Pivô Central no Noroeste de Minas: Paracatu, Unaí e a Água

O pivô central no Noroeste de Minas soma 308.499 ha, pela Embrapa (2024), e a região tem o 2º e o 3º municípios com mais pivô do país: Paracatu, com 88.889 ha, e Unaí, com 81.246 ha, cujas sedes ficam na bacia do rio Paracatu. A outorga é do IGAM ou, em rio da União, da ANA.

Tem pivô em Paracatu, Unaí ou na região? Chame no WhatsApp e veja como ter o registro diário que o IGAM pede sem anotar à mão.
Quanto o Noroeste de Minas irriga com pivô?
São 308.499 ha irrigados por pivôs em 2024, segundo o levantamento da Embrapa (Guimarães e Landau, 2024). A região era o maior polo do país até ser ultrapassada pelo Extremo Oeste Baiano, que chegou a 332.563 ha.
Minas segue como o 1º estado em pivôs, com 636.994 ha em 2024, 13,81% a mais que os 559.700 ha de 2022. Em 2020, eram 8.541 pivôs em 501.183,6 ha no estado, pelo boletim anterior da Embrapa. Fora do Noroeste, o Triângulo/Alto Paranaíba soma 199.166 ha e o Norte de Minas, 75.493 ha.
Recorte | 2022 | 2024 | Fonte |
Minas Gerais | 559.700 ha | 636.994 ha | Embrapa |
Noroeste de Minas | não informado | 308.499 ha | Embrapa |
Paracatu (2º do Brasil) | 79,9 mil ha | 88.889 ha | ANA (2022) e Embrapa (2024) |
Unaí (3º do Brasil) | 72,7 mil ha | 81.246 ha | ANA (2022) e Embrapa (2024) |
Os números municipais de 2022 vêm do mapeamento da ANA, com método diferente do da Embrapa; compare a tendência, não a diferença exata. A ANA também reconhece dois Polos Nacionais de irrigação ligados à região: Alto Paracatu-Entre Ribeiros, em Minas, e São Marcos, que abrange DF, Goiás e Minas.

A comparação com os outros estados está no ranking de pivôs centrais por estado.
De onde vem a água dos pivôs de Paracatu e Unaí?
As sedes de Paracatu e Unaí ficam na bacia do rio Paracatu, afluente do São Francisco. Pela Embrapa, a unidade de bacia "Paracatu 02" tem 185.603 ha de pivôs, a 2ª maior área entre as bacias de nível 3 do país.
Ao lado fica a bacia do São Marcos, com 131.249 ha de pivôs na sub-bacia São Marcos 01. Ela tem regra própria desde a Resolução Conjunta 109/2021, assinada por ANA, Adasa, Igam e Semad-GO: limite de alocação de 13,61 m³/s e eficiência mínima de 85% na irrigação. Ou seja, há um teto de água para dividir entre todos os irrigantes da bacia.
Quem outorga depende do rio. Rio que corre só dentro de Minas, como o próprio Paracatu, e os poços tubulares ficam com o IGAM. Rios que cruzam ou marcam divisas entre estados, como o São Marcos e o São Francisco, são da União e ficam com a ANA. Se você capta no rio Preto ou num afluente dele, confira na portaria qual órgão a emitiu: a bacia do Preto (SF) tem limite próprio no Anexo I da ANA.
Pivô não cabe no uso insignificante. Pela DN CERH-MG 09/2004, o limite superficial é de 1 L/s, ou 0,5 L/s em bacias como as do São Francisco de SF6 a SF10, onde está a do Paracatu (SF7). Poço tubular não é considerado insignificante em nenhuma vazão. Um pivô com 470 m³/h, em exemplo ilustrativo, capta cerca de 130 L/s.
O que o IGAM exige do pivô em Minas?
Medidor de vazão e horímetro na captação e registro diário de vazão e tempo de captação. É o que manda a Portaria IGAM nº 48/2019, a norma de Minas que mais pesa no dia a dia de quem irriga.
Situação | O que a Portaria IGAM 48/2019 pede | Artigo |
Captação outorgada | Medidor e horímetro | Art. 16 |
Superficial abaixo de 10 L/s | Medição dispensada, salvo se a outorga exigir | Art. 20, § 1º |
Área de Conflito declarada | Medidor e horímetro em qualquer vazão | Art. 20, § 3º |
Poço tubular | Medidor, horímetro, ponto de coleta e tubo auxiliar; nível estático a cada 6 meses no máximo | Arts. 22, 23 e 26 |
Captação com medição obrigatória | Vazão e tempo medidos todo dia, em planilha impressa e digital, com ART | Arts. 25 e 30 |
Plataforma online aberta ao IGAM | 2 anos a mais de prazo de outorga | Art. 9º, § 4º |
A planilha diária é apresentada na renovação ou quando o órgão pedir. A outorga tem prazo de até 10 anos nos casos comuns, e a telemetria pode ser exigida com justificativa (art. 16, § 3º). As penalidades em Minas seguem o Decreto 47.383/2018.

