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NTU, FNU e uT: Qual a Diferença nas Unidades de Turbidez

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 3 dias
7 min de leitura

NTU e uT nem sempre são a mesma coisa. NTU é a unidade do método EPA 180.1, que usa luz branca. FNU vem da ISO 7027, com luz infravermelha de 860 nm. A Portaria 888 usa uT, “Unidade de Turbidez”, sem definir o método. Os números só coincidem com segurança na calibração com formazina.

Capa com o texto “NTU, FNU e uT: qual a diferença” sobre foto de controlador de turbidez num galpão industrial ao lado da linha de processo, com a faixa HIDROPAAS · Monitoramento de água e energia

Quer ver a turbidez da água do poço ou da estação no celular, com histórico? Veja como funciona o monitoramento de turbidez do HIDROPAAS.

O que é NTU na turbidez?

NTU é a unidade nefelométrica de turbidez, a que sai dos instrumentos que seguem o método EPA 180.1, da agência ambiental dos EUA. “Nefelométrica” quer dizer que o aparelho mede a luz que as partículas espalham para o lado, e não a luz que atravessa a amostra.

O método EPA 180.1, de 1993, descreve o instrumento. A fonte é uma lâmpada de tungstênio, com temperatura de cor entre 2.200 e 3.000 K, e o detector fica a 90° da luz incidente, com tolerância de 30°. A faixa do método de bancada vai de 0 a 40 NTU.

A calibração usa formazina, o padrão primário do método. É nesse padrão que NTU e FNU dão o mesmo número, como você vai ver mais abaixo.

O que são FNU e FAU?

FNU e FAU são unidades da ISO 7027, a norma internacional que usa luz infravermelha de 860 nm. FNU é a leitura nefelométrica, da luz espalhada. FAU é a leitura por atenuação, da luz que deixa de atravessar a amostra.

A ISO 7027-1:2016, confirmada em 2021, separa as duas por faixa. A nefelometria serve para baixa turbidez, tipicamente de menos de 0,05 até 400 FNU. A atenuação serve para turbidez alta, de 40 a 4.000 FAU.

No monitoramento contínuo, o infravermelho também aparece. Na avaliação de sensores de qualidade da água da EPA (2009), os sensores de turbidez testados usavam luz de 830 a 890 nm, lida a 90°. A escolha entre luz branca e infravermelha está em turbidímetro ISO 7027 ou EPA 180.1.

E o uT da Portaria 888, é igual a NTU?

A Portaria não diz. Ela expressa a turbidez em uT, “Unidade de Turbidez”, e não define qual método produz esse número. Por isso não é correto afirmar, sem ressalva, que 1 uT equivale a 1 NTU.

O que a Portaria GM/MS 888/2021 define é a regra do método. O Art. 22 exige análises pelas normas nacionais ou internacionais mais recentes, como Standard Methods, USEPA, ISO e OMS. Métodos da agência dos EUA e da ISO estão, portanto, entre as referências citadas pelo artigo.

Na legislação ambiental aparece outra sigla. A Resolução CONAMA 357/2005 fixa a turbidez dos corpos de água doce em UNT: até 40 UNT na classe 1 e até 100 UNT nas classes 2 e 3. UNT é a sigla em português de unidade nefelométrica de turbidez.

Unidade

De onde vem

Como mede

Onde aparece

NTU

Método EPA 180.1 (EUA, 1993)

Luz branca de lâmpada de tungstênio, detector a 90°

Instrumentos que seguem o EPA 180.1

FNU

ISO 7027-1

Luz de 860 nm, luz espalhada, para baixa turbidez

Instrumentos que seguem a ISO 7027

FAU

ISO 7027-1

Luz de 860 nm, atenuação, de 40 a 4.000 FAU

Águas com turbidez alta

uT

Portaria GM/MS 888/2021

Método não definido na Portaria

Limites de potabilidade, como 5,0 uT na rede

UNT

Resolução CONAMA 357/2005

Sigla em português de unidade nefelométrica

Classes dos corpos de água doce: 40 e 100 UNT

Fonte da tabela: EPA 180.1 (1993), ISO 7027-1:2016, Portaria GM/MS 888/2021 e Resolução CONAMA 357/2005.

NTU e FNU dão o mesmo número na mesma água?

Só na calibração com formazina. Segundo o memorando técnico 2004.03 do Serviço Geológico dos EUA (USGS), NTU e FNU são numericamente equivalentes nos padrões de formazina, mas podem divergir em amostras reais.

A amostra real tem cor, partículas de vários tamanhos e às vezes bolhas, e cada instrumento responde a isso de um jeito. Pelo método EPA 180.1, cor verdadeira e carvão puxam a leitura para baixo, e microbolhas puxam para cima. O guia de turbidez da água potável do Health Canada, do Canadá, registra que aparelhos de razão, com vários detectores, compensam a cor.

Entre sensores online, a concordância também é baixa: o mesmo guia canadense aponta isso ao comparar turbidímetros online entre si. Uma diferença pequena entre o laudo e o painel não quer dizer, sozinha, que um dos dois está errado.

Antes de comparar qualquer coisa, olhe a unidade no display do seu sensor e a unidade no laudo. Se forem diferentes, você já sabe que os números podem não bater.

Controlador de turbidez cinza com o display marcando 0,42 NTU, ligado a um sensor em célula de fluxo na tubulação azul que sai de um filtro, numa estação de tratamento de água de poço.

Como comparar o laudo com a leitura do sensor?

Compare a mesma água, no mesmo momento, sabendo o método de cada lado. Sem isso, a diferença entre os números não diz muita coisa.

