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Nível Estático e Nível Dinâmico do Poço: Qual a Diferença e Como Medir

Foto do escritor: Stéfano Lehnen
Stéfano Lehnen
19 de mar. de 2024
9 min de leitura

Atualizado: 15 de out.

Resposta rápida: o nível estático é a profundidade da água dentro do poço parado, sem bombeamento. O nível dinâmico é a profundidade da água com a bomba ligada, numa certa vazão. A diferença entre os dois é o rebaixamento: quanto a água desce quando o poço trabalha. Os dois são medidos a partir da superfície do terreno, em metros.

Esses dois números aparecem no relatório do poço, na outorga e no orçamento da bomba, mas quase ninguém explica o que eles dizem sobre o seu poço. Neste guia você vê a diferença na prática, como medir cada um, que valores são comuns no Brasil segundo o SIAGAS e o que fazer quando o nível começa a cair.

Nível estático e nível dinâmico do poço: técnico medindo a profundidade da água com medidor de nível elétrico

Tem o relatório do poço na mão e não entende os números? Mande a foto no WhatsApp que explicamos o que o nível estático e o dinâmico dizem sobre o seu poço.

Nível estático x nível dinâmico: a diferença na prática

A diferença é a bomba. Nível estático (NE) é onde a água fica com o poço em repouso. Nível dinâmico (ND) é onde a água fica com o poço sendo bombeado a uma vazão definida.

A especificação técnica de poços tubulares do governo de Sergipe (ORSE/CEHOP) define assim: o nível estático é a profundidade da água num poço "em repouso, isto é, sem bombeamento". O nível dinâmico é a profundidade da água num poço bombeado "a uma dada vazão", ligada ao tempo de bombeamento. Nos dois casos a medida parte da superfície do terreno.

Por isso o nível dinâmico fica sempre abaixo do estático. Quando a bomba puxa água, o nível desce dentro do poço e em volta dele, formando um funil. Os hidrogeólogos chamam esse funil de cone de rebaixamento, e a forma como ele se abre aparece na curva de rebaixamento x tempo do teste.

Há uma exceção: no poço jorrante, a água sobe acima da boca do poço sem bomba. Nesse caso o nível estático fica acima do terreno.

Infográfico: diferença entre nível estático, nível dinâmico e rebaixamento do poço

Medida

Quando se mede

O que ela mostra

Nível estático (NE)

Poço parado, depois do tempo de repouso

A posição natural da água no aquífero naquele momento

Nível dinâmico (ND)

Poço bombeando a uma vazão constante

Até onde a água desce quando o poço trabalha

Rebaixamento

Conta: ND menos NE

O esforço do poço para entregar aquela vazão

Vazão específica

Conta: vazão dividida pelo rebaixamento

Quantos m³/h o poço entrega por metro de rebaixamento

O que é o rebaixamento e como calcular?

Rebaixamento é a distância vertical entre o nível estático e o nível dinâmico. A conta é simples: nível dinâmico menos nível estático.

Um exemplo: o poço parado tem água a 14 m. Com a bomba ligada a 5 m³/h, a água estabiliza a 50 m. O rebaixamento é 50 − 14 = 36 m. Se você dividir a vazão pelo rebaixamento, tem a vazão específica: 5 ÷ 36 ≈ 0,14 m³/h por metro.

A vazão específica é o número que permite comparar poços diferentes. Um poço que entrega muita água descendo pouco tem vazão específica alta. Um poço que desce muito para entregar pouco tem vazão específica baixa e pede cuidado com a vazão de operação.

Atenção a um detalhe: o nível dinâmico depende da vazão e do tempo. Como explica um artigo de técnicos da Sabesp publicado pela ABAS, quando o nível para de descer numa vazão constante, ele vira o "nível dinâmico de equilíbrio" daquela vazão. Trocar a bomba por uma maior muda o nível dinâmico.

Valores comuns de nível estático e dinâmico no Brasil (SIAGAS)

Não existe nível "certo": ele depende do aquífero, do relevo e do uso da água na região. Mesmo assim, ajuda saber o que é comum. Calculamos as medianas a partir dos poços tubulares cadastrados no SIAGAS, o sistema de águas subterrâneas do Serviço Geológico do Brasil (consulta de setembro de 2026).

