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Pivô Central no Oeste Baiano: São Desidério, Barreiras e o Urucuia

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
2 de out.
7 min de leitura

O pivô central no Oeste Baiano forma hoje o maior polo de pivôs do Brasil: o Extremo Oeste Baiano somou 332.563 ha em 2024, alta de 42,8% sobre 2022, segundo a Embrapa. São Desidério é o 1º município do país em área de pivô, e Barreiras, o 5º. O avanço veio com água do Aquífero Urucuia e de reservatórios de geomembrana.

Capa com o texto “Pivô central no Oeste Baiano” sobre ilustração aérea de lavouras irrigadas por pivô central e a faixa HIDROPAAS · Monitoramento de água e energia

Tem pivô no oeste da Bahia longe da sede? Fale com a gente no WhatsApp e veja como acompanhar poço, reservatório e pivô pelo celular.

Quanto o Oeste Baiano irriga com pivô central?

Mais do que qualquer outra região do país. Em 2024, o Extremo Oeste Baiano passou o Noroeste de Minas, que tem 308.499 ha, e virou o maior polo de pivôs do Brasil, pelo levantamento da Embrapa (Guimarães e Landau, 2024).

O polo concentra 82% da área de pivôs da Bahia. O estado saltou de 294.237 ha para 404.444 ha entre 2022 e 2024, alta de 37,46%, e ficou em 2º no país, atrás só de Minas Gerais. Com esse avanço, o Nordeste chegou a 439.720 ha de pivôs, 34,94% a mais em dois anos.

Gráfico de barras horizontais com a área irrigada por pivôs em 2024 em cinco polos, com destaque para o Extremo Oeste Baiano, com 332,6 mil hectares, à frente do Noroeste de Minas, com 308,5 mil hectares.

Dois dos cinco municípios com mais pivô no Brasil estão no polo:

Posição em 2024

Município

2024 (Embrapa)

2022 (ANA)

1º

São Desidério (BA)

91.687 ha

56,5 mil ha

2º

Paracatu (MG)

88.889 ha

79,9 mil ha

3º

Unaí (MG)

81.246 ha

72,7 mil ha

4º

Cristalina (GO)

69.579 ha

65,6 mil ha

5º

Barreiras (BA)

60.919 ha

48,2 mil ha

Os números de 2022 vêm do mapeamento da ANA e os de 2024, da Embrapa. Como os levantamentos usam métodos diferentes, a tabela serve para ver a direção do movimento, não para calcular o crescimento exato. Em 2022, São Desidério tinha menos área que Paracatu, Unaí e Cristalina; em 2024, passou os três. Os outros estados estão no ranking de pivôs centrais por estado.

De onde vem a água dos pivôs do Oeste Baiano?

Do subsolo e de reservatórios. A Embrapa atribui o crescimento do polo à água subterrânea do Aquífero Urucuia e aos reservatórios de geomembrana.

Aquífero é a camada de rocha que guarda água nos poros e nas fraturas e alimenta os poços. No Urucuia, quem irriga com água subterrânea depende de poços tubulares, e cada metro a mais de nível pesa na conta de luz. Em 68 pivôs medidos no RS, a energia por milímetro aplicado subiu com a altura geométrica, de 2,52 a 4,42 kWh por hectare e por milímetro (Heuert et al., UFPel 2018).

Reservatório de geomembrana é uma represa escavada e forrada com manta impermeável, que guarda água para o pivô. Com ele, a fazenda passa a ter duas fontes para vigiar: o poço ou o rio que enche o reservatório e o próprio reservatório, de onde a bomba do pivô puxa.

Na superfície, a região é cortada pelo rio Grande, afluente do São Francisco que passa por Barreiras. Na lista de bacias de nível 3 da Embrapa, a unidade com mais área de pivô do país aparece como "Grande SF 01", com 203.806 ha. Mais pivô na mesma bacia significa mais gente dividindo a mesma água.

Que outorga e que medição o pivô precisa na Bahia?

Depende de onde está a captação. Poço e rio que corre só dentro da Bahia são outorgados pelo INEMA; rio de domínio da União, como o São Francisco, fica com a ANA.

No INEMA, a Portaria nº 30.926/2024 orienta a regularização das captações, por outorga ou dispensa, para o benefício tarifário da irrigação. Não encontramos uma norma geral baiana que obrigue medição diária, como existe em Minas. Por isso, leia a sua portaria: é nela que aparecem medidor, horímetro, frequência de leitura e relatório, quando exigidos.

Na calha do São Francisco, vale a Resolução ANA nº 188/2024. A DURH anual é obrigatória a partir de 2.000 m³/h e a telemetria, a partir de 4.000 m³/h. Telemetria exige medição direta no máximo a cada 15 minutos, com transmissão diária, e os dados ficam guardados por 36 meses. O detalhe por órgão está no post sobre medição de vazão do pivô para a outorga.

Por que a outorga pesa mais na conta de luz da Bahia

Porque o desconto de irrigante no Nordeste está na faixa mais alta do país. Pela REN ANEEL 1.000/2021, art. 186, ele chega a 90% no Grupo A e 73% no Grupo B, segundo a Proposição 180/2023 da SUDENE. Os mesmos percentuais valem para o Polígono das Secas e o Jequitinhonha em Minas; nas demais regiões, são menores.

Pela Portaria MME nº 137/2026, o desconto vale em 8h30 por dia, contínuas ou em até 3 blocos, fora do intervalo das 17h às 21h30. O benefício exige outorga ou dispensa, licença ambiental e medição separada da carga de irrigação. Confira a escala com a sua distribuidora e veja os detalhes no post do desconto de irrigante 2026.

