Energia Reativa Excedente: Como Evitar a Multa por Fator de Potência

Atualizado: há 2 dias
A multa por fator de potência é a cobrança da energia reativa excedente quando o fator de potência da instalação fica abaixo de 0,92. Essa é a referência informada por distribuidoras como Cemig e Copel, e a cobrança aparece na fatura como UFER (energia reativa excedente) e DMCR (demanda reativa excedente). Para evitá-la, meça o fator de potência continuamente, corrija a causa com projeto de engenheiro eletricista e confirme que a correção segue funcionando.

O que é energia reativa excedente
Motores, bombas, compressores e transformadores usam dois tipos de energia. A energia ativa é a que vira trabalho: gira o eixo, bombeia a água, move a esteira. A energia reativa não produz trabalho, mas cria o campo magnético sem o qual o motor não funciona.
A reativa vai e volta entre a instalação e a rede. Ela ocupa espaço nos cabos e transformadores sem produzir trabalho. Quando o fator de potência fica abaixo de 0,92, referência informada pela Copel, essa parcela vira energia reativa excedente e entra na conta.
Energia ativa e reativa na prática: o copo de chope
Pense num copo de chope. O líquido é a energia ativa, a parte que você quer. A espuma é a reativa: ocupa lugar no copo, mas não mata a sede. O copo inteiro é a potência aparente, tudo o que a rede precisa transportar.
O fator de potência indica quanto do copo é chope. Muita espuma significa fator de potência baixo: a instalação carrega um volume que não vira trabalho.
O triângulo de potências, sem fórmula
Na engenharia, essa relação é desenhada como um triângulo. Um lado é a potência ativa (kW), outro é a reativa (kvar) e o lado maior é a aparente (kVA). Quanto menor o lado da reativa, mais alto fica o fator de potência.
Fator de potência 0,92: quando a distribuidora cobra
O fator de potência de referência é 0,92. Abaixo dele, a energia reativa excedente passa a ser faturada, segundo a página da Copel sobre fator de potência e a Cemig.
No dia a dia, essa cobrança é chamada de multa. Tecnicamente, é o faturamento do excedente de reativo, cobrado junto com consumo e demanda. O efeito no caixa é o mesmo: um valor que se repete enquanto a causa continuar.
O que é UFER na fatura
UFER é a linha que cobra a energia reativa excedente, apurada quando o fator de potência fica abaixo de 0,92, conforme explica a Cemig. Se ela aparece, o fator de potência apurado pela distribuidora ficou abaixo da referência.
O que é DMCR na fatura
DMCR é a demanda reativa excedente. Segundo a página de fatura de média tensão da Cemig, ela aparece em ponta e fora de ponta quando supera a demanda faturada. Ou seja, o reativo também pesa na parte de demanda da conta.
A forma de apuração e as tarifas variam por distribuidora e por contrato. Separe as faturas dos últimos meses e procure essas siglas. Se também houver cobrança de demanda acima do contratado, entenda a multa por ultrapassagem de demanda, que tem outra causa e outra solução.
Por que o fator de potência cai: as causas a investigar
Fator de potência baixo costuma envolver cargas que dependem de campo magnético, como motores e transformadores. Nas fábricas, os motores são a maior carga. Segundo o PROCEL, citado pelo Jornal da USP em julho de 2026, motores elétricos respondem por 68% da energia elétrica consumida nas fábricas.
Motores trabalhando com pouca carga
Motor rodando em vazio ou muito abaixo da capacidade continua pedindo reativo para manter o campo magnético. A parte ativa cai, a reativa não acompanha, e o fator de potência despenca. É o caso da esteira ligada sem produto e da bomba grande demais para a vazão real.
Transformadores superdimensionados
Transformador grande para a carga real, ou energizado sem carga à noite e no fim de semana, consome reativo o tempo todo. Em agroindústria com safra e entressafra, isso costuma aparecer nos meses de pouca produção.
Banco de capacitores desligado, queimado ou mal dimensionado
O banco de capacitores fornece a energia reativa dentro da própria instalação, aliviando a rede. Quando uma célula queima, um fusível abre ou o controlador trava, a correção some sem aviso visível. Banco calculado para a fábrica de anos atrás também deixa de dar conta depois de uma ampliação.
Cargas que mudam ao longo do dia
Câmara fria entrando e saindo, turno de irrigação, moagem só em alguns horários: o perfil de carga muda a cada hora. Um banco fixo pode acertar num turno e errar no outro.

