Turbidímetro por Filtro na ETA: Leitura a Cada 2 Horas sem Correria

O turbidímetro de processo instalado na saída de cada filtro mostra a turbidez o tempo todo, entre as leituras exigidas. Na filtração rápida, a Portaria GM/MS 888/2021 pede 0,5 uT em 95% das amostras e medição de cada filtro a cada 2 horas. O sensor online apoia, alarma e registra, sem substituir o método de norma.

Tem uma ETA com vários filtros? Peça uma proposta de turbidímetro por filtro com alerta no celular.
O que a Portaria 888 exige da turbidez de cada filtro?
Uma meta de turbidez conforme o tipo de filtração e uma frequência de medição por filtro. Na filtração rápida, são 0,5 uT em 95% das amostras e até 1,0 uT no restante, com leitura de cada filtro a cada 2 horas, pelo Anexo 2 e pelo Art. 28 da Portaria GM/MS 888/2021, a norma de potabilidade da água.
Tipo de tratamento | Meta de turbidez (Anexo 2 e Art. 29) | Frequência por filtro (Art. 28, §3º) |
Filtração rápida | 0,5 uT em 95% das amostras; até 1,0 uT no restante | A cada 2 horas |
Filtração rápida, com Cryptosporidium no manancial a partir de 1,0 oocisto/L (média aritmética) | 0,3 uT em 95% das amostras; nenhuma acima de 1,0 uT | A cada 2 horas |
Filtração em membrana | 0,1 uT em 99% das amostras | A cada 2 horas |
Filtração lenta | 1,0 uT em 95% das amostras; até 2,0 uT no restante | Diária |
Água subterrânea só com desinfecção | 1,0 uT em 95% das amostras; até 5,0 uT no restante | Semanal |
Fonte da tabela: Portaria GM/MS 888/2021, texto republicado. A frequência que vale para o seu sistema é a do plano de amostragem.
Quando não for possível medir filtro por filtro, o Art. 28, §4º, permite medir o efluente conjunto dos filtros. E, na saída da ETA de manancial superficial, cor, turbidez, residual e pH entram em 1 amostra a cada 2 horas (Anexo 13, na redação da Portaria GM/MS 2.472/2021).
Um detalhe de unidade: a Portaria fala em uT sem definir o método, e os turbidímetros mostram NTU ou FNU. A diferença está em NTU, FNU e uT: qual a diferença nas unidades de turbidez.
Quantas leituras de turbidez por filtro a ETA faz por dia?
No mínimo 12 por filtro na filtração rápida, porque são 24 horas com uma leitura a cada 2 horas. Numa ETA de exemplo com 4 filtros, são 48 leituras por dia e 1.440 em 30 dias, cada uma com hora, filtro e valor.
É aí que mora a correria. O operador para o que está fazendo, coleta, mede, anota e volta. Entre uma rodada e outra, um filtro pode começar a piorar no fim da carreira, que é o período entre duas lavagens, e ninguém percebe até a próxima leitura.
O turbidímetro de processo não tira a leitura de controle da rotina. O que ele muda é o intervalo: o operador vê no painel qual filtro subiu, recebe o alerta e chega à rodada sabendo onde olhar. As leituras de controle seguem com método de norma, como pede o Art. 22.

Vale um turbidímetro por filtro ou um no efluente conjunto?
Um por filtro mostra qual filtro piorou; um no efluente conjunto mostra a média. A Portaria permite o conjunto quando a leitura por filtro não é possível (Art. 28, §4º), mas a média pode esconder um filtro ruim.
Veja um exemplo ilustrativo, com vazões iguais e uma conta simplificada de mistura. Três filtros saem com 0,2 uT e um sai com 1,4 uT. O efluente conjunto marca 0,5 uT, no limite da meta, enquanto um dos filtros já passou de 1,0 uT, o máximo para o restante das amostras.

O sensor por filtro dá o diagnóstico: ele aponta qual filtro lavar ou inspecionar antes. Com o efluente conjunto, a ação depende de investigar filtro por filtro depois do alerta. A escolha depende do número de filtros e do orçamento, e entra no projeto.
Qual escala o turbidímetro de processo precisa ter na ETA?
Escala baixa, de poucos NTU, porque a meta é 0,5 uT ou menos. Num exemplo ilustrativo, um erro de ±2% do fundo de escala vale ±0,04 NTU numa escala de 0 a 2 NTU, e ±0,4 NTU numa de 0 a 20 NTU.
Na segunda escala, o erro quase empata com a meta da filtração rápida. Na membrana, com meta de 0,1 uT em 99% das amostras, a escala baixa pesa ainda mais. O conceito está detalhado em faixa de medição do sensor de turbidez.
A norma ISO 7027-1:2016, de medição de turbidez, indica a nefelometria, com fonte de 860 nm, para baixa turbidez, tipicamente de menos de 0,05 a 400 FNU. Os sensores online avaliados no estudo da agência ambiental dos EUA (EPA, 2009) sobre sensores de qualidade da água usaram luz de 830 a 890 nm, com detector a 90 graus. No projeto do HIDROPAAS, escolhemos a escala certa para a sua água, baixa para água de consumo.
O que atrapalha a leitura do turbidímetro na saída do filtro?
Na saída do filtro, os dois pontos que mais pesam são as bolhas, que puxam a leitura para cima, e a falta de conferência com a bancada, que deixa o sensor perder a referência sem ninguém notar.
Bolhas: microbolhas fazem a leitura subir, segundo o método EPA 180.1 (1993), dos EUA. A diretriz de turbidez da Health Canada cita picos de até 2,0 NTU por bolhas em sensores online, bem acima do número da meta da filtração rápida.
Conferência com a bancada: a concordância entre turbidímetros online é baixa, segundo a mesma diretriz. Compare cada sensor com o turbidímetro de bancada calibrado; no método EPA 180.1, a formazina é o padrão primário.

