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Turbidez Acima de 5 uT: O Que Significa e O Que Fazer Hoje

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 2 dias
9 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Turbidez acima de 5 uT na rede ou na torneira passa do valor máximo permitido pela Portaria GM/MS 888/2021. Na saída de um poço com cloração, a meta é mais apertada: 1,0 uT em 95% das amostras. No mesmo dia, confirme a leitura, procure a causa, meça o cloro junto e avise o responsável técnico.

Capa com o texto “Turbidez acima de 5 uT: o que fazer” sobre foto de controlador de turbidez com sensor em célula de fluxo na saída do filtro de uma estação de água de poço, com a faixa HIDROPAAS · Monitoramento de água e energia

Quer ser avisado no celular antes de a turbidez chegar a esse ponto? Veja como funciona o monitoramento de turbidez e cloro do HIDROPAAS.

O que significa turbidez acima de 5 uT?

Significa que a água está mais turva do que a Portaria 888 permite na rede e no ponto de consumo. O valor máximo permitido (VMP) de turbidez é 5,0 uT, segundo o Art. 28, §2º, da Portaria GM/MS 888/2021, no texto republicado.

Turbidez é a medida das partículas em suspensão que espalham a luz: argila, areia fina, ferro oxidado, matéria orgânica e micro-organismos. Quanto mais partículas, maior o número. Por isso ela é medida com turbidímetro, e não pela aparência da água no copo.

Um cuidado com a unidade: a Portaria fala em uT, “Unidade de Turbidez”, sem dizer qual método gera esse número. Os turbidímetros mostram o resultado em NTU, FNU ou outra unidade, conforme o método, e esses números só coincidem com segurança na calibração com formazina. A diferença está explicada em NTU, FNU e uT: qual a diferença nas unidades de turbidez.

Por que a saída do poço tem meta de 1,0 uT, e não de 5?

Porque a água precisa sair do tratamento com pouca turbidez para a desinfecção funcionar. Para água subterrânea depois da desinfecção, o Anexo 2 da Portaria 888 fixa 1,0 uT em 95% das amostras, com máximo de 5,0 uT no restante.

Na prática, são duas réguas. O 5,0 uT vale em qualquer ponto da rede e da torneira. O 1,0 uT vale na saída do tratamento e precisa ser cumprido em 95% das amostras, e não só na média.

Isso muda a leitura do seu resultado. Turbidez de 3 uT na torneira está dentro do VMP. A mesma leitura na saída de um poço clorado está acima da meta e só é tolerada em até 5% das amostras. Acima de 5 uT na saída, a água passou das duas réguas.

Ponto da água

Limite de turbidez

Onde está na Portaria 888

Rede de distribuição e ponto de consumo

5,0 uT (valor máximo permitido)

Art. 28, §2º

Saída de água subterrânea depois da desinfecção

1,0 uT em 95% das amostras; máximo de 5,0 uT no restante

Anexo 2 e Art. 28, §1º

Saída de filtração lenta

1,0 uT em 95% das amostras; 2,0 uT no restante

Anexo 2

Saída de filtração rápida

0,5 uT em 95% das amostras; 1,0 uT no restante

Anexo 2

Fonte da tabela: Portaria GM/MS 888/2021 (texto republicado). Confira o texto vigente e o plano de amostragem do seu sistema.

O motivo técnico é a desinfecção. Partículas podem abrigar micro-organismos e dificultar a ação do cloro. Por isso a OMS recomenda turbidez baixa, idealmente abaixo de 1 NTU, para a desinfecção funcionar, no documento WHO/FWC/WSH/17.01. A relação entre as duas coisas está em por que medir só o cloro engana.

A leitura acima de 5 uT pode ser erro do sensor?

Pode, e vale descartar isso antes de qualquer outra coisa. Microbolhas de ar fazem o turbidímetro ler mais alto, e cor verdadeira e carvão puxam a leitura para baixo, segundo o método EPA 180.1, da agência ambiental dos EUA (1993). O guia de turbidez da água potável do Health Canada, do Canadá, registra picos de até 2,0 NTU por bolhas em sensores online.

Um pico curto que some sozinho tem cara de bolha; uma leitura que se mantém alta deve ser tratada como real até a confirmação. Confirme com nova amostra no turbidímetro de bancada ou portátil, ou no laboratório: a Portaria 888 exige, no Art. 22, análise por método de norma. As interferências e a manutenção do sensor estão em turbidímetro online ou de bancada.

