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Piezômetro de Corda Vibrante x Casagrande: Diferenças e Qual Escolher

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 8 horas
8 min de leitura

O piezômetro de corda vibrante é um sensor elétrico selado: a pressão da água muda a frequência de uma corda tensionada, e a resposta é muito rápida. O Casagrande é um tubo aberto, simples e barato, que mede a carga no trecho filtrante, mas responde devagar em solo pouco permeável. A escolha depende do solo e da resposta exigida.

Capa com o texto “Corda vibrante x Casagrande” sobre a foto: técnico desce uma sonda elétrica de nível dentro de um piezômetro de tubo aberto na crista de uma barragem de terra, com o reservatório ao fundo

Tem uma rede mista de Casagrande e corda vibrante? Chame no WhatsApp e veja como ler os dois tipos na mesma plataforma.

Como funciona o piezômetro Casagrande?

O Casagrande é um piezômetro de tubo aberto: um tubo com uma câmara de tomada de pressão na ponta, onde a água sobe até equilibrar a pressão do ponto medido. A leitura é feita com a sonda elétrica ("pio"), presa a um cabo graduado, que fecha um circuito ao tocar a água, como descreve o Manual do Empreendedor da ANA, vol. VII. Pelo mesmo manual, em regra cabem até cerca de 3 piezômetros por furo.

O trecho perfurado fica dentro de uma célula de areia, com selo de bentonita acima. Por isso ele mede a carga piezométrica daquele trecho, segundo a dissertação da UFOP (Cerqueira, 2017). A poropressão sai da altura de água acima do ponto, por u = γw·hw, como nas notas de aula de Mecânica dos Solos da UFS.

A UFOP lista as vantagens: simples, robusto, barato, quase sem manutenção, sem calibração do instrumento (quem precisa de calibração é o medidor de nível) e sem risco de raio. E as limitações: tempo de resposta muito longo em material pouco permeável, dependência do operador, necessidade de checar a cota da boca, risco de colmatação e ida a campo para cada leitura manual.

Como funciona o piezômetro de corda vibrante?

A pressão da água deforma um diafragma ligado a uma corda tensionada. A tensão muda, e com ela a frequência própria da corda; a leitora excita a corda e mede essa frequência, conforme o vol. VII da ANA, que classifica o tempo de resposta como muito rápido.

Como o sinal é uma frequência, cabos longos degradam pouco a leitura, segundo o manual do USGS (Freeman et al., 2004), que registra sensores que cabem em poço de 0,5 polegada. O sensor pode ficar enterrado no furo ou no aterro, só com o cabo chegando à superfície.

Dois cuidados vêm do próprio princípio, segundo a UFOP. A temperatura afeta a leitura. E o sensor padrão é selado e não ventilado, então responde à pressão barométrica: enterrado, sente menos e com atraso; em tubo aberto, sente direto, e a correção barométrica é recomendada. Na zona não saturada, ele lê a combinação da pressão da água e do ar (Mikkelsen, 2003, citado pela UFOP).

Como converter a frequência em pressão?

A folha de calibração de cada sensor traz a conversão. Na convenção comum, a leitura em "dígitos" é a frequência ao quadrado dividida por 1.000, e a pressão sai de P = G·(R1 − R0): R0 é a leitura zero, R1 a leitura atual e G o fator de calibração. Somam-se as correções de temperatura e barométrica, com os sinais da folha de calibração.

Passo

Conta

Resultado

Frequência lida

medida

2.828 Hz

Leitura em dígitos (R1)

2.828² / 1.000

7.998 dígitos (7.997,6)

Leitura zero da folha (R0)

dado ilustrativo

8.500 dígitos

Fator G da folha

dado ilustrativo

−0,14 kPa/dígito

Pressão, sem correções

−0,14 × (7.998 − 8.500)

70,3 kPa (70,28)

Coluna d'água equivalente

70,28 × 0,102

7,17 m

Exemplo ilustrativo: neste sensor fictício, os dígitos caem quando a pressão sobe, por isso G é negativo. Em sensor real, use o fator, o sinal e as correções da folha de calibração. O fator 0,102 m por kPa vem do NIST (1 kPa = 0,10197 m de água). Outras conversões estão no post sobre leitura de piezômetro.

