda no post sobre o teste de recuperação do poço.
Perder o relatório do teste. Sem a vazão e os níveis originais, não há com o que comparar. Guarde uma cópia.
Aumentar a bomba para compensar. Se o poço está colmatado, uma bomba maior rebaixa ainda mais o nível e acelera o problema.
Ignorar areia e ferro. Eles costumam vir junto com a queda de vazão e desgastam a bomba.
Como acompanhar a vazão do poço pelo celular?
O jeito mais seguro é deixar o poço medindo sozinho. O HIDROPAAS junta num painel três medições: o nível dentro do poço, a vazão na saída e a corrente no quadro elétrico. As leituras viram gráfico, com alertas no celular e relatórios.
Assim a queda aparece na curva antes de virar falta de água. Dá para ver o nível estático quando a bomba fica parada por horas e o dinâmico de cada ciclo. O volume do dia também aparece, sem descer sonda no poço. A instalação do sensor está no guia de como instalar sensor de nível em poço artesiano.
Se a medição indicar limpeza, a PAAS pode ajudar. Ela atua com poços desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto. Veja o serviço no post sobre limpeza de poço artesiano. Para ver como o sistema funciona, acesse a página do sistema de monitoramento HIDROPAAS.
Perguntas frequentes
Como saber se o poço está perdendo vazão?
Compare a vazão e os níveis estático e dinâmico de hoje com os do teste de bombeamento original. Meça depois do mesmo tempo de bomba ligada. Calcule a capacidade específica (vazão ÷ rebaixamento). Se ela caiu, o poço está perdendo vazão.
Poço artesiano perde vazão com o tempo?
Pode perder. As causas mais comuns são obstrução dos filtros, incrustação e bactérias de ferro. Também pesam areia e finos, desgaste da bomba, poços vizinhos e estiagem. A deterioração costuma ser lenta no começo e acelerar depois, por isso vale acompanhar.
O que é capacidade específica do poço?
É a vazão dividida pelo rebaixamento, ou seja, quantos m³/h o poço entrega para cada metro que o nível desce. Ela permite comparar o poço em épocas diferentes, mesmo que a vazão bombeada não seja a mesma.
Como diferenciar problema no poço e problema na bomba?
Calcule a capacidade específica. Se ela caiu, o problema está no poço, que entrega menos água por metro rebaixado. Se ela ficou igual, com vazão menor e nível dinâmico mais raso, a suspeita vai para a bomba, a válvula ou a tubulação.
Seca diminui a vazão do poço?
Pode diminuir. Em estiagens prolongadas o aquífero recebe menos recarga e o nível estático tende a descer. Se o estático desceu em relação ao teste original, a causa provável está no aquífero ou nos poços vizinhos, e não só no seu poço.
De quanto em quanto tempo devo medir o nível do poço?
Não há uma regra única para todos os poços. Como referência, a COPASA relatou medir vazão e nível dinâmico toda semana, e o tempo de operação e a corrente do motor todo dia. Com um sensor de nível instalado, a leitura fica contínua e você vê a tendência no celular.
Resumo: meça antes de trocar a bomba
Poço perdendo vazão se confirma com números: vazão, nível estático, nível dinâmico e capacidade específica, comparados com o teste original no mesmo tempo de bombeamento. O nível estático mostra se o problema está no poço ou no aquífero. Medir sempre, e não só quando falta água, ajuda a evitar bomba queimada e poço parado.
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Mande pelo WhatsApp a vazão e os níveis do teste do seu poço. O nosso geólogo faz a conta da capacidade específica e diz se vale instalar o sensor de nível ou partir para a limpeza.
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