Quanto Tempo Dura o Teste de Bombeamento: 12, 24, 30 ou 120 Horas?

Atualizado: há 8 horas
Quanto tempo dura o teste de bombeamento depende de quem pede o teste: não existe um prazo nacional único publicado. Na maioria das fontes, o bombeamento fica entre 12 e 48 horas, mais a recuperação. O IAT-PR pede 24 h mais 6 h; a ANM, na água mineral abaixo de 10 m³/h, 30 h ou mais de teste contínuo; e o INEMA, 120 h para poços do Urucuia com 100 m³/h ou mais.

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Abaixo, cada duração vem com a fonte, para você dimensionar a equipe e evitar refazer o ensaio.
Por que não existe uma duração única para o teste de bombeamento?
Porque cada órgão gestor define a própria regra, e a outorga de poço é estadual. A ANA outorga só corpos d'água de domínio da União; o poço fica com o órgão do estado, que fixa (ou não) a duração do teste.
O tipo de aquífero também pesa. O manual da CPRM de 1998 e a AGERH, no Espírito Santo, pedem teste mais longo em aquífero sedimentar ou poroso do que em cristalino ou fraturado.
A finalidade define o tipo de teste. Segundo a ANA, em oficina técnica de novembro de 2025, o teste de produção (no próprio poço) é o usualmente solicitado pelos órgãos gestores e indica vazão e profundidade da bomba. O teste de aquífero usa poço de observação para calcular a transmissividade (a facilidade com que o aquífero conduz água) e tende a ser mais longo.
A NBR 12.244 exige 24 horas de teste?
Não há confirmação pública de que a NBR 12.244 fixe 24 horas para todos os poços. O texto da ABNT não é aberto, e as durações que conseguimos verificar vêm de órgãos, manuais e editais, não da norma em si.
A NBR 12.212 trata do projeto do poço e a NBR 12.244, da construção; o teste de vazão vem depois da obra, conforme a apresentação da ANA. O IAT-PR cita a seção 6.1 da NBR 12.244 para os intervalos de leitura da planilha. Na página de outorga, o IAT pede pelo menos 24 h de bombeamento e 6 h de recuperação, conforme a NBR 12.244/2006. Essa é a exigência do IAT; não há confirmação pública de que o texto da norma fixe essa duração para todos os poços.
A confusão nasce de documentos que escrevem "24 horas, conforme NBR 12.244", como o estudo técnico da Prefeitura de Santo Antônio da Patrulha/RS, de 2024. Essa é a exigência daquele documento. Em proposta ou contrato, cite a regra do órgão ou edital que você atende. Os tempos de leitura estão comparados no post sobre intervalo de leitura no teste de bombeamento.

Quanto tempo cada órgão estadual pede para a outorga?
Entre os estados que verificamos, Paraná e Espírito Santo são os mais claros na duração. Nos outros, a regra cobre só parte dos casos, está em documento antigo ou não foi confirmada em ato normativo. Confira a versão vigente antes de contratar.
Estado (órgão) | Bombeamento | Recuperação | Ressalva |
Mín. 24 h | 6 h | Teste feito há no máximo 5 anos | |
Abaixo de 5 m³/h: mín. 24 h, com nível dinâmico estável por mín. 4 h. Acima de 30 m³/h: 4 etapas de 1 h | Duração não confirmada | TR HP02A de 2016 (conferir no SIOUT); 5 a 30 m³/h sem regra específica | |
Poroso: 24 h. Fraturado: 12 h | Até o nível estático | IN AGERH 002/2017; há IN AGERH 002/2019 posterior | |
Urucuia com 100 m³/h ou mais: 120 h ininterruptas | Não confirmada | Se interromper, recomeça; regra geral não confirmada | |
A partir de 20 m³/h: escalonado em 4 etapas de mín. 1 h | Duração não confirmada | Versão de 2018: conferir se a SP Águas publicou nova | |
24 h em parecer de outorga | Não confirmada | Prática de parecer, não ato normativo | |
Não confirmada | Não confirmada | Teste é pré-requisito da outorga (Res. CERH 78/2024) | |
Não confirmada; o relatório deve informar a duração | Pede curva tempo x recuperação | Anexo II, item 5 |
No RS, para poço abaixo de 5 m³/h, o TR HP02A (2016) pede o nível dinâmico (profundidade da água com a bomba ligada) estável por pelo menos 4 h, o que pode estender o teste além das 24 h. Veja a diferença em nível estático e dinâmico do poço.
No Paraná, as orientações do IAT de 2026 somam repouso de 12 h antes do teste e fotos a cada 6 h. O quadro completo por estado está no guia da PAAS sobre teste de bombeamento para outorga por estado.

