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Bomba Submersa Queimando: Falta de Fase, Subtensão e Como Proteger

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 2 dias
8 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Se a bomba submersa queimou, o dano costuma estar na isolação do enrolamento do motor, que não suporta calor em excesso. Falta de fase, subtensão ou sobretensão, desequilíbrio entre fases, sobrecarga, partidas demais e funcionamento a seco levam a esse aquecimento. A proteção combina relés adequados no painel, aterramento e DR instalados por profissional habilitado e monitoramento da corrente com alerta e desligamento automático.

Bomba submersa ao lado de quadro de comando com relés de proteção — bomba submersa queimou

Por que a bomba submersa queima: as causas elétricas mais comuns

As causas elétricas terminam no mesmo ponto: calor no enrolamento. A vida da isolação do motor cai pela metade a cada 10 °C a mais. É o que mostra um guia de 2012 do Departamento de Energia dos EUA (DOE).

Uma bomba submersa queimando costuma dar sinais antes da falha final: corrente subindo, fases desequilibradas ou partidas demais. Com monitoramento de energia elétrica, esses sinais podem aparecer a tempo de agir.

Causa

O que acontece no motor

Proteção

Sinal no monitoramento

Falta de fase

Gira com duas fases, ou não parte, e a corrente sobe nas fases restantes

Relé falta de fase

Corrente zerada em uma fase e maior nas outras

Subtensão ou sobretensão

Na subtensão, puxa mais corrente; na sobretensão, força a isolação

Relé de sobrecarga e proteção de tensão

Corrente fora do habitual; tensão fora da faixa, com medidor adequado

Desequilíbrio de tensão

Pequena diferença de tensão vira grande diferença de corrente

Relé que detecta desequilíbrio e correção da causa

Diferença de corrente entre as fases

Sobrecarga

Corrente acima da nominal aquece o enrolamento

Relé de sobrecarga

Corrente acima da nominal por tempo prolongado

Partidas demais

Pico de corrente a cada partida, sem tempo para esfriar

Limite de partidas e níveis de liga e desliga afastados

Muitas partidas por hora

Funcionamento a seco

Sem água passando, o motor perde refrigeração

Proteção por nível do poço

Queda de corrente e nível perto da bomba

Falta de fase na bomba: o motor tenta seguir girando

Falta de fase é quando uma das três fases deixa de chegar ao motor trifásico. As causas típicas são fusível queimado, contato gasto no contator, emenda rompida no cabo ou fase caída na rede.

Se a fase cai com a bomba ligada, o motor pode continuar girando com as outras duas e puxar mais corrente por elas. Se falta com o motor parado, ele não parte e esquenta rápido. No fundo do poço, ninguém vê nem ouve o problema.

Sinal antes da queima: corrente zerada em uma fase e acima do normal nas outras. O manual de um fabricante nacional de bombas submersas exige relé falta de fase no trifásico e avisa que, sem ele, a garantia é perdida.

Subtensão e sobretensão: como a tensão errada queima o motor

Subtensão queima motor de forma lenta e silenciosa. Com tensão abaixo do adequado, o motor puxa mais corrente para entregar a mesma força, e o enrolamento esquenta a cada hora de trabalho.

Sobretensão é o contrário: tensão acima do normal força a isolação dos fios e também pode aumentar o aquecimento. Oscilações frequentes somam os dois efeitos.

O manual do fabricante pede que a variação de tensão da rede respeite o limite da NBR 5410, norma de instalações elétricas de baixa tensão. Danos por subtensão, sobretensão e oscilação de tensão ficam fora da garantia.

Sinal antes da queima: corrente acima do habitual sem mudança na vazão ou no nível do poço. Para confirmar a tensão, use o sensor ou medidor adequado, porque o sensor de corrente sozinho não mede tensão.

Saída de poço com manômetro e transmissor de monitoramento — bomba submersa queimou

Desequilíbrio de tensão: pequeno na rede, grande na corrente

Desequilíbrio acontece quando as três fases chegam com tensões diferentes entre si. A diferença parece pequena, mas o motor a amplifica.

