Consumo de Energia por m³ Bombeado (kWh/m³): Como Calcular e Reduzir

Atualizado: há 21 horas
O consumo de energia por m³ bombeado (kWh/m³) mostra quantos quilowatts-hora a bomba gasta para entregar cada metro cúbico de água. Com dados reais, divida a energia do período pelo volume bombeado no mesmo período. Pela fórmula E = H / (367 × η), usada em estudo da Sabesp, com o mesmo rendimento, o consumo cresce na mesma proporção da altura manométrica (H, em metros). Quanto maior o rendimento do conjunto motobomba (η), menor o gasto por m³.

O que é o consumo de energia por m³ bombeado
O kWh por m³ é um indicador de eficiência do bombeamento. Ele mostra quanta energia foi gasta para levar cada metro cúbico ao reservatório, à linha de envase ou ao pivô. Se a ideia é só estimar a conta de luz de um poço de casa ou sítio, veja quanto gasta de energia um poço artesiano por mês.
A fórmula da energia por m³
A potência entregue à água é o produto de densidade, gravidade, vazão e altura. O rendimento é a potência útil dividida pela potência de entrada, segundo o glossário técnico de um fabricante de bombas. Com a vazão (Q) em m³/h e a altura (H) em metros, a conta fica assim:
Potência: P (kW) = Q × H / (367 × η). O 367 vem da conversão de unidades: 3.600.000 ÷ (1.000 × 9,81).
Energia por m³: E (kWh/m³) = H / (367 × η), que é a potência dividida pela vazão.
H é a altura manométrica: a soma do nível dinâmico, do desnível até o ponto de entrega e das perdas na tubulação. O nível dinâmico é a profundidade da água no poço com a bomba ligada. Já η é o rendimento do conjunto motobomba, de 0 a 1.
A fórmula de energia é a mesma do trabalho da Sabesp publicado pela AESABESP em 2019. Na prática, com o mesmo rendimento, altura em dobro significa energia por m³ em dobro.
Como calcular o kWh por m³ com dados reais: passo a passo
A fórmula ajuda a entender e estimar. Para gerir o poço, use medições reais de energia e de volume feitas no mesmo período.
1. Escolha o período e a bomba
Defina início e fim claros, como um dia de operação ou o ciclo da fatura. Calcule uma bomba por vez: somar poços diferentes esconde qual deles gasta mais.
2. Meça a energia da bomba (kWh)
Registre os kWh do circuito da bomba com o sensor ou medidor adequado. Um sensor de corrente no quadro mostra quando a bomba liga e quanta corrente ela puxa. Para chegar aos kWh, a medição também precisa de tensão e fator de potência, o que pede um medidor de energia no circuito.
3. Leia o volume bombeado (m³)
Anote o totalizador do medidor de vazão no início e no fim do período. A diferença é o volume em m³. Sem medidor de vazão, o resultado vira estimativa.
4. Divida a energia pelo volume
kWh/m³ = energia do período (kWh) ÷ volume bombeado (m³)
Exemplo ilustrativo: 500 kWh registrados no circuito da bomba e 1.000 m³ no medidor de vazão, no mesmo período, resultam em 0,50 kWh/m³.
5. Normalize por 100 m de altura (CEN)
Poço fundo gasta mais por m³ que poço raso, então o kWh/m³ puro não compara sistemas diferentes. Para isso serve o consumo normalizado (CEN), indicador Ph5 da IWA (International Water Association), descrito no trabalho da Sabesp de 2019:
CEN (kWh/m³ por 100 m) = kWh × 100 / (m³ × Hman)
Hman é a altura manométrica em metros, de preferência calculada com o nível dinâmico medido no período. Sem esse dado, a altura de projeto da bomba serve de aproximação. No exemplo acima, com Hman de 100 m, o CEN fica em 0,50.
Indicador | Como calcular | Para que serve |
kWh/m³ | kWh ÷ m³ do mesmo período | Acompanhar o mesmo poço ao longo do tempo |
CEN (Ph5 da IWA) | kWh × 100 ÷ (m³ × Hman) | Comparar sistemas diferentes e avaliar o rendimento |
Custo de energia no bombeamento (R$/m³) | kWh/m³ × tarifa média da sua fatura | Ver o peso da energia em cada m³ (a tarifa varia por distribuidora e modalidade) |

Qual é um bom kWh por m³? Referências do saneamento
Não existe um kWh/m³ bom para qualquer poço, porque o valor cresce com a altura manométrica. Para comparar sistemas, use o CEN, que normaliza o consumo por 100 m de altura.
