Capacidade Específica do Poço (Q/s): Como Calcular e Usar

Atualizado: há 9 horas
A capacidade específica do poço é a vazão bombeada dividida pelo rebaixamento do nível (Q/s), em m³/h por metro. Você calcula com o teste de bombeamento: rebaixamento é o nível dinâmico menos o nível estático. Com ela e o rebaixamento disponível, estima-se a vazão de instalação pelo método simplificado da CPRM.

Tem um teste pronto e quer conferir a capacidade específica e a vazão de instalação? Mande a planilha para o HIDROPAAS no WhatsApp.
Abaixo estão a conta, um exemplo ilustrativo resolvido, a relação com a eficiência do poço e os erros que mais distorcem o resultado.
O que é capacidade específica do poço?
Capacidade específica é quantos metros cúbicos por hora o poço entrega para cada metro que o nível da água desce durante o bombeamento. A fórmula é Q/s, com a vazão (Q) em m³/h e o rebaixamento (s) em metros. O resultado sai em m³/h/m.
O Manual Prático de Testes de Bombeamento da CPRM (1998) usa essa definição, também chamada de vazão específica. No material técnico da ANA de novembro de 2025, ela aparece na coluna Q/sw de cada etapa do teste.
A vantagem sobre a vazão pura é colocar poços diferentes na mesma régua. Veja dois poços com a mesma vazão (exemplo ilustrativo):
Poço | Vazão (Q) | Rebaixamento (s) | Capacidade específica (Q/s) |
Poço A | 10 m³/h | 5 m | 10 ÷ 5 = 2,0 m³/h/m |
Poço B | 10 m³/h | 40 m | 10 ÷ 40 = 0,25 m³/h/m |
Os dois "rendem" 10 m³/h, mas o B puxa a água 40 m para baixo, tem pouca folga para subir a vazão e pede a bomba mais funda. Por isso capacidade específica não é o mesmo que quanto rende um poço artesiano: a vazão diz quanto sai; o Q/s diz a que custo de rebaixamento. Para organizar as leituras de vazão, veja a tabela de vazão de poço artesiano.
Como calcular a capacidade específica passo a passo?
Você precisa de três leituras do teste de bombeamento: nível estático, vazão e nível dinâmico. A conta é simples; o cuidado está nas leituras.
Meça o nível estático (NE). É a profundidade da água com a bomba parada e o poço em repouso, a partir de um ponto fixo na boca do poço.
Bombeie com vazão constante. Se a vazão oscila, o rebaixamento final não corresponde a um único Q.
Leia o nível dinâmico (ND) no tempo de referência. O ND é a profundidade da água com a bomba ligada. No manual da CPRM de 1998, o teste dura pelo menos 12 h no aquífero cristalino (água em fraturas da rocha) e 24 h no sedimentar (água nos poros).
Calcule o rebaixamento: s = ND − NE, em metros.
Divida a vazão pelo rebaixamento: Q/s, em m³/h/m.

No exemplo ilustrativo do infográfico, um poço sedimentar com NE de 15 m foi bombeado a 20 m³/h por 24 h e terminou com ND de 31 m. O rebaixamento é 31 − 15 = 16 m, e a capacidade específica é 20 ÷ 16 = 1,25 m³/h/m.
Dado | Poço sedimentar (24 h) | Poço cristalino (12 h) |
Nível estático (NE) | 15 m | 8 m |
Vazão do teste (Q) | 20 m³/h | 3 m³/h |
Nível dinâmico no fim (ND) | 31 m | 38 m |
Rebaixamento (s = ND − NE) | 16 m | 30 m |
Capacidade específica (Q/s) | 20 ÷ 16 = 1,25 m³/h/m | 3 ÷ 30 = 0,10 m³/h/m |
Os dois poços são exemplos ilustrativos. No Rio Grande do Sul, o termo de referência da SEMA para poço tubular (arquivo de 2016; confira a versão atual no SIOUT) pede NE, ND, rebaixamento e memória de cálculo no relatório.

Como usar o Q/s para achar a vazão de instalação?
Multiplique a capacidade específica pelo rebaixamento disponível, que é quanto o nível ainda pode descer com segurança. No método simplificado da CPRM, do programa emergencial de poços, a vazão de instalação é Q/s (de 12 h ou 24 h) × RD. É uma estimativa rápida e não substitui a interpretação completa do teste.
O rebaixamento disponível (RD) usa só 60% da coluna entre o nível estático e um ponto limite, que muda com o aquífero:
Cristalino: RD = 0,6 × (FP − NE), em que FP é a profundidade da fenda mais produtora. A ideia é manter o nível acima da fratura que mais dá água.
Sedimentar: RD = 0,6 × (PC − NE), em que PC é a profundidade do crivo da bomba, a entrada de água da bomba.

