Sensor de Turbidez para Efluente e ETE: Como Acompanhar a Saída

O sensor de turbidez para efluente acompanha a saída da ETE o tempo todo: eficiência do tratamento, tendência e arraste de lodo do decantador. A CONAMA 430/2011 não tem limite de turbidez nem de cloro para lançamento, então o uso é operacional. E a relação entre turbidez e sólidos suspensos precisa ser calibrada no seu efluente.

Quer acompanhar a saída da sua ETE pelo celular? Peça uma proposta de monitoramento de turbidez para efluente.
Existe limite de turbidez para lançamento de efluente?
Na norma federal, não. A Resolução CONAMA 430/2011, que trata do lançamento de efluentes, não traz limite de turbidez nem de cloro residual na tabela de padrões de lançamento (Tabela I do Art. 16).
A turbidez aparece em outra norma, a Resolução CONAMA 357/2005, que classifica os corpos d'água. Ali, a turbidez máxima é de 40 UNT na classe 1 e de 100 UNT nas classes 2 e 3 de água doce. Esse número é da qualidade do rio ou do lago, e não do tubo de saída da ETE.
No Rio Grande do Sul, a Resolução CONSEMA 355/2017 também não fixa turbidez nem cloro, e trata o monitoramento como contínuo ou periódico (Art. 2º, XXVII). No reúso não potável, a Resolução CONSEMA 419/2020 limita o cloro residual total, mas não a turbidez.
Em São Paulo, os Arts. 18 e 19 do Decreto Estadual 8.468/1976, no texto original, também não trazem turbidez. No reúso, a Resolução CNRH 54/2005 não tem limites numéricos e deixa os parâmetros para os órgãos competentes. A licença de operação da sua ETE pode ter condicionantes próprias, que variam por estado e órgão.
Norma | Turbidez | Cloro residual | Vale para |
CONAMA 430/2011 | Sem limite | Sem limite | Lançamento de efluentes (Tabela I do Art. 16) |
CONAMA 357/2005 | 40 UNT na classe 1; 100 UNT nas classes 2 e 3 | 0,01 mg/L Cl total na classe 1 (classe 2 por remissão) | Qualidade do rio ou lago de água doce |
CONSEMA 355/2017 (RS) | Sem limite | Sem limite | Lançamento no RS; coliformes por faixa de vazão |
CONSEMA 419/2020 (RS) | Sem limite | Abaixo de 1 mg/L total na irrigação paisagística | Reúso não potável no RS |
Fonte da tabela: textos das resoluções citadas acima. Confira sempre a versão vigente e o que a sua licença pede.
Para que serve o sensor de turbidez na saída da ETE?
Serve para ver o tratamento funcionando entre uma análise de laboratório e outra. A turbidez acompanha logo o que acontece no decantador, enquanto a coleta para laboratório mostra só o momento em que foi feita.
Na prática, o sensor ajuda em quatro leituras do dia a dia:
Eficiência: comparar a turbidez da entrada com a da saída mostra se o tratamento está segurando os sólidos.
Tendência: uma subida lenta ao longo de dias pode indicar lodo acumulando ou perda de eficiência.
Arraste de lodo: um pico na saída do decantador pode indicar lodo sendo levado junto com a água tratada.
Mudança de carga: variações de vazão ou de produção na indústria podem aparecer na turbidez antes de chegar ao laudo.
Um cuidado: a turbidez sozinha é um sinal que oscila. Em testes da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, 2009) com sensores em rede de água, a turbidez isolada deu um sinal ruidoso como gatilho de alarme. Por isso, vale definir o limite de alerta com folga e olhar a tendência no gráfico, em vez de reagir a cada pico.

A turbidez substitui a análise de sólidos suspensos (SST)?
Não. A relação entre turbidez e sólidos suspensos totais (SST) é específica de cada local e não tem um fator universal, como aponta o Serviço Geológico dos EUA (USGS). O mesmo valor de turbidez pode corresponder a quantidades diferentes de sólidos em duas ETEs.
A turbidez mede a luz espalhada pelas partículas, e não a massa delas. A cor da água, por exemplo, faz a leitura cair, segundo o método EPA 180.1. Por isso, dois efluentes com a mesma massa de sólidos podem marcar valores diferentes.
O caminho é montar a curva do seu próprio efluente. Por algumas semanas, colete amostras para SST no laboratório no mesmo horário em que registra a turbidez do sensor, em vazões e turnos diferentes. Com os pares de valores, o responsável técnico vê se existe uma relação útil e até onde ela vale.
Mesmo com a curva pronta, a turbidez continua sendo estimativa. O SST que vai para o relatório ambiental é o do laboratório.
Qual escala de sensor usar no efluente?
Escala alta, compatível com a turbidez real do seu efluente. Água tratada para consumo pede escala de poucos NTU, enquanto efluente e processo pedem escala bem maior, e essa escolha muda a qualidade da leitura.
A norma ISO 7027-1:2016, de medição de turbidez, separa dois princípios. A nefelometria serve para baixa turbidez, tipicamente de menos de 0,05 a 400 FNU. A atenuação serve para alta turbidez, de 40 a 4.000 FAU. Qual delas serve para você depende de quanto o seu efluente marca na prática.
Escala grande demais também atrapalha: quando o erro é dado em % do fundo de escala, uma escala de 0 a 1.000 NTU esconde a variação de uma saída que fica perto de 10 NTU.
O assunto está detalhado no post sobre faixa de medição do sensor de turbidez. Para entender por que o princípio de medição muda a unidade que aparece no display, veja turbidímetro ISO 7027 ou EPA 180.1.
Um detalhe de unidade: a CONAMA 357 usa UNT, e os sensores mostram NTU ou FNU. Segundo o memorando técnico do USGS sobre unidades de turbidez, NTU e FNU só coincidem numericamente na calibração com formazina e podem divergir em amostra real.
Como instalar e manter o sensor de turbidez em efluente?
Em tanque ou canal aberto, o sensor de imersão é o formato natural, e a célula de fluxo serve quando há uma linha de amostra. O ponto precisa representar a água que sai, longe de zona parada e de turbulência com bolhas.
Bolhas fazem a turbidez ler mais alto, e a cor verdadeira faz ler mais baixo, segundo o método EPA 180.1 (1993). Para água potável, a diretriz de turbidez da Health Canada cita picos de até 2,0 NTU causados por bolhas em sensores online.
A manutenção é o que separa um gráfico confiável de um gráfico bonito. A diretriz canadense, escrita para água potável, recomenda limpeza e verificação semanais e calibração pelo menos trimestral, com recalibração se a deriva passar de 10%. Como o efluente carrega mais sólidos, defina o seu calendário comparando a leitura do sensor com as amostras de laboratório.

