Piezômetros em Barragem: Onde Instalar, O Que Medem e Como Ler

O piezômetro em barragem mede a carga hidráulica da água em um ponto do maciço ou da fundação, e dessa carga se calcula a poropressão. A posição de cada instrumento sai do projeto. A leitura é feita por sonda, leitora ou datalogger, convertida em cota piezométrica e interpretada logo, com critérios definidos antes.

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Este guia trata do instrumento dentro do maciço e da fundação. O nível do reservatório é outro assunto, explicado em monitoramento de barragem e açude. Os poços de rebaixamento em cava de mina estão em telemetria para mineração: piezômetros e rebaixamento.
O que um piezômetro mede em uma barragem?
O piezômetro mede a carga hidráulica no ponto em que fica a sua célula de medição. Pela definição de Freeze e Cherry, a carga é a soma da cota do ponto com a carga de pressão: h = z + u/γw. Nessa conta, γw é o peso específico da água, cerca de 9,81 kN/m³.
Dessa carga se tira a poropressão (u), que é a pressão da água nos poros do solo. Segundo a dissertação da UFOP sobre instrumentação (Cerqueira, 2017), ela é positiva abaixo do nível freático, nula no nível freático e negativa acima dele, onde há sucção.
Por que isso importa na barragem? Pelo princípio de Terzaghi, a tensão efetiva é σ' = σ − u, e a resistência ao cisalhamento depende dela, como mostram as notas de aula de Mecânica dos Solos II (Cavalcante, 2006). Se a poropressão sobe, a tensão efetiva cai, e a resistência do solo cai junto.
As unidades mais comuns são kPa, metro de coluna d'água (mca) e bar. Pelo guia de conversões do NIST, 1 kPa equivale a cerca de 0,102 m de água, e 1 bar a cerca de 10,2 m.
Onde instalar piezômetros no maciço e na fundação?
Onde instalar é decisão do projetista, registrada no plano de instrumentação da barragem. O que define a medição é a profundidade do trecho de medição: o piezômetro mede a carga naquele trecho, e não no furo inteiro.
No piezômetro de tubo aberto (Casagrande), esse trecho é a parte perfurada do tubo, dentro de uma célula de areia, com um selo de bentonita acima, segundo a UFOP. Pelo Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII), cabem até cerca de 3 piezômetros por furo, em regra.
Três registros acompanham cada instrumento desde o primeiro dia:
Identificação e dados técnicos: a Lei 12.334/2010, art. 8º, XII, inclui no Plano de Segurança da Barragem (PSB) a identificação e os dados técnicos dos equipamentos de monitoramento.
Cota da boca: deve ser registrada e amarrada a um datum, como orienta a UFOP. Sem ela, a leitura não vira cota piezométrica.
Profundidade da célula: é ela que diz se o ponto medido está no maciço, no contato ou na fundação.
Piezômetro ou INA?
O indicador de nível d'água (INA) não substitui o piezômetro. Pela UFOP, o INA tem tubo ranhurado em quase todo o comprimento, mostra só o nível médio e liga camadas diferentes. Ele não mede a poropressão de um ponto. A comparação completa está em piezômetro, INA e poço de monitoramento: qual a diferença.

Quais tipos de piezômetro são usados em barragens de aterro?
Em barragens de aterro, os tipos comuns são o de tubo aberto (ou hidráulico), o pneumático e o elétrico, segundo o Quadro 18 do Manual do Empreendedor da ANA. Entre os elétricos está o de corda vibrante.
Tipo | Como se lê | Resposta | Ponto de atenção |
Tubo aberto (Casagrande) | Sonda elétrica ("pio") que fecha o circuito ao tocar a água | Muito lenta em material pouco permeável | Mede carga, não poropressão direta; sente a variação barométrica; pode colmatar |
Pneumático | Injeção de gás até abrir ou fechar o diafragma | Bastante rápida | Pouca interferência na obra; há tipos normalmente fechado e normalmente aberto |
Elétrico de corda vibrante | Leitora excita a corda e mede a frequência | Muito rápida | Sente temperatura e pressão barométrica; correção conforme a folha de calibração |
Fontes da tabela: ANA, vol. VII (p. 86 a 88) e UFOP (2017).
O tempo de resposta pesa na escolha. Pelo método de Hvorslev, citado pela UFOP, esse tempo cresce quando a permeabilidade do solo diminui. Em argila, um tubo aberto pode levar horas ou dias para mostrar uma mudança de pressão.

