top of page

Piezômetro, INA e Poço de Monitoramento: Qual a Diferença?

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 8 horas
7 min de leitura

A diferença entre piezômetro e INA está no trecho que recebe água. O INA (indicador de nível d'água) é ranhurado em quase todo o comprimento e mostra só o nível médio. O piezômetro recebe água num trecho isolado por selo de bentonita e mede a carga naquele ponto. O poço de monitoramento serve para amostrar a qualidade da água.

Capa com o texto “Piezômetro, INA ou poço de monitoramento?” sobre a foto: técnica ambiental mede o nível da água com sonda de fita num poço de monitoramento de tampa de ferro no piso de um posto de combustível

Tem piezômetros, INAs e poços de monitoramento na mesma área e quer todos numa só tela? Fale com a equipe HIDROPAAS no WhatsApp.

Qual a diferença entre piezômetro e INA?

O piezômetro mede a carga da água num ponto; o INA mede o nível médio ao longo de quase todo o furo. A distinção vem da construção de cada um, descrita na dissertação da UFOP (Cerqueira, 2017), itens 2.3.1 e 2.3.2.

O INA, indicador de nível d'água, é um tubo ranhurado em quase todo o comprimento. Por isso, liga camadas diferentes do terreno e mostra um nível médio. Segundo a UFOP, ele não mede poropressão nem carga piezométrica de um ponto específico.

O piezômetro Casagrande tem um trecho perfurado dentro de uma célula de areia, com selo de bentonita acima. O selo isola o trecho e evita que a água de outras camadas entre pelo furo. Assim, o nível dentro do tubo representa a carga piezométrica daquele trecho.

Carga piezométrica é a parcela da carga total devida à pressão do líquido, também segundo a UFOP. Nos piezômetros elétricos, o sensor fica no ponto de medição e lê a pressão direto, como descreve o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII).

Infográfico com três cartões comparando o INA, ranhurado em quase todo o tubo e que mostra o nível médio, o piezômetro Casagrande, que mede a carga no trecho isolado por bentonita, e o poço de monitoramento, feito para amostrar a qualidade da água.

E o poço de monitoramento, para que serve?

O poço de monitoramento serve principalmente para coletar amostras e avaliar a qualidade da água subterrânea. Em aquíferos granulares, ele é projetado e construído conforme a NBR 15495-1:2007. O ano da norma é citado em artigo da revista Águas Subterrâneas (ABAS); confira emendas ou revisões antes de especificar.

O poço de monitoramento também fornece o nível d'água. Em São Paulo, a Decisão de Diretoria CETESB 038/2017 pede, na investigação confirmatória, tabela com profundidade do nível d'água, cota dos poços e cargas hidráulicas. Pede também mapa potenciométrico com direção de fluxo.

Em aterros, os poços ficam no entorno para vigiar o aquífero. Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 pede no mínimo 4 poços no aterro sanitário: 1 a montante e 3 a jusante. Em Santa Catarina, a IN 02 do IMA pede no mínimo 5, 8 ou 12 poços, conforme o porte pequeno, médio ou grande.

O Casagrande pode ser usado para amostrar, desde que atenda à norma específica da ABNT, observa a UFOP. Se o piezômetro foi instalado só para geotecnia, confira o projeto construtivo antes de usá-lo para coleta.

Piezômetro, INA e poço de monitoramento: tabela comparativa

A tabela resume o que cada instrumento entrega. As três primeiras linhas seguem a UFOP (2017); a referência do poço é a NBR 15495-1:2007, citada acima com a ressalva de conferir revisões.

Critério

INA

Piezômetro (Casagrande)

Poço de monitoramento

Trecho que recebe água

Quase todo o tubo, ranhurado

Trecho perfurado na célula de areia, com selo de bentonita acima

Seção filtrante definida no projeto

O que mede

Nível d'água médio

Carga piezométrica naquele trecho

Nível d'água e qualidade da água, por amostras

Poropressão de um ponto?