O que fazer hoje quando a turbidez passa de 5 uT?

Siga um roteiro curto, nesta ordem: confirmar, localizar, procurar a causa, medir o cloro, avaliar o uso da água e registrar. Quem decide sobre o uso da água e a comunicação é o responsável técnico do sistema, junto com a autoridade de saúde.

  1. Confirme a leitura. Colete uma nova amostra e meça na bancada ou no portátil. Se o sensor online mostrou um pico isolado, confira se há ar na tubulação ou na célula de fluxo.

  2. Veja onde a turbidez subiu. Na saída do tratamento, olhe primeiro o poço, o filtro e a dosagem. Se subiu só na ponta da rede, olhe o reservatório, obras recentes e trechos com sujeira acumulada.

  3. Procure a causa no mesmo dia. Choveu forte? A bomba acabou de partir depois de muito tempo parada? O filtro passou da hora da retrolavagem? A água tem ferro que oxida com o cloro?

  4. Meça o cloro residual junto. Turbidez alta com cloro baixo é a combinação que mais pede atenção. A Portaria 888 já exige medir cor, turbidez e residual em toda amostra para análise bacteriológica (Art. 44, §3º).

  5. Avalie o uso da água para beber. Enquanto a causa não estiver clara, o responsável técnico pode orientar o uso de outra fonte para consumo humano.

  6. Registre e comunique. Anote data, hora, ponto, valor e método. Entre as obrigações do responsável, nos Arts. 14, 15 e 44 da Portaria 888, está avisar a autoridade de saúde quando houver risco.

Infográfico em fluxo com cinco passos para turbidez acima de 5 uT: confirmar a leitura com nova amostra na bancada, ver se a turbidez subiu na saída do tratamento ou na ponta da rede, procurar a causa como chuva, bomba, filtro ou ferro, medir residual e turbidez na mesma amostra e registrar e avisar a autoridade de saúde se houver risco.

De onde vem a turbidez na água do poço?

A turbidez alta no poço pode ter várias origens, e o momento em que ela aparece é a melhor pista para separar uma da outra. A tabela abaixo reúne situações de campo e o que conferir em cada uma.

Quando a turbidez sobe

O que pode indicar

O que conferir

Logo depois de chuva forte

Água de superfície chegando ao poço

Proteção e vedação da boca do poço e o entorno

Logo depois da partida da bomba

Sedimento arrastado do próprio poço

Se a turbidez cai com o tempo de bombeamento e a condição do poço

Depois da cloração, com água amarelada

Ferro ou manganês oxidados

Análise de ferro e manganês e o filtro

Aos poucos, ao longo de dias

Filtro saturado ou meio filtrante gasto

Retrolavagem e estado do meio filtrante

Só na ponta da rede

Problema no reservatório ou na rede

Limpeza do reservatório, manobras e obras na rede

Quando a causa está no próprio poço, como entrada de água de superfície ou arraste de sedimento, a solução passa pela avaliação do poço, e não só pelo filtro. As exigências para quem usa água de poço em consumo coletivo estão no guia da PAAS sobre o que a Vigilância Sanitária exige da água de poço.

O que você perde quando a turbidez alta passa sem ninguém ver?

Você perde a proteção do cloro justamente quando ela mais faz falta, e fica sem registro do que aconteceu. O evento de turbidez pode ser curto, e a coleta de rotina pode não pegá-lo.

  • Desinfecção comprometida. Com partículas na água, micro-organismos podem escapar da ação do cloro. É por isso que a OMS liga turbidez baixa, idealmente abaixo de 1 NTU, à desinfecção eficaz.

  • Evento fora da coleta. Segundo o Anexo 15 da Portaria 888, a SAC com água subterrânea mede turbidez semanalmente na saída do tratamento e mensalmente no ponto de consumo. Uma turvação depois de uma chuva pode começar e terminar entre duas coletas.

  • Multa sanitária. Descumprir normas sanitárias pode ser enquadrado na Lei 6.437/1977, no art. 10, XXIX. As multas vão de R$ 2.000, na infração leve, a R$ 1.500.000, na gravíssima, e dobram na reincidência.

  • Lote em espera. Na indústria de alimentos, a água entra no produto e na limpeza. Água fora do padrão pode levar a segurar a produção até a qualidade ser confirmada.

  • Saúde de quem bebe. Em 2021, a Secretaria da Saúde do RS emitiu alerta sobre surtos de diarreia em 25 municípios, com mais de 2 mil casos. O norovírus foi possivelmente associado à ingestão de água em 9 cidades. O alerta não atribuiu os surtos a turbidez nem a falha de cloração, mas mostra o que está em jogo quando a água é suspeita.

