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Qual Medidor de Vazão Usar na Saída do Poço para a Outorga

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
1 de out.
9 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Resposta rápida: para a outorga, o medidor de vazão na saída do poço precisa medir a vazão e totalizar o volume captado, ficar logo depois do poço e antes de qualquer desvio, em local de fácil leitura. Na maioria dos poços isso é um hidrômetro (velocimétrico ou Woltmann) dimensionado para a vazão da bomba. O eletromagnético entra quando o órgão exige ou quando a água traz areia. O que vale no seu caso está na portaria e na norma do seu estado.

Na prática, a pergunta que mais ouvimos não é "qual a melhor marca", e sim "esse medidor vai ser aceito pelo órgão?". Neste guia você vê o que as normas de Minas Gerais e São Paulo dizem sobre o medidor, como escolher pelo tamanho do poço e os erros de instalação que travam a renovação.

Medidor de vazão na saída do poço para outorga: hidrômetro instalado no cabeçote do poço

Vai instalar ou trocar o medidor do poço? Mande a vazão da bomba e o diâmetro do cano no WhatsApp que dizemos qual medidor atende a sua outorga.

O órgão exige um tipo específico de medidor de vazão?

Em geral, não exige uma marca nem um único modelo: exige que o equipamento meça a vazão e registre o volume retirado do poço de forma confiável. Alguns estados escreveram em norma quais tipos aceitam e onde o medidor deve ficar.

Em Minas Gerais, a Portaria IGAM nº 48/2019 manda instalar sistema de medição e horímetro em todo poço tubular profundo passível de outorga (art. 22). Ela define sistema de medição como o conjunto de equipamentos que registre e permita monitorar os volumes retirados, ou um método de medição de vazão com eficiência técnica comprovada (art. 16).

Em São Paulo, a Portaria DAEE nº 5.578/2018 exige, em cada captação, equipamento de medição de vazão e totalizador de volume. A Portaria DAEE nº 4.676/2019 alterou essa regra para aceitar também hidrômetros mecânicos e eletrônicos, que devem ser dimensionados pelo volume máximo diário outorgado sem passar da vazão máxima de cada medidor. Em área de restrição e controle de uso, o órgão pode exigir transmissão dos dados de vazão em tempo real (art. 5º).

Nos outros estados, o hidrômetro aparece como exigência ou como documento. A IN SEMA 12/2025 pede hidrômetro mesmo no poço dispensado de outorga no Rio Grande do Sul (art. 6º). No Espírito Santo, a IN AGERH 002/2017 exige hidrômetro (art. 30). No Paraná, a lista de documentos do SIGARH pede foto do poço com hidrômetro na renovação, e no Rio de Janeiro a NOP-INEA-38 (Res. INEA 172/2019) pede fotos do poço com hidrômetro. Nos demais estados, confira o formulário do órgão.

Quais medidores de vazão servem para a saída do poço?

Quatro tipos aparecem na saída de poço. Todos medem água em cano cheio (conduto forçado), que é o caso do poço com bomba submersa.

Tipo

Quando costuma ser usado

Ponto de atenção para a outorga

Hidrômetro velocimétrico (unijato ou multijato)

Poço de casa, sítio e pequena vazão

Tem peças móveis: areia e ferro desgastam e travam a leitura

Hidrômetro Woltmann

Vazões maiores, cano de diâmetro maior

Precisa de trecho reto de cano antes e depois, conforme o fabricante

Medidor eletromagnético

Vazão alta, água com sedimento, exigência do órgão

Precisa de alimentação (rede ou bateria) e cano sempre cheio

Medidor ultrassônico

Medição sem cortar o cano, conferência

Pode não ser aceito como medidor oficial: confirme com o órgão

Em São Paulo, a norma abre a porta para outros equipamentos: o Diretor de Bacia pode aceitar um medidor diferente se o usuário pedir e apresentar as especificações técnicas (Portaria DAEE 5.578/2018, art. 4º, § 2º). Ou seja, fora dos tipos citados na norma, peça a aceitação antes de comprar.

Infográfico: qual medidor de vazão usar na saída do poço para a outorga

Como escolher o tamanho do medidor de vazão do poço?

Escolha pela vazão que a bomba entrega, não pelo diâmetro do cano. O medidor precisa trabalhar dentro da faixa de vazão indicada pelo fabricante, e a norma paulista é clara: ele não pode ser usado acima da sua vazão máxima.