Como ler um piezômetro de barragem e converter a leitura?
A leitura pode ser manual, semiautomática ou automatizada, na classificação da UFOP (item 2.4). Na manual, o técnico usa a sonda de nível ou a leitora de corda vibrante. Na semiautomática, um datalogger grava no local. Na automatizada, o datalogger transmite os dados para um software, com alarmes.
No tubo aberto, a conta é direta: cota piezométrica = cota da boca − profundidade medida do nível.
Exemplo ilustrativo: a boca do piezômetro está na cota 512,40 m, e o nível foi medido a 8,15 m de profundidade. A cota piezométrica é 512,40 − 8,15 = 504,25 m.
No sensor elétrico, a conta parte da pressão lida: cota piezométrica = cota do sensor + u/γw.
Exemplo ilustrativo: um sensor na cota 490,00 m lê 98 kPa. Com 1 kPa ≈ 0,102 m, 98 kPa equivalem a cerca de 10,0 m de água. A cota piezométrica fica em cerca de 500,0 m.
Na corda vibrante, a pressão sai da frequência com o fator da folha de calibração, mais as correções de temperatura e barométrica. O passo a passo de campo está em leitura de piezômetro: como fazer e converter em cota e poropressão.
Com que frequência ler os piezômetros da barragem?
Não existe número fixado em lei nacional: quem define é o plano de monitoramento, com base no projeto. Como referência, o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII, Quadro 19) traz frequências mínimas recomendadas para barragens de terra e enrocamento, com base em Eletrobras (2003). É recomendação de manual, não obrigação legal.
Fase | Poropressão | Nível d'água | Vazão de infiltração |
Construção | Semanal | Semanal | Não indicada |
Enchimento | 2 vezes por semana | 3 vezes por semana | Diária |
Operação inicial | Semanal | Semanal | 3 vezes por semana |
Operação | Quinzenal | Quinzenal | Semanal |
O mesmo manual recomenda intensificar as leituras após sismo ou cheia excepcional e em subidas ou rebaixamentos rápidos do reservatório.
Segundo a UFOP, a drenagem interna de barragens atua de forma transitória nas chuvas, o que dificulta a leitura manual. Por isso, a dissertação recomenda sensor automático com armazenamento.

