Instrumentação de Barragem de Água: Inspeção Regular e Piezômetros

A instrumentação de barragem de água entra no Plano de Segurança da Barragem quando a barragem se enquadra na Lei 12.334/2010 (altura de 15 m ou mais, DPA médio ou alto, entre outros). Em rios da União, sem hidrelétrica, a Resolução ANA 236/2017 pede inspeção regular ao menos anual, que avalia os registros da instrumentação.

Vai organizar os registros de instrumentação para a próxima inspeção? Fale com o HIDROPAAS no WhatsApp e automatize a leitura dos piezômetros.
Este guia é para quem opera ou contrata a segurança de barragens de usos múltiplos: açudes, irrigação e abastecimento. Barragem de mineração segue a ANM, como explicado em monitoramento automatizado de barragem de mineração, e o rebaixamento em cava de mina está em telemetria para mineração. O nível do reservatório tem post próprio: monitoramento de barragem e açude.
Quando uma barragem de água entra na Lei 12.334?
Entra quando tem pelo menos uma das características do art. 1º, parágrafo único, da Lei 12.334/2010, na redação da Lei 14.066/2020. A lei vale para barragens de água, de rejeitos e de resíduos industriais.
Altura de 15 m ou mais, medida do pé do talude de jusante até a crista.
Reservatório de 3 milhões de m³ ou mais.
Reservatório com resíduos perigosos.
Dano potencial associado (DPA) médio ou alto.
Categoria de risco alto, a critério do órgão fiscalizador.
Quem fiscaliza depende do rio e do uso da barragem. A Resolução ANA 236/2017, alterada pela 121/2022, vale para barragens de usos múltiplos em rios da União, sem hidrelétrica. Nas barragens em rios estaduais, o fiscalizador é o órgão estadual, com regras próprias. Confira qual é o da sua barragem antes de montar o plano.

O que a Resolução ANA 236/2017 pede do empreendedor?
A resolução organiza a segurança em inspeções, relatórios e revisões com prazo. Os pontos abaixo, da Resolução ANA 236/2017 com a alteração de 2022, são os que mais afetam a instrumentação. Eles valem para as barragens fiscalizadas pela ANA, de usos múltiplos em rios da União e sem hidrelétrica:
Inspeção de Segurança Regular (ISR): no mínimo uma vez por ano; na Classe D, pode ser bienal.
Extrato e relatório da ISR: enviados à plataforma da ANA até 31 de dezembro.
Nível de Perigo Global da Barragem (NPGB): classificado em Normal, Atenção, Alerta e Emergência.
Plano de Segurança da Barragem (PSB): inclui o "Plano de monitoramento e instrumentação" e os "Registros de monitoramento e instrumentação".
Relatório da ISR: deve conter a "avaliação das condições e dos registros da instrumentação existente".
Pela Lei 12.334, art. 9º, §1º, a ISR é feita pela equipe de segurança da própria barragem. A periodicidade e o conteúdo seguem o que o órgão fiscalizador define.
Classe | Inspeção regular (ISR) | Revisão periódica (RPSB) |
A | No mínimo 1 vez por ano | A cada 5 anos |
B | No mínimo 1 vez por ano | A cada 7 anos |
C | No mínimo 1 vez por ano | A cada 10 anos |
D | Pode ser bienal | A cada 12 anos |
A Revisão Periódica de Segurança de Barragem (RPSB) tem intervalo maior que a ISR, definido pela classe da barragem. Fonte da tabela: Resolução ANA 236/2017, alterada pela Resolução 121/2022, para barragens fiscalizadas pela ANA.
Onde os piezômetros entram na segurança da barragem de água?
Os piezômetros entram pelo plano de monitoramento e instrumentação do PSB e pelos registros que a ISR avalia. Nos trechos citados aqui, a lei e a resolução pedem o plano, os registros e a avaliação, sem listar quais instrumentos instalar. A escolha e a posição de cada um são decisão de projeto.
Lei 12.334, art. 8º, XII: o PSB traz a identificação e os dados técnicos dos equipamentos de monitoramento.
Lei 12.334, art. 17, XX: o empreendedor armazena os dados de instrumentação e os fornece ao fiscalizador periodicamente e em tempo real, quando requerido.
Lei 12.334, art. 12, X: quando a barragem tem Plano de Ação de Emergência (PAE), ele inclui um sistema de monitoramento e controle de estabilidade integrado aos procedimentos emergenciais.
Em barragens de terra, os piezômetros comuns são o de tubo aberto, o pneumático e o elétrico, segundo o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII). Como cada um funciona, onde fica e como converter a leitura está em piezômetros em barragem.
Diferente da mineração, os trechos da Resolução ANA 236/2017 resumidos aqui não fixam leitura automática. Na mineração, a Resolução ANM 95/2022, vigente até 1º/08/2027, exige hoje automação para DPA alto, e a Resolução ANM 220/2025 muda o critério para DPA2 ≥ 4 a partir de 02/08/2027. Na barragem de água, nesses trechos, automatizar fica como decisão técnica do plano, sem dispensar a consulta à regra do fiscalizador; veja como em automação de piezômetros.