O desequilíbrio de corrente fica de 6 a 10 vezes maior que o de tensão, segundo o DOE. No exemplo do documento, 2,5% de desequilíbrio de tensão resultou em 27,7% de desequilíbrio de corrente.

Acima de 1% de desequilíbrio de tensão, o motor precisa trabalhar com carga reduzida, segundo o mesmo guia do DOE. O documento, de um órgão dos EUA, diz ainda que esse desequilíbrio anula a garantia da maioria dos fabricantes. O órgão recomenda sensores com alarme para acompanhar o problema.

Sinal antes da queima: diferença crescente entre as correntes das três fases. O manual do fabricante nacional manda desligar a bomba se o desbalanceamento de corrente entre fases passar de 5%.

Sobrecarga e excesso de partidas

Sobrecarga

Sobrecarga é corrente acima da nominal por tempo prolongado. Na bomba submersa, pode vir de esforço mecânico, como areia no rotor ou mancal gasto, ou de bomba trabalhando fora do ponto de projeto.

Partidas demais

Cada partida exige corrente bem acima da de trabalho e deixa calor no enrolamento. Partidas seguidas não dão tempo de o motor esfriar. O manual do fabricante admite no máximo 10 partidas por hora, e alguns modelos toleram menos.

Uma causa comum é boia ou sensor do reservatório com pontos de liga e desliga muito próximos. Na automação de bomba por nível, afastar esses pontos reduz as partidas.

Sinal antes da queima: corrente acima da nominal no histórico e contagem alta de partidas por hora.

Funcionamento a seco: quando falta água no poço

O motor da bomba submersa se refrigera com a água que passa por ele. Quando o nível desce até a bomba, ela gira sem água, perde carga e superaquece.

Nível dinâmico é a profundidade da água com a bomba ligada. Se ele cai com o tempo, o manual do fabricante orienta reavaliar o poço e redimensionar a bomba. Nível dinâmico mais fundo também aumenta o consumo de energia por m³ bombeado.

O manual do fabricante proíbe operar a seco e pede nível dinâmico pelo menos 6 m acima da bomba. Dano por funcionamento a seco também fica fora da garantia.

Sinal antes da queima: queda anormal da corrente, porque a bomba perde carga, junto com o nível do poço descendo. Um sensor de nível no poço permite desligar antes de a água chegar à bomba.

O que o manual do fabricante exige para manter a garantia

O manual de 2025 de um fabricante nacional de bombas submersas reúne as regras de proteção em poucos itens. Confira o manual da sua marca, que pode trazer valores diferentes.

  • Chave com relé de sobrecarga, que protege contra subtensão, sobretensão e sobrecarga.

  • No trifásico, relé falta de fase. Sem esses relés, a garantia é perdida.

  • Aterramento e DR de até 30 mA, ambos obrigatórios. O DR desliga o circuito quando há fuga de corrente.

  • Nunca operar a seco e manter o nível dinâmico pelo menos 6 m acima da bomba.

  • Desligar se o desbalanceamento de corrente entre fases passar de 5%.

  • No máximo 10 partidas por hora, e menos em alguns modelos.

  • Instalação por profissional habilitado, conforme a NR-10, norma de segurança em serviços com eletricidade.

A garantia não cobre sobretensão, subtensão, oscilação de tensão, falta de fase, ausência de proteção, sobrecarga ou funcionamento a seco. Na prática, a maioria das causas de queima deste guia fica de fora.

Quando a culpa é da rede: tensão precária ou crítica

Se a tensão ruim vem da distribuidora, você pode reclamar. Nas regras de qualidade do PRODIST Módulo 8 da ANEEL, com página atualizada em 29/04/2026, a tensão entregue é classificada como adequada, precária ou crítica.

Há limites individuais para o tempo com tensão fora do adequado: 3% para tensão precária (indicador DRP) e 0,5% para crítica (DRC), segundo a ANEEL. Se forem violados, a compensação é automática na fatura até a regularização.

