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Instrumentação de Barragem de Água: Inspeção Regular e Piezômetros

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 8 horas
7 min de leitura

A instrumentação de barragem de água entra no Plano de Segurança da Barragem quando a barragem se enquadra na Lei 12.334/2010 (altura de 15 m ou mais, DPA médio ou alto, entre outros). Em rios da União, sem hidrelétrica, a Resolução ANA 236/2017 pede inspeção regular ao menos anual, que avalia os registros da instrumentação.

Capa com o texto “Barragem de água: inspeção e piezômetros” sobre a foto: técnico desce uma sonda elétrica de nível dentro de um piezômetro de tubo aberto na crista de uma barragem de terra, com o reservatório ao fundo

Vai organizar os registros de instrumentação para a próxima inspeção? Fale com o HIDROPAAS no WhatsApp e automatize a leitura dos piezômetros.

Este guia é para quem opera ou contrata a segurança de barragens de usos múltiplos: açudes, irrigação e abastecimento. Barragem de mineração segue a ANM, como explicado em monitoramento automatizado de barragem de mineração, e o rebaixamento em cava de mina está em telemetria para mineração. O nível do reservatório tem post próprio: monitoramento de barragem e açude.

Quando uma barragem de água entra na Lei 12.334?

Entra quando tem pelo menos uma das características do art. 1º, parágrafo único, da Lei 12.334/2010, na redação da Lei 14.066/2020. A lei vale para barragens de água, de rejeitos e de resíduos industriais.

  • Altura de 15 m ou mais, medida do pé do talude de jusante até a crista.

  • Reservatório de 3 milhões de m³ ou mais.

  • Reservatório com resíduos perigosos.

  • Dano potencial associado (DPA) médio ou alto.

  • Categoria de risco alto, a critério do órgão fiscalizador.

Quem fiscaliza depende do rio e do uso da barragem. A Resolução ANA 236/2017, alterada pela 121/2022, vale para barragens de usos múltiplos em rios da União, sem hidrelétrica. Nas barragens em rios estaduais, o fiscalizador é o órgão estadual, com regras próprias. Confira qual é o da sua barragem antes de montar o plano.

Cards com os critérios da Lei 12.334 para barragem de água: altura de 15 metros ou mais, reservatório de 3 milhões de metros cúbicos ou mais, dano potencial associado médio ou alto e risco alto

O que a Resolução ANA 236/2017 pede do empreendedor?

A resolução organiza a segurança em inspeções, relatórios e revisões com prazo. Os pontos abaixo, da Resolução ANA 236/2017 com a alteração de 2022, são os que mais afetam a instrumentação. Eles valem para as barragens fiscalizadas pela ANA, de usos múltiplos em rios da União e sem hidrelétrica:

  • Inspeção de Segurança Regular (ISR): no mínimo uma vez por ano; na Classe D, pode ser bienal.

  • Extrato e relatório da ISR: enviados à plataforma da ANA até 31 de dezembro.

  • Nível de Perigo Global da Barragem (NPGB): classificado em Normal, Atenção, Alerta e Emergência.

  • Plano de Segurança da Barragem (PSB): inclui o "Plano de monitoramento e instrumentação" e os "Registros de monitoramento e instrumentação".

  • Relatório da ISR: deve conter a "avaliação das condições e dos registros da instrumentação existente".

Pela Lei 12.334, art. 9º, §1º, a ISR é feita pela equipe de segurança da própria barragem. A periodicidade e o conteúdo seguem o que o órgão fiscalizador define.

Classe

Inspeção regular (ISR)

Revisão periódica (RPSB)

A

No mínimo 1 vez por ano

A cada 5 anos

B

No mínimo 1 vez por ano

A cada 7 anos

C

No mínimo 1 vez por ano

A cada 10 anos

D

Pode ser bienal

A cada 12 anos

A Revisão Periódica de Segurança de Barragem (RPSB) tem intervalo maior que a ISR, definido pela classe da barragem. Fonte da tabela: Resolução ANA 236/2017, alterada pela Resolução 121/2022, para barragens fiscalizadas pela ANA.

Onde os piezômetros entram na segurança da barragem de água?

Os piezômetros entram pelo plano de monitoramento e instrumentação do PSB e pelos registros que a ISR avalia. Nos trechos citados aqui, a lei e a resolução pedem o plano, os registros e a avaliação, sem listar quais instrumentos instalar. A escolha e a posição de cada um são decisão de projeto.

  • Lei 12.334, art. 8º, XII: o PSB traz a identificação e os dados técnicos dos equipamentos de monitoramento.

  • Lei 12.334, art. 17, XX: o empreendedor armazena os dados de instrumentação e os fornece ao fiscalizador periodicamente e em tempo real, quando requerido.

  • Lei 12.334, art. 12, X: quando a barragem tem Plano de Ação de Emergência (PAE), ele inclui um sistema de monitoramento e controle de estabilidade integrado aos procedimentos emergenciais.

Em barragens de terra, os piezômetros comuns são o de tubo aberto, o pneumático e o elétrico, segundo o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII). Como cada um funciona, onde fica e como converter a leitura está em piezômetros em barragem.

Diferente da mineração, os trechos da Resolução ANA 236/2017 resumidos aqui não fixam leitura automática. Na mineração, a Resolução ANM 95/2022, vigente até 1º/08/2027, exige hoje automação para DPA alto, e a Resolução ANM 220/2025 muda o critério para DPA2 ≥ 4 a partir de 02/08/2027. Na barragem de água, nesses trechos, automatizar fica como decisão técnica do plano, sem dispensar a consulta à regra do fiscalizador; veja como em automação de piezômetros.

Técnico acompanha no notebook os gráficos de um ponto monitorado em campo

Com que frequência ler os piezômetros de uma barragem de água?