  1. Pegue a vazão real da bomba (do teste de vazão ou da medição atual) e a vazão outorgada na portaria.

  2. Escolha um medidor cuja faixa de trabalho cubra essa vazão com folga, olhando a tabela do fabricante, não só o diâmetro da rosca.

  3. Veja a água: se o poço traz areia ou muito ferro, prefira um medidor sem peças móveis no caminho da água ou instale um filtro antes, conforme orientação do fabricante.

  4. Confira a instalação exigida pelo fabricante: trechos retos de cano antes e depois, posição (horizontal ou vertical) e proteção.

  5. Pense na leitura: se você quer acompanhar pelo celular, escolha um modelo com saída de sinal (por exemplo, saída de pulso).

Medidor grande demais para a vazão do poço lê mal nas vazões baixas. Medidor pequeno demais trabalha acima do limite e se desgasta rápido. Nos dois casos, o volume registrado deixa de ser confiável justamente na hora de provar o uso ao órgão. Em São Paulo, confira também o volume máximo diário outorgado, que é a base de dimensionamento na regra da Portaria DAEE 4.676/2019. Se tiver dúvida sobre qual número usar, veja a diferença entre vazão de explotação, vazão máxima e vazão outorgada.

Onde instalar o medidor de vazão na saída do poço?

Logo depois do poço, antes de qualquer derivação, em local de livre acesso e com o cano visível entre o poço e o medidor. É isso que as normas de Minas e de São Paulo pedem.

  • Antes de qualquer desvio: a Portaria IGAM 48/2019 manda instalar o sistema de medição antes de qualquer interferência que possa desviar a vazão captada, de preferência perto do ponto de captação (art. 17). A Portaria DAEE 5.578/2018 diz o mesmo: antes de qualquer derivação (art. 4º, § 5º). Outro local só é aceito em exceção: em Minas, para captação já instalada ou com inviabilidade técnica, comprovada no processo de outorga (art. 17, § 2º); em São Paulo, por impossibilidade ou inconveniência, com concordância do Diretor de Bacia (art. 4º, § 5º).

  • Cano à vista: em Minas, todo o trecho entre o poço e o medidor deve ficar visível (art. 17). Um "T" escondido antes do hidrômetro é o tipo de coisa que a fiscalização procura.

  • Leitura fácil no local: o medidor e o horímetro devem permitir que o fiscal confira os dados de forma clara e simples no próprio poço (Portaria IGAM 48/2019, art. 19).

  • Torneira de coleta depois do medidor: em Minas, o ponto de coleta de água fica depois do sistema de medição (art. 23, § 1º).

  • Protegido: em São Paulo, a instalação deve proteger o medidor de calor acima do especificado, umidade, vibração e sol direto (art. 4º, § 6º).

Junto com o medidor, o poço precisa do tubo auxiliar para medir o nível da água. A norma paulista pede diâmetro interno mínimo de 3/4 de polegada, preso em toda a extensão da tubulação edutora (Portaria DAEE 5.578/2018, art. 4º, III). Para medir esse nível sem descer trena, veja o sensor de nível submersível.

Infográfico: ordem de instalação do medidor de vazão na saída do poço para a outorga

Que documentos do hidrômetro do poço o órgão pode pedir?

Além do medidor instalado, guarde os papéis dele. Em São Paulo, na fiscalização, o usuário pode ter que apresentar a nota fiscal do equipamento, as especificações do fabricante, a certificação pelo INMETRO ou ISO e um memorial descritivo da instalação com fotos, assinado por responsável técnico habilitado (Portaria DAEE 5.578/2018, art. 3º).

A mesma portaria diz que a aferição e a calibração são do usuário, seguindo o fabricante e o INMETRO, no mínimo a cada renovação da outorga (art. 2º, § 3º). O órgão pode ainda lacrar o medidor, e qualquer violação deve ser comunicada (art. 6º).

Em Minas, o medidor sozinho não basta: a vazão e o tempo de captação precisam ser registrados todo dia, em planilha impressa e digital, para apresentar na renovação ou na fiscalização (Portaria IGAM 48/2019, art. 25). A norma permite usar plataforma on-line para guardar as medições (art. 25, § 3º). O passo a passo completo está em monitoramento de poço exigido na outorga.

Técnico conferindo a leitura do medidor de vazão na saída do poço

Erros comuns com o medidor de vazão na outorga

Em campo, os problemas se repetem. Quase todos aparecem só na renovação, quando já não dá para recuperar os dados.

  • Medidor depois da caixa d'água ou depois de uma derivação. O volume medido deixa de ser o volume tirado do poço.

