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Tarifa Verde ou Azul: Qual Modalidade Escolher no Grupo A

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 2 dias
8 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Tarifa verde ou azul: as duas são modalidades horárias do Grupo A e diferem na cobrança da demanda. Na Azul, consumo e demanda mudam de preço na ponta; na Verde, só o consumo muda e a demanda tem tarifa única. A Verde só está disponível para os subgrupos A3a, A4 e AS, segundo a ANEEL. Pouco uso na ponta tende a favorecer a Verde; carga alta e contínua nesse horário pede simulação da Azul.

Tela de monitoramento com gráficos de consumo e níveis — tarifa verde ou azul

Qual a diferença entre tarifa verde e azul?

Verde e Azul são as modalidades tarifárias horárias do Grupo A, que reúne, em geral, quem é atendido em média ou alta tensão. Modalidade tarifária é a regra que define como a distribuidora cobra consumo e demanda na fatura.

Consumo é a energia gasta no mês, medida em kWh. Demanda é a maior potência média registrada pelo medidor no ciclo, em kW, e tem um valor contratado com a distribuidora.

Na definição da ANEEL para as modalidades tarifárias, a Horária Azul aplica tarifas diferentes por posto horário ao consumo e à demanda. Posto horário é cada faixa do dia com preço próprio. A Azul vale para todos os subgrupos do Grupo A.

A Horária Verde diferencia por posto só o consumo. A demanda tem tarifa única, que não muda com o horário. Essa opção existe apenas para os subgrupos A3a, A4 e AS, e o seu subgrupo aparece na fatura.

Horário de ponta e fora de ponta: como funciona

Segundo a página de postos tarifários da ANEEL, o horário de ponta é um período de 3 horas diárias consecutivas, exceto sábados, domingos e feriados nacionais. O restante do tempo é fora de ponta.

Cada distribuidora define o seu horário de ponta na revisão tarifária. Por isso, uma indústria e uma fazenda em áreas de concessão diferentes podem ter janelas distintas. Confira o horário na fatura, no contrato ou no site da sua distribuidora.

Nas duas modalidades, o kWh consumido na ponta custa mais que o de fora de ponta. O que muda é onde esse horário aparece na conta: só no consumo, na Verde, ou no consumo e na demanda, na Azul.

Tarifa verde ou azul: comparação lado a lado

A tabela resume as regras da ANEEL para cada modalidade. A linha "Perfil que costuma se beneficiar" traz um perfil qualitativo, que precisa ser confirmado com as tarifas da sua distribuidora e com o seu histórico de consumo.

Critério

Tarifa Verde

Tarifa Azul

Quem pode aderir

Só os subgrupos A3a, A4 e AS

Todos os subgrupos do Grupo A

Como cobra o consumo (kWh)

Preço diferente na ponta e fora de ponta

Preço diferente na ponta e fora de ponta

Como cobra a demanda (kW)

Tarifa única, sem diferença de horário

Preço diferente na ponta e fora de ponta

Onde a ponta pesa na conta

No consumo registrado na ponta

No consumo e na demanda registrados na ponta

Perfil que costuma se beneficiar

Quem usa pouca energia na ponta ou consegue desligar cargas nesse horário

Quem precisa manter carga relevante ligada na ponta, de forma contínua

Como a demanda aparece na fatura

Uma demanda única

Demanda de ponta e fora de ponta

Notebook com relatório de monitoramento aberto em uma mesa de escritório — tarifa verde ou azul

Como decidir entre Verde e Azul na prática

A modalidade certa sai de uma simulação com os seus números, não de regra de bolso. O roteiro abaixo serve para indústria, condomínio atendido em média tensão e propriedade com irrigação.

  1. Confirme subgrupo e modalidade atual. Os dois estão na fatura. Se o subgrupo não for A3a, A4 ou AS, a Verde fica fora da comparação.

