Piezômetro, INA e Poço de Monitoramento: Qual a Diferença?

A diferença entre piezômetro e INA está no trecho que recebe água. O INA (indicador de nível d'água) é ranhurado em quase todo o comprimento e mostra só o nível médio. O piezômetro recebe água num trecho isolado por selo de bentonita e mede a carga naquele ponto. O poço de monitoramento serve para amostrar a qualidade da água.

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Qual a diferença entre piezômetro e INA?
O piezômetro mede a carga da água num ponto; o INA mede o nível médio ao longo de quase todo o furo. A distinção vem da construção de cada um, descrita na dissertação da UFOP (Cerqueira, 2017), itens 2.3.1 e 2.3.2.
O INA, indicador de nível d'água, é um tubo ranhurado em quase todo o comprimento. Por isso, liga camadas diferentes do terreno e mostra um nível médio. Segundo a UFOP, ele não mede poropressão nem carga piezométrica de um ponto específico.
O piezômetro Casagrande tem um trecho perfurado dentro de uma célula de areia, com selo de bentonita acima. O selo isola o trecho e evita que a água de outras camadas entre pelo furo. Assim, o nível dentro do tubo representa a carga piezométrica daquele trecho.
Carga piezométrica é a parcela da carga total devida à pressão do líquido, também segundo a UFOP. Nos piezômetros elétricos, o sensor fica no ponto de medição e lê a pressão direto, como descreve o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII).

E o poço de monitoramento, para que serve?
O poço de monitoramento serve principalmente para coletar amostras e avaliar a qualidade da água subterrânea. Em aquíferos granulares, ele é projetado e construído conforme a NBR 15495-1:2007. O ano da norma é citado em artigo da revista Águas Subterrâneas (ABAS); confira emendas ou revisões antes de especificar.
O poço de monitoramento também fornece o nível d'água. Em São Paulo, a Decisão de Diretoria CETESB 038/2017 pede, na investigação confirmatória, tabela com profundidade do nível d'água, cota dos poços e cargas hidráulicas. Pede também mapa potenciométrico com direção de fluxo.
Em aterros, os poços ficam no entorno para vigiar o aquífero. Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 pede no mínimo 4 poços no aterro sanitário: 1 a montante e 3 a jusante. Em Santa Catarina, a IN 02 do IMA pede no mínimo 5, 8 ou 12 poços, conforme o porte pequeno, médio ou grande.
O Casagrande pode ser usado para amostrar, desde que atenda à norma específica da ABNT, observa a UFOP. Se o piezômetro foi instalado só para geotecnia, confira o projeto construtivo antes de usá-lo para coleta.
Piezômetro, INA e poço de monitoramento: tabela comparativa
A tabela resume o que cada instrumento entrega. As três primeiras linhas seguem a UFOP (2017); a referência do poço é a NBR 15495-1:2007, citada acima com a ressalva de conferir revisões.
Critério | INA | Piezômetro (Casagrande) | Poço de monitoramento |
Trecho que recebe água | Quase todo o tubo, ranhurado | Trecho perfurado na célula de areia, com selo de bentonita acima | Seção filtrante definida no projeto |
O que mede | Nível d'água médio | Carga piezométrica naquele trecho | Nível d'água e qualidade da água, por amostras |
Poropressão de um ponto? | Não | Sim, pela conversão da carga | Não é a finalidade |
Referência de construção | Projeto de instrumentação | Projeto de instrumentação | NBR 15495-1:2007 (aquíferos granulares) |
Uso típico | Nível geral em barragens e obras | Maciço e fundação de barragens, aterros e obras | Áreas contaminadas e entorno de aterros |

Por que o INA pode enganar em terreno com camadas?
Porque, ao ligar camadas com cargas diferentes, o INA tende a mostrar um nível intermediário, que não representa nenhuma delas. Em terreno estratificado, isso pode esconder justamente o dado que importa: a pressão numa camada crítica.
Exemplo ilustrativo: dois piezômetros no mesmo local, com boca na cota 100,00 m. O piezômetro A, na camada superior, encontra a água a 4,20 m: cota piezométrica 95,80 m. O piezômetro B, numa camada inferior confinada, encontra a água a 2,10 m: cota 97,90 m.
A diferença de carga é 97,90 − 95,80 = 2,10 m. Se os centros dos dois trechos de medição estão 10 m distantes na vertical, o gradiente é i = Δh/L = 2,10 / 10 = 0,21. A fórmula vem da Lei de Darcy, em Freeze e Cherry.
Como a carga é maior embaixo, o fluxo é de baixo para cima. Um INA atravessando as duas camadas não mostraria esse gradiente. A leitura e as contas de campo estão em leitura de piezômetro.

