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Consumo de Energia por m³ Bombeado (kWh/m³): Como Calcular e Reduzir

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 1 dia
8 min de leitura

Atualizado: há 21 horas

O consumo de energia por m³ bombeado (kWh/m³) mostra quantos quilowatts-hora a bomba gasta para entregar cada metro cúbico de água. Com dados reais, divida a energia do período pelo volume bombeado no mesmo período. Pela fórmula E = H / (367 × η), usada em estudo da Sabesp, com o mesmo rendimento, o consumo cresce na mesma proporção da altura manométrica (H, em metros). Quanto maior o rendimento do conjunto motobomba (η), menor o gasto por m³.

Medidor de vazão instalado em tubulação de bombeamento — consumo de energia por m³ bombeado

O que é o consumo de energia por m³ bombeado

O kWh por m³ é um indicador de eficiência do bombeamento. Ele mostra quanta energia foi gasta para levar cada metro cúbico ao reservatório, à linha de envase ou ao pivô. Se a ideia é só estimar a conta de luz de um poço de casa ou sítio, veja quanto gasta de energia um poço artesiano por mês.

A fórmula da energia por m³

A potência entregue à água é o produto de densidade, gravidade, vazão e altura. O rendimento é a potência útil dividida pela potência de entrada, segundo o glossário técnico de um fabricante de bombas. Com a vazão (Q) em m³/h e a altura (H) em metros, a conta fica assim:

  • Potência: P (kW) = Q × H / (367 × η). O 367 vem da conversão de unidades: 3.600.000 ÷ (1.000 × 9,81).

  • Energia por m³: E (kWh/m³) = H / (367 × η), que é a potência dividida pela vazão.

H é a altura manométrica: a soma do nível dinâmico, do desnível até o ponto de entrega e das perdas na tubulação. O nível dinâmico é a profundidade da água no poço com a bomba ligada. Já η é o rendimento do conjunto motobomba, de 0 a 1.

A fórmula de energia é a mesma do trabalho da Sabesp publicado pela AESABESP em 2019. Na prática, com o mesmo rendimento, altura em dobro significa energia por m³ em dobro.

Como calcular o kWh por m³ com dados reais: passo a passo

A fórmula ajuda a entender e estimar. Para gerir o poço, use medições reais de energia e de volume feitas no mesmo período.

1. Escolha o período e a bomba

Defina início e fim claros, como um dia de operação ou o ciclo da fatura. Calcule uma bomba por vez: somar poços diferentes esconde qual deles gasta mais.

2. Meça a energia da bomba (kWh)

Registre os kWh do circuito da bomba com o sensor ou medidor adequado. Um sensor de corrente no quadro mostra quando a bomba liga e quanta corrente ela puxa. Para chegar aos kWh, a medição também precisa de tensão e fator de potência, o que pede um medidor de energia no circuito.

3. Leia o volume bombeado (m³)

Anote o totalizador do medidor de vazão no início e no fim do período. A diferença é o volume em m³. Sem medidor de vazão, o resultado vira estimativa.

4. Divida a energia pelo volume

kWh/m³ = energia do período (kWh) ÷ volume bombeado (m³)

Exemplo ilustrativo: 500 kWh registrados no circuito da bomba e 1.000 m³ no medidor de vazão, no mesmo período, resultam em 0,50 kWh/m³.

5. Normalize por 100 m de altura (CEN)

Poço fundo gasta mais por m³ que poço raso, então o kWh/m³ puro não compara sistemas diferentes. Para isso serve o consumo normalizado (CEN), indicador Ph5 da IWA (International Water Association), descrito no trabalho da Sabesp de 2019:

CEN (kWh/m³ por 100 m) = kWh × 100 / (m³ × Hman)

Hman é a altura manométrica em metros, de preferência calculada com o nível dinâmico medido no período. Sem esse dado, a altura de projeto da bomba serve de aproximação. No exemplo acima, com Hman de 100 m, o CEN fica em 0,50.