E fora da outorga estadual: ANA, CPRM, ANM e editais?
Fora dos órgãos estaduais, as durações mais citadas vêm da ANA, da CPRM, da ANM (água mineral) e de editais. Cada uma vale só no seu contexto.
Fonte | Bombeamento | Recuperação | Onde vale |
Produção: 24 a 48 h. Escalonado: 2 a 6 h por etapa. Aquífero: 24 a 72 h por etapa | Não citada | Referência técnica; a ANA não outorga poço | |
Pré-teste mín. 12 h. Abaixo de 10 m³/h: contínuo mín. 30 h. Acima de 10 m³/h: escalonado em 4 degraus | Pré-teste: completa. Contínuo: acima de 97% | Água mineral | |
Cristalino: mín. 12 h. Sedimentar: mín. 24 h | 6 h e 12 h | Programa emergencial | |
Teste final mín. 24 h, bomba de mín. 10 HP | Até 90% ou 7 h, o que ocorrer primeiro | Só nesse edital | |
24 h na vazão máxima | Mín. 4 h | Só nesse termo de referência |
Na água mineral, a Resolução ANM 193/2024 manteve o item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009. Segundo esse item, os poços do sistema ficam parados 24 h antes do ensaio; confira a redação exata na portaria. Os detalhes estão no post sobre teste de bombeamento para água mineral.