O trabalho da Sabesp apresentado no Encontro Técnico AESABESP nº 104, de 2019, classifica o CEN em faixas. As referências são da ERSAR, reguladora de águas de Portugal, e do ProEESA. Cada faixa de CEN equivale a uma faixa de rendimento. No estudo, a Sabesp avaliou 332 sistemas, responsáveis por 47% do consumo de energia do seu abastecimento de água.
Classificação | ERSAR: CEN (rendimento) | ProEESA: CEN (rendimento) |
Bom | 0,27 a 0,40 (acima de 68%) | Até 0,4258 (acima de 64%) |
Mediano | 0,40 a 0,54 (50% a 68%) | Entre 0,4258 e 0,57978 (47% a 64%)* |
Insatisfatório | Acima de 0,54 (abaixo de 50%) | Acima de 0,57978 (abaixo de 47%) |
Valores de CEN em kWh/m³ por 100 m de altura manométrica. Fonte: AESABESP/Sabesp, 2019. *Faixa intermediária deduzida por cálculo a partir dos limites bom e insatisfatório do ProEESA.
São referências de saneamento, não limites legais para poço de indústria, envasadora, fazenda ou condomínio. Mesmo assim, servem de régua, porque a física do bombeamento é a mesma. Pela fórmula, o piso de 0,27 corresponde a um rendimento teórico de 100% (cálculo: 100 ÷ 367). Um CEN abaixo disso sugere erro na medição de energia, volume ou altura. No exemplo ilustrativo de 500 kWh, 1.000 m³ e 100 m, o CEN de 0,50 ficaria na faixa mediana.
Por que o consumo de energia por m³ sobe sem ninguém ver
O kWh/m³ costuma subir aos poucos, com a bomba ligando e a água chegando normalmente. Sem medição, a primeira pista costuma ser a fatura.
Nível dinâmico e consumo: o poço rebaixa, a energia sobe
Se a água no poço desce, a bomba precisa vencer mais metros para entregar o mesmo m³. O manual de abril de 2025 de um fabricante nacional de bombas submersas inclui o nível dinâmico na altura manométrica. Quando esse nível cai, o manual orienta reavaliar o poço e redimensionar a bomba.
Veja um exemplo ilustrativo, calculado com E = H / (367 × η) e rendimento fixo de 0,55:
Situação | Altura manométrica | Energia por m³ |
Antes do rebaixamento | 80 m | Cerca de 0,40 kWh/m³ |
Nível dinâmico 20 m mais fundo | 100 m | Cerca de 0,50 kWh/m³ (+25%) |
No exemplo, cada 1.000 m³ bombeados passam a pedir cerca de 100 kWh a mais. O CEN não muda, porque o rendimento é o mesmo: a causa está na altura, não na bomba. Na vida real, o rendimento também pode cair quando a bomba sai do seu ponto de projeto.
Com o CEN calculado sobre o nível dinâmico medido, vale uma regra prática. Se o kWh/m³ sobe e o CEN fica estável, a suspeita recai sobre o poço; se os dois sobem, sobre a bomba e a instalação. Por isso vale acompanhar o nível estático e dinâmico junto com a energia.
Outras causas que elevam o kWh/m³
Desgaste da bomba: peças gastas reduzem o rendimento, e o CEN sobe junto.
Válvula estrangulada: registro meio fechado para segurar a vazão aumenta a perda de carga. A bomba gasta energia vencendo a própria válvula.
Vazamentos: depois do medidor, não alteram o kWh/m³ do poço, mas encarecem cada m³ realmente usado. Compare o volume bombeado com o consumido.
Bomba superdimensionada: longe do ponto de melhor rendimento, ela desperdiça energia e pode rebaixar o poço mais que o necessário.