Indicador

Como calcular

Para que serve

kWh/m³

kWh ÷ m³ do mesmo período

Acompanhar o mesmo poço ao longo do tempo

CEN (Ph5 da IWA)

kWh × 100 ÷ (m³ × Hman)

Comparar sistemas diferentes e avaliar o rendimento

Custo de energia no bombeamento (R$/m³)

kWh/m³ × tarifa média da sua fatura

Ver o peso da energia em cada m³ (a tarifa varia por distribuidora e modalidade)

Sensor de nível sendo instalado na boca de um poço — consumo de energia por m³ bombeado

Qual é um bom kWh por m³? Referências do saneamento

Não existe um kWh/m³ bom para qualquer poço, porque o valor cresce com a altura manométrica. Para comparar sistemas, use o CEN, que normaliza o consumo por 100 m de altura.

O trabalho da Sabesp apresentado no Encontro Técnico AESABESP nº 104, de 2019, classifica o CEN em faixas. As referências são da ERSAR, reguladora de águas de Portugal, e do ProEESA. Cada faixa de CEN equivale a uma faixa de rendimento. No estudo, a Sabesp avaliou 332 sistemas, responsáveis por 47% do consumo de energia do seu abastecimento de água.

Classificação

ERSAR: CEN (rendimento)

ProEESA: CEN (rendimento)

Bom

0,27 a 0,40 (acima de 68%)

Até 0,4258 (acima de 64%)

Mediano

0,40 a 0,54 (50% a 68%)

Entre 0,4258 e 0,57978 (47% a 64%)*

Insatisfatório

Acima de 0,54 (abaixo de 50%)

Acima de 0,57978 (abaixo de 47%)

Valores de CEN em kWh/m³ por 100 m de altura manométrica. Fonte: AESABESP/Sabesp, 2019. *Faixa intermediária deduzida por cálculo a partir dos limites bom e insatisfatório do ProEESA.

São referências de saneamento, não limites legais para poço de indústria, envasadora, fazenda ou condomínio. Mesmo assim, servem de régua, porque a física do bombeamento é a mesma. Pela fórmula, o piso de 0,27 corresponde a um rendimento teórico de 100% (cálculo: 100 ÷ 367). Um CEN abaixo disso sugere erro na medição de energia, volume ou altura. No exemplo ilustrativo de 500 kWh, 1.000 m³ e 100 m, o CEN de 0,50 ficaria na faixa mediana.

Por que o consumo de energia por m³ sobe sem ninguém ver

O kWh/m³ costuma subir aos poucos, com a bomba ligando e a água chegando normalmente. Sem medição, a primeira pista costuma ser a fatura.

Nível dinâmico e consumo: o poço rebaixa, a energia sobe

Se a água no poço desce, a bomba precisa vencer mais metros para entregar o mesmo m³. O manual de abril de 2025 de um fabricante nacional de bombas submersas inclui o nível dinâmico na altura manométrica. Quando esse nível cai, o manual orienta reavaliar o poço e redimensionar a bomba.

Veja um exemplo ilustrativo, calculado com E = H / (367 × η) e rendimento fixo de 0,55:

Situação

Altura manométrica

Energia por m³

Antes do rebaixamento

80 m

Cerca de 0,40 kWh/m³

Nível dinâmico 20 m mais fundo

100 m

Cerca de 0,50 kWh/m³ (+25%)

No exemplo, cada 1.000 m³ bombeados passam a pedir cerca de 100 kWh a mais. O CEN não muda, porque o rendimento é o mesmo: a causa está na altura, não na bomba. Na vida real, o rendimento também pode cair quando a bomba sai do seu ponto de projeto.

Com o CEN calculado sobre o nível dinâmico medido, vale uma regra prática. Se o kWh/m³ sobe e o CEN fica estável, a suspeita recai sobre o poço; se os dois sobem, sobre a bomba e a instalação. Por isso vale acompanhar o nível estático e dinâmico junto com a energia.

Outras causas que elevam o kWh/m³

  • Desgaste da bomba: peças gastas reduzem o rendimento, e o CEN sobe junto.

  • Válvula estrangulada: registro meio fechado para segurar a vazão aumenta a perda de carga. A bomba gasta energia vencendo a própria válvula.

  • Vazamentos: depois do medidor, não alteram o kWh/m³ do poço, mas encarecem cada m³ realmente usado. Compare o volume bombeado com o consumido.

  • Bomba superdimensionada: longe do ponto de melhor rendimento, ela desperdiça energia e pode rebaixar o poço mais que o necessário.