Quanto tempo leva a recuperação do poço?
A recuperação, fase em que a bomba é desligada e o nível volta a subir, faz parte do teste e entra no tempo total. O critério pode ser um tempo mínimo, um percentual recuperado ou o retorno ao nível estático.
Tempo mínimo: 6 h no IAT-PR; 6 h em cristalino e 12 h em sedimentar no manual da CPRM; 4 h no TR de Victor Graeff.
Percentual: acima de 97% no teste contínuo da ANM (Portaria 374/2009, item 4.4.3).
Misto: até 90% ou 7 h, o que ocorrer primeiro, no edital de Itaipu.
Nível estático: na AGERH (ES), a recuperação começa ao fim do bombeamento e vai até o nível estático.
Um critério por percentual pode levar menos ou mais tempo que um prazo fixo, conforme o aquífero responde. Veja como calcular o percentual recuperado no post sobre teste de recuperação do poço.
Quanto tempo o teste ocupa no total?
O tempo de campo soma repouso, bombeamento e recuperação. Os exemplos abaixo são ilustrativos e usam só os mínimos de cada fonte, sem montagem nem deslocamento.
Paraná (exemplo ilustrativo): 12 h de repouso + 24 h de bombeamento + 6 h de recuperação = 42 h.
ANM, abaixo de 10 m³/h (exemplo ilustrativo): 12 h de pré-teste + 30 h de contínuo = 42 h só de bombeamento, fora as recuperações.
Sequência da ABAS (Mariano) (exemplo ilustrativo): 24 h com o poço parado + 24 h de rebaixamento + 4 h de recuperação + 4 etapas de 1 h = 56 h (32 h de ensaio propriamente dito).
Bahia, Urucuia (exemplo ilustrativo): 120 h ininterruptas = 5 dias seguidos de bombeamento.
O manual da CPRM ainda prevê pré-bombeamento de 1 a 2 h e equipe mínima de 2 pessoas na medição manual. Em teste de 24 h ou mais, isso significa turnos de madrugada.
Há também um motivo técnico para não encurtar. O método de Cooper-Jacob, usado para estimar a transmissividade, só vale para tempos longos de bombeamento, como descreve o USGS (Ferris et al., 1962). Um teste curto demais pode não chegar ao trecho da curva que permite essa leitura.
Quais erros fazem o teste ser refeito?
Em campo, é comum ver testes refeitos por falhas que quebram a sequência, não por falta de horas:
Começar sem repouso: o nível ainda sobe de um bombeamento anterior, e o nível estático de partida fica errado.
Deixar poços vizinhos ligados: o bombeamento próximo interfere na curva. O IAT-PR pede teste de interferência se houver poço a menos de 200 m.
Parar a bomba no meio: queda de energia ou gerador sem combustível interrompe a vazão constante.
Deixar a vazão oscilar: sem válvula de ajuste e conferência periódica, a curva perde valor.
Esquecer o aviso ao órgão: no Espírito Santo, a AGERH (IN AGERH 002/2017; confira a IN 002/2019) pede aviso de 10 dias para acompanhar o teste. Na água mineral, segundo o item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009, há acompanhamento por agente fiscal; confira a redação na portaria.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS não muda a duração que o órgão pede; ele reduz o esforço para cumpri-la. O kit reúne central de monitoramento, sensor de nível hidrostático no poço e medidor de vazão com telemetria, com dados na plataforma web e app.
Registro automático de nível e vazão, com intervalo de leitura configurável.
Acompanhamento ao vivo pelo celular, com gráfico em tempo real.
Liga e desliga a bomba pelo app, para iniciar o bombeamento e a recuperação na hora programada.
Cálculo de rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade (Cooper-Jacob e Theis), percentual de recuperação e sugestão de vazão de explotação.
Gráficos, relatório automático e exportação da planilha em Excel ou CSV.
Com o registro automático, a equipe não precisa ficar 24 h ou mais no poço. No Paraná, o IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, desde que venham os documentos listados na orientação. Nos demais órgãos, o relatório reúne os dados que costumam ser pedidos, e o formato final segue o formulário de cada um.
Há três formas de usar: kit reutilizável, que o perfurador, geólogo ou consultoria leva de poço em poço; aluguel ou contratação por teste; ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS. Veja o passo a passo no guia de teste de bombeamento automático.
Perguntas frequentes
O teste de bombeamento precisa durar 24 horas?
Depende de quem pede. O IAT-PR pede pelo menos 24 h, e a AGERH (ES) pede 24 h em aquífero poroso pela IN AGERH 002/2017; há IN AGERH 002/2019 posterior, confira a versão vigente. Não há confirmação pública de que a NBR 12.244 fixe 24 h para todos os poços.
Quanto tempo dura a recuperação depois do bombeamento?
Varia por fonte. O IAT-PR pede 6 h; o manual da CPRM, 6 h em cristalino e 12 h em sedimentar; a AGERH (IN AGERH 002/2017; confira a IN 002/2019), até o nível estático. Na ANM, o teste contínuo pede recuperação acima de 97%.
Qual é o teste mais longo entre as regras citadas?
É o da IN INEMA 2/2025, na Bahia: 120 h ininterruptas para poço no Aquífero Urucuia com 100 m³/h ou mais. Se o teste for interrompido, recomeça. A regra vale só para esse caso.
Posso desligar a bomba à noite e continuar no dia seguinte?
Em teste de vazão constante, não é o recomendado, porque a curva depende de bombeamento contínuo. Na regra do Urucuia, a interrupção obriga a recomeçar. Uma parada tende a exigir a repetição do teste.
O teste para água mineral na ANM dura mais?
Abaixo de 10 m³/h, tende a durar mais que as regras estaduais citadas. O item 4.4 da Portaria DNPM 374/2009, mantido pela Resolução ANM 193/2024, pede pré-teste de pelo menos 12 h e, nessa faixa, teste contínuo de no mínimo 30 h. Acima de 10 m³/h, o ensaio é escalonado em 4 degraus (25, 50, 75 e 100%).
Alguém precisa ficar no poço durante todo o teste?
Na medição manual, sim: o manual da CPRM indica equipe mínima de 2 pessoas; em teste de 24 h ou mais, isso inclui turnos de madrugada. Com registro automático, a equipe não precisa ficar 24 h ou mais no local, mas o responsável técnico continua respondendo pelo teste.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
O sistema registra, calcula e gera o relatório enquanto a equipe acompanha à distância: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
A duração certa do teste de bombeamento é a do órgão, manual ou edital que você atende: confirme a regra antes de mobilizar a equipe. Para planejar o seu teste, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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