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Piezômetros em Aterro Sanitário: Nível de Chorume, Poropressão e Ru

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 8 horas
9 min de leitura

O piezômetro em aterro sanitário mede o nível do líquido (chorume e água) dentro do maciço de resíduos. Com essa leitura, calcula-se a poropressão e o parâmetro Ru, que ajudam o projetista a avaliar a estabilidade dos taludes. Não existe limite padrão: os valores de alerta são definidos para cada aterro pelo responsável técnico.

Capa com o texto “Piezômetros em aterro sanitário” sobre a foto: técnico de capacete e colete anota dados num tablet ao lado de um piezômetro protegido por caixa, no talude em bermas de um aterro sanitário

Tem piezômetros no aterro e quer leitura contínua para o plano de monitoramento? Fale com o HIDROPAAS no WhatsApp.

Para que serve o piezômetro em aterro sanitário?

O piezômetro mostra quanto líquido está acumulado no ponto do maciço onde foi instalado e com que pressão. Catapreta e Simões (IBEAS, 2016) resumem o objetivo: acompanhar a evolução das poropressões internas e subsidiar a avaliação de estabilidade.

O líquido não se espalha de forma uniforme. Segundo o mesmo trabalho, camadas de cobertura diária pouco permeáveis podem criar bolsões de líquido, os chamados níveis suspensos. Por isso, um único piezômetro dificilmente representa o aterro inteiro.

A razão para medir está na mecânica dos solos. Poropressão é a pressão do líquido nos poros. Pelo princípio de Terzaghi, a tensão efetiva é σ' = σ − u, e a resistência ao cisalhamento depende dela (notas de aula de Mecânica dos Solos da UFS). Se u sobe, σ' cai, e a resistência cai junto. O conceito completo está em poropressão: o que é e como calcular.

A literatura técnica descreve dois tipos de ruptura em aterros de resíduos sólidos urbanos (RSU): as “úmidas”, associadas a excesso de poropressão de lixiviado, e as “secas”, associadas à pressão de gases. Por isso, o plano de monitoramento costuma olhar o líquido e o gás.

Quais tipos de piezômetro funcionam em aterro sanitário?

Para aterros, a literatura técnica descreve o piezômetro de tubo aberto (Casagrande) e o de dois tubos concêntricos; o elétrico de corda vibrante é outra opção da instrumentação geotécnica. Eles diferem principalmente na forma de lidar com o biogás e no tempo de resposta.

Tubo aberto (Casagrande)

O Casagrande é um tubo com trecho perfurado na ponta, dentro de uma célula de areia, com selo de bentonita acima. Ele mede a carga piezométrica naquele trecho (UFOP, 2017). A leitura é feita com sonda elétrica descida pelo tubo. É simples e robusto, mas responde devagar em material pouco permeável e depende de ida a campo.

No aterro há um problema a mais. Uma monografia que revisa Cepollina et al. (2004) e Coutinho et al. (2008) relata que o biogás borbulha no tubo e forma espuma e jatos. A sonda pode tocar essa espuma e registrar um falso nível de chorume. A fonte é secundária, mas o alerta vale para quem interpreta a série.

Dois tubos concêntricos

Para separar líquido e gás, existe o piezômetro de dois tubos concêntricos: o interno registra a pressão do lixiviado e o externo, a do biogás. Catapreta e Simões (2016) citam esse modelo, descrito por Antoniutti Neto et al. (1995).

Elétrico de corda vibrante

O piezômetro de corda vibrante tem tempo de resposta muito rápido, segundo o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII, 2016). O modelo padrão é selado e não ventilado: responde à pressão atmosférica, pede correção barométrica e sofre efeito da temperatura (UFOP, 2017). A comparação completa está em piezômetro de corda vibrante x Casagrande.

Tipo

O que registra

Ponto forte

Cuidado no aterro

Tubo aberto (Casagrande)

Carga piezométrica no trecho perfurado

Simples, robusto, quase sem manutenção

Falso nível por espuma de biogás; resposta lenta em material pouco permeável

Dois tubos concêntricos

Pressão do lixiviado e do biogás, separadas

Distingue líquido e gás no mesmo ponto

Duas leituras por ponto para registrar e interpretar

Corda vibrante

Pressão no ponto do sensor

Resposta muito rápida; aceita cabos longos (USGS)

Correção barométrica e de temperatura

Engenheira acompanha num monitor os gráficos e o mapa dos piezômetros de um aterro sanitário, com o maciço visível pela janela

Como calcular o Ru no aterro sanitário?

O Ru compara a poropressão com o peso do lixo acima do ponto medido: Ru = u/(γ·h). A fórmula está no trabalho da UnB sobre o Aterro Sanitário de Brasília (Carmo, 2021, eq. 3.1), com u = (h − L)·γw.