Técnico conecta cabos de piezômetros a um datalogger dentro de uma caixa de proteção fixada em poste, ao lado da boca de um piezômetro

Qual responde mais rápido: corda vibrante ou Casagrande?

O de corda vibrante, em geral. No Casagrande, a água precisa entrar ou sair do tubo para o nível mudar, e isso demora em solo pouco permeável; no sensor selado, quase não há volume de água para mover.

A UFOP explica isso pelo tempo básico de Hvorslev (1951): T = A/(F·k), em que A é a área do tubo, F o fator de forma da célula e k a permeabilidade do solo. Em um tempo T, a leitura alcança 63% da mudança real; 90% leva cerca de 2,3·T; e 99% leva o dobro do tempo de 90%. Tubo mais largo e solo menos permeável aumentam T.

Gráfico ilustrativo em escala logarítmica de tempo: com tempo básico T cem vezes maior, o Casagrande em argila leva cem vezes mais tempo que o sensor de corda vibrante para chegar a 90% da mudança de pressão.

Na prática, um Casagrande em argila pode levar horas ou dias para mostrar uma mudança que o sensor selado registra quase na hora. Por isso a UFOP considera o instrumento de tubo largo inadequado para medir a dissipação de poropressão.

Corda vibrante x Casagrande: tabela comparativa

A tabela resume as diferenças descritas pela ANA, pela UFOP e pelo USGS.

Critério

Casagrande (tubo aberto)

Corda vibrante

O que mede

Carga piezométrica no trecho filtrante

Pressão da água no ponto (poropressão)

Tempo de resposta

Longo em material pouco permeável

Muito rápido

Leitura manual

Sonda elétrica ("pio") no tubo

Leitora portátil ("readout") no cabo

Calibração

Instrumento sem calibração; a sonda precisa

Folha de calibração por sensor, com temperatura

Pressão atmosférica

Tubo aberto sente direto

Sensor não ventilado pede correção

Distância da leitura

Leitura na boca do tubo

Sinal em frequência tolera cabo longo

Raio

Sem risco

Tem componente elétrico em campo

Custo relativo

Baixo

Em geral maior: sensor, cabo e leitora

Automação

Sensor descido no tubo

Interface ligada ao cabo existente

E o piezômetro pneumático?

É a terceira opção comum em barragens de aterro, ao lado do tubo aberto e dos elétricos, segundo o Quadro 18 do vol. VII da ANA. A leitura é feita injetando gás até o diafragma abrir ou fechar, com tipos normalmente fechado e normalmente aberto; a mesma fonte descreve resposta bastante rápida e pouca interferência na obra.

Entre os elétricos há também o strain gauge (resistivo), o tipo de transdutor de pressão mais usado segundo o USGS. A versão de semicondutor costuma ser chamada de piezoresistiva no mercado.

Infográfico com três cartões comparando o piezômetro Casagrande, de tubo aberto e resposta lenta em argila, o de corda vibrante, de resposta muito rápida, e o pneumático, lido por injeção de gás.

Qual piezômetro escolher?

Não existe um tipo melhor para todos os casos: a escolha é do projetista, a partir do solo, do que precisa ser medido e da velocidade de resposta exigida. A tabela mostra tendências, não regras.

Situação

Tende a indicar

Por quê

Solo permeável, leitura periódica

Casagrande

Simples, barato e responde bem em material permeável

Núcleo argiloso, fundação pouco permeável ou fase de construção

Corda vibrante

Resposta rápida; tubo largo não serve para medir dissipação

Amostrar água no mesmo furo

Casagrande

Possível, atendendo à norma específica da ABNT (UFOP)

Aterro sanitário com biogás

Avaliar com o projetista

A literatura técnica descreve falso nível no tubo aberto; existe piezômetro de dois tubos, para líquido e gás

Rede Casagrande existente que precisa de leitura contínua

Manter e automatizar

Sensor descido no tubo, sem nova perfuração

O falso nível por biogás aparece em monografia que cita Cepollina et al. (2004), e o piezômetro de dois tubos concêntricos, em Catapreta e Simões (IBEAS, 2016). Veja o caso completo em piezômetros em aterro sanitário. Se a dúvida é entre piezômetro, INA e poço de monitoramento, leia qual a diferença entre eles.

