Nível Estático e Nível Dinâmico do Poço: Qual a Diferença e Como Medir

Atualizado: 15 de out.
Resposta rápida: o nível estático é a profundidade da água dentro do poço parado, sem bombeamento. O nível dinâmico é a profundidade da água com a bomba ligada, numa certa vazão. A diferença entre os dois é o rebaixamento: quanto a água desce quando o poço trabalha. Os dois são medidos a partir da superfície do terreno, em metros.
Esses dois números aparecem no relatório do poço, na outorga e no orçamento da bomba, mas quase ninguém explica o que eles dizem sobre o seu poço. Neste guia você vê a diferença na prática, como medir cada um, que valores são comuns no Brasil segundo o SIAGAS e o que fazer quando o nível começa a cair.

Tem o relatório do poço na mão e não entende os números? Mande a foto no WhatsApp que explicamos o que o nível estático e o dinâmico dizem sobre o seu poço.
Nível estático x nível dinâmico: a diferença na prática
A diferença é a bomba. Nível estático (NE) é onde a água fica com o poço em repouso. Nível dinâmico (ND) é onde a água fica com o poço sendo bombeado a uma vazão definida.
A especificação técnica de poços tubulares do governo de Sergipe (ORSE/CEHOP) define assim: o nível estático é a profundidade da água num poço "em repouso, isto é, sem bombeamento". O nível dinâmico é a profundidade da água num poço bombeado "a uma dada vazão", ligada ao tempo de bombeamento. Nos dois casos a medida parte da superfície do terreno.
Por isso o nível dinâmico fica sempre abaixo do estático. Quando a bomba puxa água, o nível desce dentro do poço e em volta dele, formando um funil. Os hidrogeólogos chamam esse funil de cone de rebaixamento, e a forma como ele se abre aparece na curva de rebaixamento x tempo do teste.
Há uma exceção: no poço jorrante, a água sobe acima da boca do poço sem bomba. Nesse caso o nível estático fica acima do terreno.

Medida | Quando se mede | O que ela mostra |
Nível estático (NE) | Poço parado, depois do tempo de repouso | A posição natural da água no aquífero naquele momento |
Nível dinâmico (ND) | Poço bombeando a uma vazão constante | Até onde a água desce quando o poço trabalha |
Rebaixamento | Conta: ND menos NE | O esforço do poço para entregar aquela vazão |
Vazão específica | Conta: vazão dividida pelo rebaixamento | Quantos m³/h o poço entrega por metro de rebaixamento |
O que é o rebaixamento e como calcular?
Rebaixamento é a distância vertical entre o nível estático e o nível dinâmico. A conta é simples: nível dinâmico menos nível estático.
Um exemplo: o poço parado tem água a 14 m. Com a bomba ligada a 5 m³/h, a água estabiliza a 50 m. O rebaixamento é 50 − 14 = 36 m. Se você dividir a vazão pelo rebaixamento, tem a vazão específica: 5 ÷ 36 ≈ 0,14 m³/h por metro.
A vazão específica é o número que permite comparar poços diferentes. Um poço que entrega muita água descendo pouco tem vazão específica alta. Um poço que desce muito para entregar pouco tem vazão específica baixa e pede cuidado com a vazão de operação.
Atenção a um detalhe: o nível dinâmico depende da vazão e do tempo. Como explica um artigo de técnicos da Sabesp publicado pela ABAS, quando o nível para de descer numa vazão constante, ele vira o "nível dinâmico de equilíbrio" daquela vazão. Trocar a bomba por uma maior muda o nível dinâmico.
Valores comuns de nível estático e dinâmico no Brasil (SIAGAS)
Não existe nível "certo": ele depende do aquífero, do relevo e do uso da água na região. Mesmo assim, ajuda saber o que é comum. Calculamos as medianas a partir dos poços tubulares cadastrados no SIAGAS, o sistema de águas subterrâneas do Serviço Geológico do Brasil (consulta de setembro de 2026).
Estado | Nível estático (mediana) | Nível dinâmico (mediana) | Rebaixamento (mediana) |
Brasil | 12,0 m | 41,5 m | 21,0 m |
Rio Grande do Sul | 14,2 m | 50,0 m | 24,9 m |
Santa Catarina | 8,4 m | 54,1 m | 31,8 m |
Paraná | 27,0 m | 57,0 m | 24,0 m |
São Paulo | 24,1 m | 70,0 m | 34,0 m |
Minas Gerais | 8,0 m | 40,4 m | 27,5 m |
Goiás | 12,0 m | 55,0 m | 39,0 m |
Bahia | 9,0 m | 45,7 m | 28,9 m |
Ceará | 8,7 m | 35,0 m | 22,0 m |
Como ler a tabela: cada coluna é a mediana de todos os poços com aquele dado, então o rebaixamento não é a simples subtração das outras duas colunas. No Brasil, o rebaixamento saiu de 155.826 poços com os dois níveis registrados; no Rio Grande do Sul, de 12.190. O nível dinâmico de cada poço foi medido na vazão do teste dele, que varia de poço para poço.
O valor do seu poço só sai de uma medição no próprio poço. A tabela serve para você saber se o seu número está muito fora do comum na região, o que pede investigação.
Como medir o nível estático e o dinâmico do poço?
A forma mais comum é com o medidor de nível elétrico: um cabo graduado em metros com um eletrodo na ponta. A especificação ETF-06 do SAAE de Sorocaba descreve o equipamento: quando o eletrodo toca a água, ele fecha o circuito e dispara um alarme sonoro. Você lê a profundidade no cabo.