O que você perde quando a turbidez da saída sobe sem ninguém ver?
Você perde o tempo de reação. Um arraste de lodo pode durar horas e acabar antes da próxima coleta, e aí o problema só aparece no laudo seguinte, ou não aparece.
Coleta espaçada: no reúso não potável do RS, a CONSEMA 419/2020 prevê monitoramento semestral, trimestral ou bimestral, conforme a vazão. Entre uma coleta e outra, só a medição contínua mostra o que acontece.
Corpo receptor: os sólidos que escapam vão para o rio, que tem limite de turbidez pela classe na CONAMA 357/2005.
Lodo que faz falta: em ETE de lodo ativado ou de reator anaeróbio, o lodo que escapa é biomassa perdida fora do descarte planejado, e o reator fica com menos lodo para tratar nos dias seguintes.
Licença: se a sua licença de operação tem condicionante de sólidos ou de monitoramento, um evento sem registro fica difícil de explicar ao órgão ambiental.
Diagnóstico às cegas: sem histórico, ninguém sabe se a piora começou com a chuva, com o turno da produção ou com a descarga de lodo.
Como o HIDROPAAS monitora a turbidez do efluente
O HIDROPAAS mede a turbidez da saída da ETE o tempo todo e avisa no celular quando ela passa do limite que você definiu. O histórico fica no app, com gráficos, e o registro pode ser exportado.
Sensor e controlador: sensor de imersão ou em célula de fluxo, com controlador de parede e display no local.
Saídas: 4 a 20 mA, RS485 (Modbus) e relés, para ligar ao CLP da ETE ou a um alarme local.
Escala: escolhemos no projeto a escala certa para a sua água, alta para efluente e processo.
Mesmo painel: turbidez junto com nível, vazão, energia e pH, conforme os sensores do projeto. Veja o sensor de pH para água.
Comunicação: 2G/3G/4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento. Para ETE longe da rede, veja monitoramento sem internet por 4G e satélite.
O sensor é apoio, alarme e registro contínuo. As análises de laboratório exigidas pela licença continuam valendo, e o SST oficial continua sendo o do laboratório. Por trás do HIDROPAAS está a PAAS, no ramo de água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA.
Para dimensionar o seu ponto de medição, peça uma proposta de sensor de turbidez para efluente. O guia do sensor de turbidez para água mostra o equipamento em água de consumo.
Perguntas frequentes
Sensor de turbidez serve para efluente?
Serve, como ferramenta operacional. Ele mostra a eficiência do tratamento, a tendência e o arraste de lodo do decantador em tempo real. A escala precisa ser alta, compatível com a turbidez real do efluente.
A CONAMA 430 tem limite de turbidez?
Não. A Resolução CONAMA 430/2011 não traz limite de turbidez nem de cloro residual na Tabela I do Art. 16. A turbidez aparece na CONAMA 357/2005, para a qualidade do rio ou lago: 40 UNT na classe 1 e 100 UNT nas classes 2 e 3.
Dá para medir SST com sensor de turbidez?
Só como estimativa, depois de calibrar no seu efluente. A relação entre turbidez e SST é específica de cada local, sem fator universal, segundo o USGS. O SST do relatório ambiental continua sendo o do laboratório.
Qual a diferença entre NTU e FNU no sensor de efluente?
NTU vem de instrumento do método EPA 180.1, e FNU vem da norma ISO 7027. Segundo o USGS, os dois só coincidem numericamente na calibração com formazina e podem divergir em amostra real. Por isso, compare leituras sempre na mesma unidade.
Com que frequência limpar o sensor de turbidez no efluente?
Não há um número único para efluente. Para água potável, a Health Canada, órgão de saúde do Canadá, recomenda limpeza e verificação semanais e calibração pelo menos trimestral. Em efluente, defina o calendário comparando a leitura do sensor com amostras de laboratório.
Recebo alerta de turbidez alta da ETE no celular?
Sim. O HIDROPAAS avisa no celular quando a turbidez passa do limite definido e guarda o histórico em gráficos no app. O registro pode ser exportado para relatórios.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Na ETE, a turbidez é indicador operacional, e não limite da CONAMA 430, e o sensor mostra o arraste de lodo entre as coletas do laboratório. Para montar o seu, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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