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Monitoramento de Poço Exigido na Outorga: O Que Medir e Como Fazer o Relatório

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
29 de set.
11 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Resposta rápida: sim, na maioria dos casos o órgão ambiental exige monitoramento do poço na outorga. A exigência vem nas condicionantes da portaria. Você mede e guarda a vazão (com hidrômetro), o tempo de bombeamento (com horímetro) e o nível da água (por um tubo de medição). Em alguns estados entra também a coleta para análise da água. Esses dados viram planilhas e um relatório de monitoramento. O órgão cobra tudo na fiscalização, na renovação ou em data fixa todo ano, como na portaria do Imasul (MS) que conferimos.

O problema é que quase ninguém lê a portaria até o fim. As exigências de monitoramento ficam nas "condicionantes", e é ali que vemos muita renovação travar. Neste guia você vê o monitoramento de poço exigido na outorga em cada estado e o que as normas já escreveram. Depois, como montar o relatório para o órgão e como cumprir tudo sem depender de alguém anotando à mão.

Monitoramento de poço exigido na outorga: cabeçote com hidrômetro, tubo de nível e quadro de comando

Recebeu a portaria e não sabe o que ela pede? Mande a foto das condicionantes no WhatsApp que explicamos o que precisa medir e o que vai no relatório.

O órgão ambiental exige monitoramento do poço na outorga?

Exige, quase sempre. A outorga libera uma vazão e um tempo de bombeamento. O monitoramento é a prova de que você respeitou esses limites durante toda a validade do ato. Ele é a contrapartida do direito de uso.

As regras aparecem de duas formas. Algumas estão em norma estadual e valem para todo poço outorgado, como em Minas Gerais. Outras são escritas caso a caso na portaria, na parte de condições ou condicionantes, como no Mato Grosso do Sul. Por isso a primeira tarefa é sempre a mesma: abrir a sua portaria e ler as condicionantes linha por linha.

Descumprir essas condições também é infração. A Lei federal 9.433/1997 (art. 49, IV) trata como infração usar a água em desacordo com as condições da outorga, e o art. 50, II, na redação dada pela Lei 14.066/2020, prevê multa de R$ 100 a R$ 50 milhões. O art. 15 ainda permite suspender a outorga quando o outorgado não cumpre os termos dela. Cada estado aplica a sua própria tabela dentro dessa lógica.

Hidrômetro, horímetro e nível: o que o órgão pede para medir no poço outorgado?

Na maioria das portarias, o monitoramento do poço gira em torno de quatro itens. Nem todo órgão pede os quatro, mas estes são os que mais aparecem nas normas e portarias que conferimos.

O que medir

Equipamento

Para que serve

Vazão e volume captado

Hidrômetro na saída do poço

Provar que você não passou da vazão outorgada

Tempo de bombeamento

Horímetro no quadro da bomba

Provar as horas por dia autorizadas

Nível estático e dinâmico

Tubo auxiliar de medição + medidor de nível ou sensor

Acompanhar se o aquífero está baixando

Qualidade da água

Torneira de coleta após o hidrômetro

Permitir análises de laboratório

Como medir o nível estático para a outorga?

O nível estático é a profundidade da água com a bomba parada. O nível dinâmico é a profundidade com a bomba ligada. Se quiser entender a diferença com calma, veja como medir nível estático e dinâmico de poço artesiano.

Infográfico: o que medir no poço para cumprir a outorga (vazão, horas, nível e coleta)

O que cada estado já escreveu em norma?

A exigência muda de estado para estado. Abaixo estão só os pontos que conferimos no texto oficial; o que não conseguimos confirmar ficou de fora. No caso do Mato Grosso do Sul, a linha vem de uma portaria de outorga de 2025, não de norma geral.

