Qual Medidor de Vazão Usar na Saída do Poço para a Outorga

Atualizado: há 6 dias
Resposta rápida: para a outorga, o medidor de vazão na saída do poço precisa medir a vazão e totalizar o volume captado, ficar logo depois do poço e antes de qualquer desvio, em local de fácil leitura. Na maioria dos poços isso é um hidrômetro (velocimétrico ou Woltmann) dimensionado para a vazão da bomba. O eletromagnético entra quando o órgão exige ou quando a água traz areia. O que vale no seu caso está na portaria e na norma do seu estado.
Na prática, a pergunta que mais ouvimos não é "qual a melhor marca", e sim "esse medidor vai ser aceito pelo órgão?". Neste guia você vê o que as normas de Minas Gerais e São Paulo dizem sobre o medidor, como escolher pelo tamanho do poço e os erros de instalação que travam a renovação.

Vai instalar ou trocar o medidor do poço? Mande a vazão da bomba e o diâmetro do cano no WhatsApp que dizemos qual medidor atende a sua outorga.
O órgão exige um tipo específico de medidor de vazão?
Em geral, não exige uma marca nem um único modelo: exige que o equipamento meça a vazão e registre o volume retirado do poço de forma confiável. Alguns estados escreveram em norma quais tipos aceitam e onde o medidor deve ficar.
Em Minas Gerais, a Portaria IGAM nº 48/2019 manda instalar sistema de medição e horímetro em todo poço tubular profundo passível de outorga (art. 22). Ela define sistema de medição como o conjunto de equipamentos que registre e permita monitorar os volumes retirados, ou um método de medição de vazão com eficiência técnica comprovada (art. 16).
Em São Paulo, a Portaria DAEE nº 5.578/2018 exige, em cada captação, equipamento de medição de vazão e totalizador de volume. A Portaria DAEE nº 4.676/2019 alterou essa regra para aceitar também hidrômetros mecânicos e eletrônicos, que devem ser dimensionados pelo volume máximo diário outorgado sem passar da vazão máxima de cada medidor. Em área de restrição e controle de uso, o órgão pode exigir transmissão dos dados de vazão em tempo real (art. 5º).
Nos outros estados, o hidrômetro aparece como exigência ou como documento. A IN SEMA 12/2025 pede hidrômetro mesmo no poço dispensado de outorga no Rio Grande do Sul (art. 6º). No Espírito Santo, a IN AGERH 002/2017 exige hidrômetro (art. 30). No Paraná, a lista de documentos do SIGARH pede foto do poço com hidrômetro na renovação, e no Rio de Janeiro a NOP-INEA-38 (Res. INEA 172/2019) pede fotos do poço com hidrômetro. Nos demais estados, confira o formulário do órgão.
Quais medidores de vazão servem para a saída do poço?
Quatro tipos aparecem na saída de poço. Todos medem água em cano cheio (conduto forçado), que é o caso do poço com bomba submersa.
Tipo | Quando costuma ser usado | Ponto de atenção para a outorga |
Hidrômetro velocimétrico (unijato ou multijato) | Poço de casa, sítio e pequena vazão | Tem peças móveis: areia e ferro desgastam e travam a leitura |
Hidrômetro Woltmann | Vazões maiores, cano de diâmetro maior | Precisa de trecho reto de cano antes e depois, conforme o fabricante |
Medidor eletromagnético | Vazão alta, água com sedimento, exigência do órgão | Precisa de alimentação (rede ou bateria) e cano sempre cheio |
Medidor ultrassônico | Medição sem cortar o cano, conferência | Pode não ser aceito como medidor oficial: confirme com o órgão |
Em São Paulo, a norma abre a porta para outros equipamentos: o Diretor de Bacia pode aceitar um medidor diferente se o usuário pedir e apresentar as especificações técnicas (Portaria DAEE 5.578/2018, art. 4º, § 2º). Ou seja, fora dos tipos citados na norma, peça a aceitação antes de comprar.
Quer comparar os tipos com mais detalhe? Veja medidores de vazão de água: tipos e como escolher, o guia do hidrômetro Woltmann para poço artesiano e o do medidor de vazão eletromagnético.