Deixe o poço descansar. A mesma ETF-06 pede o poço parado por no mínimo 12 horas antes do teste, para obter um nível estático representativo.
Meça o nível estático. Desça a sonda pelo tubo de acesso até o alarme tocar. Anote a profundidade, a data e a hora, sempre a partir da mesma referência no terreno.
Ligue a bomba numa vazão constante. Meça o nível em intervalos curtos no começo e mais espaçados depois. A ANA apresenta uma tabela de frequência que começa com leituras a cada minuto nos primeiros 10 minutos.
Anote o nível dinâmico estabilizado. Na especificação de Sergipe, o teste a vazão constante dura no mínimo 24 horas, com o nível dinâmico estável por pelo menos 6 horas.
Depois do bombeamento vem o teste de recuperação. Ele mede o nível ao longo do tempo, com a bomba desligada, até a água voltar ao nível estático original. A curva mostra se o aquífero repõe bem a água retirada. Quanto tempo cada etapa leva está explicado em quanto tempo dura o teste de bombeamento.
Para o dia a dia, depois do teste, existe uma alternativa ao medidor manual: o sensor de nível hidrostático. Ele fica submerso no poço e mede a coluna de água acima dele o tempo todo. O nível é a profundidade de instalação do sensor menos essa coluna, conta que o sistema faz sozinho. Comparamos as duas opções no post medidor de nível elétrico ou sensor hidrostático.
Para que servem esses dois números?
O nível estático e o dinâmico decidem três coisas no seu poço: onde fica a bomba, quanto ela pode tirar e se o aquífero está aguentando.
Posição da bomba. A ANA lista a definição da vazão de operação e da profundidade da bomba entre os objetivos do teste de bombeamento. Na prática de campo, bomba instalada acima do nível dinâmico puxa ar e corre o risco de trabalhar a seco.
Vazão de operação. A vazão específica mostra quanto o poço entrega sem descer demais. Ela orienta a escolha da bomba e o pedido de outorga.
Saúde do poço ao longo dos anos. Se o nível estático cai a cada medição, ou se o dinâmico desce mais para a mesma vazão, algo mudou no poço ou no aquífero.
Os mesmos técnicos, da unidade Vale do Paraíba da Sabesp, mostram um caso real num poço que a companhia acompanhava. O nível estático registrado passou de 31 m em janeiro de 1997 para 58 m em outubro do mesmo ano. É esse tipo de mudança que só aparece quando alguém mede com regularidade.
O que fazer quando o nível começa a cair?
Confirme a medição. Mesma referência no terreno, mesmo tempo de repouso e mesma vazão das medições anteriores.
Compare com a época do ano. Uma queda na seca que volta na chuva é normal. Queda que se repete de um ano para o outro, não.
Olhe o entorno. Poço novo na vizinhança ou aumento das horas de bomba mudam o nível.
Chame um técnico antes de a bomba secar. Pode ser preciso reduzir a vazão, baixar a bomba ou avaliar o poço.

