Teste de Interferência no Paraná: Poço a Menos de 200 m (IAT)

No Paraná, o IAT pede teste de interferência quando há outro poço a menos de 200 m do ponto de captação. Segundo a orientação do IAT de set/2026, os poços do raio ficam desligados por pelo menos 12 h. Os que têm direito de uso bombeiam primeiro; depois, os vizinhos com direito de uso bombeiam junto com o poço a regularizar; para os demais, o rebaixamento é opcional.

Vai testar um poço com vizinhos no raio de 200 m? Veja como o kit HIDROPAAS registra o teste que o IAT pede.
O IAT (Instituto Água e Terra) é o órgão que analisa a outorga de poço no Paraná, a autorização para usar a água subterrânea. Em setembro de 2026, ele publicou uma orientação própria para testes de interferência entre poços, com três páginas. Este guia mostra como aplicar essa orientação no campo. O caminho completo da outorga está no guia de teste de bombeamento para outorga no Paraná.
O conceito de interferência, o cálculo com poços vizinhos e a leitura das curvas estão no post geral sobre teste de interferência entre poços. Aqui, o foco é o que o IAT pede.
Quando o IAT pede teste de interferência no Paraná?
Quando existe poço a menos de 200 m do poço que você vai regularizar. A orientação manda fazer o levantamento num raio de no mínimo 200 m a partir do ponto de captação, usando o SIG do IAT.
SIG é o sistema de informações geográficas do órgão. O levantamento considera as camadas de portarias, de declarações e de requerimentos protocolados no SIGARH, o sistema online onde o IAT recebe os pedidos. Segundo a página de outorga do IAT, a consulta de poços fica em sigarh.iat.pr.gov.br/sigarh-gis.
A regra aparece em mais de um documento do IAT. A planilha modelo do teste de produção pede anexar testes de interferência hidrodinâmica simultâneos quando há poços no raio de 200 m. E as orientações do teste de produção colocam a interferência dentro do cronograma.
Não confunda com outra verificação de 200 m. Na locação do poço, a página de outorga também pede verificar os poços num raio de 200 m. Essa é uma etapa da obra; o teste de interferência vem depois, junto com o teste de produção.
Em campo, vale cruzar o SIG com uma volta pela vizinhança. Um poço sem cadastro não aparece nas camadas, mas pode reagir ao bombeamento. Se encontrar um, anote no croqui e converse com o responsável técnico (RT) sobre como tratá-lo.
Qual poço bombeia primeiro no teste de interferência do IAT?
Os poços que já têm direito de uso bombeiam primeiro, antes do poço a regularizar. Para a intermediação, a orientação do IAT indica o e-mail poco.outorga@iat.pr.gov.br.
Direito de uso, aqui, é a autorização vigente daquele poço no IAT. Como o teste envolve poços de terceiros, combine datas, acesso e horários com os vizinhos antes de marcar o repouso.
A tabela resume o papel de cada poço do raio, segundo a orientação:
Poço no raio de 200 m | Antes do teste | Durante o teste |
Poço a regularizar | Desligado por pelo menos 12 h, com nível estático medido | Liga depois da nova medição de nível e bombeia junto com os vizinhos; a referência é de 24 h de bombeamento |
Vizinho com direito de uso | Desligado por pelo menos 12 h, com nível estático medido | Bombeia primeiro, na vazão máxima outorgada, pelas horas autorizadas ou até o nível dinâmico estabilizar; depois, bombeia junto com o poço a regularizar |
Vizinho sem direito de uso vigente | Desligado por pelo menos 12 h, com nível estático medido | Rebaixamento opcional; se ficar parado, tem o nível medido no início de cada etapa e com periodicidade ao longo do teste |
Nível estático é a profundidade da água com a bomba parada. Nível dinâmico é a profundidade com a bomba ligada. A diferença entre os dois é o rebaixamento.
Como é a sequência do teste de interferência no Paraná?
Depois do repouso, são três etapas: primeiro bombeiam os poços com direito de uso, depois vem uma nova leitura de nível e, por fim, o bombeamento simultâneo. A recuperação fecha o teste.

