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Nível do Poço ou da Represa do Pivô: Como Evitar a Bomba Rodando a Seco

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
2 de out.
8 min de leitura

Medir o nível do poço para pivô, ou da represa que abastece a irrigação, avisa antes de a bomba rodar a seco. Bomba submersa sem água fica sem refrigeração e pode perder a garantia, e o pivô para no meio da volta. Com sensor de nível e alerta no celular, você fica sabendo em minutos, não na manhã seguinte.

Capa com o texto “Poço do pivô: evite a bomba a seco” sobre ilustração aérea de lavouras irrigadas por pivô central e a faixa HIDROPAAS · Monitoramento de água e energia

Seu pivô puxa água de poço, rio ou represa? Conte no WhatsApp qual é a sua fonte e mostramos o que dá para acompanhar no celular.

De onde vem a água do pivô e o que pode faltar em cada fonte?

O pivô depende de uma fonte: poço tubular, rio, represa ou um reservatório abastecido por poços. Cada uma falha de um jeito, e em todas quem sofre primeiro é a bomba.

A disputa por essa água é grande. A irrigação respondeu por 50,3% da retirada de água do Brasil em 2024, segundo a Conjuntura dos Recursos Hídricos da ANA (2025). E o pivô cresce em regiões que dependem de água subterrânea e de reservatórios.

O exemplo mais claro é o Extremo Oeste Baiano. Segundo o levantamento da Embrapa de 2024, a região chegou a 332.563 ha irrigados por pivôs e virou o maior polo do país, com água subterrânea do Aquífero Urucuia e reservatórios de geomembrana. Ali, muitos pivôs dependem do poço e do reservatório ao mesmo tempo.

Fonte

O que pode faltar

O que acompanhar

Poço tubular com bomba submersa

O nível dinâmico desce até perto da bomba

Nível do poço, vazão e corrente da bomba

Rio ou córrego

A água baixa no ponto de captação e a sucção pode puxar ar

Nível na captação, vazão e pressão

Represa ou barragem

O volume cai ao longo da estação seca

Nível da represa e volume captado

Reservatório abastecido por poços

Os poços entregam menos do que o pivô puxa

Nível do reservatório e de cada poço

Em todos os casos, o pivô só aplica a lâmina de projeto se a fonte entregar a vazão de projeto. O panorama do que dá para acompanhar no pivô está no guia de monitoramento de pivô central.

Infográfico em fluxo com o que acompanhar da fonte ao pivô: nível e vazão do poço, nível do reservatório ou represa, corrente e falta de fase da motobomba, e pressão e posição do pivô.

O que é nível estático e nível dinâmico no poço do pivô?

Nível estático é a profundidade da água no poço com a bomba desligada e a água já recuperada. Nível dinâmico é a profundidade com a bomba ligada, e é ele que diz se a bomba continua coberta de água.

A diferença entre os dois é o rebaixamento. Num poço de irrigação, o nível dinâmico pode descer ao longo de dias seguidos de bombeamento, com outros poços puxando do mesmo aquífero ou com menos recarga na seca. Quem mede só uma vez, na instalação, não vê essa descida.

O manual da Leão para bombas submersas (2025) pede o nível dinâmico pelo menos 6 m acima da bomba. O mesmo manual orienta reavaliar o poço e redimensionar a bomba se o nível dinâmico cair. Sem medição contínua, essa queda costuma aparecer só quando a bomba já sofreu.

A pressão do pivô também dá pista. Segundo a Universidade de Nebraska-Lincoln, nos EUA, pressão abaixo da de projeto pode indicar baixa capacidade do poço, além de vazamento ou problema na bomba. Veja onde medir no guia de pressão do pivô central.

Por que a bomba do pivô não pode rodar a seco?

Porque é a água passando pela bomba submersa que refrigera o motor. Sem água, o motor esquenta, e o manual da Leão para bombas submersas proíbe operar a seco e deixa esse dano fora da garantia.

A bomba fica longe dos olhos, no fundo do poço, e a falta de água começa sem nenhum sinal na superfície. O sinal costuma aparecer na corrente: a bomba perde carga e a corrente cai, enquanto a vazão e a pressão do pivô também caem. Com os três dados no mesmo painel, o quadro fica claro em minutos.