Estado (órgão)

O que a norma ou a portaria pede

Base

Minas Gerais (IGAM)

Hidrômetro, horímetro, torneira de coleta e tubo de nível; vazão e tempo medidos diariamente; nível estático no máximo a cada 6 meses

Portaria IGAM 48/2019, arts. 22 a 30

Mato Grosso do Sul (Imasul), exemplo de portaria

Registro mensal do volume; níveis estático e dinâmico na seca e na chuva; planilhas e relatório anual de monitoramento com boletim de análise

Portaria Imasul de Outorga 7859/2025, condicionantes gerais 7, 8 e 18

Espírito Santo (AGERH)

Hidrômetro, ponto de coleta e medidor de nível

Rio Grande do Sul (SEMA)

Mesmo na dispensa de outorga: hidrômetro e tubo auxiliar de nível

IN SEMA 12/2025, art. 6º

Rio de Janeiro (INEA)

Na renovação: relatório de cumprimento das condições e fotos do poço com hidrômetro

Paraná (IAT)

Na renovação: foto do poço com hidrômetro

Em São Paulo, o controle é feito por declaração eletrônica de leituras no SIDECC, quando o DAEE/SP Águas notifica o usuário. Explicamos esse caso em SIDECC e DAEE: quem declara, prazos e multas. Nos demais estados, o caminho é o mesmo: as condições estão na sua portaria. O guia de outorga de água por estado reúne os órgãos de cada um.

Minas Gerais: a regra mais detalhada que encontramos

A Portaria IGAM nº 48/2019 serve de referência para entender o que os órgãos esperam.

  • Equipamentos (arts. 22 e 23): sistema de medição de vazão e horímetro; torneira de coleta instalada depois do medidor; tubulação auxiliar em toda a extensão do cano adutor, para medir o nível.

  • Vazão e tempo (art. 25): medições diárias, guardadas em planilha impressa e digital. O próprio artigo permite usar plataforma on-line para gerenciar e disponibilizar as medições.

  • Nível estático (art. 26): periodicidade definida na outorga, nunca maior que seis meses, com uma medição na estiagem e outra no período chuvoso.

  • Responsabilidade (arts. 28 a 30): o custo é do usuário; ele deve manter o sistema funcionando, registrar qualquer falha e apresentar os dados atestados por profissional habilitado, com ART.

Outro ponto: a Deliberação Normativa CERH-MG 76/2022 (art. 8º) limita o bombeamento conforme a capacidade específica do poço, em 16 ou 20 horas por dia. É o horímetro que prova que esse limite foi respeitado.

Como fazer o relatório de monitoramento do poço para o órgão ambiental?

O relatório de monitoramento é o documento que reúne as medições do período e mostra que o poço operou dentro da outorga. Quando o órgão tem modelo próprio, use o modelo. Quando não tem, um relatório simples e completo resolve: identificação, planilhas, leitura dos resultados e assinatura do responsável.

Na prática, o relatório que entregamos para os clientes tem estas partes:

  1. Identificação: número da portaria de outorga, nome do outorgado, município, coordenadas do poço e a vazão e as horas por dia autorizadas.

  2. Planilha de volume: leitura do hidrômetro no início e no fim de cada mês, ou de cada dia quando a norma pede. Some o volume do período e o acumulado no ano.

  3. Horas de bomba: leitura do horímetro no mesmo intervalo, para comparar com o tempo diário autorizado.

  4. Níveis do poço: nível estático e nível dinâmico com data, hora e se a medição foi feita na seca ou no período chuvoso.

  5. Ocorrências: troca ou falha de hidrômetro, bomba parada, manutenção. Em Minas, a portaria manda registrar tudo que comprometa a medição.

  6. Análise da água: boletim do laboratório quando a portaria pedir. Na portaria do Imasul que conferimos, a condicionante lista os parâmetros mínimos, como pH, condutividade, nitrato, ferro e coliformes.

  7. Leitura dos resultados e assinatura: um parágrafo dizendo se os limites foram respeitados e se o nível se manteve estável, assinado pelo responsável técnico com ART quando o estado exigir.

Infográfico: o que vai no relatório de monitoramento do poço para o órgão ambiental

Guarde os originais. Em Minas, a norma pede planilha impressa e em meio digital. Na portaria do Imasul, as planilhas com os dados das medições são apresentadas todo ano. O relatório é um resumo; a planilha é a prova.

Para quem e quando entregar o relatório ou a declaração?

Depende do estado e, em alguns casos, da bacia. Há três situações: entregar em data fixa todo ano, declarar em sistema eletrônico, ou guardar e apresentar só na fiscalização e na renovação. A tabela traz os casos que conferimos no texto oficial.