Em rio da União, vale a Resolução ANA nº 188/2024. No São Marcos, a DURH mensal é obrigatória a partir de 36 m³/h e a telemetria, a partir de 2.000 m³/h. Na calha do São Francisco, a DURH anual começa em 2.000 m³/h, e na bacia do Preto (São Francisco), em 1.000 m³/h. O detalhe está no post sobre medição de vazão do pivô para a outorga.
Para o processo de outorga em si, veja os guias da PAAS sobre outorga para irrigação por pivô central em MG e a outorga para irrigação em MG em 2026.
O que você perde quando o pivô para ou o cabo some?
Você perde produção na fase crítica, água mal distribuída e, no caso do cabo, pivô parado até a reposição. Pesquisas feitas em Minas e casos recentes mostram o tamanho dessa conta.
Milho sem água no florescimento: em Janaúba, no Norte de Minas, 25 dias sem irrigação no florescimento derrubaram o rendimento de 41% a 66%, conforme o híbrido. Num deles, a produção caiu de 7.245 para 2.435 kg/ha (Fonseca e Magalhães, Embrapa Milho e Sorgo).
Água mal distribuída: em 21 pivôs avaliados em Minas, só 48,7% da área recebia a lâmina média ou mais, com uniformidade (CUC) de 74,5% a 94,0% (Toledo et al., Irriga 2017). Pressão fora do projeto é uma das causas possíveis de desuniformidade.
Cabo furtado: no RS, uma produtora de Estrela Velha teve prejuízo de R$ 60 mil a R$ 80 mil, e o último furto levou o cabo de 13 torres de 2 pivôs (Boca.com.br, 2025).
Planilha com buraco: sem o registro diário do art. 25, a renovação fica sem prova de uso.
Minas apertou o cerco a quem compra cobre furtado. A Lei estadual 24.791/2024 pune quem compra, guarda, transporta, vende ou recicla metal furtado, como cabos de cobre, com multa de 1.000 a 10.000 Ufemgs e cancelamento da inscrição de ICMS. A Lei federal 15.181/2025 endureceu as penas para furto e receptação de cabos de energia. O passo a passo dos primeiros minutos está no post sobre furto de cabo no pivô.

Como o HIDROPAAS monitora o pivô no Noroeste de Minas
O HIDROPAAS registra vazão, volume e horas ligado todo dia, sozinho, e mostra o pivô e a fonte de água no mesmo painel do celular. É a base do registro diário que o IGAM pede, sem ninguém anotar à mão.
Pivô: ligado ou parado, em que ponto da volta ele parou e aviso na hora. Liga e desliga pelo celular, com programação por horário e desligamento automático em falha elétrica.
Energia e cabo: corrente da bomba, falta de fase e aviso de corte de energia ou de cabo. Você fica sabendo em minutos, não na manhã seguinte.
Pressão: aviso quando sobe ou cai fora do normal, o que pode indicar vazamento ou entupimento.
Água: vazão e volume captados, nível do poço, do rio ou da barragem, chuva e umidade do solo com os sensores adequados.
Relatórios: volume por dia e por mês para a renovação no IGAM ou a DURH da ANA.
Se você quer os 2 anos extras do art. 9º, § 4º, a forma de dar acesso às medições ao IGAM é definida no processo, com o responsável técnico. O resumo de tudo o que dá para acompanhar está no guia de monitoramento de pivô central.
A programação por horário ajuda a manter o pivô dentro da janela do desconto de irrigante: 8h30 por dia, fora do intervalo das 17h às 21h30, pela Portaria MME 137/2026. Em Minas, a regra geral é de 80% no Grupo A e 67% no Grupo B; municípios mineiros do Polígono das Secas e do Jequitinhonha têm 90% e 73%, pela REN ANEEL 1.000/2021, art. 186 (SUDENE). Confira o seu enquadramento com a distribuidora.
A comunicação pode ser 2G, 3G, 4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento. Tem pivôs de idades e marcas diferentes na mesma fazenda? Cada um é avaliado no projeto. A equipe vem da PAAS, que cuida de poços e outorgas desde 1985, sempre com geólogo responsável.
Perguntas frequentes
Qual município de Minas tem mais pivô central?
Paracatu, com 88.889 ha irrigados por pivôs em 2024, segundo a Embrapa. É o 2º do Brasil, atrás só de São Desidério, na Bahia. Unaí vem logo depois, em 3º no país, com 81.246 ha.
Quem dá a outorga do pivô em Paracatu e Unaí?
O IGAM, para poço e para rio que corre só dentro de Minas. Para rio de domínio da União, como o São Marcos e o São Francisco, a outorga e a DURH são da ANA. Na dúvida, confira qual órgão assinou a sua portaria.
Pivô pode ser uso insignificante em Minas?
Na prática, não. O uso insignificante de água superficial vai até 1 L/s, ou 0,5 L/s em algumas bacias do São Francisco, pela DN CERH-MG 09/2004. Poço tubular não é considerado insignificante em nenhuma vazão. Um pivô capta muito mais que isso.
O IGAM exige medir a vazão do pivô todo dia?
Sim. O art. 25 da Portaria IGAM 48/2019 pede medição diária de vazão e tempo de captação, guardada em planilha impressa e digital. Os dados são apresentados na renovação ou quando o órgão pedir, atestados com ART.
Usar plataforma online de medição dá alguma vantagem em Minas?
Sim. Pelo art. 9º, § 4º, da Portaria IGAM 48/2019, quem usa plataforma online de medições aberta ao IGAM ganha 2 anos a mais no prazo da outorga. Os requisitos de acesso são conferidos no processo, com o responsável técnico.
Qual é o desconto de irrigante no Noroeste de Minas?
Pela REN ANEEL 1.000/2021, art. 186, a regra geral de Minas é 80% no Grupo A e 67% no Grupo B. Municípios mineiros do Polígono das Secas e do Jequitinhonha têm 90% e 73%. Confira o enquadramento do seu município com a distribuidora.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
No Noroeste de Minas, o registro diário do IGAM, a energia e o pivô cabem no mesmo painel, com aviso na hora quando algo para; fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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