Na captação de superfície, em rio ou represa, o risco muda de forma. Com a água baixa no ponto de captação, a sucção da motobomba pode puxar ar e perder vazão. Dependendo do quadro, o pivô para por pressão baixa ou segue girando com menos água do que você programou.

As causas elétricas que também queimam a bomba, como falta de fase e subtensão, estão no guia de bomba submersa queimando.

No exemplo ilustrativo abaixo, a proteção de nível do quadro desligou a bomba, o pivô parou sem pressão e o alerta chegou ao celular com o ponto da volta em que ele ficou.

Ilustração de um pivô central visto de cima, parado a 140 graus da volta por nível baixo no poço, com a área ainda sem água nesta volta e o alerta de nível baixo no celular.

Quanto custa em energia bombear com o nível mais fundo?

Quanto mais fundo o nível dinâmico, mais energia cada metro cúbico consome. A energia por m³ acompanha a altura manométrica, que soma o nível dinâmico, o desnível até o pivô, as perdas na tubulação e a pressão de trabalho.

A conta é E (kWh/m³) = H ÷ (367 × η), em que H é a altura manométrica em metros e η é o rendimento do conjunto, conforme encontro técnico da AESABESP com a Sabesp (2019). Veja um exemplo ilustrativo com rendimento de 55%, comparando o nível dinâmico 20 m e 40 m mais fundo:

Altura manométrica total

Energia por m³

Energia para 10 mm em 65 ha (6.500 m³)

80 m

0,40 kWh/m³

cerca de 2.580 kWh

100 m

0,50 kWh/m³

cerca de 3.220 kWh

120 m

0,59 kWh/m³

cerca de 3.860 kWh

No exemplo ilustrativo, 20 m a mais de altura custam cerca de 640 kWh a cada 10 mm aplicados num pivô de 65 ha, ou 25% a mais. Os 6.500 m³ saem da conta da lâmina (10 mm × 10 × 65 ha), e as contas usam os valores sem arredondar. Os números mudam com a sua bomba, mas a lógica é a mesma.

Gráfico de barras, exemplo ilustrativo: com rendimento de 55%, a energia por metro cúbico sobe de 0,40 kWh com 80 m de altura manométrica para 0,50 kWh com 100 m e 0,59 kWh com 120 m.

Medições de campo mostram o mesmo efeito. Em 68 pivôs no RS, Heuert e colegas (UFPel, 2018) encontraram de 2,52 a 4,42 kWh por hectare e por milímetro, com o consumo subindo junto com a altura geométrica. A conta completa está no guia de consumo de energia por m³ bombeado.

O que você perde quando a fonte do pivô baixa sem você ver?

Você pode perder a bomba, a irrigação da fase crítica e dinheiro de energia na mesma semana. A fonte baixa devagar, mas a perda chega de uma vez.

  • Bomba queimada fora da garantia: funcionamento a seco está entre os danos que o manual da Leão para bombas submersas não cobre. Além da bomba, entram o serviço de retirada e os dias sem água.

  • Pivô parado na fase crítica: no milho, uma semana de déficit no florescimento pode reduzir 50% do rendimento, segundo Nickell (1983), citado por Moura e colegas (Embrapa Milho e Sorgo, 2012). Em Janaúba (MG), 25 dias sem irrigação no florescimento reduziram o rendimento do milho em 41% a 66%, conforme o híbrido, segundo Fonseca e Magalhães, da Embrapa.

  • Energia mais cara por m³: com o nível mais fundo, cada milímetro custa mais, como mostra o exemplo ilustrativo acima.

  • Risco na outorga: quando o poço não entrega, ligar mais horas ou mais poços pode levar o volume captado além do que a outorga permite.

A outorga também pesa na conta de luz. O desconto de energia do irrigante exige licença ambiental e outorga de uso da água quando ela é exigida (a dispensa também serve), segundo a distribuidora CPFL. Fonte sem controle de volume é risco para os dois.

Como o nível da fonte se liga à vazão outorgada?

A outorga fixa quanto você pode tirar da fonte, e o nível mostra quanto a fonte aguenta. Os dois juntos dizem se o pivô está dentro da regra e se o poço está saudável.

