Automação de Bomba: Acionamento Remoto, por Horário e por Nível

Atualizado: há 2 dias
Automação de bomba é comandar o motor por regras: pelo celular, por horário, pelo nível do reservatório e por desligamento automático em falha elétrica. Ela reduz idas à casa de bombas, ajuda a tirar o bombeamento do horário de ponta e reduz o risco de queimar o motor. No painel, um módulo de comando aciona o contator e um sensor de corrente confirma a partida, sem trocar o medidor da distribuidora.

Os 4 tipos de automação de bomba e o que cada um resolve
Automatizar uma bomba é trocar a decisão manual por regras programadas. Os quatro tipos resolvem problemas diferentes e podem funcionar juntos no mesmo painel.
Automação | Problema que resolve | Exemplo de uso |
Liga/desliga remoto pelo app | Deslocamento até a casa de bombas e bomba parada após queda de energia | Religar à noite o poço da fazenda sem sair de casa |
Por horário | Bomba ligada no horário de ponta ou fora da escala do desconto irrigante | Encher o reservatório antes da ponta e irrigar só na janela com desconto |
Por nível do reservatório | Transbordo, falta d'água e liga-desliga manual | Caixa d'água do condomínio que se completa sozinha |
Desligamento em falha elétrica | Motor queimado por falta de fase, subtensão ou sobrecorrente | Bomba submersa que desliga ao perder uma fase e avisa no celular |
Nas quatro, a leitura da corrente da bomba ajuda a confirmar se o motor partiu e se trabalha normalmente; na automação por nível, quem decide ligar e desligar é o sensor de nível. É o mesmo princípio do monitoramento de energia elétrica em empresas, aplicado ao bombeamento.
Acionamento remoto de bomba pelo celular
Como funciona o acionamento remoto
O app envia o comando para um módulo instalado no painel da bomba. Esse módulo aciona o contator, a chave elétrica que liga o motor. Logo depois, o sensor de corrente mostra se a bomba começou a puxar energia.
Quando usar o acionamento remoto
Poço longe da sede da fazenda ou da portaria do condomínio.
Vários pontos de bombeamento para uma só pessoa cuidar.
Religar a bomba após queda de energia, quando o painel não volta sozinho.
Parar a bomba na hora ao notar vazamento ou consumo fora do normal.
Cuidados no acionamento remoto
Comando enviado não é bomba ligada. Confira a corrente logo após o comando: se continuar zerada, o motor não partiu. Disjuntor desarmado, contator com defeito e falta de fase estão entre as causas possíveis.
Em manutenção, um bloqueio local deve impedir o acionamento pelo celular. Se a bomba desligou por proteção, descubra o motivo antes de religar à distância.
Ligar a bomba fora do horário de ponta: automação por horário
Como funciona a programação por horário
Você cadastra no app os horários de ligar e desligar, e o sistema cumpre a agenda sozinho. Confira se a programação separa dias úteis de sábados, domingos e feriados nacionais, já que a ponta não vale nesses dias.
Quando usar a programação por horário: tarifa com ponta
O posto de ponta tem 3 horas consecutivas por dia, exceto sábados, domingos e feriados nacionais, segundo a ANEEL. Cada distribuidora define o seu horário, que muda de região para região.
No Grupo A, as modalidades Verde e Azul cobram o consumo com tarifa diferente por posto, conforme as modalidades tarifárias da ANEEL. No Grupo B, quem aderiu à Tarifa Branca também tem ponta nos dias úteis. Como a ponta é o período mais caro, encher o reservatório antes e desligar a bomba durante ela é o uso mais direto.
Quando usar a programação por horário: desconto irrigante
A Portaria Normativa MME nº 137/2026, publicada no DOU em 09/06/2026, definiu que o desconto de irrigação e aquicultura vale por 8h30 ao dia. As horas podem ser contínuas ou divididas em até 3 blocos, em múltiplos de 30 minutos.
