Turbidímetro ISO 7027 ou EPA 180.1: Infravermelho ou Luz Branca

O turbidímetro ISO 7027 usa luz infravermelha de 860 nm e mede em FNU, ou em FAU quando a água é muito turva. O EPA 180.1 usa luz branca de tungstênio e mede em NTU. Na água com cor, o infravermelho reduz a interferência, sem zerá-la. Para poço, ETA pequena ou efluente, decidem a cor, a faixa e o laudo.

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Qual a diferença entre turbidímetro ISO 7027 e EPA 180.1?
A diferença principal está na luz e na unidade. O EPA 180.1 ilumina a amostra com luz branca e lê a luz espalhada de lado. O ISO 7027 usa infravermelho de 860 nm e tem dois modos de leitura, conforme a turbidez.
O método EPA 180.1, publicado em 1993 pela agência ambiental dos EUA, pede lâmpada de tungstênio de 2.200 a 3.000 K e detector a 90°, com tolerância de ±30°. É um método de bancada, com faixa de 0 a 40 NTU. Pela convenção do Serviço Geológico dos EUA (USGS), NTU é a unidade dos instrumentos que seguem esse método.
A norma ISO 7027-1:2016, confirmada em 2021, usa fonte de 860 nm. Na água pouco turva, ela lê a luz espalhada (nefelometria) e informa em FNU. Na água muito turva, lê quanto a luz enfraquece ao atravessar a amostra (atenuação) e informa em FAU.
Característica | EPA 180.1 | ISO 7027-1 |
Fonte de luz | Lâmpada de tungstênio, luz branca (2.200 a 3.000 K) | Infravermelho, 860 nm |
Como lê | Luz espalhada, detector a 90° (±30°) | Luz espalhada na baixa turbidez; atenuação na alta |
Faixa do método | 0 a 40 NTU (bancada) | Tipicamente de menos de 0,05 a 400 FNU (nefelometria); 40 a 4.000 FAU (atenuação) |
Unidade | NTU | FNU ou FAU |
Cor verdadeira da água | Faz a leitura sair baixa | Interfere menos, mas continua interferindo |
Microbolhas | Fazem a leitura sair alta | Também fazem a leitura sair alta |
Fontes da tabela: EPA 180.1 (1993) e ISO 7027-1:2016. As faixas são dos métodos, e não de um aparelho específico.
Por que a cor da água muda a leitura de turbidez?
Porque a cor dissolvida absorve parte da luz antes de ela chegar ao detector. Segundo o EPA 180.1, cor verdadeira e partículas de carvão fazem a leitura sair mais baixa do que a turbidez real.
Na prática, um turbidímetro de luz branca pode mostrar como boa uma água que não está tão boa assim. É um erro que passa despercebido, porque leitura baixa não chama a atenção de ninguém.
A luz infravermelha da ISO 7027 reduz essa interferência, mas não a zera. Outra saída, descrita no guia de turbidez da água potável da Health Canada, são os turbidímetros de razão, que usam mais de um detector para compensar a cor.
O erro contrário vem das bolhas. Microbolhas espalham luz e fazem a leitura subir, segundo o EPA 180.1. Em sensor online, a Health Canada cita picos de até 2,0 NTU causados por bolhas, o bastante para disparar um alarme falso numa água que está boa.

