NTU, FNU e uT: Qual a Diferença nas Unidades de Turbidez

NTU e uT nem sempre são a mesma coisa. NTU é a unidade do método EPA 180.1, que usa luz branca. FNU vem da ISO 7027, com luz infravermelha de 860 nm. A Portaria 888 usa uT, “Unidade de Turbidez”, sem definir o método. Os números só coincidem com segurança na calibração com formazina.

Quer ver a turbidez da água do poço ou da estação no celular, com histórico? Veja como funciona o monitoramento de turbidez do HIDROPAAS.
O que é NTU na turbidez?
NTU é a unidade nefelométrica de turbidez, a que sai dos instrumentos que seguem o método EPA 180.1, da agência ambiental dos EUA. “Nefelométrica” quer dizer que o aparelho mede a luz que as partículas espalham para o lado, e não a luz que atravessa a amostra.
O método EPA 180.1, de 1993, descreve o instrumento. A fonte é uma lâmpada de tungstênio, com temperatura de cor entre 2.200 e 3.000 K, e o detector fica a 90° da luz incidente, com tolerância de 30°. A faixa do método de bancada vai de 0 a 40 NTU.
A calibração usa formazina, o padrão primário do método. É nesse padrão que NTU e FNU dão o mesmo número, como você vai ver mais abaixo.
O que são FNU e FAU?
FNU e FAU são unidades da ISO 7027, a norma internacional que usa luz infravermelha de 860 nm. FNU é a leitura nefelométrica, da luz espalhada. FAU é a leitura por atenuação, da luz que deixa de atravessar a amostra.
A ISO 7027-1:2016, confirmada em 2021, separa as duas por faixa. A nefelometria serve para baixa turbidez, tipicamente de menos de 0,05 até 400 FNU. A atenuação serve para turbidez alta, de 40 a 4.000 FAU.
No monitoramento contínuo, o infravermelho também aparece. Na avaliação de sensores de qualidade da água da EPA (2009), os sensores de turbidez testados usavam luz de 830 a 890 nm, lida a 90°. A escolha entre luz branca e infravermelha está em turbidímetro ISO 7027 ou EPA 180.1.
E o uT da Portaria 888, é igual a NTU?
A Portaria não diz. Ela expressa a turbidez em uT, “Unidade de Turbidez”, e não define qual método produz esse número. Por isso não é correto afirmar, sem ressalva, que 1 uT equivale a 1 NTU.
O que a Portaria GM/MS 888/2021 define é a regra do método. O Art. 22 exige análises pelas normas nacionais ou internacionais mais recentes, como Standard Methods, USEPA, ISO e OMS. Métodos da agência dos EUA e da ISO estão, portanto, entre as referências citadas pelo artigo.
Na legislação ambiental aparece outra sigla. A Resolução CONAMA 357/2005 fixa a turbidez dos corpos de água doce em UNT: até 40 UNT na classe 1 e até 100 UNT nas classes 2 e 3. UNT é a sigla em português de unidade nefelométrica de turbidez.
Unidade | De onde vem | Como mede | Onde aparece |
NTU | Método EPA 180.1 (EUA, 1993) | Luz branca de lâmpada de tungstênio, detector a 90° | Instrumentos que seguem o EPA 180.1 |
FNU | ISO 7027-1 | Luz de 860 nm, luz espalhada, para baixa turbidez | Instrumentos que seguem a ISO 7027 |
FAU | ISO 7027-1 | Luz de 860 nm, atenuação, de 40 a 4.000 FAU | Águas com turbidez alta |
uT | Portaria GM/MS 888/2021 | Método não definido na Portaria | Limites de potabilidade, como 5,0 uT na rede |
UNT | Resolução CONAMA 357/2005 | Sigla em português de unidade nefelométrica | Classes dos corpos de água doce: 40 e 100 UNT |
Fonte da tabela: EPA 180.1 (1993), ISO 7027-1:2016, Portaria GM/MS 888/2021 e Resolução CONAMA 357/2005.
NTU e FNU dão o mesmo número na mesma água?
Só na calibração com formazina. Segundo o memorando técnico 2004.03 do Serviço Geológico dos EUA (USGS), NTU e FNU são numericamente equivalentes nos padrões de formazina, mas podem divergir em amostras reais.
A amostra real tem cor, partículas de vários tamanhos e às vezes bolhas, e cada instrumento responde a isso de um jeito. Pelo método EPA 180.1, cor verdadeira e carvão puxam a leitura para baixo, e microbolhas puxam para cima. O guia de turbidez da água potável do Health Canada, do Canadá, registra que aparelhos de razão, com vários detectores, compensam a cor.
Entre sensores online, a concordância também é baixa: o mesmo guia canadense aponta isso ao comparar turbidímetros online entre si. Uma diferença pequena entre o laudo e o painel não quer dizer, sozinha, que um dos dois está errado.
Antes de comparar qualquer coisa, olhe a unidade no display do seu sensor e a unidade no laudo. Se forem diferentes, você já sabe que os números podem não bater.