Das 17h às 21h30 não há desconto, como informa a Neoenergia. Pela mesma portaria, o consumidor tem preferência na definição da escala e pode ter escalas diferentes ao longo do ano. A programação automática acompanha essas trocas sem depender de ajuste manual diário.
Exemplo apenas ilustrativo: blocos das 22h às 2h, das 3h às 6h30 e das 12h às 13h somam 8h30, todos fora da faixa das 17h às 21h30. A escala válida é a acordada com a sua distribuidora, e os requisitos estão no guia do desconto irrigante.
Cuidados na programação por horário
Horários e regras variam por distribuidora: confira a ponta na fatura ou no site dela antes de programar. Para o irrigante, a automação não substitui os requisitos. É preciso medição separada da carga da atividade, segundo a Neoenergia, além de outorga e licença ambiental, conforme a CPFL.

Automação por nível de reservatório
Como funciona a automação por nível
Um sensor acompanha o nível da caixa d'água ou do reservatório. No ponto baixo, a bomba liga; no ponto alto, desliga. A distância entre os dois pontos evita que o motor fique ligando e desligando em sequência.
Quando usar a automação por nível
Condomínio: caixa superior abastecida pela bomba de recalque, sem depender do zelador.
Fazenda: reservatório que alimenta bebedouros ou irrigação.
Indústria e envasadora: tanque que não pode secar nem transbordar.
O resultado é menos transbordo e menos falta d'água por esquecimento. Nível e horário também combinam: encher fora da ponta e, na ponta, ligar só com nível crítico. Para acompanhar o volume, veja o monitoramento de nível de reservatório.
Combine com o nível do poço
O reservatório mostra quando falta água em cima; o poço mostra se há água embaixo. Com sensor de nível no poço, a lógica pode impedir a partida ou desligar o motor quando a água fica perto da bomba. Impedir a partida usa o nível estático, a profundidade da água com a bomba parada; desligar usa o nível dinâmico, a profundidade da água com a bomba ligada.
Isso ajuda a proteger contra o trabalho a seco, quando a bomba gira sem água e superaquece. A corrente reforça o diagnóstico: uma queda anormal costuma indicar que a bomba perdeu carga.
Cuidados na automação por nível
Pontos de liga e desliga muito próximos geram partidas frequentes, que desgastam motor e contator. Sensor sujo ou mal posicionado dá leitura errada, então vale ter um alarme de nível alto independente.
Desligamento automático em falha elétrica
As três falhas abaixo podem queimar o motor pelo mesmo caminho: corrente acima do normal aquece o enrolamento até o isolamento dos fios ceder. A automação acompanha a corrente, desliga a bomba e avisa no celular. Quais falhas são detectadas depende dos sensores instalados em cada projeto.
Falta de fase
No motor trifásico em funcionamento, perder uma fase nem sempre faz a bomba parar. O motor tenta seguir girando com duas fases e puxa mais corrente por elas. Em bomba submersa, o problema não aparece na superfície e pode seguir até o motor queimar.
Subtensão
Com tensão abaixo do adequado, o motor puxa mais corrente para entregar a mesma força, e o aquecimento é gradual e silencioso. A ANEEL classifica a tensão de fornecimento como adequada, precária ou crítica, nas regras de qualidade do PRODIST Módulo 8.
Se a subtensão se repete, registre os eventos e reclame à distribuidora. A ANEEL prevê medição pontual de tensão após reclamação do consumidor.
Sobrecorrente
Corrente alta sem problema na rede costuma indicar esforço mecânico: rotor travado, areia na bomba ou mancal gasto. O motor força, esquenta e perde vida útil.
Cuidados com a proteção elétrica da bomba
A automação complementa a proteção do painel e não substitui disjuntor, relé de sobrecarga e relé de falta de fase. O manual de um fabricante nacional de bombas submersas exige relé de sobrecarga e, no trifásico, relé de falta de fase; sem eles, a garantia é perdida. Evite religamento automático repetido, porque insistir num motor com defeito acelera o dano. Cada falha está detalhada no guia sobre bomba submersa queimando.