  2. Junte o histórico de faturas, incluindo os meses de maior carga. Anote o consumo na ponta, o consumo fora de ponta e a demanda registrada. Na Verde, a fatura mostra uma demanda única: consulte a distribuidora sobre o histórico por posto ou meça no quadro com o medidor adequado. O histórico precisa captar safra, férias e picos sazonais.

  3. Baixe as tarifas vigentes da sua distribuidora. Pegue os valores de cada modalidade e posto, tanto da tarifa de uso do sistema (TUSD) quanto da tarifa de energia (TE).

  4. Recalcule o mesmo histórico nas duas modalidades. Use os mesmos dados nas duas contas e compare o total do período, não um mês isolado.

  5. Simule o deslocamento de cargas. Refaça a conta com bombas de poço, irrigação, bombas de recalque ou compressores fora da ponta. A melhor modalidade pode mudar.

  6. Revise a demanda contratada de cada cenário. A economia da modalidade pode sumir com cobrança de ultrapassagem por demanda contratada curta.

  7. Valide com a distribuidora. Confirme regras, prazos e condições do contrato antes de pedir a troca.

Estrutura da conta com variáveis

Monte a conta mensal de cada modalidade com as tarifas da sua distribuidora. A estrutura abaixo é simplificada e deixa de fora impostos, bandeiras, energia reativa e ultrapassagem.

  • Verde = (Cp × TVp) + (Cf × TVf) + (D × TVd)

  • Azul = (Cp × TAp) + (Cf × TAf) + (Dp × TAdp) + (Df × TAdf)

Cp e Cf são o consumo na ponta e fora de ponta, em kWh. D é a demanda única da Verde; Dp e Df são as demandas de ponta e fora de ponta da Azul, em kW. Cada T é a tarifa da sua distribuidora para aquele item: TV e TA indicam Verde e Azul; p e f, ponta e fora de ponta; d, demanda (TAdp = demanda de ponta da Azul).

D, Dp e Df são as demandas faturadas que aparecem na sua conta. A estrutura é derivada das definições da ANEEL, não é fórmula oficial.

A diferença se concentra na ponta: na Verde, o custo desse horário fica no kWh de ponta (Cp × TVp); na Azul, ele se divide entre o kWh de ponta (Cp × TAp) e a demanda de ponta (Dp × TAdp). Na Azul, a demanda de ponta é cobrada mesmo que a carga fique pouco tempo ligada nesse horário. Compare TVp com TAp nas tarifas da sua distribuidora. Por isso, pouco consumo na ponta tende a favorecer a Verde. Com carga alta na ponta em todos os dias úteis, teste a Azul com atenção.

Onde o monitoramento entra na escolha

Sem consumo e demanda separados por posto horário, a simulação fica incompleta. A fatura mostra os totais do mês, mas não diz qual equipamento puxou a demanda na ponta.

Com monitoramento de energia elétrica no quadro e o sensor ou medidor adequado, você acompanha a carga hora a hora nos equipamentos monitorados. Isso ajuda a ver o que roda na ponta e o que pode sair desse horário.

Os motores costumam ser o alvo. Segundo dado do PROCEL citado pelo Jornal da USP em julho de 2026, motores elétricos respondem por 68% da energia elétrica consumida nas fábricas. Bombas e compressores estão nessa conta.

Tirar bombas da ponta com automação

Medir mostra a oportunidade; automatizar faz com que ela se repita todo dia útil. Com automação de bomba por horário, a bomba desliga antes da ponta e religa depois, sem depender de alguém lembrar.

Na casa de bombas, o reservatório funciona como pulmão: enche fora de ponta e abastece durante a ponta. O volume precisa cobrir todo o horário de ponta.

Irrigante: cruze a ponta com a janela do desconto

Pela Portaria Normativa MME nº 137/2026, de junho de 2026, o desconto de irrigação vale por 8h30 por dia, contínuas ou em até 3 blocos. Das 17h às 21h30 não há desconto, como informa a Neoenergia. Coloque essa regra e o horário de ponta na mesma simulação. Na CPFL e na Neoenergia, o desconto também exige outorga, licença ambiental e medição separada; veja o guia do desconto irrigante.