Como evitar a multa por fator de potência, passo a passo
Corrigir fator de potência sem medir é chute. O caminho seguro começa no diagnóstico, passa por um projeto e termina com acompanhamento.
1. Leia as faturas e anote UFER e DMCR
Anote os valores de UFER e DMCR mês a mês. Veja se a cobrança é constante, sazonal ou surgiu de repente. Cobrança que apareceu do nada, sem mudança na produção, pode indicar banco de capacitores com defeito.
2. Meça o fator de potência de forma contínua
A fatura mostra o resultado do mês, não a hora em que o problema acontece. Um multimedidor no quadro geral registra fator de potência, potência ativa e reativa ao longo do dia. Assim você cruza as quedas com turnos, máquinas e horários. Uma leitura com analisador portátil ajuda, mas cobre poucos dias e pode não pegar fins de semana ou entressafra.
3. Dimensione a correção com engenheiro eletricista
O banco precisa ser calculado a partir dos dados medidos, por engenheiro eletricista habilitado. Ele define se a correção será fixa, automática por estágios, junto ao transformador ou perto dos maiores motores. Instalações com inversores de frequência pedem atenção, porque harmônicos podem danificar capacitores comuns.
4. Verifique se o banco continua funcionando
Capacitor perde capacidade com o tempo e pode falhar sem aviso visível. O painel segue energizado, mas a correção não acontece. Inclua o banco na manutenção preventiva: células, fusíveis, contatores, ventilação e ajuste do controlador.
5. Cuidado com a sobrecompensação
Capacitor demais também é problema. Quando as cargas param e o banco segue ligado, a instalação fica capacitiva e a tensão pode subir, estressando equipamentos. Por isso, o ajuste do controlador deve ser feito pelo engenheiro responsável, com base nos dados medidos.
6. Revise os motores
Motor superdimensionado ou rodando em vazio piora o fator de potência e desperdiça energia. Na troca, dimensione pela carga real e desligue máquinas ociosas. Esse cuidado é base de qualquer programa de eficiência energética na indústria.
Tabela de diagnóstico: causa, sinal e correção
Causa | Sinal na medição | Correção |
Motores com pouca carga ou em vazio | Fator de potência cai quando a máquina roda sem produção | Desligar em vazio e dimensionar pela carga real na troca |
Transformador superdimensionado ou ocioso | Fator de potência baixo à noite, no fim de semana ou na entressafra | Avaliar desligamento do transformador ocioso ou correção dedicada, conforme projeto |
Banco de capacitores queimado ou desligado | Queda repentina que não volta, com a mesma rotina de produção | Manutenção do banco: células, fusíveis, contatores e controlador |
Banco mal dimensionado | Fator de potência baixo o tempo todo, mesmo com o banco operando | Novo cálculo com dados medidos, feito por engenheiro eletricista |
Cargas que variam ao longo do dia | Fator de potência oscila acompanhando partidas e paradas | Banco automático por estágios ou correção junto às maiores cargas |
Sobrecompensação | Instalação capacitiva e tensão alta quando as cargas param | Reduzir estágios e ajustar o controlador |
Por que monitorar mesmo depois de corrigir
Corrigir o fator de potência não é obra que se faz uma vez e esquece. O banco envelhece, a produção muda e novas máquinas entram na linha. Qualquer uma dessas mudanças pode trazer a cobrança de volta.
O risco é descobrir tarde. Sem medição, a queda só aparece quando a fatura chega. Até lá, o excedente já foi cobrado e o ciclo seguinte começou com o mesmo defeito.
Com monitoramento de energia elétrica contínuo e um multimedidor adequado no quadro, a queda pode ser vista no mesmo dia. Um alerta de fator de potência abaixo da referência pode dar tempo de chamar a manutenção antes que o problema se repita pelo resto do ciclo.
Fator de potência também é indicador de qualidade de energia
O fator de potência não importa só para a conta. A ANEEL lista o fator de potência entre os indicadores de qualidade do PRODIST Módulo 8, em página atualizada em 29/04/2026. O Módulo 8 reúne as regras de qualidade da energia nas redes de distribuição.
Para a empresa, o recado é o mesmo da fatura: fator de potência baixo não é só custo, é sinal de que a instalação merece revisão.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS é a plataforma de monitoramento da PAAS Poços Artesianos e Água, que atua desde 1985. Ela integra sensores e medidores de mercado: com o multimedidor adequado no quadro, a plataforma acompanha o fator de potência e alerta quando ele cai.
Instalação no quadro elétrico: sensores e medidores ficam no quadro, sem trocar nem mexer no medidor da distribuidora.
Alertas no celular: aviso quando a leitura sai da faixa definida, antes de a fatura fechar.
Água e energia no mesmo painel: bombas, reservatórios e consumo elétrico lado a lado, com relatórios.
Automações disponíveis: liga e desliga remoto pelo app, programação por horário, acionamento por nível do reservatório e desligamento automático em falha elétrica.
A plataforma não substitui o projeto do banco de capacitores. Com o multimedidor adequado, ela registra dados que ajudam o engenheiro eletricista e mostra, dia a dia, se o fator de potência se mantém acima da referência.
Perguntas frequentes
Qual o fator de potência mínimo para não pagar multa?
A referência informada pela Copel e pela Cemig é 0,92. Abaixo disso, a energia reativa excedente é faturada. Como a apuração pode variar, confira sua fatura e o contrato com a distribuidora.
O que significam UFER e DMCR na conta de energia?
UFER é a energia reativa excedente, faturada quando o fator de potência fica abaixo de 0,92. DMCR é a demanda reativa excedente, que aparece em ponta e fora de ponta quando supera a demanda faturada, conforme a Cemig.
Banco de capacitores resolve a multa por fator de potência de vez?
Resolve enquanto estiver bem dimensionado e funcionando. Capacitores perdem capacidade com o tempo e podem queimar sem aviso visível, e mudanças na produção alteram a correção necessária. Por isso vale manter manutenção preventiva e medição contínua.
Preciso trocar o medidor da distribuidora para monitorar o fator de potência?
Não. A medição paralela usa multimedidor ou sensores próprios instalados no quadro elétrico, sem mexer no medidor da distribuidora. A instalação deve ser feita por profissional habilitado, seguindo as normas de segurança em eletricidade.
Conheça o sistema HIDROPAAS
Acompanhe energia e bombas no mesmo painel e receba alertas no celular sem esperar a fatura chegar. Veja como funciona o sistema de monitoramento HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Tem UFER ou DMCR na fatura e quer descobrir a causa? Mande sua dúvida e fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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