A outorga exige medir nível estático e dinâmico?
Em vários casos, sim, e a frequência vem escrita na portaria de outorga do poço. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 manda medir o nível estático em intervalo definido na outorga, nunca maior que seis meses: uma medição na seca e outra na chuva.
Em Mato Grosso do Sul, uma portaria de outorga do Imasul que conferimos pede o registro mensal do volume e a medição dos níveis estático e dinâmico na seca e no período chuvoso. Outras portarias têm regras próprias: leia as condicionantes da sua portaria e veja o que precisa ir no relatório no guia de monitoramento de poço exigido na outorga. Se o poço ainda não tem outorga, a PAAS explica o caminho no guia de outorga de poço artesiano.
Erros comuns na medição do nível
Desde 1985 a PAAS perfura, testa e acompanha poços, e os erros de medição se repetem. Os mais comuns:
Medir o "estático" com o poço recém-desligado. A água ainda está subindo. O número sai mais fundo que o real e esconde a capacidade do poço.
Trocar a referência. Uma vez mede da boca do tubo, outra do chão. Meio metro de diferença vira uma "queda" que não existe. Anote sempre a mesma referência.
Comparar nível dinâmico de vazões diferentes. Bomba nova ou registro mais aberto mudam o nível dinâmico. Compare sempre na mesma vazão.
Medir só uma vez por ano. Seca e chuva mudam o nível estático. Uma medição isolada não mostra tendência.
Esquecer os poços vizinhos. O artigo da Sabesp lembra que poços dentro da mesma zona de influência somam rebaixamentos. Um vizinho bombeando pode baixar o nível do seu poço.
Como o HIDROPAAS mede o nível do poço pelo celular
O HIDROPAAS integra sensores de nível e medidores de vazão de mercado ao poço e mostra os dados num painel que você abre no celular. Com um sensor hidrostático instalado, o nível estático e o dinâmico ficam registrados o tempo todo, sem ninguém descer a sonda.
Alertas no celular quando o nível passa de um limite que você define.
Acionamento da bomba pelo nível do reservatório e desligamento automático em falha elétrica.
Histórico de nível, vazão e horas de bomba para o relatório da outorga.
Para escolher e instalar o sensor, veja o passo a passo de como instalar sensor de nível em poço artesiano. Para conhecer o sistema completo, acesse a página do sistema HIDROPAAS.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre nível estático e nível dinâmico?
O nível estático é a profundidade da água com o poço parado. O nível dinâmico é a profundidade da água com o poço bombeando a uma vazão definida. Os dois são medidos da superfície do terreno, e o dinâmico fica sempre abaixo do estático (no poço jorrante, o estático fica acima do terreno).
Como calcular o rebaixamento do poço?
Subtraia o nível estático do nível dinâmico. Se a água está a 14 m com o poço parado e a 50 m bombeando, o rebaixamento é 36 m. Dividindo a vazão pelo rebaixamento você tem a vazão específica, em m³/h por metro.
Quanto tempo o poço precisa ficar parado para medir o nível estático?
Para o teste de bombeamento, a especificação ETF-06 do SAAE de Sorocaba pede no mínimo 12 horas de poço parado. No acompanhamento do dia a dia, o importante é medir sempre depois do mesmo tempo de repouso, para comparar os resultados.
O nível estático do poço muda com o tempo?
Muda. Ele sobe e desce entre a estação seca e a chuvosa e pode cair com o uso intenso do aquífero ou com poços vizinhos bombeando. Por isso a outorga em Minas Gerais exige pelo menos uma medição na seca e outra na chuva.
Qual o nível estático normal de um poço artesiano?
Não existe um valor normal único. Nos poços tubulares do SIAGAS, a mediana nacional do nível estático é de 12 m, com 14,2 m no Rio Grande do Sul e 27 m no Paraná. O valor do seu poço só sai de uma medição nele.
Dá para medir o nível do poço pelo celular?
Dá, com um sensor de nível hidrostático instalado no poço e ligado a um sistema de monitoramento como o HIDROPAAS. O sensor mede a coluna de água o tempo todo, e o painel mostra o nível e envia alertas no celular.
Resumo
Nível estático é a água com o poço parado. Nível dinâmico é a água com a bomba ligada. A diferença entre os dois, o rebaixamento, mostra o esforço do poço para entregar a vazão. Medir esses números com regularidade, sempre do mesmo jeito, é o que avisa que algo mudou antes de a bomba trabalhar a seco.
Quer acompanhar o nível do seu poço sem descer a sonda? Mande no WhatsApp a profundidade e a vazão do seu poço que indicamos o sensor de nível certo e mostramos como ver o nível estático e dinâmico pelo celular.
Veja também: nível do poço do pivô e bomba rodando a seco · relatório de teste de bombeamento · como medir nível de poço artesiano.
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
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