Faixa de Medição do Sensor de Turbidez: Por Que a Escala Importa

A faixa de medição do sensor de turbidez vai do zero ao fundo de escala. O erro em % do fundo de escala vale para qualquer leitura da faixa. Num exemplo ilustrativo, ±2% em 0 a 1.000 NTU dá ±20 NTU; em 0 a 2 NTU, ±0,04 NTU. Água de consumo pede escala baixa; efluente, escala alta.

Quer um sensor de turbidez com a escala certa para a sua água, alerta no celular e registro contínuo? Monte o seu sistema de monitoramento com o HIDROPAAS.
O que é a faixa de medição de um sensor de turbidez?
É o intervalo que o sensor consegue ler, do valor mínimo ao máximo. O máximo se chama fundo de escala. Acima dele, a leitura deixa de acompanhar a água.
A escala também define o que cada sinal significa. Na saída 4 a 20 mA, 4 mA corresponde a 0% da escala e 20 mA a 100%, como descreve a avaliação de sensores online da EPA (2009). O mesmo sinal vale coisas diferentes em escalas diferentes.
Veja um exemplo ilustrativo, só com a conta. Numa escala de 0 a 2 NTU, uma leitura de 1 NTU sai como 12 mA, no meio do sinal. Numa escala de 0 a 1.000 NTU, a mesma leitura sai como 4,016 mA, praticamente colada no zero.
Na escala grande, a água limpa ocupa uma fatia mínima do sinal. Qualquer ruído ou erro pesa muito mais sobre o valor que interessa.
O que significa erro em % do fundo de escala?
Significa que o erro é calculado sobre o máximo da escala, e não sobre o valor lido. Por isso, ele tem o mesmo tamanho em toda a faixa: pesa muito sobre a leitura de água limpa e pouco sobre a de água turva.
Alguns aparelhos informam o erro em % da leitura, e esse erro diminui quando a leitura cai. Na ficha técnica, confira qual das duas formas está escrita antes de comparar sensores.
Escala (exemplo ilustrativo) | Erro de ±2% do fundo de escala | Peso sobre uma leitura de 1 NTU |
0 a 1.000 NTU | ±20 NTU | 20 vezes a própria leitura |
0 a 20 NTU | ±0,4 NTU | 40% da leitura |
0 a 2 NTU | ±0,04 NTU | 4% da leitura |
Exemplo ilustrativo: cálculo genérico de ±2% sobre o fundo de cada escala. Não é especificação do sensor HIDROPAAS nem de nenhum aparelho.
A meta da água de poço clorada é 1,0 uT em 95% das amostras. Com ±20 NTU de erro, a leitura não diz se você está dentro ou fora. Com ±0,04 NTU, diz. A Portaria usa uT sem definir o método, então aqui o NTU serve só para mostrar a conta.

Qual faixa de medição usar para água de consumo e para efluente?
Água de consumo pede escala baixa, porque os limites ficam em poucas unidades ou menos. Efluente e processo pedem escala alta, porque a turbidez pode ficar muito acima disso e o uso é operacional.
Aplicação | Valor de referência | Escala que faz sentido |
Saída de poço após a desinfecção | 1,0 uT em 95% das amostras; máximo de 5,0 uT | Baixa |
Filtração rápida (ETA) | 0,5 uT em 95%; 0,3 uT em 95% quando a média de Cryptosporidium chega a 1,0 oocisto/L | Baixa |
Filtração por membrana | 0,1 uT em 99% das amostras | Baixa |
Rede e ponto de consumo | Máximo de 5,0 uT | Baixa |
Rio que recebe o efluente | 40 UNT (classe 1); 100 UNT (classes 2 e 3) | Intermediária |
Efluente, ETE e processo industrial | Sem limite de turbidez para lançamento; uso operacional | Alta |
Fontes: Portaria GM/MS 888/2021 (Art. 28, Art. 29 e Anexo 2), Resolução CONAMA 357/2005 e Resolução CONAMA 430/2011.
A própria norma de medição separa os dois mundos. A ISO 7027-1:2016 usa a nefelometria para baixa turbidez, tipicamente de menos de 0,05 a 400 FNU, e a atenuação para alta, de 40 a 4.000 FAU. A diferença entre os métodos está em turbidímetro ISO 7027 ou EPA 180.1.

No efluente, a escala alta acompanha a eficiência do tratamento e o arraste de sólidos. O caminho completo está no guia de sensor de turbidez para efluente e ETE.
Por que usar a menor escala que cobre a sua água?
Porque a menor escala que ainda cobre a sua água dá o menor erro sobre o valor que importa. É a mesma lógica que a EPA aplica aos analisadores de cloro.
O método EPA 334.0 (2009), que trata de analisadores de cloro online, dá um exemplo. Para um residual de 0,5 a 1,5 mg/L, a escala indicada é de 0 a 2 mg/L, e não de 0 a 10. A turbidez não está nesse método, mas a conta do fundo de escala é a mesma.
O cuidado é não exagerar para baixo. Se a turbidez passa do fundo de escala, a leitura fica no máximo ou indica fora de faixa, e você deixa de saber quanto ela subiu. A escala precisa cobrir também os picos que interessa registrar.
As bolhas entram nessa conta. A Health Canada cita picos de até 2,0 NTU causados por bolhas em sensor online. Numa escala baixa, esse pico chega perto do topo, então a instalação sem bolhas pesa tanto quanto a escala.