Órgão

O que entregar

Quando

Imasul (MS), na portaria conferida

Relatório anual de monitoramento com boletins de análise, no modelo da Resolução SEMAGRO 774/2022, e planilhas de volume e níveis

Todo ano, no mês em que a portaria completa aniversário

IGAM (MG)

Planilhas de vazão, tempo e nível; em bacia com cobrança, a DAURH com o volume medido no ano

Na renovação, na fiscalização ou quando pedido; DAURH até o último dia útil de março

INEA (RJ)

Relatório de cumprimento das condicionantes

No pedido de renovação

Bases: Portaria Imasul 7859/2025 (condicionantes 7, 8 e 18); Portaria IGAM 48/2019 (arts. 25 e 26) e Portaria IGAM 79/2021 (arts. 8º e 9º); NOP-INEA-38.

E a DAURH federal? A Resolução ANA 603/2015 (arts. 7º e 8º) pede a declaração até 31 de janeiro, pelo CNARH, para quem capta em rio ou reservatório da União nos trechos selecionados. Água subterrânea é de domínio do estado. Para um poço, a declaração anual que pode existir é a estadual, como a DAURH de Minas Gerais em bacias com cobrança. Ali, quem não declara o volume medido tem o volume outorgado usado no cálculo da cobrança (Portaria IGAM 79/2021, art. 8º, parágrafo único).

O risco está no intervalo. A outorga pode valer vários anos, e ninguém lembra de anotar o hidrômetro todo dia por tanto tempo. Quando a renovação chega, faltam meses de planilha e não há como voltar no tempo para medir. Por isso vale montar o registro desde o primeiro dia. Para saber o que está em jogo, veja o post sobre multas por descumprimento de outorga.

Uma rotina simples resolve:

  1. Leia as condicionantes da portaria e anote cada prazo, inclusive o do relatório anual, se houver.

  2. Instale o que a portaria pedir: hidrômetro, horímetro, tubo de nível e, se exigido, torneira de coleta.

  3. Registre vazão e horas na frequência pedida, que pode ser diária ou mensal.

  4. Meça o nível estático na seca e na chuva, dentro do intervalo da portaria.

  5. Anote qualquer falha do equipamento.

  6. Monte o relatório e entregue no prazo da portaria; junte planilhas e relatório ao pedido de renovação.

Infográfico: rotina de monitoramento do poço da portaria até a renovação da outorga

Anotar à mão ou monitorar pelo celular?

Dá para cumprir as duas formas, desde que os dados existam e estejam completos. A diferença está no esforço e no risco de buraco na planilha.

Item

Leitura manual

Monitoramento automático

Vazão diária

Alguém lê o hidrômetro todo dia

Registro automático, com histórico

Nível do poço

Medidor elétrico descido no tubo

Sensor de nível fixo no tubo

Horas de bomba

Leitura do horímetro

Registro de quando a bomba liga e desliga

Relatório para o órgão

Digitado a partir do caderno

Planilha exportada em Excel ou CSV

O automático não dispensa o hidrômetro e o horímetro que a portaria exige: ele lê e registra esses dados sozinho. A leitura manual funciona para quem tem alguém fixo no local e disciplina. Para poço longe da sede, vários poços ou empresa que troca de funcionário, o automático evita a falha mais comum. É o dia em que ninguém anotou.

Técnico conferindo o hidrômetro e o quadro de comando de um poço outorgado

Erros comuns nas condicionantes da outorga de poço que travam a renovação

Estes são os problemas que mais vemos quando um cliente chega com a outorga perto de vencer.

  • Poço sem tubo de medição: sem ele não há como medir o nível sem tirar a bomba. O certo é instalar o tubo auxiliar na próxima manutenção.

  • Hidrômetro no lugar errado: depois de uma derivação, ele não mede toda a água que sai do poço.

  • Planilha com buracos: semanas sem anotação durante férias ou troca de funcionário.

  • Nível estático medido com a bomba recém-desligada: a água ainda está subindo, e o número sai errado. Espere o nível estabilizar.

  • Nenhum registro de falha: hidrômetro quebrado sem anotação vira dado faltando.