Não

Sim, pela conversão da carga

Não é a finalidade

Referência de construção

Projeto de instrumentação

Projeto de instrumentação

NBR 15495-1:2007 (aquíferos granulares)

Uso típico

Nível geral em barragens e obras

Maciço e fundação de barragens, aterros e obras

Áreas contaminadas e entorno de aterros

Técnico desce uma sonda elétrica de nível dentro de um piezômetro de tubo aberto na crista de uma barragem de terra, com o reservatório ao fundo

Por que o INA pode enganar em terreno com camadas?

Porque, ao ligar camadas com cargas diferentes, o INA tende a mostrar um nível intermediário, que não representa nenhuma delas. Em terreno estratificado, isso pode esconder justamente o dado que importa: a pressão numa camada crítica.

Exemplo ilustrativo: dois piezômetros no mesmo local, com boca na cota 100,00 m. O piezômetro A, na camada superior, encontra a água a 4,20 m: cota piezométrica 95,80 m. O piezômetro B, numa camada inferior confinada, encontra a água a 2,10 m: cota 97,90 m.

A diferença de carga é 97,90 − 95,80 = 2,10 m. Se os centros dos dois trechos de medição estão 10 m distantes na vertical, o gradiente é i = Δh/L = 2,10 / 10 = 0,21. A fórmula vem da Lei de Darcy, em Freeze e Cherry.

Como a carga é maior embaixo, o fluxo é de baixo para cima. Um INA atravessando as duas camadas não mostraria esse gradiente. A leitura e as contas de campo estão em leitura de piezômetro.

Gráfico ilustrativo de 30 dias com a cota piezométrica do piezômetro B perto de 97,90 m, a do piezômetro A perto de 95,80 m e o INA num nível intermediário entre as duas.

Quando usar piezômetro, INA ou poço de monitoramento?

A escolha depende da pergunta: pressão num ponto, nível geral ou qualidade da água. Veja os casos mais comuns.

Barragens

No maciço e na fundação, o piezômetro é o instrumento para poropressão. Os tipos mais comuns em barragens de aterro são o de tubo aberto, o pneumático e o elétrico, segundo o manual da ANA. O INA entra quando interessa o nível d'água geral. Veja piezômetros em barragem.

Aterro sanitário

Dentro do maciço de resíduos, usam-se piezômetros para acompanhar o nível do líquido e as poropressões. Há modelos de dois tubos concêntricos, um para a pressão do lixiviado e outro para a do biogás, descritos por Catapreta e Simões (IBEAS, 2016). No entorno, os poços de monitoramento vigiam o aquífero. Veja piezômetros em aterro sanitário.

Área contaminada

O instrumento principal é o poço de monitoramento, porque o objetivo é amostrar a água e entender o fluxo. O nível medido nos poços alimenta o mapa potenciométrico. Veja medidor de nível para poço de monitoramento e o guia de mapa potenciométrico da PAAS.

Obra e rebaixamento de lençol

Piezômetros de tubo aberto no entorno e dentro da escavação mostram se o rebaixamento atingiu a cota de projeto. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 (art. 53, III) dispensa novo processo e autorização de perfuração para piezômetros ou INAs de até 2 polegadas, em empreendimento já regularizado. Veja rebaixamento de lençol freático em obra.

Os três podem receber sensor de nível?

Sim. Piezômetro de tubo aberto, INA e poço de monitoramento podem receber um sensor de nível hidrostático, desde que o diâmetro e a profundidade permitam. O sensor passa a registrar o nível entre as visitas de campo.

No Casagrande, a UFOP indica descer o sensor saturado e calibrado até cerca de 30 cm acima da base. Como o tubo é aberto à atmosfera, a leitura precisa de correção barométrica. Veja automação de piezômetros.

No poço de monitoramento, o cuidado é outro: sensor e cabo não podem contaminar a água que será amostrada. Planeje a instalação junto com o protocolo de coleta.

Erros comuns ao escolher e ler esses instrumentos

Em campo, estes são os erros que mais distorcem a leitura e a escolha do instrumento:

  • Tratar INA como piezômetro: usar o nível médio do INA para calcular a poropressão de um ponto.

  • Amostrar em piezômetro geotécnico sem conferir a construção: o resultado pode não representar a água do aquífero.

  • Misturar referências no mesmo mapa: somar leituras de instrumentos com cotas de boca em datums diferentes.