O que você perde quando o pivô para longe da sede?

Você perde lâmina na fase em que a planta mais precisa, e numa fazenda grande a parada pode durar a noite inteira sem ninguém ver. O pivô médio brasileiro tem cerca de 65 ha, pela conta a partir da Embrapa (2.200.960 ha ÷ 33.846 pivôs).

  • Florescimento sem água: no milho, uma semana de déficit no florescimento pode reduzir o rendimento em 50%, segundo Nickell (1983), citado pela Embrapa Milho e Sorgo (2012). Na soja, as fases críticas são germinação e emergência e floração e enchimento de grãos, com pico de 7 a 8 mm por dia (Embrapa Soja, 2016).

  • Bomba rodando a seco: se o nível do poço desce demais ou o reservatório esvazia, a bomba trabalha sem água. O manual de um fabricante nacional de bombas submersas cancela a garantia por funcionamento a seco e por falta de fase.

  • Motor sobrecarregado: falta de fase em motor trifásico causa sobrecarga, e o relé térmico não protege contra curto-circuito, segundo material do IFSC.

  • Bocal entupido: um único bocal entupido a 400 m do centro pode comprometer cerca de 1,5 ha, segundo o professor Scaloppi, da Unesp, na Revista Cultivar (2020).

  • Cabo furtado: em Goiás, a Polícia Civil encontrou em 2024 mais de 2.000 kg de fio de cobre sem nota numa reciclagem, em grande parte de furtos de fio de pivô. A Lei federal 15.181/2025 endureceu as penas para furto e receptação de cabos de energia.

Ilustração de um pivô visto de cima, parado às 3h40 na posição 250 graus por falta de energia, com a área seca depois da parada e o alerta no celular, em exemplo ilustrativo.

Se a bomba sofre com o nível baixo, vale ler o post sobre nível do poço ou da represa do pivô.

Como o HIDROPAAS monitora o pivô e a água no Oeste Baiano

O HIDROPAAS junta no mesmo painel a fonte de água, a energia e o pivô. No Oeste Baiano, isso significa ver poço, reservatório e pivô juntos pelo celular, com aviso na hora quando algo sai do normal.

  • Poço e reservatório: nível do poço e do reservatório de geomembrana, com alerta quando cai fora do normal.

  • Pivô: ligado ou parado, em que ponto da volta ele parou e aviso no celular. Dá para ligar e desligar pelo celular, programar por horário dentro da janela do desconto e desligar sozinho em falha elétrica.

  • Energia: corrente da bomba, falta de fase e aviso de corte de energia ou de cabo.

  • Pressão: mede e avisa quando sobe ou cai fora do normal, o que pode indicar vazamento ou entupimento.

  • Vazão e volume: registro da água captada e relatórios para a outorga do INEMA ou a DURH da ANA.

  • Chuva e solo: pluviômetro e umidade do solo, com os sensores adequados.

Infográfico com quatro cartões sobre o que monitorar num pivô do Oeste Baiano: poço no Aquífero Urucuia, reservatório de geomembrana, pivô e energia, e vazão e volume para a outorga.

72,1% da área de pivôs do país está no Cerrado, pela Embrapa, e nem toda fazenda tem sinal de celular no pivô. Onde não há sinal, a comunicação pode ser por rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento, como explica o post sobre monitorar pivô sem sinal de celular. Se o seu pivô é mais antigo ou de outra marca, a compatibilidade é avaliada no projeto.

O panorama completo está no guia de monitoramento de pivô central. Por trás do sistema está a experiência da PAAS com poços desde 1985, e cada projeto tem geólogo responsável.

Perguntas frequentes

Qual é o maior polo de pivô central do Brasil?

Pelo levantamento da Embrapa de 2024, é o Extremo Oeste Baiano, com 332.563 ha irrigados por pivôs. Ele passou o Noroeste de Minas, que tem 308.499 ha. O polo concentra 82% da área de pivôs da Bahia.

Qual município tem mais pivô central no Brasil?

São Desidério, na Bahia, com 91.687 ha em 2024, segundo a Embrapa. Depois vêm Paracatu e Unaí, em Minas, e Cristalina, em Goiás. Barreiras, também no Oeste Baiano, é o 5º, com 60.919 ha.

Quem dá a outorga do pivô no Oeste Baiano?

Para poço e para rio que corre só dentro da Bahia, o INEMA. Para captação em rio da União, como o São Francisco, a ANA. Na dúvida, veja qual órgão assinou a sua portaria de outorga.

Qual é o desconto de irrigante na Bahia?

Pela REN ANEEL 1.000/2021, art. 186, o Nordeste tem 90% de desconto no Grupo A e 73% no Grupo B. Pela Portaria MME 137/2026, valem 8h30 por dia, fora do intervalo das 17h às 21h30. O benefício exige outorga ou dispensa, licença ambiental e medição separada.

Dá para monitorar pivô sem sinal de celular na fazenda?

Sim, com outra forma de comunicação. O HIDROPAAS trabalha com 2G, 3G, 4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite e Starlink, conforme o local e o investimento. A escolha é feita no projeto, olhando onde ficam o poço, o reservatório e os pivôs.

O HIDROPAAS mede o nível do poço e do reservatório?

Sim. O sistema mede o nível do poço, do rio, da barragem ou do reservatório que abastece o pivô e avisa quando sai do normal. No mesmo painel ficam a vazão, a energia da bomba e o status do pivô.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

No maior polo de pivôs do Brasil, quem enxerga poço, reservatório, energia e pivô no mesmo painel fica sabendo da parada em minutos, não na manhã seguinte; fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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