Nefelometria ou atenuação: qual faixa cada método cobre?
A nefelometria serve para água pouco turva, e a atenuação para água muito turva. Pela ISO 7027-1, a nefelometria vai tipicamente de menos de 0,05 a 400 FNU, e a atenuação de 40 a 4.000 FAU.
Água de poço, de rede e de saída de filtro fica no começo dessa régua. A Portaria GM/MS 888/2021 fixa 5,0 uT como máximo na rede e 1,0 uT em 95% das amostras de água subterrânea após a desinfecção. Na filtração rápida, a meta é 0,5 uT em 95% das amostras.
Lodo e alguns efluentes e águas de processo podem passar da faixa da nefelometria. Nesses casos, o modo de atenuação faz mais sentido. O método de bancada EPA 180.1 cobre só de 0 a 40 NTU.
Escolher o método é metade da decisão. A outra metade é a escala do sensor, explicada no guia de faixa de medição do sensor de turbidez.
Que unidade sai de cada turbidímetro e como comparar com o laudo?
O EPA 180.1 dá NTU, e a ISO 7027 dá FNU ou FAU. Segundo a nota técnica do Serviço Geológico dos EUA (USGS), NTU e FNU só se equivalem em número na calibração com formazina. Em amostra real, podem divergir.
A Portaria 888 usa "uT", unidade de turbidez, sem definir o método. Por isso, não trate uT, NTU e FNU como a mesma coisa sem ressalva. A explicação completa está em NTU, FNU e uT: qual a diferença nas unidades de turbidez.
Na rotina, anote qual método o laboratório usa e compare o sensor com a mesma referência de bancada. A Health Canada observa que a concordância entre turbidímetros online é baixa. Dois aparelhos diferentes podem mostrar números diferentes na mesma água.
Qual turbidímetro escolher para poço, ETA pequena e efluente?
Para água de consumo, o ponto de partida é a nefelometria em escala baixa. Para efluente e processo, a escala é mais alta, e o modo de atenuação entra quando a turbidez passa da faixa da nefelometria. A cor da água e o método do laudo ajustam a escolha.
Aplicação | Referência | O que pesa na escolha |
Poço com cloração (SAC, condomínio, indústria) | 1,0 uT em 95% das amostras e máximo de 5,0 uT após a desinfecção (Portaria 888, Anexo 2) | Baixa turbidez, cor da água, bolhas na linha |
ETA pequena com filtração rápida | 0,5 uT em 95%; leitura de cada filtro a cada 2 horas (Portaria 888, Art. 28) | Baixa turbidez, um ponto por filtro, bolhas e limpeza da célula |
Efluente, ETE e processo industrial | A Resolução CONAMA 430/2011 não fixa limite de turbidez para lançamento; o uso é operacional | Alta turbidez, sensor de imersão, limpeza do sensor |
Fontes: Portaria GM/MS 888/2021 e Resolução CONAMA 430/2011.

Na avaliação de sensores online da EPA (2009), os turbidímetros testados usavam luz de 830 a 890 nm, lida a 90°. Ou seja, o infravermelho é a base desses sensores contínuos. O EPA 180.1 segue como método de bancada para conferir.
No efluente, a turbidez ajuda a acompanhar a eficiência do tratamento e o arraste de sólidos. Segundo o USGS, a relação entre turbidez e sólidos em suspensão é específica de cada local, sem fator universal. Veja como montar isso no guia de sensor de turbidez para efluente e ETE.