Estado

Nível estático (mediana)

Nível dinâmico (mediana)

Rebaixamento (mediana)

Brasil

12,0 m

41,5 m

21,0 m

Rio Grande do Sul

14,2 m

50,0 m

24,9 m

Santa Catarina

8,4 m

54,1 m

31,8 m

Paraná

27,0 m

57,0 m

24,0 m

São Paulo

24,1 m

70,0 m

34,0 m

Minas Gerais

8,0 m

40,4 m

27,5 m

Goiás

12,0 m

55,0 m

39,0 m

Bahia

9,0 m

45,7 m

28,9 m

Ceará

8,7 m

35,0 m

22,0 m

Como ler a tabela: cada coluna é a mediana de todos os poços com aquele dado, então o rebaixamento não é a simples subtração das outras duas colunas. No Brasil, o rebaixamento saiu de 155.826 poços com os dois níveis registrados; no Rio Grande do Sul, de 12.190. O nível dinâmico de cada poço foi medido na vazão do teste dele, que varia de poço para poço.

O valor do seu poço só sai de uma medição no próprio poço. A tabela serve para você saber se o seu número está muito fora do comum na região, o que pede investigação.

Como medir o nível estático e o dinâmico do poço?

A forma mais comum é com o medidor de nível elétrico: um cabo graduado em metros com um eletrodo na ponta. A especificação ETF-06 do SAAE de Sorocaba descreve o equipamento: quando o eletrodo toca a água, ele fecha o circuito e dispara um alarme sonoro. Você lê a profundidade no cabo.

Infográfico: como medir nível estático e nível dinâmico do poço em 4 passos
  1. Deixe o poço descansar. A mesma ETF-06 pede o poço parado por no mínimo 12 horas antes do teste, para obter um nível estático representativo.

  2. Meça o nível estático. Desça a sonda pelo tubo de acesso até o alarme tocar. Anote a profundidade, a data e a hora, sempre a partir da mesma referência no terreno.

  3. Ligue a bomba numa vazão constante. Meça o nível em intervalos curtos no começo e mais espaçados depois. A ANA apresenta uma tabela de frequência que começa com leituras a cada minuto nos primeiros 10 minutos.

  4. Anote o nível dinâmico estabilizado. Na especificação de Sergipe, o teste a vazão constante dura no mínimo 24 horas, com o nível dinâmico estável por pelo menos 6 horas.

Depois do bombeamento vem o teste de recuperação. Ele mede o nível ao longo do tempo, com a bomba desligada, até a água voltar ao nível estático original. A curva mostra se o aquífero repõe bem a água retirada. Quanto tempo cada etapa leva está explicado em quanto tempo dura o teste de bombeamento.

Para o dia a dia, depois do teste, existe uma alternativa ao medidor manual: o sensor de nível hidrostático. Ele fica submerso no poço e mede a coluna de água acima dele o tempo todo. O nível é a profundidade de instalação do sensor menos essa coluna, conta que o sistema faz sozinho. Comparamos as duas opções no post medidor de nível elétrico ou sensor hidrostático.

Para que servem esses dois números?

O nível estático e o dinâmico decidem três coisas no seu poço: onde fica a bomba, quanto ela pode tirar e se o aquífero está aguentando.

  • Posição da bomba. A ANA lista a definição da vazão de operação e da profundidade da bomba entre os objetivos do teste de bombeamento. Na prática de campo, bomba instalada acima do nível dinâmico puxa ar e corre o risco de trabalhar a seco.

  • Vazão de operação. A vazão específica mostra quanto o poço entrega sem descer demais. Ela orienta a escolha da bomba e o pedido de outorga.

  • Saúde do poço ao longo dos anos. Se o nível estático cai a cada medição, ou se o dinâmico desce mais para a mesma vazão, algo mudou no poço ou no aquífero.

Os mesmos técnicos, da unidade Vale do Paraíba da Sabesp, mostram um caso real num poço que a companhia acompanhava. O nível estático registrado passou de 31 m em janeiro de 1997 para 58 m em outubro do mesmo ano. É esse tipo de mudança que só aparece quando alguém mede com regularidade.

O que fazer quando o nível começa a cair?

  1. Confirme a medição. Mesma referência no terreno, mesmo tempo de repouso e mesma vazão das medições anteriores.

  2. Compare com a época do ano. Uma queda na seca que volta na chuva é normal. Queda que se repete de um ano para o outro, não.

  3. Olhe o entorno. Poço novo na vizinhança ou aumento das horas de bomba mudam o nível.

  4. Chame um técnico antes de a bomba secar. Pode ser preciso reduzir a vazão, baixar a bomba ou avaliar o poço.

Poço artesiano ao lado da casa de bombas, com hidrômetro, registro e tubo de acesso para medir o nível estático e dinâmico

A outorga exige medir nível estático e dinâmico?