Não há número fixado em lei nacional. Uma referência é a recomendação do Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII, Quadro 19), com base em Eletrobras (2003), para barragens de terra e enrocamento. Na fase de operação, o mínimo recomendado é quinzenal para poropressão e nível d'água, e semanal para vazão de infiltração.

É recomendação de manual, não obrigação legal. O mesmo manual recomenda intensificar as leituras após sismo ou cheia excepcional e em subidas ou rebaixamentos rápidos do reservatório. A tabela completa por fase, com construção e enchimento, está no post sobre piezômetros em barragem, linkado acima.

Uma leitura por ano, no dia da ISR, não forma série. O relatório da inspeção avalia os registros da instrumentação, e registros com buracos de meses dificultam essa avaliação. O manual da ANA também pede interpretação imediata das leituras, por critérios definidos antes.

Fluxo do ciclo de segurança da barragem de água fiscalizada pela ANA: plano de monitoramento no PSB, leituras e registros, inspeção regular anual, extrato e relatório até 31 de dezembro e revisão periódica por classe

Cuidados e erros comuns na instrumentação de barragem de água

Estes erros aparecem com frequência em açudes e barragens de irrigação e tendem a pesar na inspeção:

  • Aplicar a regra da ANA a uma barragem fiscalizada pelo estado, ou o contrário. Confirme o fiscalizador antes de montar o calendário.

  • Tratar a ISR como o monitoramento. A inspeção avalia os registros; ela não substitui a série de leituras.

  • Guardar leituras em cadernetas soltas, sem data padronizada e sem a cota da boca de cada piezômetro amarrada a um datum, como orienta a UFOP (2017).

  • Confundir nível do reservatório com piezometria. Um mostra quanto de água a barragem segura; o outro, a pressão da água dentro do maciço.

  • Deixar um piezômetro colmatado ou perdido no plano, como se ainda estivesse medindo. O plano precisa refletir os instrumentos que funcionam.

  • Adotar limites de alerta sem responsável. Os níveis de cada instrumento são definidos pelo projetista ou responsável técnico; veja níveis de controle de piezômetros.

  • Manter a leitura de rotina depois de uma cheia excepcional. O manual da ANA recomenda intensificar as leituras nesses momentos.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS lê os piezômetros de forma automática e contínua e organiza os registros numa plataforma online, na web e no app. Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Na barragem de água, o trabalho é parecido:

  • Lê o que já está instalado: sensor de nível hidrostático descido no tubo do Casagrande, piezômetro de corda vibrante e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada.

  • Converte a leitura em nível (m), poropressão (kPa ou mca) e cota piezométrica (m), com correção barométrica.

  • Avisa por limite, com os valores de atenção e alerta definidos pelo responsável técnico.

  • Mostra a rede no mapa, com o gráfico de cada piezômetro.

  • Gera relatório automático e exporta as leituras em Excel ou CSV, o que ajuda a reunir os registros para a ISR.

O projeto é personalizado: painéis e relatórios seguem o plano de monitoramento da barragem. O HIDROPAAS mede, calcula e avisa. A avaliação da ISR, os níveis de controle e a análise de segurança continuam com o responsável técnico da barragem.

Perguntas frequentes

A Lei 12.334 vale para açude e barragem de irrigação?

Vale quando a barragem tem pelo menos um dos critérios do art. 1º: altura de 15 m ou mais, reservatório de 3 milhões de m³ ou mais, resíduos perigosos, DPA médio ou alto, ou risco alto a critério do fiscalizador. Se não tiver nenhum, confira a regra do órgão que fiscaliza a sua barragem, que pode ter exigências próprias.

Com que frequência a ANA exige a inspeção de segurança regular?

Nas barragens fiscalizadas pela ANA (usos múltiplos em rios da União, sem hidrelétrica), a Resolução ANA 236/2017, alterada pela 121/2022, pede ISR no mínimo uma vez por ano. Barragens da Classe D podem ter inspeção bienal. O extrato e o relatório vão para a plataforma da ANA até 31 de dezembro.

A ANA exige piezômetro em toda barragem?

Os trechos da Resolução 236/2017 citados aqui não listam instrumentos obrigatórios. Eles pedem um plano de monitoramento e instrumentação no PSB e a avaliação dos registros da instrumentação existente em cada ISR. Quais instrumentos instalar é decisão de projeto.

De quanto em quanto tempo ler os piezômetros de uma barragem de água?

Não há número em lei nacional. O Manual do Empreendedor da ANA recomenda, como mínimo para barragens de terra e enrocamento em operação, leitura quinzenal de poropressão e de nível d'água. O manual também recomenda intensificar após cheia excepcional ou sismo e em subidas ou rebaixamentos rápidos do reservatório.

De quanto em quanto tempo é feita a revisão periódica de segurança?

Nas barragens fiscalizadas pela ANA, a Resolução ANA 236/2017 liga a revisão periódica de segurança de barragem (RPSB) à classe. O prazo é de 5 anos para a Classe A, 7 para a B, 10 para a C e 12 para a D.

Qual a diferença entre monitorar o nível do reservatório e os piezômetros?

O nível do reservatório mostra quanto de água a barragem está segurando. O piezômetro mostra a carga da água dentro do maciço ou da fundação, de onde se calcula a poropressão. Os dois se complementam, e os registros de ambos podem ser avaliados na inspeção.

Guia completo

Para ver tipos, leitura e automação de piezômetros em todos os setores, leia o guia de monitoramento de piezômetros.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Na barragem de água, o que a inspeção avalia são os registros, e registro bom nasce de leitura contínua. Mande quantos piezômetros a barragem tem, de que tipo, a classe na ANA ou no órgão estadual e a frequência que o plano pede, que montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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