Medidor de Nível para Poço de Monitoramento: Leitura Contínua e Relatório

O medidor de nível para poço de monitoramento pode ser a sonda elétrica manual, lida a cada campanha. Ou pode ser um sensor submerso que registra o nível de forma contínua. Com a cota da boca amarrada a uma referência, a leitura vira cota piezométrica, carga hidráulica e mapa potenciométrico, que entram no relatório ambiental.

Tem poços de monitoramento e quer o nível registrado entre uma campanha e outra? Fale com o HIDROPAAS no WhatsApp sobre medição contínua em poço de monitoramento.
Este guia é para consultorias ambientais e operadores de aterro. O panorama dos instrumentos está no guia de monitoramento de piezômetros.
O que é poço de monitoramento e como ele difere do piezômetro e do INA?
O poço de monitoramento serve para coletar amostras da água subterrânea e acompanhar sua qualidade. O piezômetro e o INA (indicador de nível d'água) são instrumentos feitos para medir nível ou carga, não para amostrar.
Segundo a dissertação da UFOP sobre instrumentação (Cerqueira, 2017), o poço de monitoramento é construído conforme a NBR 15495-1. O ano de 2007 dessa norma, que trata de poços em aquíferos granulares, aparece em artigo técnico da ABAS. O texto da ABNT não é público, então confira emendas e revisões antes de citá-la em projeto.
Instrumento | Para que serve | O que o nível representa |
Poço de monitoramento | Amostragem de qualidade da água | Nível d'água no poço, medido junto com a amostragem |
Piezômetro (Casagrande) | Medir carga piezométrica | Carga no trecho perfurado, isolado por selo de bentonita |
INA | Acompanhar o nível d'água | Nível médio, pois o tubo é ranhurado quase inteiro e liga camadas |
A UFOP registra que o Casagrande pode ser usado para amostrar, desde que atenda à norma específica da ABNT. Os três aceitam medidor de nível. A comparação detalhada está no post piezômetro, INA e poço de monitoramento.
O que se mede no poço de monitoramento?
Mede-se a profundidade do nível d'água a partir da boca do poço. Com a cota da boca conhecida, essa profundidade vira cota piezométrica, que é a carga hidráulica no ponto. É ela que permite comparar poços e achar a direção do fluxo.
No livro de Freeze e Cherry (tradução GW-Project), a carga hidráulica é h = z + ψ: a cota do ponto mais a carga de pressão. A UFOP reforça que a cota da boca do furo deve ser registrada e amarrada a um datum, ou seja, a uma referência topográfica comum.
A conta básica é simples: cota piezométrica = cota da boca − profundidade medida do nível. Entre dois poços, o gradiente hidráulico é i = Δh/L, a diferença de carga dividida pela distância. Pela Lei de Darcy, a água flui da carga maior para a menor.
Poço | Cota da boca (m) | Profundidade do nível (m) | Cota piezométrica (m) |
PM-01 | 102,40 | 3,15 | 99,25 |
PM-02 | 101,10 | 2,60 | 98,50 |
PM-03 | 100,35 | 2,45 | 97,90 |
Exemplo ilustrativo. Se PM-01 e PM-03 estão a 90 m de distância, Δh = 99,25 − 97,90 = 1,35 m. O gradiente é i = 1,35 / 90 = 0,015, e o fluxo vai de PM-01 para PM-03. Repare que PM-03 tem o nível mais raso (2,45 m), mas a menor carga: sem a cota da boca, a conclusão sairia invertida.