Como escolher o tamanho do medidor de vazão do poço?
Escolha pela vazão que a bomba entrega, não pelo diâmetro do cano. O medidor precisa trabalhar dentro da faixa de vazão indicada pelo fabricante, e a norma paulista é clara: ele não pode ser usado acima da sua vazão máxima.
Pegue a vazão real da bomba (do teste de vazão ou da medição atual) e a vazão outorgada na portaria.
Escolha um medidor cuja faixa de trabalho cubra essa vazão com folga, olhando a tabela do fabricante, não só o diâmetro da rosca.
Veja a água: se o poço traz areia ou muito ferro, prefira um medidor sem peças móveis no caminho da água ou instale um filtro antes, conforme orientação do fabricante.
Confira a instalação exigida pelo fabricante: trechos retos de cano antes e depois, posição (horizontal ou vertical) e proteção.
Pense na leitura: se você quer acompanhar pelo celular, escolha um modelo com saída de sinal (por exemplo, saída de pulso).
Medidor grande demais para a vazão do poço lê mal nas vazões baixas. Medidor pequeno demais trabalha acima do limite e se desgasta rápido. Nos dois casos, o volume registrado deixa de ser confiável justamente na hora de provar o uso ao órgão. Em São Paulo, confira também o volume máximo diário outorgado, que é a base de dimensionamento na regra da Portaria DAEE 4.676/2019. Se tiver dúvida sobre qual número usar, veja a diferença entre vazão de explotação, vazão máxima e vazão outorgada.
Onde instalar o medidor de vazão na saída do poço?
Logo depois do poço, antes de qualquer derivação, em local de livre acesso e com o cano visível entre o poço e o medidor. É isso que as normas de Minas e de São Paulo pedem.
Antes de qualquer desvio: a Portaria IGAM 48/2019 manda instalar o sistema de medição antes de qualquer interferência que possa desviar a vazão captada, de preferência perto do ponto de captação (art. 17). A Portaria DAEE 5.578/2018 diz o mesmo: antes de qualquer derivação (art. 4º, § 5º). Outro local só é aceito em exceção: em Minas, para captação já instalada ou com inviabilidade técnica, comprovada no processo de outorga (art. 17, § 2º); em São Paulo, por impossibilidade ou inconveniência, com concordância do Diretor de Bacia (art. 4º, § 5º).
Cano à vista: em Minas, todo o trecho entre o poço e o medidor deve ficar visível (art. 17). Um "T" escondido antes do hidrômetro é o tipo de coisa que a fiscalização procura.
Leitura fácil no local: o medidor e o horímetro devem permitir que o fiscal confira os dados de forma clara e simples no próprio poço (Portaria IGAM 48/2019, art. 19).
Torneira de coleta depois do medidor: em Minas, o ponto de coleta de água fica depois do sistema de medição (art. 23, § 1º).
Protegido: em São Paulo, a instalação deve proteger o medidor de calor acima do especificado, umidade, vibração e sol direto (art. 4º, § 6º).
Junto com o medidor, o poço precisa do tubo auxiliar para medir o nível da água. A norma paulista pede diâmetro interno mínimo de 3/4 de polegada, preso em toda a extensão da tubulação edutora (Portaria DAEE 5.578/2018, art. 4º, III). Para medir esse nível sem descer trena, veja o sensor de nível submersível.

Que documentos do hidrômetro do poço o órgão pode pedir?
Além do medidor instalado, guarde os papéis dele. Em São Paulo, na fiscalização, o usuário pode ter que apresentar a nota fiscal do equipamento, as especificações do fabricante, a certificação pelo INMETRO ou ISO e um memorial descritivo da instalação com fotos, assinado por responsável técnico habilitado (Portaria DAEE 5.578/2018, art. 3º).
A mesma portaria diz que a aferição e a calibração são do usuário, seguindo o fabricante e o INMETRO, no mínimo a cada renovação da outorga (art. 2º, § 3º). O órgão pode ainda lacrar o medidor, e qualquer violação deve ser comunicada (art. 6º).
Em Minas, o medidor sozinho não basta: a vazão e o tempo de captação precisam ser registrados todo dia, em planilha impressa e digital, para apresentar na renovação ou na fiscalização (Portaria IGAM 48/2019, art. 25). A norma permite usar plataforma on-line para guardar as medições (art. 25, § 3º). O passo a passo completo está em monitoramento de poço exigido na outorga.