Erros comuns ao comparar os dois tipos

Quando Casagrande e corda vibrante parecem discordar no mesmo relatório, o problema costuma estar na conta ou no campo:

  • Referências diferentes: profundidade do nível no tubo e pressão no sensor só se comparam depois de convertidas em cota piezométrica, por h = z + u/γw (Freeze e Cherry).

  • Casagrande lido cedo demais: em argila, logo depois de uma chuva ou de um alteamento, o tubo ainda não equalizou.

  • Fator G sem correções: sem temperatura e sem barômetro, a corda vibrante oscila com o dia e com o tempo.

  • Folha de calibração trocada: cada sensor tem a sua; usar a de outro desloca a série inteira.

  • Sonda sem aferição: o instrumento Casagrande não calibra, mas o medidor de nível precisa.

  • Esperar pressão de gás do Casagrande: em aterro, ele não mede o biogás, segundo a mesma literatura.

Como o HIDROPAAS ajuda

O HIDROPAAS lê os dois tipos. No Casagrande, com sensor de nível hidrostático descido no tubo; no de corda vibrante já instalado, pela leitura do sinal de frequência. Transdutores com saída 4-20 mA ou RS485 também entram, com o sensor ou a interface adequada. O passo a passo está em automação de piezômetros.

  • Leitura automática e contínua, com os dados na plataforma online (web e app).

  • Conversão para nível (m), poropressão (kPa ou m.c.a.), cota piezométrica (m) e Ru, deixando Casagrande e corda vibrante na mesma referência.

  • Correção barométrica da leitura.

  • Alertas por limite, com valores definidos pelo projetista ou responsável técnico.

  • Mapa da rede, relatório automático e exportação em Excel ou CSV.

Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Cada projeto é personalizado. O HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera o relatório; a escolha do instrumento, os níveis de alerta e a interpretação ficam com o projetista ou responsável técnico.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre piezômetro de corda vibrante e Casagrande?

O Casagrande é um tubo aberto em que a água sobe até equilibrar a pressão, lido com sonda elétrica. O de corda vibrante é um sensor selado que mede a pressão pela frequência de uma corda tensionada. O primeiro é mais simples; o segundo responde bem mais rápido em solo pouco permeável.

Como funciona um piezômetro de corda vibrante?

A pressão da água deforma um diafragma ligado a uma corda tensionada, e a frequência própria da corda muda. A leitora excita a corda, mede a frequência e converte em pressão com o fator da folha de calibração, corrigindo temperatura e, no sensor não ventilado, a pressão atmosférica.

O que são os dígitos na leitura da corda vibrante?

Na convenção comum, dígitos são a frequência ao quadrado dividida por 1.000. Uma frequência de 2.828 Hz dá cerca de 7.998 dígitos. A pressão sai de P = G·(R1 − R0), com o fator e as correções da folha de calibração.

Por que o Casagrande demora para responder em argila?

Porque a água precisa entrar ou sair do tubo para o nível mudar, e a argila deixa a água passar devagar. O tempo básico de Hvorslev, T = A/(F·k), cresce com a área do tubo e diminui com a permeabilidade do solo.

O piezômetro Casagrande mede poropressão?

Diretamente, não: ele mede a carga piezométrica no trecho filtrante, pelo nível da água no tubo. A poropressão é calculada pela altura de água acima do ponto, com u = γw·hw, e pode ser calculada de forma automática com um sensor no tubo.

Dá para automatizar os dois tipos de piezômetro?

Sim. No Casagrande, desce-se um sensor saturado pelo tubo até cerca de 30 cm acima da base. No de corda vibrante, o cabo existente é ligado a uma interface que lê a frequência, no lugar da leitora portátil.

Guia completo

Tipos, leitura, poropressão e aplicações por setor estão reunidos no guia de monitoramento de piezômetros.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Casagrande e corda vibrante medem coisas parecidas de jeitos diferentes, e o que importa é ler os dois na mesma referência. Mande quantos piezômetros você tem de cada tipo, as profundidades e o que a licença pede, que montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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