No gráfico, com dados ilustrativos, a linha laranja é um nível de controle. Na barragem real, o projetista define esse limite para cada instrumento.
Barragem de mineração ou de água: o que muda para os piezômetros?
O instrumento é o mesmo; mudam o fiscalizador e a regra. Em comum, a Lei 12.334/2010, art. 17, XX, manda o empreendedor armazenar os dados de instrumentação e entregá-los ao fiscalizador periodicamente e em tempo real, quando requerido.
Mineração: hoje, pela Resolução ANM 95/2022 (vigente até 1º/08/2027), a barragem com dano potencial associado (DPA) alto precisa de monitoramento automatizado. A partir de 02/08/2027, a Resolução ANM 220/2025 muda o critério para DPA2 ≥ 4. Detalhes em monitoramento automatizado de barragem de mineração.
Água: nas barragens de usos múltiplos em rios da União, sem hidrelétrica, a Resolução ANA 236/2017 pede que o relatório da inspeção regular avalie os registros da instrumentação. Veja em instrumentação de barragem de água.
Cuidados e erros comuns com piezômetros em barragem
Estes erros comprometem a série de leituras:
Ler e arquivar sem interpretar. O manual da ANA pede interpretação imediata, por critérios estabelecidos antes.
Tratar INA como piezômetro. O INA mostra o nível médio, não a pressão de um ponto.
Perder a cota da boca. Um tubo danificado ou cortado muda a referência e desloca toda a série.
Esquecer a correção barométrica. Sensor não ventilado em tubo aberto sente direto a pressão atmosférica, segundo a UFOP.
Instalar o sistema automático e esquecer. A ANA recomenda que a equipe verifique periodicamente os sistemas automatizados.
Achar que o instrumento avisa sozinho. Na barragem B-I, em Brumadinho, havia piezômetros, marcos, inclinômetros e radar, e nenhum detectou mudança significativa antes da ruptura, segundo o painel de especialistas (Robertson et al., 2019). A análise do responsável técnico continua indispensável.
Como o HIDROPAAS ajuda
O HIDROPAAS faz a leitura automática e contínua dos piezômetros e envia os dados para uma plataforma online, na web e no app. Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Na barragem, o trabalho é o mesmo:
Lê o que já está instalado: sensor de nível hidrostático descido no tubo do Casagrande, piezômetro de corda vibrante e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada.
Converte a leitura em nível (m), poropressão (kPa ou mca) e cota piezométrica (m), com correção barométrica.
Avisa por limite: os valores de atenção e alerta são os definidos pelo projetista ou responsável técnico.
Mapa da rede com o gráfico de cada piezômetro, relatório automático e exportação em Excel ou CSV.
O projeto é personalizado: painéis, cálculos e relatórios seguem o plano de monitoramento da sua barragem. O HIDROPAAS mede, calcula e avisa. A interpretação da estabilidade e a definição dos níveis de controle continuam com o projetista ou responsável técnico.
Perguntas frequentes
O que o piezômetro mede em uma barragem?
Mede a carga hidráulica no trecho onde fica a célula do instrumento. Com ela se calcula a poropressão, que é a pressão da água nos poros do solo. Poropressão alta reduz a tensão efetiva e, com ela, a resistência ao cisalhamento.
Qual a diferença entre piezômetro e INA na barragem?
O INA tem tubo ranhurado em quase todo o comprimento, mostra só o nível médio e liga camadas diferentes. O piezômetro tem um trecho de medição isolado por selo de bentonita e mede a carga naquele trecho. Só o piezômetro serve para acompanhar a poropressão de um ponto.
Com que frequência devo ler os piezômetros da barragem?
Não há número fixado em lei nacional. O Manual do Empreendedor da ANA recomenda, como mínimo para barragens de terra e enrocamento, leitura de poropressão semanal na construção, 2 vezes por semana no enchimento e quinzenal na operação. O plano de monitoramento e o projetista definem a frequência da sua barragem.
Quais tipos de piezômetro são usados em barragens de terra?
Segundo o Manual do Empreendedor da ANA, os comuns em barragens de aterro são o de tubo aberto (Casagrande), o pneumático e o elétrico, como o de corda vibrante. O tubo aberto é simples e robusto, mas responde devagar em material pouco permeável. O de corda vibrante responde muito rápido.
Onde os piezômetros são instalados na barragem?
A posição é definida pelo projetista no plano de instrumentação, no maciço e na fundação. O que importa é a profundidade do trecho de medição, porque o piezômetro mede a carga ali. A cota da boca deve ser registrada e amarrada a um datum.
O piezômetro avisa antes de uma ruptura?
Não há garantia. Na barragem B-I de Brumadinho, havia piezômetros e outros instrumentos, e nenhum detectou mudança significativa antes da ruptura, segundo o painel de especialistas. O instrumento fornece dados; quem avalia a segurança é o responsável técnico.
Guia completo
Para ver tipos, leitura e automação em todos os setores, leia o guia de monitoramento de piezômetros.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Piezômetro em barragem é útil quando a leitura vira cota, poropressão e análise rápida do responsável técnico. Mande quantos piezômetros a barragem tem, de que tipo e o que o plano de monitoramento pede, que montamos a leitura automática: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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