Como a automação de bomba é instalada
Sensor de corrente no quadro, sem trocar o medidor
A medição usa um sensor de corrente tipo alicate, preso aos cabos da bomba dentro do quadro elétrico. Ele não mexe no medidor, e a troca de medidor é atribuição da distribuidora, como explica o Idec.
Comando integrado ao painel da bomba
O módulo de comando é ligado ao circuito do contator que já aciona a bomba. O serviço deve ser feito por eletricista qualificado, seguindo a NR-10, norma de segurança em instalações e serviços em eletricidade. Painel em mau estado precisa de reforma antes.
Modo manual preservado
Um bom projeto mantém a chave manual/automático no painel. Em manutenção ou com o app fora do ar, o operador comanda a bomba no local, como sempre fez.
Se a comunicação cair
Como boa prática de projeto, a programação por horário, a lógica de nível e as proteções devem rodar no próprio painel, sem depender da internet. Nesse arranjo, se o sinal cair, ficam suspensos só o comando remoto e os alertas. Confirme como o sistema age sem sinal e teste isso na entrega. Veja as opções de comunicação no post sobre monitoramento de poço sem internet.
Checklist antes de automatizar a bomba
Painel em bom estado: contator, bornes e cabos sem aquecimento, oxidação ou emenda improvisada.
Proteção elétrica existente: disjuntor, relé de sobrecarga e proteção contra falta de fase funcionando.
Níveis definidos: pontos de liga e desliga do reservatório e nível mínimo seguro no poço, de preferência com base no teste de bombeamento.
Horários definidos: ponta da sua distribuidora e, se for irrigante, a escala acordada.
Quem recebe os alertas: quem é avisado de cada evento e o que deve fazer.
Teste com a bomba: ligar pelo app, conferir a corrente, simular nível baixo e alto, testar o modo manual e a queda de comunicação.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS é o sistema de monitoramento da PAAS Poços Artesianos e Água, que atua desde 1985 com geólogo responsável (CREA). Na automação de bomba, ele reúne:
Sensor de corrente no quadro elétrico, sem trocar nem mexer no medidor da distribuidora.
Liga/desliga remoto pelo app.
Programação por horário.
Acionamento por nível do reservatório.
Desligamento automático em falha elétrica.
Integração de sensores e medidores de mercado, com o sensor adequado a cada medição.
Água e energia no mesmo painel, com alertas no celular e relatórios.
Perguntas frequentes
Dá para ligar a bomba do poço pelo celular?
Sim. Com um módulo de comando no painel, o app liga e desliga o motor à distância. Depois do comando, confira a corrente para ter certeza de que a bomba partiu.
Automação de bomba exige trocar o medidor de energia?
Não. O sensor de corrente fica nos cabos da bomba, dentro do quadro, e não mexe no medidor. A troca de medidor é responsabilidade da distribuidora.
Se a internet cair, a bomba para de funcionar?
Depende do projeto. O recomendado é que a programação por horário, a lógica de nível e as proteções rodem no próprio painel e que a chave manual continue valendo; nesse arranjo, sem sinal, param só o comando remoto e os alertas. Confirme esse comportamento antes de instalar.
A automação por horário garante o desconto de irrigante?
Não sozinha. Ela ajuda a cumprir a escala de 8h30 por dia da Portaria MME nº 137/2026, mas, em distribuidoras como CPFL e Neoenergia, o desconto também exige outorga, licença ambiental e medição separada. As regras variam por distribuidora.
Conheça o sistema HIDROPAAS
Automação da bomba, energia e água ficam no mesmo painel, com alertas no celular. Veja como funciona o sistema de monitoramento HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Vai automatizar a bomba do poço, do condomínio ou da irrigação? Conte como é o seu painel e fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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