A medição de tensão pode ser pontual, feita após reclamação, ou permanente, a pedido e à custa do consumidor. A ANEEL também faz medições amostrais.

Como registrar para reclamar

  1. Anote data, hora e duração de cada evento: fase caída, tensão baixa ou bomba desarmada.

  2. Guarde o histórico de corrente, os alertas do celular e, com o medidor adequado, a tensão de cada fase.

  3. Se a bomba queimou, peça ao eletricista ou à assistência técnica um laudo com a causa provável.

  4. Registre a reclamação na distribuidora, anote o protocolo e peça a medição de tensão.

  5. Sem solução, siga os canais de atendimento indicados pela ANEEL.

Checklist de proteção elétrica de bomba submersa

Use a lista para conferir o painel junto com o eletricista. Ajustes de relé, DR e aterramento são serviço de profissional habilitado, conforme a NR-10.

  1. Relés corretos: relé de sobrecarga ajustado pela corrente nominal da placa do motor e, no trifásico, relé falta de fase.

  2. Aterramento e DR: DR de até 30 mA e aterramento, como exige o manual citado acima.

  3. Proteção contra trabalho a seco: sensor de nível no poço e desligamento antes de a água chegar perto da bomba.

  4. Partidas limitadas: pontos de liga e desliga afastados e respeito ao limite de partidas do manual.

  5. Corrente por fase monitorada: um sensor de corrente da bomba em cada fase mostra desequilíbrio e sobrecarga cedo.

  6. Tensão acompanhada: com o medidor adequado, para ter registro se a rede for a culpada.

  7. Alerta no celular: para corrente fora da faixa, falta de fase e nível baixo.

  8. Desligamento automático em falha elétrica: a bomba para na falha; religue só depois de identificar a causa.

  9. Serviço por profissional habilitado: seguindo a NR-10.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS é o sistema de monitoramento da PAAS Poços Artesianos e Água, que atua desde 1985 com geólogo responsável (CREA). Na proteção da bomba submersa, ele reúne:

  • Sensor de corrente no quadro elétrico, sem trocar nem mexer no medidor da distribuidora.

  • Desligamento automático em falha elétrica.

  • Água e energia no mesmo painel, com nível do poço e corrente da bomba lado a lado, alertas no celular e relatórios.

  • Liga/desliga remoto pelo app, para religar só depois de conferir a causa do desligamento.

  • Integração de sensores e medidores de mercado, como multimedidor com saída de dados, com o sensor adequado a cada medição.

Os relés do painel continuam indispensáveis. O monitoramento complementa a proteção e ajuda a agir antes da queima.

Perguntas frequentes

Por que a bomba submersa queimou de novo depois da troca?

A causa anterior pode continuar lá. Antes de instalar a nova bomba, peça ao eletricista para medir tensão e corrente em cada fase e conferir relés, aterramento e nível do poço.

Falta de fase queima a bomba mesmo com disjuntor?

Pode queimar. O disjuntor protege contra curto e corrente muito alta, mas nem sempre atua a tempo na falta de fase. Por isso o manual de um fabricante nacional exige relé falta de fase no trifásico.

Bomba submersa queimada tem garantia?

Depende da causa. No manual de um fabricante nacional, a garantia não cobre subtensão, sobretensão, oscilação de tensão, falta de fase, ausência de proteção, sobrecarga ou funcionamento a seco. Confira o termo da sua marca.

Como provar que a tensão da rede está prejudicando a bomba?

Registre os eventos e a tensão por fase com medidor adequado, reclame na distribuidora e peça a medição. Pelo PRODIST Módulo 8, tensão precária ou crítica acima dos limites gera compensação automática na fatura.

Conheça o sistema HIDROPAAS

Corrente da bomba, nível do poço e alertas de falha elétrica ficam no mesmo painel. Veja como funciona o sistema de monitoramento HIDROPAAS.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Sua bomba submersa queimou ou vive desarmando? Conte o que aconteceu e fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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