Como comparar o laudo com a leitura do sensor?
Compare a mesma água, no mesmo momento, sabendo o método de cada lado. Sem isso, a diferença entre os números não diz muita coisa.
Colete na torneira junto ao sensor. Assim a amostra de bancada é a mesma água que passou pelo sensor.
Anote a hora e a leitura do painel. A turbidez muda ao longo do dia, e a comparação só vale para o mesmo instante.
Leia o método no laudo. Veja se o laboratório usou EPA 180.1, ISO 7027 ou outro método, e em que unidade informou o resultado.
Olhe a tendência. Uma diferença pequena e estável pode ser do método. Registre esse padrão e use-o para interpretar o painel.
Investigue a diferença que cresce. Ela pode indicar sujeira ou deriva do sensor. Limpe, verifique e, se for o caso, recalibre; a rotina de manutenção está em turbidímetro online ou de bancada.

Para o controle oficial, vale o resultado da análise com método de norma (Art. 22). O sensor mostra o que acontece entre as coletas e dispara o alarme, sem substituir o laudo. A rotina de coleta está no guia da PAAS sobre o plano de amostragem da água de poço.
O que você perde quando confunde as unidades?
Você pode tomar a decisão errada perto do limite, que é justamente onde a unidade pesa. Na saída de poço clorado, a meta é 1,0 uT em 95% das amostras, então décimos fazem diferença.
Alarme no ponto errado. Se o limite do alerta foi pensado numa unidade e o sensor lê em outra, ele pode disparar à toa ou ficar quieto quando a água passa do ponto.
Falsa tranquilidade. Uma leitura de 0,9 no painel não prova que o laudo vai dar menos de 1,0 uT. Em amostra real, NTU e FNU podem divergir, e o painel precisa ser conferido com a bancada.
Relatório frágil. A Portaria 888 pede relatórios no modelo da autoridade de saúde (Arts. 14, 15 e 44). Número sem método e sem unidade deixa o registro mais difícil de defender.
Desinfecção em risco. Ler turbidez abaixo do real pode esconder água turva saindo para a rede. A OMS recomenda turbidez baixa, idealmente abaixo de 1 NTU, para a desinfecção funcionar.
Multa. Descumprir normas sanitárias pode ser enquadrado na Lei 6.437/1977, no art. 10, XXIX, com multas de R$ 2.000 a R$ 1.500.000 conforme a gravidade.
Quando a leitura passa do limite, o roteiro do dia está em turbidez acima de 5 uT: o que significa e o que fazer.
Como o HIDROPAAS mostra a turbidez no painel
O HIDROPAAS lê o sensor de turbidez de forma contínua e mostra o valor no app e no painel, com histórico e gráficos. Quando a turbidez passa do limite definido, o alerta chega no celular.
Sensor e controlador: sensor de turbidez em célula de fluxo ou de imersão, com controlador de parede e display.
Escala certa: no projeto, escolhemos a escala certa para a sua água, baixa para consumo e alta para efluente e processo. A lógica está em faixa de medição do sensor de turbidez.
Cloro junto: o cloro residual livre entra no mesmo painel, para ler turbidez e desinfecção lado a lado.
Registro exportado: o sistema exporta o registro de cloro e turbidez para apoiar o relatório da Vigilância e do SISAGUA.
Integração: saídas 4 a 20 mA, RS485 (Modbus) e relés, com comunicação por 2G/3G/4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento.
O sensor é apoio, alarme e registro contínuo, e não substitui o laudo. A Portaria 888 não prevê medição online, então mantenha o turbidímetro de bancada ou o laboratório para conferir. O equipamento está descrito no guia do sensor de turbidez para água. Veja como funciona o monitoramento do HIDROPAAS.
Perguntas frequentes
NTU e uT são a mesma coisa?
Não dá para afirmar sem ressalva. A Portaria GM/MS 888/2021 usa uT, “Unidade de Turbidez”, sem definir o método. NTU é a unidade dos instrumentos que seguem o método EPA 180.1, dos EUA.
FNU é igual a NTU?
Só na calibração com formazina. FNU vem da ISO 7027, que usa luz de 860 nm. Segundo o USGS, NTU e FNU são numericamente equivalentes nos padrões de formazina, mas podem divergir em amostras reais.
O que significa UNT?
UNT é a sigla em português de unidade nefelométrica de turbidez. Ela aparece, por exemplo, na Resolução CONAMA 357/2005, que fixa até 40 UNT nos corpos de água doce de classe 1 e até 100 UNT nas classes 2 e 3.
O que é FAU?
FAU é a unidade da leitura por atenuação da ISO 7027, usada para turbidez alta, de 40 a 4.000 FAU. Para baixa turbidez, a mesma norma usa a nefelometria, com resultado em FNU.
Por que o sensor e o laudo dão números diferentes?
Porque podem usar métodos diferentes, medir em momentos diferentes ou o sensor pode estar com sujeira ou deriva. O Health Canada também registra baixa concordância entre turbidímetros online. Compare a mesma amostra, no mesmo momento, e leia o método no laudo.
Que unidade usar no relatório da SAC?
A Portaria 888 expressa os limites em uT e pede relatórios no modelo da autoridade de saúde. Informe o resultado da análise com método de norma, com o método e a unidade do laudo, e confirme o modelo com a Vigilância do seu município.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
NTU, FNU e uT só batem com segurança na calibração com formazina, então compare laudo e sensor sabendo o método de cada um. Para montar a leitura contínua da sua água, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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