Como conferir se a escala e a leitura estão certas?
Comparando o sensor com um turbidímetro de bancada, na mesma água, com frequência definida. A Health Canada recomenda verificar o sensor online toda semana, calibrar pelo menos a cada três meses e limpar toda semana.
Se a deriva passar de 10%, a recomendação é recalibrar. A mesma fonte observa que a concordância entre turbidímetros online é baixa, então a comparação com a sua referência de bancada é o que dá confiança ao número.
Atenção à unidade do laudo. Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS), NTU e FNU só se equivalem em número na calibração com formazina. A explicação está em NTU, FNU e uT: qual a diferença.
O que você perde quando a escala do sensor não combina com a sua água?
Você perde a capacidade de decidir pelo número. O sensor continua mostrando um valor, mas ele deixa de dizer se a água está dentro da meta.
Leitura que não decide nada. Com escala alta demais, o erro pode ser maior que a própria meta de 1,0 uT. Não dá para saber se 95% das leituras estão dentro.
Alarme que dispara ou some sem motivo. No exemplo ilustrativo de ±0,4 NTU, um alarme em 1,0 pode tocar com a água real em 0,6 ou calar com ela em 1,4.
Evento sem tamanho. Com escala curta demais, o pico passa do fundo de escala e o registro mostra só o teto. Você sabe que subiu, mas não quanto.
Desinfecção mais fraca do que parece. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda turbidez baixa, idealmente abaixo de 1 NTU, para a desinfecção funcionar. Leitura imprecisa nessa faixa esconde o risco.
Risco sanitário e multa. Fornecer água fora do padrão pode ser enquadrado como infração na Lei 6.437/1977. As multas vão de R$ 2.000 a R$ 1.500.000, conforme a gravidade, e dobram na reincidência.
Para a saída do poço clorado, onde a escala baixa faz mais diferença, veja o guia do medidor de turbidez online para poço com cloração.
Como o HIDROPAAS escolhe a escala do sensor de turbidez
No projeto, escolhemos a escala certa para a sua água: escala baixa para água de consumo e escala alta para efluente e processo. A escolha parte da aplicação, do limite que importa e dos picos que você precisa registrar.
Sensor de imersão ou em célula de fluxo, ligado a um controlador de parede com display.
Leitura no app e no painel HIDROPAAS, com histórico e gráficos.
Alerta no celular quando a turbidez passa do limite que você definir.
Saídas 4 a 20 mA, RS485 (Modbus) e relés, para integrar com quadro, CLP ou outros equipamentos.
Relatório para a Vigilância e o SISAGUA, com o registro de turbidez e cloro exportado.
Comunicação por 2G/3G/4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento.
O sensor é apoio, alarme e registro contínuo. A Portaria 888 não prevê medição online e exige método de norma (Art. 22), então a análise de bancada ou de laboratório e a coleta oficial continuam. Por trás do HIDROPAAS está a PAAS, no ramo de poços e água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA.
Para definir a escala da sua aplicação, monte o seu sistema de monitoramento de cloro e turbidez. O guia do sensor de turbidez para água mostra o restante do conjunto.
Perguntas frequentes
O que é fundo de escala de um sensor de turbidez?
É o maior valor que o sensor consegue ler na escala configurada. Ele é a base de cálculo quando o erro vem informado em % do fundo de escala, e define o que significam os 20 mA da saída 4 a 20 mA.
Como calcular o erro em % do fundo de escala?
Multiplique o percentual pelo valor máximo da escala. Num exemplo ilustrativo, ±2% numa escala de 0 a 20 NTU dá ±0,4 NTU, e esse erro vale para qualquer leitura dentro da faixa.
Qual a faixa de medição ideal para água de poço?
Uma escala baixa, compatível com as metas da Portaria 888: 1,0 uT em 95% das amostras de água subterrânea desinfetada e máximo de 5,0 uT. A escala exata depende da sua água e dos picos que você precisa registrar, e é definida no projeto.
Posso usar o mesmo sensor de turbidez para água tratada e efluente?
Em geral, não é a melhor escolha, porque a água tratada pede escala baixa e o efluente pede escala alta. A ISO 7027-1 separa a nefelometria, para baixa turbidez, da atenuação, para turbidez alta.
O que acontece quando a turbidez passa do fundo de escala?
A leitura fica no máximo da escala ou indica fora de faixa, e você deixa de saber quanto a turbidez subiu. Por isso a escala precisa cobrir também os picos que interessa registrar.
Com que frequência conferir o sensor de turbidez online?
A Health Canada recomenda verificar toda semana, calibrar pelo menos a cada três meses e recalibrar se a deriva passar de 10%. A conferência é feita com um turbidímetro de bancada, que continua na rotina junto com a coleta oficial.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
A escala do sensor de turbidez decide se a leitura serve: baixa para água de consumo, alta para efluente, e conferida com a bancada. Para escolher a da sua água, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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