Com a carga de vários poços, desenha-se o mapa potenciométrico, com linhas de mesma carga e setas de fluxo. Freeze e Cherry observam que o conceito de superfície potenciométrica vale principalmente para fluxo horizontal em aquífero confinado. Fora dessa condição, a leitura do mapa pede cuidado do responsável técnico. O passo a passo da interpretação está no guia de mapa potenciométrico da PAAS.
O que a CETESB e os órgãos de aterro pedem sobre o nível d'água?
Não há uma regra nacional única sobre o nível d'água no poço de monitoramento. Em São Paulo, a CETESB detalha o que registrar em áreas contaminadas; para aterros, estados como MG e SC definem quantos poços instalar e onde.
A Decisão de Diretoria CETESB 038/2017/C pede, no Monitoramento Preventivo, mapas de potenciometria e direção de fluxo, com mapa potenciométrico por campanha de amostragem. No relatório de investigação confirmatória, pede tabela com profundidade do nível d'água, fase livre, cota dos poços, cargas hidráulicas e condutividade, além do mapa com direção de fluxo.
Em nível federal, a Resolução CONAMA 420/2009, art. 23, organiza as etapas de identificação e diagnóstico de áreas contaminadas. Ela não detalha como medir o nível; esse detalhamento, nos exemplos deste post, vem da DD 038 da CETESB.
Onde | Documento | O que diz sobre poços e nível |
SP, áreas contaminadas | CETESB DD 038/2017/C | Mapa potenciométrico por campanha; tabela de nível, cota dos poços e cargas |
MG, aterro sanitário | DN COPAM 244/2022, art. 3º, IX | No mínimo 4 poços: 1 a montante e 3 a jusante no fluxo preferencial |
SC, aterro sanitário | IMA, IN 02 (out/2025) | Poços conforme NBR 15495, a até 30 m da disposição; mínimo de 5, 8 ou 12 conforme o porte |
SP, aterro (licença da CETESB) | Condicionantes de LO de 2020 | Água subterrânea segue as diretrizes da CETESB para aterros, de set/2019 |
Fontes da tabela: DN COPAM 244/2022 em Minas Gerais e IN 02 do IMA em Santa Catarina, que também sugere frequência semestral. Em São Paulo, o exemplo vem das condicionantes de uma licença da CETESB, não de norma geral.
Montante e jusante dependem da direção do fluxo, por isso a cota piezométrica sustenta a própria rede. O caso do aterro está no post sobre piezômetros em aterro sanitário.

Leitura manual por campanha ou sensor contínuo: qual escolher?
A leitura manual dá uma foto do nível no dia da campanha. O sensor contínuo mostra o filme: como o nível se comporta entre as campanhas, depois de chuvas ou de bombeamentos próximos.
A UFOP (2017) descreve três formas de aquisição. A manual usa a sonda de nível, o "pio". A semiautomática usa datalogger no local, sem transmissão. A automatizada soma datalogger, transmissão e software, com dados em tempo real, alarmes, menos ida a campo e menor perda de dados.