Etapa | Sedimentar (exemplo) | Cristalino (exemplo) |
Q/s do teste | 1,25 m³/h/m | 0,10 m³/h/m |
Nível estático (NE) | 15 m | 8 m |
Ponto limite | Crivo da bomba a 40 m | Fenda mais produtora a 48 m |
Rebaixamento disponível (RD) | 0,6 × (40 − 15) = 15 m | 0,6 × (48 − 8) = 24 m |
Vazão de instalação (Q/s × RD) | 1,25 × 15 = 18,75 m³/h | 0,10 × 24 = 2,4 m³/h |
Nos dois exemplos ilustrativos, a vazão de instalação ficou abaixo da vazão testada (20 e 3 m³/h). É o cenário mais confortável, porque você usa o Q/s dentro da faixa que o teste mediu. No sedimentar, o ND esperado fica perto de 15 + 15 = 30 m, com cerca de 10 m de folga até o crivo.
Por que a capacidade específica cai quando a vazão aumenta?
Em geral, porque o rebaixamento cresce mais rápido que a vazão, por causa da perda de carga no próprio poço. A ANA descreve o rebaixamento pela equação característica s = BQ + CQ², em que BQ é a perda no aquífero (fluxo laminar) e CQ² é a perda no próprio poço (fluxo turbulento).
Como CQ² cresce com o quadrado da vazão, cada m³/h a mais custa mais rebaixamento, e o Q/s cai. A eficiência do poço é e = BQ ÷ (BQ + CQ²). Veja um poço sedimentar ilustrativo (NE de 15 m, testado a 20 m³/h com 16 m de rebaixamento), com B = 0,6 e C = 0,01 (valores ilustrativos):
Vazão (Q) | Rebaixamento (s = BQ + CQ²) | Q/s | Eficiência (e) |
10 m³/h | 6 + 1 = 7 m | 1,43 m³/h/m | 6 ÷ 7 = 85,7% |
20 m³/h | 12 + 4 = 16 m | 1,25 m³/h/m | 12 ÷ 16 = 75% |
30 m³/h | 18 + 9 = 27 m | 1,11 m³/h/m | 18 ÷ 27 = 66,7% |
A 20 m³/h, a equação reproduz os 16 m do teste, com eficiência de 75%. Para água mineral, o item 4.4.10 da Portaria DNPM 374/2009, mantido pela Resolução ANM 193/2024, recomenda eficiência mínima de 75%; confira a redação no texto oficial.
Aqui mora o risco do método simplificado da CPRM (vazão de instalação = Q/s × rebaixamento disponível). Com o crivo a 55 m, o RD seria 0,6 × (55 − 15) = 24 m, e a conta daria 1,25 × 24 = 30 m³/h. Pela equação, porém, 30 m³/h rebaixam 27 m, mais que os 24 m disponíveis; o limite pela equação ficaria perto de 27 m³/h.
Em geral, o Q/s de uma única vazão serve bem abaixo da vazão testada e tende a superestimar o poço acima dela. Para projetar além do teste, use o teste escalonado com a equação característica. E não confunda Q/s com transmissividade, que é propriedade do aquífero e sai da curva de rebaixamento pelo método de Cooper-Jacob.
Onde a capacidade específica entra na outorga e no relatório?
Nas fontes consultadas, nenhum órgão fixa um valor mínimo de Q/s. O que se pede são os dados para calculá-lo e a vazão que o poço sustenta. A outorga de poço é estadual, então a exigência muda de órgão para órgão.
Órgão ou fonte | O que pede ou mostra | Observação |
RS (SEMA) | Vazão, NE, ND, rebaixamento, memória de cálculo e gráficos semilog, no TR HP02A | Arquivo de 2016; conferir a versão no SIOUT |
GO (IN SEMADS 5/2023) | Curvas, todas as medidas e vazão de explotação com ND e NE, na IN SEMADS 5/2023 | Anexo II, item 5 |
AM (IPAAM) | Equação característica para 1 h, 1 ano e 5 anos e vazão máxima possível pelo rebaixamento máximo disponível, no formulário do IPAAM | Formulário de 2016 |
ANA (material técnico) | Coluna Q/sw por etapa; o teste de produção define vazão e profundidade da bomba | A ANA não outorga poço; quem outorga é o estado |
ANM (água mineral) | Eficiência mínima recomendada de 75% e vazões no relatório (item 4.4 da Portaria 374/2009) | Conferir o texto oficial |
Para entender vazão máxima, vazão recomendada e o que vai no pedido, veja vazão de explotação, vazão máxima e vazão outorgada. As regras variam por estado, e a análise do seu caso deve ser feita por profissional habilitado.
Quais erros mais distorcem o cálculo?
A conta Q/s é simples; o que costuma dar errado é a leitura que entra nela. É comum chegarem até nós planilhas com um destes problemas:
Comparar Q/s de tempos diferentes. O rebaixamento segue crescendo com o tempo, então um Q/s de 2 h não se compara com um de 24 h.
Vazão que caiu no teste. Se a vazão diminuiu enquanto o nível descia, o ND final corresponde a um Q menor que o anotado.