Nessa notação, γ é o peso específico do RSU, h é a altura de lixo acima do ponto medido e L é a distância da superfície até o nível de líquido. Assim, (h − L) é a coluna de líquido acima do ponto, e γw ≈ 9,81 kN/m³. Quanto maior o Ru, maior a pressão do líquido em relação ao peso do lixo.

Exemplo ilustrativo, com números escolhidos só para mostrar a conta:

Passo

Conta

Resultado

Altura de lixo acima do ponto (h)

Dado do projeto

20,00 m

Distância da superfície ao líquido (L)

Leitura do piezômetro

12,00 m

Coluna de líquido (h − L)

20,00 − 12,00

8,00 m

Poropressão (u)

8,00 × 9,81

78,48 kPa

Tensão vertical total (γ·h)

10 × 20,00, com γ adotado de 10 kN/m³

200 kPa

Parâmetro Ru

78,48 ÷ 200

0,39

O γ de 10 kN/m³ foi adotado só para facilitar a conta; o peso específico real vem do projeto de cada aterro. Em coluna d'água, 78,48 kPa × 0,102 ≈ 8,0 m, pela conversão do NIST (1 mca = 9,80665 kPa). Se a boca estiver rente à superfície, na cota ilustrativa de 612,40 m, a cota piezométrica é 612,40 − 12,00 = 600,40 m.

Gráfico ilustrativo do parâmetro Ru de um piezômetro de aterro ao longo de 24 meses, oscilando entre 0,31 e 0,47, com linhas de atenção e alerta marcadas como exemplo definido pelo projetista

O caso do Aterro de Brasília

No estudo da UnB, com γ = 9,6 kN/m³, o autor relacionou Ru e fator de segurança (FS): Ru de 0,5 correspondia a FS ≈ 1,5, e Ru de 0,8, a FS = 1. Com isso, montou uma carta de risco: estável abaixo de 0,6, alerta de 0,6 a 0,68 e risco de movimentação a partir de 0,68.

Essas faixas valem só para aquele aterro e aqueles parâmetros. Em outro maciço, a geometria, o resíduo e a drenagem mudam a análise. Como transformar faixas desse tipo em avisos está em níveis de controle de piezômetros.

O mesmo estudo traz outra lição: naquele aterro, não houve correlação entre chuva e piezometria. A drenagem interna funcionava, e quem variava com a chuva era a vazão de chorume. Nem toda chuva sobe o piezômetro.

O que os órgãos ambientais pedem no monitoramento do aterro?

Não há uma regra nacional única para piezômetros em aterro: cada estado e cada licença define o que monitorar. Três exemplos públicos mostram como isso aparece: monitoramento geotécnico do maciço e poços de água subterrânea no entorno.

Onde

Documento

O que pede

Observação

Minas Gerais

Monitoramento geotécnico estrutural; água subterrânea com no mínimo 4 poços (1 a montante e 3 a jusante); águas superficiais; gases e chorume

Regra de aterros em MG

Santa Catarina

Plano de monitoramento geotécnico de recalque, erosões e estabilidade; poços conforme NBR 15495, a no máximo 30 m da disposição

Mínimo de poços para aterro sanitário: 5 (pequeno), 8 (médio) ou 12 (grande); semestral sugerido

São Paulo

Relatórios mensais de monitoramento geotécnico do maciço disponíveis no local e relatório anual consolidado e interpretado

Exigência daquela licença; confira a sua

Na mesma licença da CETESB, o monitoramento geotécnico deve permitir ação preventiva, independentemente de manifestação prévia do órgão. No projeto, a NBR 8419 (item 5.2.7) pede o cálculo da estabilidade de taludes, bermas e recalques, segundo citação secundária, porque o texto da ABNT não é público.

Infográfico com o que pedem Minas Gerais, Santa Catarina, licenças da CETESB e a NBR 8419 no monitoramento geotécnico e de água subterrânea de aterros sanitários

E a frequência de leitura? Nenhum desses documentos traz um número nacional para piezômetros. Uma referência publicada é o aterro de Belo Horizonte: Catapreta e Simões relatam 9 piezômetros no dique e 6 provisórios, com leituras desde 2001, primeiro semanais e depois quinzenais. No seu aterro, a frequência vem da licença e do plano do projetista.

Piezômetro no maciço ou poço de monitoramento no entorno?

São instrumentos diferentes, e o aterro costuma precisar dos dois. O piezômetro fica no maciço e mede o nível e a pressão do líquido em um ponto. O poço de monitoramento fica no entorno e serve para amostrar a qualidade da água subterrânea.