Levantamento. Liste os poços a menos de 200 m no SIG do IAT, com a situação de cada um: com ou sem direito de uso.
Repouso. Deixe os poços do raio desligados por pelo menos 12 h e meça o nível estático em cada um.
Bombeamento dos outorgados. Os vizinhos com direito de uso bombeiam na vazão máxima outorgada, pelas horas autorizadas ou até o nível dinâmico estabilizar.
Nova medição. Meça o nível de novo antes de ligar o poço a regularizar.
Bombeamento simultâneo. Os vizinhos e o poço a regularizar bombeiam juntos. A referência é de 24 h de bombeamento do poço a regularizar.
Recuperação. Com a bomba desligada, o nível volta a subir e é registrado nos intervalos de leitura da NBR 12.244:2006, citada pelo IAT.
As horas de repouso, o calendário das fotos e a duração da recuperação no teste de produção estão no post sobre o cronograma do teste de bombeamento no IAT. Os tempos de leitura entram na planilha do teste de bombeamento para o IAT.

O que medir nos poços que ficam parados?
Nos poços parados, mede-se o nível no início de cada etapa e com periodicidade ao longo do teste. A orientação do IAT não fixa um intervalo para essas leituras. Por isso, cabe ao RT definir o plano de leitura e apresentá-lo no controle de níveis entregue ao IAT.
Esse controle é um dos itens de entrega. Ele mostra se o nível do poço parado desceu quando os outros ligaram e se voltou a subir depois.
Como monitorar vários poços ao mesmo tempo?
O ponto central é ter leituras comparáveis, feitas no mesmo instante em todos os poços. Algumas práticas ajudam:
Relógios sincronizados: registradores, medidores e celular das fotos marcando a mesma hora.
Sensor em cada poço, quando possível: um sensor de nível hidrostático por poço grava as leituras sem depender de alguém passando com a sonda.
Leitura manual de conferência: uma medição com medidor de nível elétrico no início e no fim confere cada sensor.
Diário de bordo: anote quando cada bomba ligou e desligou, inclusive as dos vizinhos.
Mesma referência de medida: use a boca do poço como referência e anote a altura dela em cada poço.
Com medição manual, cada poço a mais tende a pedir mais gente no campo. O manual da CPRM de 1998 indica equipe mínima de 2 pessoas na medição. A comparação entre sonda e sensor está em medidor de nível elétrico ou sensor hidrostático.
O que entregar ao IAT depois do teste de interferência?
A orientação do IAT pede cinco itens, além das fotos:
as planilhas completas;
o equipamento de bombeamento usado;
o método de aferição da vazão e do nível;
o controle dos níveis dos poços que não foram bombeados;
o croqui com a localização dos poços.
As fotos são feitas a cada 6 h de bombeamento nos poços bombeados, com aplicativo que grava coordenadas, data e hora. O IAT não indica um aplicativo específico. Quem tira as fotos é a equipe em campo.
Como montar o croqui dos poços?
A orientação pede o croqui com a localização dos poços. Para facilitar a análise, um croqui útil costuma trazer:
o poço a regularizar e cada vizinho, com nome ou número;
a distância entre o poço a regularizar e cada vizinho;
a situação de cada poço: com ou sem direito de uso, bombeado ou parado;
as coordenadas, iguais às usadas nas planilhas;
o círculo de 200 m a partir do ponto de captação.
O que acontece se o teste mostrar interferência?
O RT propõe ajustes e o IAT avalia. Segundo a orientação do IAT, o ajuste pode ser redimensionar o regime de bombeamento ou outra solução técnica. A orientação não traz um número que defina o que é interferência.
Regime de bombeamento é a combinação de vazão e horas de funcionamento. Redimensionar pode significar, por exemplo, vazão menor ou horários diferentes entre os poços. A decisão final cabe ao IAT.
Dois pontos da página de outorga do IAT ajudam a calibrar a proposta. A vazão máxima de captação deve ser igual ou menor que a vazão estabilizada no teste. E a página fala em bombeamento diário máximo de 20 horas.
Para separar interferência de outras variações, como chuva ou um poço que ligou fora do plano, veja como ler a resposta dos vizinhos no post geral de teste de interferência entre poços e na curva de rebaixamento x tempo.
Erros comuns no teste de interferência no Paraná
Na nossa experiência, os tropeços vêm mais da combinação com os vizinhos e do registro do que do cálculo:
Levantar só no SIG ou só em campo. A orientação pede o SIG; a volta pela vizinhança ajuda a achar o que não está cadastrado.
Vizinho religado no repouso. Sem combinar antes, alguém liga a bomba de madrugada e o nível estático de partida deixa de valer.
Ligar o poço a regularizar antes da nova medição. A orientação pede medir o nível de novo antes de ligá-lo.
Esquecer as fotos dos vizinhos bombeados. As fotos a cada 6 h valem para os poços bombeados, não só para o seu.