  • Medidor escolhido pelo diâmetro do cano. Pode ficar grande ou pequeno demais para a vazão real e registrar errado.

  • Hidrômetro de peças móveis em poço com areia. O medidor trava ou passa a marcar menos, e ninguém percebe por meses.

  • Sem horímetro. Em Minas, a norma pede os dois juntos: medidor e horímetro.

  • Leitura anotada "de vez em quando". Quando a portaria pede registro diário, buraco na planilha é descumprimento.

  • Medidor sem nota fiscal nem especificação guardada. Em São Paulo, esses documentos podem ser pedidos na fiscalização.

Em Minas Gerais, deixar de instalar medição e horímetro quando exigido, ou não apresentar os dados quando pedidos na fiscalização, é infração própria (código 216 do Decreto 47.383/2018). A Lei 9.433/1997, que vale para todo o país, prevê multa de R$ 100 a R$ 50 milhões para infrações como usar água em desacordo com a outorga (art. 50); cada estado aplica também a sua própria tabela de penalidades.

Como acompanhar a vazão do poço pelo celular?

Com um medidor que tenha saída de sinal ligado a um sistema de monitoramento, a vazão e o volume ficam registrados sozinhos, todo dia, sem ninguém anotar à mão. É o que o HIDROPAAS faz: junta vazão, nível do poço e horas de bomba no mesmo painel, com alertas no celular e relatórios para a renovação da outorga.

A PAAS trabalha com poços desde 1985, e o HIDROPAAS tem geólogo responsável com registro no CREA. Antes de indicar o medidor, olhamos a portaria, a vazão da bomba e a água do poço.

Ainda não tem a outorga do poço? O guia de outorga de poço artesiano da PAAS explica o processo.

Leia também sobre monitoramento de pivô

Medição de vazão e declaração de uso no pivô:

Perguntas frequentes

Qualquer hidrômetro serve para a outorga do poço?

Não necessariamente. Ele precisa medir a vazão e totalizar o volume, estar dimensionado para a vazão da bomba e instalado antes de qualquer derivação. Em São Paulo, na fiscalização, podem pedir a certificação do medidor pelo INMETRO ou ISO, então prefira um modelo certificado. Confira a sua portaria antes de comprar.

Preciso de medidor eletromagnético no poço?

Só se a portaria ou o órgão exigirem, ou se a água tiver areia que estrague medidores com peças móveis. Em São Paulo, a regra atual aceita hidrômetros mecânicos e eletrônicos; em área de restrição, o órgão pode exigir transmissão da vazão em tempo real.

Posso usar medidor ultrassônico de fixação externa?

Ele é útil para conferir a vazão sem cortar o cano, mas não aparece como tipo padrão nas normas que conferimos. Em São Paulo, outro equipamento pode ser aceito se você pedir ao Diretor de Bacia com as especificações. Peça a aceitação por escrito antes de usar como medidor oficial.

O medidor pode ficar longe do poço?

A regra é ficar perto do poço e antes de qualquer desvio. Minas e São Paulo admitem outro local só em exceção: em Minas, para captação já instalada ou com inviabilidade técnica, comprovada no processo de outorga; em São Paulo, com concordância do Diretor de Bacia. Sem isso, instale na saída do poço.

De quanto em quanto tempo o medidor precisa ser aferido?

Em São Paulo, a Portaria DAEE 5.578/2018 manda aferir e calibrar pelo menos a cada renovação da outorga, seguindo o fabricante e o INMETRO, ou quando o órgão pedir. Nos outros estados, siga a portaria e a recomendação do fabricante.

Preciso de horímetro além do medidor de vazão?

Em Minas Gerais, sim: a Portaria IGAM 48/2019 exige sistema de medição e horímetro em todo poço tubular passível de outorga. O horímetro prova as horas de bombeamento por dia. Em outros estados, a exigência costuma estar nas condicionantes da portaria.

Resumo: qual medidor usar na saída do poço

Para a outorga, use um medidor que meça vazão e totalize volume, dimensionado pela vazão da bomba, instalado logo depois do poço e antes de qualquer desvio, com o cano à vista e leitura fácil. Na maioria dos poços é um hidrômetro; o eletromagnético entra quando o órgão exige ou a água tem areia. Guarde nota fiscal e especificações e registre as leituras desde o primeiro dia.

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Quer acertar o medidor de primeira? Mande a vazão da bomba, o diâmetro do cano e o estado do poço no WhatsApp que indicamos o medidor que atende a sua outorga.

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