Como reduzir o consumo de energia por m³ bombeado
1. Meça energia, vazão e nível no mesmo painel
O indicador depende de três leituras do mesmo período: kWh, m³ e nível dinâmico. Em planilhas separadas, o diagnóstico chega atrasado. Um sistema de monitoramento de energia elétrica integrado aos sensores do poço junta tudo em uma tela.
2. Crie um alerta para quando o kWh/m³ subir
Registre uma linha de base com o poço em condição normal e defina um limite acima dela para gerar aviso. Assim a causa pode aparecer enquanto ainda é pequena. Variações na corrente também podem apontar falta de fase, uma das falhas elétricas por trás de bomba submersa queimando.
3. Revise o dimensionamento da bomba
Nível dinâmico mais fundo de forma duradoura, ou registro estrangulado para segurar a vazão, pode indicar bomba fora do ponto de projeto. Reavalie o poço e redimensione o conjunto com profissional habilitado, com apoio de um teste de bombeamento.
4. Tire o bombeamento do horário de ponta quando possível
O posto de ponta tem 3 horas consecutivas por dia, exceto sábados, domingos e feriados nacionais. Cada distribuidora define o horário, segundo a ANEEL. Com reservatório para cobrir esse intervalo, a bomba pode ser programada para parar na ponta.
Isso pode reduzir o custo por m³, mas não o kWh/m³. Nas modalidades horárias do Grupo A, a tarifa de consumo muda conforme o posto, como mostra a página de modalidades da ANEEL. Confira na fatura e no contrato como a sua distribuidora cobra.
5. No agro, bombeie dentro da janela do desconto irrigante
Na irrigação e na aquicultura, o desconto irrigante vale em 8h30 por dia, contínuas ou em até 3 blocos, fora das 17h às 21h30. A regra é da Portaria Normativa MME nº 137/2026, de junho de 2026. Fora da escala, a energia não tem desconto. Percentuais variam conforme a região e a distribuidora; confira requisitos e escala com a sua.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS reúne no mesmo painel as leituras de que o kWh/m³ depende. Estes recursos já estão disponíveis:
Água e energia juntas: nível, vazão e energia do poço no mesmo painel, com os sensores adequados, alertas no celular e relatórios.
Sensor de corrente no quadro elétrico: instalado sem trocar nem mexer no medidor da distribuidora.
Integração de sensores e medidores de mercado: com o medidor adequado, como um multimedidor com saída de dados, a plataforma recebe as leituras de energia.
Programação por horário: para tirar a bomba da ponta ou seguir a escala do desconto irrigante.
Automação: acionamento por nível do reservatório, liga e desliga remoto pelo app e desligamento automático em falha elétrica.
O sistema é desenvolvido pela PAAS Poços Artesianos e Água, que atua desde 1985 com geólogo responsável técnico (CREA).
Perguntas frequentes
Como calcular o consumo de energia por m³ bombeado?
Divida os kWh da bomba pelos m³ bombeados no mesmo período. Sem medição, estime com E = H / (367 × η), fórmula do estudo da Sabesp, com H em metros e η como rendimento do conjunto motobomba.
Qual é um bom valor de kWh por m³?
Compare o valor normalizado por 100 m de altura. Na referência ERSAR citada pela Sabesp em 2019, o CEN é bom de 0,27 a 0,40 kWh/m³ por 100 m e insatisfatório acima de 0,54.
O nível dinâmico influencia o consumo de energia da bomba?
Sim. O nível dinâmico faz parte da altura manométrica e, com o mesmo rendimento, a energia por m³ cresce na mesma proporção dela. Por isso o manual de um fabricante de bombas submersas orienta reavaliar o poço e redimensionar a bomba quando o nível cai.
Bombear fora do horário de ponta reduz o kWh/m³?
Não. O kWh/m³ depende da altura e do rendimento, não do relógio. O que pode cair é o custo por m³, nas modalidades com tarifa diferente por posto. Confira as regras na fatura e com a distribuidora.
Conheça o sistema HIDROPAAS
Energia, vazão e nível do poço no mesmo painel facilitam acompanhar o consumo de energia por m³ de cada bomba. Veja como funciona o sistema de monitoramento HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Para acompanhar o kWh/m³ do seu poço com energia, vazão e nível no mesmo painel, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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