Com vazão e nível medidos ao mesmo tempo, dá para ver se o poço precisa rebaixar cada vez mais para entregar a mesma vazão. Esse é um sinal de que algo mudou no poço ou no aquífero, e vale chamar um geólogo antes de forçar a bomba. Na renovação, o histórico ajuda a mostrar ao órgão como a captação se comportou.

Minas Gerais escreve na regra de outorga o registro de vazão e de nível do poço, no parágrafo abaixo. O que costuma ser pedido está no guia de monitoramento de poço exigido na outorga. Para a medição no pivô, veja vazão do pivô e outorga.

Em Minas Gerais, a regra para poço está escrita. Segundo a DN CERH-MG 09/2004, poço tubular não entra como uso insignificante, qualquer que seja a vazão, e a Portaria IGAM nº 48, de 2019, pede no poço outorgado medidor de vazão, horímetro, ponto de coleta de água e tubo auxiliar para medir o nível, com o nível estático medido no máximo a cada 6 meses. A vazão e o tempo de captação devem ser anotados todo dia, em planilha impressa e digital, e apresentados na renovação ou quando o órgão pedir. Quem usa plataforma online de medições aberta ao IGAM pode ganhar 2 anos a mais no prazo da outorga.

Como o HIDROPAAS monitora a fonte de água do pivô pelo celular

O HIDROPAAS mede o nível do poço, do rio, da barragem ou do reservatório que abastece o pivô e avisa no celular quando ele sai do normal. É a fonte, a bomba e o pivô na mesma tela.

  • Nível da fonte: poço, rio, barragem ou reservatório, com alerta quando chega ao limite que você definiu.

  • Acionamento por nível do reservatório: a bomba do poço liga e desliga conforme o nível do reservatório.

  • Vazão e volume captados: com hidrômetro ou medidor, para a outorga e os relatórios.

  • Energia da bomba e do pivô: corrente, consumo e falta de fase, com sensor de corrente no quadro, sem mexer no medidor da distribuidora.

  • Comandos: liga e desliga pelo celular, programação por horário e desligamento automático em falha elétrica.

  • Pivô e campo: ligado ou parado, ponto da volta em que parou, pressão fora do normal, chuva e umidade do solo, com os sensores adequados.

A comunicação pode ser por 2G, 3G, 4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento. Os relés e a proteção de nível do quadro continuam indispensáveis: o monitoramento complementa, não substitui. A PAAS, dona do HIDROPAAS, trabalha com poços desde 1985 e tem geólogo responsável com registro no CREA.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre nível estático e nível dinâmico?

Nível estático é a profundidade da água no poço com a bomba desligada e a água recuperada. Nível dinâmico é a profundidade com a bomba ligada. A diferença entre os dois é o rebaixamento, que mostra quanto o poço sente o bombeamento.

Quanto o nível dinâmico precisa ficar acima da bomba?

No manual da Leão para bombas submersas (2025), pelo menos 6 m acima da bomba. Confira o manual da sua marca, que pode trazer outro valor, e o projeto do poço.

A bomba submersa aguenta rodar a seco por pouco tempo?

Não conte com isso. O manual da Leão para bombas submersas proíbe operar a seco, e esse dano fica fora da garantia. É a água passando pelo motor que o refrigera.

Dá para medir o nível de rio ou represa, e não só de poço?

Dá. O HIDROPAAS mede o nível do poço, do rio, da barragem ou do reservatório que abastece o pivô, com o sensor adequado a cada caso. Os dados ficam no mesmo painel do pivô e da energia.

O HIDROPAAS desliga a bomba quando o nível baixa?

Ele avisa no celular quando o nível chega ao limite definido, e você pode desligar pela tela. Também faz acionamento da bomba por nível do reservatório e desligamento automático em falha elétrica. A proteção de nível e os relés do quadro continuam necessários.

Medir o nível do poço ajuda na outorga?

Ajuda. Junto com a vazão e o volume captados, o histórico de nível mostra como a fonte respondeu ao bombeamento. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM nº 48/2019 pede no poço outorgado medidor de vazão, horímetro e tubo para medir o nível; nos outros estados, confira a sua portaria.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Saber o nível do poço ou da represa em tempo real é o que separa um alerta no celular de uma bomba queimada e um pivô parado na fase crítica. Para montar isso na sua fonte, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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