No gráfico ilustrativo, as duas campanhas mostram só uma queda de 0,16 m (de 98,43 m para 98,27 m). O sensor mostra, no meio, duas subidas de mais de meio metro. Nem todo poço reage assim. No Aterro Sanitário de Brasília (UnB, 2021), por exemplo, não houve correlação entre chuva e piezometria. É a série contínua que tende a mostrar como o seu ponto se comporta.
O sensor mede a pressão da coluna d'água acima dele. O manual do USGS (TWRI 8-A3) diferencia o transdutor de pressão absoluta do ventilado, que mede em relação à atmosfera. Sensor não ventilado precisa de correção barométrica, e a UFOP recomenda essa correção de forma sistemática em tubo aberto.
A conversão usa 1 kPa ≈ 0,102 m de água, pelo NIST. Exemplo ilustrativo: em PM-01, noutro dia, o sensor está a 8,00 m da boca, na cota 102,40 − 8,00 = 94,40 m. Se ele lê 47,1 kPa, a coluna é 47,1 × 0,102 ≈ 4,80 m. A cota piezométrica fica em 94,40 + 4,80 = 99,20 m, e a profundidade do nível, em 102,40 − 99,20 = 3,20 m.
O sensor não substitui a campanha. Veja a montagem em rede em automação de piezômetros e as contas em leitura de piezômetro.
Quais cuidados tomar com o medidor de nível no poço de monitoramento?
Os erros mais comuns com o medidor de nível são de referência e de procedimento, não de equipamento. Em geral, eles se evitam no planejamento da campanha.
Cota da boca sem amarração: tubo cortado, boca danificada ou tampa trocada mudam a referência. Sem novo levantamento, a cota piezométrica sai errada e o mapa também.
Sonda levando contaminação: descontamine a sonda e o cabo entre um poço e outro. Em geral, vale medir dos poços menos para os mais impactados.
Fase livre ignorada: com produto sobre a água, a sonda comum pode não separar as duas interfaces. A DD 038 da CETESB pede registrar a fase livre na tabela.
Sensor sem referência: profundidade de instalação não anotada ou não conferida com a sonda. O registro sai completo, mas sobre uma base errada.
Sem correção barométrica: em sensor não ventilado, a mudança do tempo aparece como mudança de nível.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS mede o nível de forma automática e contínua, com os dados na plataforma online (web e app). Em poço de monitoramento, descemos um sensor de nível hidrostático no tubo. Transdutores com saída 4-20 mA ou RS485 também são lidos, com a interface adequada.
Conversão automática: a leitura vira nível (m) e cota piezométrica (m), a partir da cota da boca informada.
Correção barométrica da leitura.
Mapa com a rede de pontos, cada um com seu gráfico.
Alertas por limite, com valores definidos pelo responsável técnico.
Relatório automático e exportação em Excel ou CSV, prontos para alimentar a tabela e o mapa potenciométrico do seu relatório.
Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. A mesma lógica serve à rede de poços de monitoramento do entorno.
O HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera o relatório. Interpretação, mapa final e limites seguem com o responsável técnico. Cada projeto é personalizado, com painéis e relatórios conforme o que o órgão e a licença pedem. Se o seu caso é poço de captação, e não de monitoramento, veja o transdutor de pressão para poço.
Perguntas frequentes
Qual medidor de nível usar em poço de monitoramento?
Para leitura por campanha, a sonda elétrica de cabo graduado, que apita ao tocar a água. Para acompanhar o nível entre campanhas, um sensor submerso de pressão com registro automático. Em geral, os dois convivem: o sensor registra e a sonda confere.
Qual a NBR do poço de monitoramento?
A referência citada para poços em aquíferos granulares é a NBR 15495-1, de 2007, sobre projeto e construção. O ano consta em artigo técnico da ABAS; como o texto da ABNT não é público, confira emendas e revisões antes de citar em projeto.
Poço de monitoramento é a mesma coisa que piezômetro?
Não. O poço de monitoramento é feito para amostrar a qualidade da água. O piezômetro tipo Casagrande mede a carga piezométrica de um trecho isolado por selo de bentonita. O Casagrande pode ser usado para amostrar se atender à norma específica da ABNT.
O que a CETESB pede sobre nível d'água no poço de monitoramento?
Em áreas contaminadas de São Paulo, a DD 038/2017/C pede mapa potenciométrico por campanha de amostragem no Monitoramento Preventivo. Na investigação confirmatória, pede tabela com profundidade do nível d'água, fase livre, cota dos poços e cargas hidráulicas, além do mapa com direção de fluxo.
O sensor contínuo substitui a campanha de amostragem?
Não. A amostragem, a purga e a conferência do nível com a sonda continuam. O sensor registra o que acontece entre as campanhas, como subidas depois de chuva ou efeitos de bombeamento próximo.
Quantos poços de monitoramento um aterro sanitário precisa?
Depende do estado. Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 pede no mínimo 4 poços, 1 a montante e 3 a jusante. Em Santa Catarina, a IN 02 do IMA fixa mínimos de 5, 8 ou 12 conforme o porte. Nos demais casos, vale o que a licença do seu aterro determina.
Guia completo
Para ver tipos de instrumento, leitura, poropressão e automação num só lugar, acesse o guia de monitoramento de piezômetros.
Veja também
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
No poço de monitoramento, a sonda dá a referência de cada campanha e o sensor contínuo mostra o que acontece entre elas. Mande quantos poços você tem, o diâmetro, a profundidade e o que o órgão pede que montamos a medição contínua: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
%20(2)_edited.jpg)



Comentários