Com que frequência ler os piezômetros de uma barragem de água?
Não há número fixado em lei nacional. Uma referência é a recomendação do Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII, Quadro 19), com base em Eletrobras (2003), para barragens de terra e enrocamento. Na fase de operação, o mínimo recomendado é quinzenal para poropressão e nível d'água, e semanal para vazão de infiltração.
É recomendação de manual, não obrigação legal. O mesmo manual recomenda intensificar as leituras após sismo ou cheia excepcional e em subidas ou rebaixamentos rápidos do reservatório. A tabela completa por fase, com construção e enchimento, está no post sobre piezômetros em barragem, linkado acima.
Uma leitura por ano, no dia da ISR, não forma série. O relatório da inspeção avalia os registros da instrumentação, e registros com buracos de meses dificultam essa avaliação. O manual da ANA também pede interpretação imediata das leituras, por critérios definidos antes.

Cuidados e erros comuns na instrumentação de barragem de água
Estes erros aparecem com frequência em açudes e barragens de irrigação e tendem a pesar na inspeção:
Aplicar a regra da ANA a uma barragem fiscalizada pelo estado, ou o contrário. Confirme o fiscalizador antes de montar o calendário.
Tratar a ISR como o monitoramento. A inspeção avalia os registros; ela não substitui a série de leituras.
Guardar leituras em cadernetas soltas, sem data padronizada e sem a cota da boca de cada piezômetro amarrada a um datum, como orienta a UFOP (2017).
Confundir nível do reservatório com piezometria. Um mostra quanto de água a barragem segura; o outro, a pressão da água dentro do maciço.
Deixar um piezômetro colmatado ou perdido no plano, como se ainda estivesse medindo. O plano precisa refletir os instrumentos que funcionam.
Adotar limites de alerta sem responsável. Os níveis de cada instrumento são definidos pelo projetista ou responsável técnico; veja níveis de controle de piezômetros.
Manter a leitura de rotina depois de uma cheia excepcional. O manual da ANA recomenda intensificar as leituras nesses momentos.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS lê os piezômetros de forma automática e contínua e organiza os registros numa plataforma online, na web e no app. Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Na barragem de água, o trabalho é parecido:
Lê o que já está instalado: sensor de nível hidrostático descido no tubo do Casagrande, piezômetro de corda vibrante e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada.
Converte a leitura em nível (m), poropressão (kPa ou mca) e cota piezométrica (m), com correção barométrica.
Avisa por limite, com os valores de atenção e alerta definidos pelo responsável técnico.
Mostra a rede no mapa, com o gráfico de cada piezômetro.
Gera relatório automático e exporta as leituras em Excel ou CSV, o que ajuda a reunir os registros para a ISR.
O projeto é personalizado: painéis e relatórios seguem o plano de monitoramento da barragem. O HIDROPAAS mede, calcula e avisa. A avaliação da ISR, os níveis de controle e a análise de segurança continuam com o responsável técnico da barragem.
Perguntas frequentes
A Lei 12.334 vale para açude e barragem de irrigação?
Vale quando a barragem tem pelo menos um dos critérios do art. 1º: altura de 15 m ou mais, reservatório de 3 milhões de m³ ou mais, resíduos perigosos, DPA médio ou alto, ou risco alto a critério do fiscalizador. Se não tiver nenhum, confira a regra do órgão que fiscaliza a sua barragem, que pode ter exigências próprias.
Com que frequência a ANA exige a inspeção de segurança regular?
Nas barragens fiscalizadas pela ANA (usos múltiplos em rios da União, sem hidrelétrica), a Resolução ANA 236/2017, alterada pela 121/2022, pede ISR no mínimo uma vez por ano. Barragens da Classe D podem ter inspeção bienal. O extrato e o relatório vão para a plataforma da ANA até 31 de dezembro.
A ANA exige piezômetro em toda barragem?
Os trechos da Resolução 236/2017 citados aqui não listam instrumentos obrigatórios. Eles pedem um plano de monitoramento e instrumentação no PSB e a avaliação dos registros da instrumentação existente em cada ISR. Quais instrumentos instalar é decisão de projeto.
De quanto em quanto tempo ler os piezômetros de uma barragem de água?
Não há número em lei nacional. O Manual do Empreendedor da ANA recomenda, como mínimo para barragens de terra e enrocamento em operação, leitura quinzenal de poropressão e de nível d'água. O manual também recomenda intensificar após cheia excepcional ou sismo e em subidas ou rebaixamentos rápidos do reservatório.
De quanto em quanto tempo é feita a revisão periódica de segurança?
Nas barragens fiscalizadas pela ANA, a Resolução ANA 236/2017 liga a revisão periódica de segurança de barragem (RPSB) à classe. O prazo é de 5 anos para a Classe A, 7 para a B, 10 para a C e 12 para a D.
Qual a diferença entre monitorar o nível do reservatório e os piezômetros?
O nível do reservatório mostra quanto de água a barragem está segurando. O piezômetro mostra a carga da água dentro do maciço ou da fundação, de onde se calcula a poropressão. Os dois se complementam, e os registros de ambos podem ser avaliados na inspeção.
Guia completo
Para ver tipos, leitura e automação de piezômetros em todos os setores, leia o guia de monitoramento de piezômetros.
Veja também
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Na barragem de água, o que a inspeção avalia são os registros, e registro bom nasce de leitura contínua. Mande quantos piezômetros a barragem tem, de que tipo, a classe na ANA ou no órgão estadual e a frequência que o plano pede, que montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
%20(2)_edited.jpg)



Comentários