Erros comuns com o medidor de vazão na outorga
Em campo, os problemas se repetem. Quase todos aparecem só na renovação, quando já não dá para recuperar os dados.
Medidor depois da caixa d'água ou depois de uma derivação. O volume medido deixa de ser o volume tirado do poço.
Medidor escolhido pelo diâmetro do cano. Pode ficar grande ou pequeno demais para a vazão real e registrar errado.
Hidrômetro de peças móveis em poço com areia. O medidor trava ou passa a marcar menos, e ninguém percebe por meses.
Sem horímetro. Em Minas, a norma pede os dois juntos: medidor e horímetro.
Leitura anotada "de vez em quando". Quando a portaria pede registro diário, buraco na planilha é descumprimento.
Medidor sem nota fiscal nem especificação guardada. Em São Paulo, esses documentos podem ser pedidos na fiscalização.
Em Minas Gerais, deixar de instalar medição e horímetro quando exigido, ou não apresentar os dados quando pedidos na fiscalização, é infração própria (código 216 do Decreto 47.383/2018). A Lei 9.433/1997, que vale para todo o país, prevê multa de R$ 100 a R$ 50 milhões para infrações como usar água em desacordo com a outorga (art. 50); cada estado aplica também a sua própria tabela de penalidades.
Como acompanhar a vazão do poço pelo celular?
Com um medidor que tenha saída de sinal ligado a um sistema de monitoramento, a vazão e o volume ficam registrados sozinhos, todo dia, sem ninguém anotar à mão. É o que o HIDROPAAS faz: junta vazão, nível do poço e horas de bomba no mesmo painel, com alertas no celular e relatórios para a renovação da outorga.
A PAAS trabalha com poços desde 1985, e o HIDROPAAS tem geólogo responsável com registro no CREA. Antes de indicar o medidor, olhamos a portaria, a vazão da bomba e a água do poço.
Ainda não tem a outorga do poço? O guia de outorga de poço artesiano da PAAS explica o processo.
Veja também: como provar a vazão outorgada do poço na fiscalização.
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Medição de vazão e declaração de uso no pivô:
Perguntas frequentes
Qualquer hidrômetro serve para a outorga do poço?
Não necessariamente. Ele precisa medir a vazão e totalizar o volume, estar dimensionado para a vazão da bomba e instalado antes de qualquer derivação. Em São Paulo, na fiscalização, podem pedir a certificação do medidor pelo INMETRO ou ISO, então prefira um modelo certificado. Confira a sua portaria antes de comprar.
Preciso de medidor eletromagnético no poço?
Só se a portaria ou o órgão exigirem, ou se a água tiver areia que estrague medidores com peças móveis. Em São Paulo, a regra atual aceita hidrômetros mecânicos e eletrônicos; em área de restrição, o órgão pode exigir transmissão da vazão em tempo real.
Posso usar medidor ultrassônico de fixação externa?
Ele é útil para conferir a vazão sem cortar o cano, mas não aparece como tipo padrão nas normas que conferimos. Em São Paulo, outro equipamento pode ser aceito se você pedir ao Diretor de Bacia com as especificações. Peça a aceitação por escrito antes de usar como medidor oficial.
O medidor pode ficar longe do poço?
A regra é ficar perto do poço e antes de qualquer desvio. Minas e São Paulo admitem outro local só em exceção: em Minas, para captação já instalada ou com inviabilidade técnica, comprovada no processo de outorga; em São Paulo, com concordância do Diretor de Bacia. Sem isso, instale na saída do poço.
De quanto em quanto tempo o medidor precisa ser aferido?
Em São Paulo, a Portaria DAEE 5.578/2018 manda aferir e calibrar pelo menos a cada renovação da outorga, seguindo o fabricante e o INMETRO, ou quando o órgão pedir. Nos outros estados, siga a portaria e a recomendação do fabricante.
Preciso de horímetro além do medidor de vazão?
Em Minas Gerais, sim: a Portaria IGAM 48/2019 exige sistema de medição e horímetro em todo poço tubular passível de outorga. O horímetro prova as horas de bombeamento por dia. Em outros estados, a exigência costuma estar nas condicionantes da portaria.
Resumo: qual medidor usar na saída do poço
Para a outorga, use um medidor que meça vazão e totalize volume, dimensionado pela vazão da bomba, instalado logo depois do poço e antes de qualquer desvio, com o cano à vista e leitura fácil. Na maioria dos poços é um hidrômetro; o eletromagnético entra quando o órgão exige ou a água tem areia. Guarde nota fiscal e especificações e registre as leituras desde o primeiro dia.
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Quer acertar o medidor de primeira? Mande a vazão da bomba, o diâmetro do cano e o estado do poço no WhatsApp que indicamos o medidor que atende a sua outorga.
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