Como calibrar e conferir cada tipo de turbidímetro?
A formazina é o padrão primário do EPA 180.1, e é na calibração com ela que NTU e FNU se equivalem. No EPA 180.1, a suspensão-estoque é preparada todo mês e as diluições, todo dia.
O mesmo método aceita padrões secundários para a verificação diária. Blocos de acrílico do tipo lucite, porém, são proibidos como padrão.
No sensor online, a Health Canada recomenda calibrar pelo menos a cada três meses, verificar toda semana e limpar toda semana. Se a deriva passar de 10%, a recomendação é recalibrar.
O turbidímetro portátil continua na rotina, para conferir o sensor e para a coleta oficial. O sensor entra com a leitura contínua e o alarme. Quando cada um faz sentido está em turbidímetro online ou de bancada.
O que você perde quando escolhe o turbidímetro sem olhar a sua água?
Você perde a confiança na leitura, e com ela o motivo de medir. Os erros vêm da cor, das bolhas e de confiar só na turbidez.
Falso conforto com água colorida. A luz branca lê a turbidez abaixo do real quando há cor verdadeira (EPA 180.1). A água pode estar acima da meta de 1,0 uT e o número dizer o contrário.
Desinfecção mais fraca do que parece. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda turbidez baixa, idealmente abaixo de 1 NTU, para a desinfecção funcionar. Leitura errada esconde justamente esse risco.
Alarme que ninguém leva a sério. Bolhas geram picos de até 2,0 NTU em sensor online (Health Canada). Se o alarme toca sem motivo, a equipe passa a ignorar, inclusive no dia do problema real.
Turbidez sozinha como alarme de contaminação. Na avaliação da EPA (2009), a turbidez isolada deu sinal ruidoso como gatilho de alarme. Por isso vale cruzá-la com o cloro residual no mesmo painel.
Como o HIDROPAAS monitora a turbidez da sua água
O HIDROPAAS liga um sensor de turbidez a um controlador de parede e leva a leitura para o app, com histórico, gráficos e alerta no celular. Você define o limite, e o aviso chega quando a turbidez passa dele.
Sensor de imersão ou em célula de fluxo, conforme a aplicação: célula na linha de água tratada, imersão no tanque de efluente ou de processo.
Escala escolhida no projeto: escala baixa para água de consumo e escala alta para efluente e processo. No projeto, escolhemos a escala certa para a sua água.
Saídas 4 a 20 mA, RS485 (Modbus) e relés, para integrar com quadro, CLP ou outros equipamentos.
Relatório para a Vigilância e o SISAGUA, com o registro de turbidez e cloro exportado.
Cloro e turbidez no mesmo painel, junto com nível, vazão, energia e pH, se você usa outros módulos do HIDROPAAS.
Comunicação por 2G/3G/4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento.
O sensor é apoio, alarme e registro contínuo. A Portaria 888 não prevê medição online e exige método de norma (Art. 22), então a análise de bancada ou de laboratório e a coleta oficial continuam. Por trás do HIDROPAAS está a PAAS, no ramo de poços e água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA.
Para começar pela sua aplicação, monte o seu sistema de monitoramento de cloro e turbidez. O guia do sensor de turbidez para água mostra o restante do conjunto.
Perguntas frequentes
O que é um turbidímetro ISO 7027?
É um turbidímetro que segue a norma ISO 7027-1, com luz infravermelha de 860 nm. Na água pouco turva, mede a luz espalhada e informa em FNU. Na água muito turva, mede a atenuação da luz e informa em FAU.
Qual a diferença entre NTU e FNU?
NTU vem de instrumentos que seguem o EPA 180.1, com luz branca, e FNU vem da ISO 7027, com infravermelho. Segundo o USGS, os números só se equivalem na calibração com formazina e podem divergir em amostra real.
O infravermelho resolve o problema da cor da água?
Reduz a interferência da cor, mas não a zera. Se a água tem muita cor, vale avaliar também um turbidímetro de razão, que usa mais de um detector para compensar a cor, como descreve a Health Canada.
O método EPA 180.1 serve para efluente?
O EPA 180.1 é um método de bancada com faixa de 0 a 40 NTU. Para efluente e processo com turbidez alta, a ISO 7027-1 prevê o modo de atenuação, de 40 a 4.000 FAU.
A Portaria 888 exige turbidímetro ISO 7027 ou EPA 180.1?
A Portaria 888 pede métodos de normas nacionais ou internacionais atualizadas, como Standard Methods, USEPA e ISO (Art. 22). Ela usa a unidade uT sem definir o método e não prevê medição online, então a análise oficial continua com método de norma.
O sensor de turbidez online substitui o turbidímetro de bancada?
Não. O sensor dá a leitura contínua, o alarme e o registro, mas a Portaria 888 não prevê medição online. O portátil ou o laboratório seguem para conferir o sensor e para a coleta oficial.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
O ISO 7027 mede no infravermelho e reduz a interferência da cor, o EPA 180.1 usa luz branca, e a escolha depende da faixa, da cor e do laudo da sua água. Para montar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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