Como reduzir o consumo de energia por m³ bombeado

1. Meça energia, vazão e nível no mesmo painel

O indicador depende de três leituras do mesmo período: kWh, m³ e nível dinâmico. Em planilhas separadas, o diagnóstico chega atrasado. Um sistema de monitoramento de energia elétrica integrado aos sensores do poço junta tudo em uma tela.

2. Crie um alerta para quando o kWh/m³ subir

Registre uma linha de base com o poço em condição normal e defina um limite acima dela para gerar aviso. Assim a causa pode aparecer enquanto ainda é pequena. Variações na corrente também podem apontar falta de fase, uma das falhas elétricas por trás de bomba submersa queimando.

3. Revise o dimensionamento da bomba

Nível dinâmico mais fundo de forma duradoura, ou registro estrangulado para segurar a vazão, pode indicar bomba fora do ponto de projeto. Reavalie o poço e redimensione o conjunto com profissional habilitado, com apoio de um teste de bombeamento.

4. Tire o bombeamento do horário de ponta quando possível

O posto de ponta tem 3 horas consecutivas por dia, exceto sábados, domingos e feriados nacionais. Cada distribuidora define o horário, segundo a ANEEL. Com reservatório para cobrir esse intervalo, a bomba pode ser programada para parar na ponta.

Isso pode reduzir o custo por m³, mas não o kWh/m³. Nas modalidades horárias do Grupo A, a tarifa de consumo muda conforme o posto, como mostra a página de modalidades da ANEEL. Confira na fatura e no contrato como a sua distribuidora cobra.

5. No agro, bombeie dentro da janela do desconto irrigante

Na irrigação e na aquicultura, o desconto irrigante vale em 8h30 por dia, contínuas ou em até 3 blocos, fora das 17h às 21h30. A regra é da Portaria Normativa MME nº 137/2026, de junho de 2026. Fora da escala, a energia não tem desconto. Percentuais variam conforme a região e a distribuidora; confira requisitos e escala com a sua.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS reúne no mesmo painel as leituras de que o kWh/m³ depende. Estes recursos já estão disponíveis:

  • Água e energia juntas: nível, vazão e energia do poço no mesmo painel, com os sensores adequados, alertas no celular e relatórios.

  • Sensor de corrente no quadro elétrico: instalado sem trocar nem mexer no medidor da distribuidora.

  • Integração de sensores e medidores de mercado: com o medidor adequado, como um multimedidor com saída de dados, a plataforma recebe as leituras de energia.

  • Programação por horário: para tirar a bomba da ponta ou seguir a escala do desconto irrigante.

  • Automação: acionamento por nível do reservatório, liga e desliga remoto pelo app e desligamento automático em falha elétrica.

O sistema é desenvolvido pela PAAS Poços Artesianos e Água, que atua desde 1985 com geólogo responsável técnico (CREA).

Perguntas frequentes

Como calcular o consumo de energia por m³ bombeado?

Divida os kWh da bomba pelos m³ bombeados no mesmo período. Sem medição, estime com E = H / (367 × η), fórmula do estudo da Sabesp, com H em metros e η como rendimento do conjunto motobomba.

Qual é um bom valor de kWh por m³?

Compare o valor normalizado por 100 m de altura. Na referência ERSAR citada pela Sabesp em 2019, o CEN é bom de 0,27 a 0,40 kWh/m³ por 100 m e insatisfatório acima de 0,54.

O nível dinâmico influencia o consumo de energia da bomba?

Sim. O nível dinâmico faz parte da altura manométrica e, com o mesmo rendimento, a energia por m³ cresce na mesma proporção dela. Por isso o manual de um fabricante de bombas submersas orienta reavaliar o poço e redimensionar a bomba quando o nível cai.

Bombear fora do horário de ponta reduz o kWh/m³?

Não. O kWh/m³ depende da altura e do rendimento, não do relógio. O que pode cair é o custo por m³, nas modalidades com tarifa diferente por posto. Confira as regras na fatura e com a distribuidora.

Conheça o sistema HIDROPAAS

Energia, vazão e nível do poço no mesmo painel facilitam acompanhar o consumo de energia por m³ de cada bomba. Veja como funciona o sistema de monitoramento HIDROPAAS.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Para acompanhar o kWh/m³ do seu poço com energia, vazão e nível no mesmo painel, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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