Em vários casos, sim, e a frequência vem escrita na portaria de outorga do poço. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 manda medir o nível estático em intervalo definido na outorga, nunca maior que seis meses: uma medição na seca e outra na chuva.

Em Mato Grosso do Sul, uma portaria de outorga do Imasul que conferimos pede o registro mensal do volume e a medição dos níveis estático e dinâmico na seca e no período chuvoso. Outras portarias têm regras próprias: leia as condicionantes da sua portaria e veja o que precisa ir no relatório no guia de monitoramento de poço exigido na outorga. Se o poço ainda não tem outorga, a PAAS explica o caminho no guia de outorga de poço artesiano.

Erros comuns na medição do nível

Desde 1985 a PAAS perfura, testa e acompanha poços, e os erros de medição se repetem. Os mais comuns:

  • Medir o "estático" com o poço recém-desligado. A água ainda está subindo. O número sai mais fundo que o real e esconde a capacidade do poço.

  • Trocar a referência. Uma vez mede da boca do tubo, outra do chão. Meio metro de diferença vira uma "queda" que não existe. Anote sempre a mesma referência.

  • Comparar nível dinâmico de vazões diferentes. Bomba nova ou registro mais aberto mudam o nível dinâmico. Compare sempre na mesma vazão.

  • Medir só uma vez por ano. Seca e chuva mudam o nível estático. Uma medição isolada não mostra tendência.

  • Esquecer os poços vizinhos. O artigo da Sabesp lembra que poços dentro da mesma zona de influência somam rebaixamentos. Um vizinho bombeando pode baixar o nível do seu poço.

Como o HIDROPAAS mede o nível do poço pelo celular

O HIDROPAAS integra sensores de nível e medidores de vazão de mercado ao poço e mostra os dados num painel que você abre no celular. Com um sensor hidrostático instalado, o nível estático e o dinâmico ficam registrados o tempo todo, sem ninguém descer a sonda.

  • Alertas no celular quando o nível passa de um limite que você define.

  • Acionamento da bomba pelo nível do reservatório e desligamento automático em falha elétrica.

  • Histórico de nível, vazão e horas de bomba para o relatório da outorga.

Para escolher e instalar o sensor, veja o passo a passo de como instalar sensor de nível em poço artesiano. Para conhecer o sistema completo, acesse a página do sistema HIDROPAAS.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre nível estático e nível dinâmico?

O nível estático é a profundidade da água com o poço parado. O nível dinâmico é a profundidade da água com o poço bombeando a uma vazão definida. Os dois são medidos da superfície do terreno, e o dinâmico fica sempre abaixo do estático (no poço jorrante, o estático fica acima do terreno).

Como calcular o rebaixamento do poço?

Subtraia o nível estático do nível dinâmico. Se a água está a 14 m com o poço parado e a 50 m bombeando, o rebaixamento é 36 m. Dividindo a vazão pelo rebaixamento você tem a vazão específica, em m³/h por metro.

Quanto tempo o poço precisa ficar parado para medir o nível estático?

Para o teste de bombeamento, a especificação ETF-06 do SAAE de Sorocaba pede no mínimo 12 horas de poço parado. No acompanhamento do dia a dia, o importante é medir sempre depois do mesmo tempo de repouso, para comparar os resultados.

O nível estático do poço muda com o tempo?

Muda. Ele sobe e desce entre a estação seca e a chuvosa e pode cair com o uso intenso do aquífero ou com poços vizinhos bombeando. Por isso a outorga em Minas Gerais exige pelo menos uma medição na seca e outra na chuva.

Qual o nível estático normal de um poço artesiano?

Não existe um valor normal único. Nos poços tubulares do SIAGAS, a mediana nacional do nível estático é de 12 m, com 14,2 m no Rio Grande do Sul e 27 m no Paraná. O valor do seu poço só sai de uma medição nele.

Dá para medir o nível do poço pelo celular?

Dá, com um sensor de nível hidrostático instalado no poço e ligado a um sistema de monitoramento como o HIDROPAAS. O sensor mede a coluna de água o tempo todo, e o painel mostra o nível e envia alertas no celular.

Resumo

Nível estático é a água com o poço parado. Nível dinâmico é a água com a bomba ligada. A diferença entre os dois, o rebaixamento, mostra o esforço do poço para entregar a vazão. Medir esses números com regularidade, sempre do mesmo jeito, é o que avisa que algo mudou antes de a bomba trabalhar a seco.

Quer acompanhar o nível do seu poço sem descer a sonda? Mande no WhatsApp a profundidade e a vazão do seu poço que indicamos o sensor de nível certo e mostramos como ver o nível estático e dinâmico pelo celular.

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

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