Relógios diferentes. Se a hora do registro não bate com a das fotos, fica difícil comparar as curvas.
Croqui sem distâncias. Só a localização aproximada dificulta a análise do efeito de cada vizinho.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS registra o nível e a vazão de forma automática no poço onde é instalado. O kit reúne central de monitoramento, sensor de nível hidrostático e hidrômetro ou medidor de vazão com telemetria. Os dados vão para a plataforma online, na web e no app.
Bomba ligada pelo app: no poço com o kit, o bombeamento e a recuperação começam remotamente, na hora programada. Isso ajuda a ligar o poço a regularizar logo depois da nova medição de nível.
Acompanhamento ao vivo: o gráfico em tempo real, no celular ou na web, mostra o rebaixamento enquanto os vizinhos bombeiam.
Intervalo configurável: leituras frequentes no início e mais espaçadas depois, no intervalo que o RT programar.
Planilha exportável: as leituras saem em Excel ou CSV, prontas para juntar com as dos outros poços.
Cálculos e gráficos: rebaixamento, capacidade específica (Q/s), transmissividade (Cooper-Jacob e Theis), recuperação e sugestão de vazão de explotação, com gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo.
Para ter registro automático em mais de um poço, a ideia é instalar um conjunto em cada poço monitorado. Fale com a equipe sobre quantos kits o seu teste precisa. As fotos e o croqui continuam com a equipe em campo e com o RT.
No Paraná, o IAT aceita teste com transdutor, com ou sem telemetria, com os documentos que ele lista. O kit gera os dados que a orientação pede; o RT confere, monta e assina. O RT informa os dados do sensor a partir da ficha técnica do sensor usado. A lista completa está em teste de bombeamento com transdutor no Paraná.
Há três formas de usar. A principal é o kit reutilizável, que o perfurador, o geólogo ou a consultoria leva de poço em poço. A segunda é o aluguel ou a contratação por teste. Na terceira, a PAAS executa o teste e entrega o relatório, com parceiro da região ou com o aparelho instalado pelo cliente e acompanhado a distância.
No kit e no aluguel, assina o RT do cliente; no serviço, o geólogo responsável pelo teste, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). No Paraná, a página de outorga do IAT diz que o órgão não aceita ART rascunho nem ART emitida em outro estado: ela precisa sair no CREA-PR.
Perguntas frequentes
Quando o IAT exige teste de interferência no Paraná?
Quando há poço a menos de 200 m do poço que será regularizado. Segundo a orientação do IAT de set/2026, o levantamento considera no mínimo 200 m a partir do ponto de captação, no SIG do órgão. A planilha modelo também pede anexar testes de interferência simultâneos nesse caso.
Como descubro se há poço a menos de 200 m?
A orientação manda consultar o SIG do IAT, com as camadas de portarias, declarações e requerimentos protocolados no SIGARH. Vale também uma volta pela vizinhança, porque um poço sem cadastro pode não aparecer nas camadas. Registre tudo no croqui.
Qual poço bombeia primeiro no teste de interferência?
Os poços que já têm direito de uso. Eles bombeiam na vazão máxima outorgada, pelas horas autorizadas ou até o nível dinâmico estabilizar. Depois, mede-se o nível de novo e o poço a regularizar liga junto com os vizinhos.
O poço do vizinho sem outorga precisa bombear?
Segundo a orientação do IAT, o rebaixamento é opcional nos poços sem direito de uso vigente. Mesmo parado, o poço fica desligado no repouso de 12 h e tem o nível medido no início de cada etapa e com periodicidade ao longo do teste.
Existe um limite de rebaixamento que caracteriza interferência?
A orientação do IAT não traz um critério numérico. Se houver interferência, o RT propõe ajustes, como redimensionar o regime de bombeamento, ou outras soluções, e o IAT avalia a proposta.
Dá para monitorar vários poços ao mesmo tempo?
Sim, desde que as leituras sejam comparáveis no mesmo instante, com relógios sincronizados. Com um sensor de nível em cada poço, o registro fica automático. Com o HIDROPAAS, cada conjunto instalado envia os dados para a plataforma online, e o RT reúne as planilhas exportadas.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
O kit registra nível e vazão, liga e desliga a bomba pelo app e gera gráficos, planilha e relatório para o RT montar o processo: veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
Veja também
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
No Paraná, o teste de interferência depende mais do planejamento com os vizinhos do que do equipamento. Para organizar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
%20(2)_edited.jpg)



Comentários