A turbidez sozinha também não conta toda a história. Na avaliação de sensores de qualidade da água da EPA (2009), a turbidez isolada deu sinal ruidoso como gatilho de alarme de contaminação. Ela ajuda mais quando é lida junto com o cloro residual.

Como o HIDROPAAS monitora a turbidez da água do poço

O HIDROPAAS mede a turbidez de forma contínua e avisa no celular quando ela passa do limite que você definir. O aviso sai quando a leitura passa do limite, sem esperar a próxima coleta.

  • Sensor e controlador de turbidez: sensor em célula de fluxo, na tubulação que sai do filtro, ou de imersão, no tanque, ligado a um controlador de parede com display.

  • Painel com histórico: leitura no app e no painel, com gráficos que mostram quando a turbidez subiu e por quanto tempo ficou alta.

  • Cloro no mesmo painel: o sensor de cloro residual livre fica ao lado, para você ver turbidez alta e cloro baixo ao mesmo tempo.

  • Registro exportado: o sistema exporta o registro de cloro e turbidez para apoiar o relatório da Vigilância e do SISAGUA.

  • Integração: saídas 4 a 20 mA, RS485 (Modbus) e relés, com comunicação por 2G/3G/4G, Wi-Fi, rádio, LoRa, satélite ou Starlink, conforme o local e o investimento.

A escala do sensor muda com a água. No projeto, escolhemos a escala certa para a sua água: baixa para consumo, alta para efluente e processo. O equipamento está descrito no guia do sensor de turbidez para água.

Em estação de tratamento de esgoto, a turbidez tem outro papel. A Resolução CONAMA 430/2011 não fixa limite de turbidez para lançamento, e o sensor serve para acompanhar a eficiência do tratamento. Esse uso está em sensor de turbidez para efluente e ETE.

Controlador de turbidez preso a um poste na borda de um tanque de estação de tratamento de esgoto, com o display marcando 12,4 NTU e o sensor preto pendurado pelo cabo sobre a água.

O sensor é apoio, alarme e registro contínuo. A Portaria 888 não prevê medição online e exige método de norma (Art. 22), então a análise de bancada ou de laboratório e a coleta oficial continuam no plano. Veja como funciona o monitoramento do HIDROPAAS.

Leia também no blog da PAAS

A causa no poço e como corrigir:

Perguntas frequentes

Turbidez acima de 5 uT deixa a água fora do padrão?

Sim, na rede e no ponto de consumo. O valor máximo permitido de turbidez é 5,0 uT, pelo Art. 28, §2º, da Portaria GM/MS 888/2021. A decisão sobre o uso da água e a comunicação à autoridade de saúde cabe ao responsável técnico do sistema.

Qual a turbidez máxima na saída de um poço com cloração?

Para água subterrânea depois da desinfecção, o Anexo 2 da Portaria 888 fixa 1,0 uT em 95% das amostras, com máximo de 5,0 uT no restante. É uma meta mais apertada que a da rede.

5 uT é o mesmo que 5 NTU?

Não dá para afirmar sem ressalva. A Portaria 888 usa uT, “Unidade de Turbidez”, sem definir o método. NTU vem do método EPA 180.1 e FNU da ISO 7027, e os números só coincidem com segurança na calibração com formazina; em amostra real, podem divergir.

Turbidez alta depois da chuva: o que conferir?

Água de superfície pode estar chegando ao poço. Confira a proteção e a vedação da boca do poço e o entorno, e meça a turbidez e o cloro de novo quando a chuva passar. Se o problema se repete, o poço precisa ser avaliado, e não só o filtro.

Com que frequência a SAC precisa medir a turbidez?

Segundo o Anexo 15 da Portaria 888, para água subterrânea, a turbidez é medida semanalmente na saída do tratamento e mensalmente no ponto de consumo. O sensor online acompanha o que acontece entre as coletas, sem substituir a análise.

Dá para receber alerta de turbidez alta no celular?

Sim. O HIDROPAAS mede a turbidez e avisa no celular quando ela passa do limite definido, com histórico no painel. A análise de bancada ou de laboratório e a coleta oficial continuam no plano.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Turbidez acima de 5 uT pede confirmação, causa e cloro medidos no mesmo dia, e na saída do poço clorado a meta já é 1,0 uT em 95% das amostras. Para ser avisado antes, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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