Antes de trocar de modalidade: o que conferir

A mudança de modalidade segue as regras da distribuidora e do seu contrato de fornecimento. Prazos e condições podem variar, então confirme tudo com a distribuidora antes de solicitar.

A demanda contratada muda junto: na Azul, ela é contratada por posto; na Verde, é um valor único. Revise esses números na mesma conversa.

Demanda contratada curta pode custar caro. Segundo a Copel e a Cemig, há cobrança quando a demanda medida supera a contratada em mais de 5%. O valor é (demanda medida menos demanda contratada) × 2 × tarifa de demanda. Veja como calcular e evitar a multa por ultrapassagem de demanda.

Demanda folgada também pesa, porque reduzir tem prazo. Na CPFL, por exemplo, a redução só vale após 90 dias no A4 ou 180 dias nos demais subgrupos. E cabe no máximo uma redução a cada 12 ciclos.

E no Grupo B? A Tarifa Branca

Verde e Azul existem só no Grupo A. Em baixa tensão, a opção com preço por horário é a Tarifa Branca.

Segundo a ANEEL, em página atualizada em novembro de 2025, podem aderir as classes B1 residencial, B2 rural e B3 demais classes. Baixa renda com benefício social e B4 iluminação pública ficam de fora.

Nos dias úteis há três postos: ponta, intermediário e fora de ponta. Fins de semana e feriados são só fora de ponta. Depois do pedido, a distribuidora troca o medidor em até 30 dias.

Mercado livre muda essa conta?

É outra decisão. Pela Portaria MME nº 50/2022, desde 1º de janeiro de 2024 todo o Grupo A pode escolher seu fornecedor de energia. Cargas abaixo de 500 kW precisam de comercializador varejista na CCEE.

Mesmo no mercado livre, o uso da rede continua faturado pela distribuidora, então medir por horário segue útil. Avalie a migração em uma análise própria.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS mede e automatiza as cargas que mais pesam na escolha entre Verde e Azul, principalmente bombas.

  • Sensor de corrente instalado no quadro elétrico, sem trocar nem mexer no medidor da distribuidora.

  • Integração de sensores e medidores de mercado, como multimedidor com saída de dados, para acompanhar o consumo por horário com o sensor adequado.

  • Programação por horário para desligar bombas antes da ponta e religar depois.

  • Liga e desliga remoto pelo aplicativo, quando a operação foge do previsto.

  • Acionamento por nível do reservatório, para encher fora de ponta e manter reserva para a ponta.

  • Desligamento automático em falha elétrica.

  • Água e energia no mesmo painel, com alertas no celular e relatórios.

A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável (CREA). A decisão final de modalidade deve ser validada com a sua distribuidora.

Perguntas frequentes

Qual é melhor, tarifa verde ou azul?

Depende do seu uso no horário de ponta. Quem consome pouco na ponta costuma pagar menos na Verde. Quem opera pesado nesse horário deve simular a Azul com o histórico de faturas, incluindo os meses de maior carga.

Quem pode escolher a tarifa verde?

Só os subgrupos A3a, A4 e AS, segundo a ANEEL. Nos demais subgrupos do Grupo A, a Verde não está disponível.

Qual é o horário de ponta da minha distribuidora?

São 3 horas consecutivas por dia, exceto sábados, domingos e feriados nacionais, conforme a ANEEL. Cada distribuidora define o horário; confira na fatura, no contrato ou no site dela.

Posso trocar de tarifa verde para azul a qualquer momento?

Não necessariamente. A troca segue regras da distribuidora e do contrato, que podem prever prazo entre mudanças. Revise a demanda junto: na CPFL, uma redução só vale após 90 dias (A4) ou 180 dias (demais subgrupos).

Conheça o sistema HIDROPAAS

Quer medir a carga das bombas por horário e tirá-las da ponta de forma automática? Veja como funciona o sistema de monitoramento HIDROPAAS.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Para medir a carga no horário de ponta antes de escolher a modalidade, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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