NE medido sem repouso. Poço recém-desligado ainda está recuperando. No Paraná, a orientação do IAT pede repouso mínimo de 12 h antes do teste.
Cabo de medição não aferido. O manual da CPRM recomenda aferir o cabo do medidor a cada teste.
Ponto de referência trocado. NE medido da boca do tubo e ND medido do terreno geram um rebaixamento falso.
Crivo errado no RD. A vazão de instalação vale para a bomba na profundidade usada na conta; bomba mais acima, RD menor.
Extrapolar acima da vazão testada. O Q/s tende a cair com vazões maiores.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra nível e vazão do teste automaticamente, com intervalo de leitura configurável, e calcula o rebaixamento e a capacidade específica. O kit reúne a central de monitoramento, um sensor de nível hidrostático e um medidor de vazão com telemetria, com os dados na plataforma web e no app.
Cálculos automáticos: rebaixamento, Q/s, transmissividade por Cooper-Jacob e Theis, curva e percentual de recuperação e sugestão de vazão recomendada de explotação.
Gráficos e relatório: rebaixamento x tempo, recuperação x tempo, relatório automático e exportação da planilha em Excel ou CSV.
Controle remoto: acompanhamento ao vivo e liga/desliga da bomba pelo app, no início do bombeamento e da recuperação.
Sem plantão: a equipe não precisa ficar 24 h ou mais no poço.
Há três formas de usar: kit reutilizável para perfurador, geólogo ou consultoria levar de poço em poço; aluguel ou contratação por teste; ou a PAAS executa o teste e entrega o relatório (no RS, no local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS). No kit e no aluguel, assina com ART o responsável técnico do cliente; no serviço, o geólogo da PAAS, com ART.
O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue o formulário de cada órgão. Veja o funcionamento completo em teste de bombeamento automático: equipamento, cálculos e relatório.
Perguntas frequentes
O que é capacidade específica de um poço?
É a vazão bombeada dividida pelo rebaixamento do nível (Q/s), expressa em m³/h por metro. Ela mostra quantos metros cúbicos por hora o poço entrega para cada metro que o nível desce. Também é chamada de vazão específica.
Como calcular a capacidade específica do poço?
Meça o nível estático com a bomba parada, bombeie com vazão constante e leia o nível dinâmico no fim do teste. O rebaixamento é o nível dinâmico menos o estático; divida a vazão por ele. Em um exemplo ilustrativo, 20 m³/h com 16 m de rebaixamento dão 1,25 m³/h/m.
Qual a diferença entre capacidade específica e vazão do poço?
A vazão diz quanto sai do poço, em m³/h. A capacidade específica diz quanto sai para cada metro de rebaixamento. Dois poços com 10 m³/h podem ter Q/s muito diferentes, e, com o mesmo nível estático, o de Q/s menor tende a exigir a bomba mais funda.
O que é rebaixamento disponível?
É quanto o nível ainda pode descer com segurança. No método simplificado da CPRM, vale 0,6 vezes a distância entre o nível estático e o crivo da bomba (sedimentar) ou a fenda mais produtora (cristalino). Multiplicado pelo Q/s, dá a vazão de instalação estimada.
Por que a capacidade específica cai quando aumento a vazão?
Porque parte do rebaixamento é perda no próprio poço, que cresce com o quadrado da vazão (termo CQ² da equação característica). Cada m³/h a mais custa mais rebaixamento. Por isso o Q/s de uma única vazão tende a superestimar o poço acima da vazão testada.
Capacidade específica é o mesmo que transmissividade?
Não. A capacidade específica é uma relação medida no próprio poço e inclui as perdas do poço. A transmissividade é uma propriedade do aquífero, calculada pela inclinação da curva de rebaixamento, por exemplo pelo método de Cooper-Jacob.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Com nível e vazão registrados automaticamente, o rebaixamento e o Q/s saem calculados no fim do teste: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
A capacidade específica (Q/s) resume o teste em um número e, multiplicada pelo rebaixamento disponível, dá uma primeira estimativa da vazão de instalação. Quer ajuda com o cálculo do seu poço? fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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