  1. Colete na torneira junto ao sensor. Assim a amostra de bancada é a mesma água que passou pelo sensor.

  2. Anote a hora e a leitura do painel. A turbidez muda ao longo do dia, e a comparação só vale para o mesmo instante.

  3. Leia o método no laudo. Veja se o laboratório usou EPA 180.1, ISO 7027 ou outro método, e em que unidade informou o resultado.

  4. Olhe a tendência. Uma diferença pequena e estável pode ser do método. Registre esse padrão e use-o para interpretar o painel.

  5. Investigue a diferença que cresce. Ela pode indicar sujeira ou deriva do sensor. Limpe, verifique e, se for o caso, recalibre; a rotina de manutenção está em turbidímetro online ou de bancada.

Infográfico em fluxo com cinco passos para comparar laudo e sensor de turbidez: coletar na torneira junto ao sensor, anotar a hora e a leitura do painel, ler no laudo a norma e a unidade, tratar diferença estável como possível efeito do método e investigar a diferença que cresce, que pode ser sujeira ou deriva.

Para o controle oficial, vale o resultado da análise com método de norma (Art. 22). O sensor mostra o que acontece entre as coletas e dispara o alarme, sem substituir o laudo. A rotina de coleta está no guia da PAAS sobre o plano de amostragem da água de poço.

O que você perde quando confunde as unidades?

Você pode tomar a decisão errada perto do limite, que é justamente onde a unidade pesa. Na saída de poço clorado, a meta é 1,0 uT em 95% das amostras, então décimos fazem diferença.

  • Alarme no ponto errado. Se o limite do alerta foi pensado numa unidade e o sensor lê em outra, ele pode disparar à toa ou ficar quieto quando a água passa do ponto.

  • Falsa tranquilidade. Uma leitura de 0,9 no painel não prova que o laudo vai dar menos de 1,0 uT. Em amostra real, NTU e FNU podem divergir, e o painel precisa ser conferido com a bancada.

  • Relatório frágil. A Portaria 888 pede relatórios no modelo da autoridade de saúde (Arts. 14, 15 e 44). Número sem método e sem unidade deixa o registro mais difícil de defender.

  • Desinfecção em risco. Ler turbidez abaixo do real pode esconder água turva saindo para a rede. A OMS recomenda turbidez baixa, idealmente abaixo de 1 NTU, para a desinfecção funcionar.

  • Multa. Descumprir normas sanitárias pode ser enquadrado na Lei 6.437/1977, no art. 10, XXIX, com multas de R$ 2.000 a R$ 1.500.000 conforme a gravidade.

Quando a leitura passa do limite, o roteiro do dia está em turbidez acima de 5 uT: o que significa e o que fazer.

Como o HIDROPAAS mostra a turbidez no painel

O HIDROPAAS lê o sensor de turbidez de forma contínua e mostra o valor no app e no painel, com histórico e gráficos. Quando a turbidez passa do limite definido, o alerta chega no celular.

  • Sensor e controlador: sensor de turbidez em célula de fluxo ou de imersão, com controlador de parede e display.

  • Escala certa: no projeto, escolhemos a escala certa para a sua água, baixa para consumo e alta para efluente e processo. A lógica está em faixa de medição do sensor de turbidez.

  • Cloro junto: o cloro residual livre entra no mesmo painel, para ler turbidez e desinfecção lado a lado.

  • Registro exportado: o sistema exporta o registro de cloro e turbidez para apoiar o relatório da Vigilância e do SISAGUA.

  • Integração: saídas 4 a 20 mA, RS485 (Modbus) e relés, com comunicação por 2G/3G/4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento.

O sensor é apoio, alarme e registro contínuo, e não substitui o laudo. A Portaria 888 não prevê medição online, então mantenha o turbidímetro de bancada ou o laboratório para conferir. O equipamento está descrito no guia do sensor de turbidez para água. Veja como funciona o monitoramento do HIDROPAAS.

Perguntas frequentes

NTU e uT são a mesma coisa?

Não dá para afirmar sem ressalva. A Portaria GM/MS 888/2021 usa uT, “Unidade de Turbidez”, sem definir o método. NTU é a unidade dos instrumentos que seguem o método EPA 180.1, dos EUA.

FNU é igual a NTU?

Só na calibração com formazina. FNU vem da ISO 7027, que usa luz de 860 nm. Segundo o USGS, NTU e FNU são numericamente equivalentes nos padrões de formazina, mas podem divergir em amostras reais.

O que significa UNT?

UNT é a sigla em português de unidade nefelométrica de turbidez. Ela aparece, por exemplo, na Resolução CONAMA 357/2005, que fixa até 40 UNT nos corpos de água doce de classe 1 e até 100 UNT nas classes 2 e 3.

O que é FAU?

FAU é a unidade da leitura por atenuação da ISO 7027, usada para turbidez alta, de 40 a 4.000 FAU. Para baixa turbidez, a mesma norma usa a nefelometria, com resultado em FNU.

Por que o sensor e o laudo dão números diferentes?

Porque podem usar métodos diferentes, medir em momentos diferentes ou o sensor pode estar com sujeira ou deriva. O Health Canada também registra baixa concordância entre turbidímetros online. Compare a mesma amostra, no mesmo momento, e leia o método no laudo.

Que unidade usar no relatório da SAC?

A Portaria 888 expressa os limites em uT e pede relatórios no modelo da autoridade de saúde. Informe o resultado da análise com método de norma, com o método e a unidade do laudo, e confirme o modelo com a Vigilância do seu município.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

NTU, FNU e uT só batem com segurança na calibração com formazina, então compare laudo e sensor sabendo o método de cada um. Para montar a leitura contínua da sua água, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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