  • Esperar resposta rápida de tubo aberto em argila: pelo método de Hvorslev, citado pela UFOP, o tempo de resposta cresce com a área do tubo e cai com a permeabilidade.

  • Chamar tudo de "poço piezométrico": no relatório, especifique se o instrumento é piezômetro, INA ou poço de monitoramento.

Como o HIDROPAAS ajuda

Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. A plataforma trata cada instrumento conforme o que ele mede.

  • Tubo aberto: sensor de nível hidrostático descido no Casagrande, no INA ou no poço, com correção barométrica.

  • Instrumentos elétricos: leitura de piezômetro de corda vibrante já instalado e de transdutores 4-20 mA ou RS485, com a interface adequada.

  • Cálculos: nível (m), cota piezométrica (m), poropressão (kPa ou m.c.a.) e Ru onde se aplicam.

  • Mapa da rede: todos os pontos no mapa, cada um com seu gráfico, e alertas por limite definidos pelo responsável técnico.

  • Relatório: relatório automático e exportação em Excel ou CSV.

O HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera relatório. A escolha do instrumento, os limites e a interpretação ficam com o projetista ou responsável técnico. O projeto é personalizado conforme o plano de monitoramento ou a condicionante da licença.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre piezômetro e INA?

O INA é ranhurado em quase todo o comprimento e mostra só o nível d'água médio, ligando camadas diferentes. O piezômetro recebe água num trecho isolado por selo de bentonita e mede a carga piezométrica naquele ponto. Só o piezômetro permite calcular a poropressão de um ponto.

Qual a diferença entre piezômetro e poço de monitoramento?

O piezômetro mede a carga da água num ponto e serve à geotecnia. O poço de monitoramento é construído para coletar amostras e avaliar a qualidade da água, conforme a NBR 15495-1:2007 em aquíferos granulares. Os dois fornecem o nível d'água.

O INA mede poropressão?

Não. Como é ranhurado em quase todo o comprimento, o INA mostra um nível médio, e não a pressão de um ponto específico, segundo a UFOP (2017). Para poropressão, use piezômetro.

Posso coletar amostra de água num piezômetro Casagrande?

Pode, desde que o piezômetro atenda à norma específica da ABNT para amostragem, segundo a UFOP. Se ele foi instalado só para geotecnia, confira o projeto construtivo antes de usá-lo para coleta.

O que é poço piezométrico?

É um termo usado para piezômetros de tubo aberto e, às vezes, para qualquer poço em que se mede o nível. Como o termo é ambíguo, vale especificar no relatório se o instrumento é piezômetro, INA ou poço de monitoramento.

Piezômetro, INA e poço de monitoramento podem ser automatizados?

Sim. Os três podem receber sensor de nível hidrostático, desde que o diâmetro e a profundidade permitam. No tubo aberto, a leitura deve ter correção barométrica; no poço de monitoramento, a instalação não pode contaminar a amostra.

Guia completo

Tipos, leitura, poropressão, Ru e automação estão reunidos no guia de monitoramento de piezômetros.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

INA mostra o nível médio, piezômetro mostra a carga num ponto e poço de monitoramento mostra a qualidade da água. Mande quantos instrumentos de cada tipo você tem e o que a licença pede, que montamos a leitura contínua da rede: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

Comentários


Endereço: RS 389, Km 06, n 3441 Várzea do Padre, Osório - RS, 95520-000

E-mail: comercial@hidropaas.com.br

WhatsApp: (51) 99237-8199

  • Facebook
  • Instagram
  • Whatsapp
  • LinkedIn
  • Youtube

©2019

bottom of page

Calculadora de Economia HIDROPAAS

Estime quanto sua operação economiza por ano com monitoramento remoto de recursos hídricos — poços, reservatórios, qualidade da água, efluentes e energia. Baseado em casos reais de clientes.

Pontos = poços + reservatórios + captações + pontos de efluente que você quer monitorar.

Economia anual estimada

R$ 0 /ano

Estimativa orientativa baseada em médias de clientes HIDROPAAS (redução de visitas técnicas, otimização de bombeamento, manutenção preditiva e prevenção de multas). O valor real e o investimento do seu projeto são calculados pela nossa equipe via WhatsApp.

📱 Quero meu orçamento exato no WhatsApp