Cor, limpeza e calibração do aparelho online estão em turbidímetro online ou de bancada.
O que você perde quando um filtro passa da meta sem ninguém ver?
Você perde a barreira que a filtração representa, sem saber em qual filtro. E, se a leitura de controle pegar o desvio, a leitura fora da meta conta contra o percentual de 95% do período.
Desinfecção prejudicada: a OMS recomenda turbidez baixa, idealmente abaixo de 1 NTU, para a desinfecção funcionar. Um filtro acima de 1,0 uT tira essa folga.
Cryptosporidium: quando o manancial tem média de 1,0 oocisto por litro ou mais, a meta da filtração rápida cai para 0,3 uT (Art. 29). Nessa situação, um filtro fora da meta pesa ainda mais.
Obrigação de avisar: o responsável pelo sistema precisa comunicar a autoridade de saúde em caso de risco (Arts. 14, 15 e 44 da Portaria 888).
Multa sanitária: a infração pode ser enquadrada na Lei 6.437/1977, de infrações sanitárias, com multa de R$ 2.000 a R$ 75.000 nas leves e até R$ 1.500.000 nas gravíssimas, dobrada na reincidência.
Água e produto: na indústria com ETA própria, água fora do padrão pode parar a linha ou comprometer o lote produzido com ela.
Como o HIDROPAAS monitora a turbidez de cada filtro
O HIDROPAAS lê a turbidez de cada filtro, ou do efluente conjunto, e mostra tudo num painel com histórico e gráficos. Quando um filtro passa do limite definido, chega um alerta no celular do operador.
Sensor e controlador: sensor em célula de fluxo na saída do filtro, com controlador de parede e display no local.
Escala: escolhemos no projeto a escala certa para a sua água, baixa para água de consumo.
Registro: o histórico de cada leitura pode ser exportado para o relatório da Vigilância e do SISAGUA. Veja o que guardar em registro de cloro e turbidez para a Vigilância.
Cloro na saída: o mesmo painel recebe o cloro residual livre, e o controlador de cloro pode comandar a bomba dosadora pelo residual medido.
Integração: saídas 4 a 20 mA, RS485 (Modbus) e relés para o CLP da ETA, com comunicação por 2G/3G/4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento.
O sensor é apoio, alarme e registro contínuo. A Portaria 888 não menciona medição online e exige método de norma (Art. 22), então as leituras de controle no turbidímetro de bancada calibrado continuam na rotina. Por trás do HIDROPAAS está a PAAS, no ramo de água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA.
Para dimensionar quantos pontos a sua ETA precisa, peça uma proposta de turbidímetro por filtro. O equipamento em detalhe está no guia do sensor de turbidez para água.
Perguntas frequentes
De quanto em quanto tempo medir a turbidez de cada filtro?
Na filtração rápida e na membrana, a cada 2 horas; na filtração lenta, diariamente; na água subterrânea com desinfecção, semanalmente, pelo Art. 28 da Portaria GM/MS 888/2021. Se não der para medir por filtro, mede-se o efluente conjunto.
Qual o limite de turbidez na saída do filtro rápido?
São 0,5 uT em 95% das amostras e até 1,0 uT no restante, segundo o Anexo 2 da Portaria 888. Se o manancial tiver média de Cryptosporidium de 1,0 oocisto por litro ou mais, a meta passa a 0,3 uT em 95%, sem nenhuma acima de 1,0 uT.
Um turbidímetro no efluente conjunto basta?
A Portaria permite o efluente conjunto quando a medição por filtro não é possível (Art. 28, §4º). A média, porém, pode esconder um filtro ruim. O sensor por filtro mostra qual filtro precisa de atenção.
O turbidímetro de processo substitui a leitura a cada 2 horas?
Não. A Portaria 888 não menciona medição online e exige método de norma (Art. 22). O turbidímetro online é apoio, alarme e registro contínuo entre as leituras de controle.
Por que o turbidímetro online dá picos de leitura?
Bolhas são uma das causas. A Health Canada cita picos de até 2,0 NTU por bolhas em sensores online, e o método EPA 180.1 aponta que microbolhas elevam a leitura. Confira na bancada antes de agir.
Com que frequência calibrar o turbidímetro de processo?
A Health Canada recomenda calibrar o turbidímetro online pelo menos a cada 3 meses, verificar toda semana e recalibrar se a deriva passar de 10%. A limpeza da célula também é semanal na mesma diretriz.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Na ETA, cada filtro tem meta e frequência próprias, e o turbidímetro de processo mostra entre as rodadas qual deles saiu da linha. Para montar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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