  • Relatório sem a leitura dos dados: entregar só a tabela, sem dizer se a vazão ficou dentro do outorgado e se o nível se manteve. Aí o fiscal faz a interpretação por você.

  • Perder a data do relatório anual: na portaria do Imasul, a entrega é no mês de aniversário do ato. Quem só lembra na renovação já descumpriu a condicionante.

Como o HIDROPAAS ajuda a cumprir a outorga?

O HIDROPAAS reúne no mesmo painel o nível do poço (sensor de nível), a vazão e o volume (leitura do medidor). Mostra também o funcionamento da bomba. Os alertas chegam no celular. Os dados ficam guardados e saem em relatório e em planilha Excel ou CSV, prontos para anexar no relatório anual ou na renovação.

A comunicação é escolhida no projeto conforme o local: 4G, Wi-Fi, rádio, LoRa ou satélite, entre outras. A PAAS trabalha com água subterrânea desde 1985 e tem geólogo responsável com registro no CREA. Ele pode entregar o relatório dos dados com ART, conforme a exigência do estado onde fica o poço.

Se o seu poço ainda não tem outorga, a PAAS cuida do processo em todo o Brasil: veja o guia de outorga de poço artesiano. E para entender o sensor, leia sobre o sensor de nível submersível hidrostático.

Perguntas frequentes

O órgão ambiental exige monitoramento do poço em toda outorga?

Quase sempre há alguma medição, pelo menos o hidrômetro. O que muda é o detalhe: alguns órgãos pedem só vazão, outros pedem também nível, horas de bomba e análise da água. A resposta exata está nas condicionantes da sua portaria e, em estados como Minas Gerais, na norma estadual.

De quanto em quanto tempo preciso medir o nível do poço?

Depende da portaria. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 manda medir o nível estático em intervalo definido na outorga, nunca maior que seis meses. Uma medição é na seca e outra na chuva. Na portaria do Imasul (MS) que conferimos, o volume é registrado todo mês e os níveis estático e dinâmico são medidos na seca e no período chuvoso.

O que precisa ter o relatório de monitoramento do poço?

Identificação da portaria e do poço, planilha de volume com as leituras do hidrômetro, horas de bomba e níveis estático e dinâmico com data. Entram também o registro de falhas e, quando a portaria pedir, o boletim de análise da água. Feche com a leitura dos resultados e a assinatura do responsável técnico; em Minas Gerais os dados precisam ser atestados por profissional habilitado, com ART.

Para quem e quando eu envio o relatório?

Na portaria do Imasul (MS) que conferimos, o relatório vai ao órgão todo ano, no mês de aniversário do ato. Em Minas Gerais, as planilhas são apresentadas na renovação, na fiscalização ou quando o IGAM pedir. Em bacia com cobrança, a DAURH vai até o último dia útil de março. Quem capta em rio da União envia a DAURH à ANA até 31 de janeiro. Nos demais casos, siga o prazo escrito na sua portaria.

Posso fazer o monitoramento em planilha à mão?

Pode, se a portaria não exigir outra forma. A norma de Minas aceita planilha impressa e digital e também plataforma on-line. O cuidado é não deixar dias sem registro, porque o dado faltante não se recupera depois.

O que acontece se eu não cumprir as condicionantes?

Usar a água em desacordo com a outorga é infração pela Lei 9.433/1997, com multa federal de R$ 100 a R$ 50 milhões. Cada estado tem sua tabela. Além da multa, o art. 15 da mesma lei permite suspender a outorga por descumprimento dos seus termos, e a portaria do Imasul repete essa possibilidade.

Resumo: o que medir e o que entregar para manter a outorga em dia

O órgão ambiental exige monitoramento do poço na outorga: medir vazão, horas de bomba e nível e, em alguns estados, coletar amostras da água. Depois, guardar as planilhas e montar o relatório de monitoramento. As regras e os prazos estão nas condicionantes da portaria e nas normas do seu estado. Quem registra desde o primeiro dia entrega o relatório sem correria e renova sem susto.

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Quer saber o que a sua portaria exige e receber o relatório pronto, sem anotar à mão? Mande a foto da portaria no WhatsApp e dizemos o que medir e o que entregar ao órgão.

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