Quando usar piezômetro, INA ou poço de monitoramento?
A escolha depende da pergunta: pressão num ponto, nível geral ou qualidade da água. Veja os casos mais comuns.
Barragens
No maciço e na fundação, o piezômetro é o instrumento para poropressão. Os tipos mais comuns em barragens de aterro são o de tubo aberto, o pneumático e o elétrico, segundo o manual da ANA. O INA entra quando interessa o nível d'água geral. Veja piezômetros em barragem.
Aterro sanitário
Dentro do maciço de resíduos, usam-se piezômetros para acompanhar o nível do líquido e as poropressões. Há modelos de dois tubos concêntricos, um para a pressão do lixiviado e outro para a do biogás, descritos por Catapreta e Simões (IBEAS, 2016). No entorno, os poços de monitoramento vigiam o aquífero. Veja piezômetros em aterro sanitário.
Área contaminada
O instrumento principal é o poço de monitoramento, porque o objetivo é amostrar a água e entender o fluxo. O nível medido nos poços alimenta o mapa potenciométrico. Veja medidor de nível para poço de monitoramento e o guia de mapa potenciométrico da PAAS.
Obra e rebaixamento de lençol
Piezômetros de tubo aberto no entorno e dentro da escavação mostram se o rebaixamento atingiu a cota de projeto. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 (art. 53, III) dispensa novo processo e autorização de perfuração para piezômetros ou INAs de até 2 polegadas, em empreendimento já regularizado. Veja rebaixamento de lençol freático em obra.
Os três podem receber sensor de nível?
Sim. Piezômetro de tubo aberto, INA e poço de monitoramento podem receber um sensor de nível hidrostático, desde que o diâmetro e a profundidade permitam. O sensor passa a registrar o nível entre as visitas de campo.
No Casagrande, a UFOP indica descer o sensor saturado e calibrado até cerca de 30 cm acima da base. Como o tubo é aberto à atmosfera, a leitura precisa de correção barométrica. Veja automação de piezômetros.
No poço de monitoramento, o cuidado é outro: sensor e cabo não podem contaminar a água que será amostrada. Planeje a instalação junto com o protocolo de coleta.
Erros comuns ao escolher e ler esses instrumentos
Em campo, estes são os erros que mais distorcem a leitura e a escolha do instrumento:
Tratar INA como piezômetro: usar o nível médio do INA para calcular a poropressão de um ponto.
Amostrar em piezômetro geotécnico sem conferir a construção: o resultado pode não representar a água do aquífero.
Misturar referências no mesmo mapa: somar leituras de instrumentos com cotas de boca em datums diferentes.
Esperar resposta rápida de tubo aberto em argila: pelo método de Hvorslev, citado pela UFOP, o tempo de resposta cresce com a área do tubo e cai com a permeabilidade.
Chamar tudo de "poço piezométrico": no relatório, especifique se o instrumento é piezômetro, INA ou poço de monitoramento.
Como o HIDROPAAS ajuda
Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. A plataforma trata cada instrumento conforme o que ele mede.
Tubo aberto: sensor de nível hidrostático descido no Casagrande, no INA ou no poço, com correção barométrica.
Instrumentos elétricos: leitura de piezômetro de corda vibrante já instalado e de transdutores 4-20 mA ou RS485, com a interface adequada.
Cálculos: nível (m), cota piezométrica (m), poropressão (kPa ou m.c.a.) e Ru onde se aplicam.
Mapa da rede: todos os pontos no mapa, cada um com seu gráfico, e alertas por limite definidos pelo responsável técnico.
Relatório: relatório automático e exportação em Excel ou CSV.
O HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera relatório. A escolha do instrumento, os limites e a interpretação ficam com o projetista ou responsável técnico. O projeto é personalizado conforme o plano de monitoramento ou a condicionante da licença.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre piezômetro e INA?
O INA é ranhurado em quase todo o comprimento e mostra só o nível d'água médio, ligando camadas diferentes. O piezômetro recebe água num trecho isolado por selo de bentonita e mede a carga piezométrica naquele ponto. Só o piezômetro permite calcular a poropressão de um ponto.
Qual a diferença entre piezômetro e poço de monitoramento?
O piezômetro mede a carga da água num ponto e serve à geotecnia. O poço de monitoramento é construído para coletar amostras e avaliar a qualidade da água, conforme a NBR 15495-1:2007 em aquíferos granulares. Os dois fornecem o nível d'água.
O INA mede poropressão?
Não. Como é ranhurado em quase todo o comprimento, o INA mostra um nível médio, e não a pressão de um ponto específico, segundo a UFOP (2017). Para poropressão, use piezômetro.
Posso coletar amostra de água num piezômetro Casagrande?
Pode, desde que o piezômetro atenda à norma específica da ABNT para amostragem, segundo a UFOP. Se ele foi instalado só para geotecnia, confira o projeto construtivo antes de usá-lo para coleta.
O que é poço piezométrico?
É um termo usado para piezômetros de tubo aberto e, às vezes, para qualquer poço em que se mede o nível. Como o termo é ambíguo, vale especificar no relatório se o instrumento é piezômetro, INA ou poço de monitoramento.
Piezômetro, INA e poço de monitoramento podem ser automatizados?
Sim. Os três podem receber sensor de nível hidrostático, desde que o diâmetro e a profundidade permitam. No tubo aberto, a leitura deve ter correção barométrica; no poço de monitoramento, a instalação não pode contaminar a amostra.
Guia completo
Tipos, leitura, poropressão, Ru e automação estão reunidos no guia de monitoramento de piezômetros.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
INA mostra o nível médio, piezômetro mostra a carga num ponto e poço de monitoramento mostra a qualidade da água. Mande quantos instrumentos de cada tipo você tem e o que a licença pede, que montamos a leitura contínua da rede: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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