O poço segue a NBR 15495-1:2007, ano confirmado em artigo da ABAS (confira emendas e revisões). A UFOP admite o Casagrande para amostragem desde que atenda à norma específica da ABNT. Veja as diferenças em piezômetro, INA e poço de monitoramento e o nível dos poços em medidor de nível para poço de monitoramento.

Erros comuns no monitoramento de piezômetros em aterro

Na prática, boa parte dos problemas vem da leitura e da interpretação, não do instrumento.

  • Confiar na sonda com biogás no tubo. A espuma pode dar falso nível de chorume. Saltos sem explicação na série merecem suspeita.

  • Não conferir a cota da boca. A UFOP inclui essa checagem entre as exigências do Casagrande. Em aterro, o recalque do maciço pode mover a boca e distorcer a cota piezométrica.

  • Usar limite de outro aterro. As faixas de Brasília são do projeto de Brasília e não se transferem para outro maciço.

  • Ler só no dia da campanha. A UFOP observa que a drenagem interna de aterros atua de forma transitória nas chuvas e recomenda sensor automático com armazenamento.

  • Esquecer a correção barométrica. Sensor não ventilado lê também a variação da pressão atmosférica, e a série oscila sem motivo geotécnico.

  • Tratar o piezômetro como garantia. Em Brumadinho, a barragem tinha piezômetros e nenhum instrumento detectou mudança significativa antes da ruptura, segundo o painel de especialistas (Robertson et al., 2019). O instrumento informa; a análise fica com o responsável técnico.

Como o HIDROPAAS ajuda

Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Essa experiência de campo é a base do que oferecemos para aterros e CTRs.

  • Leitura automática e contínua, com os dados na plataforma online (web e app).

  • Tipos de piezômetro: Casagrande, com sensor de nível hidrostático descido no tubo; corda vibrante já instalada; e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada.

  • Cálculos automáticos: nível (m), poropressão (kPa ou mca), cota piezométrica (m) e Ru, com correção barométrica.

  • Alertas por limite, com os valores definidos pelo projetista ou responsável técnico.

  • Mapa da rede de piezômetros, com o gráfico de cada ponto.

  • Relatório automático e exportação das leituras em Excel ou CSV.

  • Projeto personalizado: painéis, cálculos e relatórios conforme o plano de monitoramento geotécnico ou a condicionante da licença.

Os níveis de alerta e a interpretação da estabilidade são do projetista ou responsável técnico geotécnico. O HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera o relatório, sem substituir a análise nem garantir a segurança do maciço. Para sair da leitura manual, veja automação de piezômetros.

Perguntas frequentes

Para que serve o piezômetro em aterro sanitário?

Serve para acompanhar o nível e a pressão do líquido (chorume e água) dentro do maciço de resíduos. Com essas leituras, o responsável técnico calcula a poropressão e o parâmetro Ru e avalia a estabilidade dos taludes.

Como se mede o nível de chorume dentro do aterro?

No piezômetro de tubo aberto, desce-se uma sonda elétrica até tocar o líquido e lê-se a profundidade a partir da boca. Outra opção é um sensor de pressão no tubo, com leitura contínua. Em aterro, o biogás pode formar espuma e dar falso nível na sonda.

Como calcular o Ru de um aterro sanitário?

Use Ru = u/(γ·h), em que u é a poropressão, γ o peso específico do resíduo e h a altura de lixo acima do ponto. Em um exemplo ilustrativo, 8 m de líquido dão u = 78,48 kPa; com γ = 10 kN/m³ e h = 20 m, Ru = 78,48 ÷ 200 = 0,39.

Existe limite padrão de Ru para aterro sanitário?

Não. Os limites são definidos pelo projetista para cada aterro, a partir da análise de estabilidade. O estudo da UnB sobre o Aterro de Brasília usou faixas de 0,6 e 0,68, que valem só para aquele aterro e aqueles parâmetros.

Com que frequência ler os piezômetros do aterro?

Não há frequência nacional fixada em norma. Quem define é a licença ambiental e o plano do projetista. Em uma licença da CETESB, por exemplo, há relatórios mensais do monitoramento geotécnico e um relatório anual consolidado.

Piezômetro e poço de monitoramento são a mesma coisa no aterro?

Não. O piezômetro fica no maciço e mede o nível e a pressão do líquido em um ponto. O poço de monitoramento fica no entorno, serve para amostrar a qualidade da água subterrânea e é construído conforme a NBR 15495-1.

Guia completo

Para tipos de instrumento, leitura e automação em todos os setores, veja o guia de monitoramento de piezômetros.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

No aterro, o piezômetro vira informação de estabilidade quando nível, poropressão e Ru são lidos com frequência e comparados aos limites do projetista. Mande quantos piezômetros o aterro tem, de que tipo e o que a licença pede, e montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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