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Quando Ligar o Pivô: Umidade do Solo, Chuva e o Momento Certo

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
2 de out.
7 min de leitura

Saber quando ligar o pivô depende do solo e da cultura, não do calendário. No Cerrado, a Embrapa indica irrigar feijão, trigo e milho quando o tensiômetro a 10 cm marca 40 a 60 kPa. O balanço hídrico diz quanto repor, e a chuva medida no pluviômetro entra na conta antes de ligar.

Capa com o texto “Quando ligar o pivô” sobre ilustração aérea de lavouras irrigadas por pivô central e a faixa HIDROPAAS · Monitoramento de água e energia

Quer ver chuva, umidade do solo e o pivô na mesma tela? Chame no WhatsApp e veja como montar o painel da sua área.

Quais sinais dizem que é hora de ligar o pivô?

O solo diz quando, o clima diz quanto e a chuva desconta. A Embrapa Arroz e Feijão (Circular Técnica 84, 2009) lista três formas de manejo: pelo clima, pela água no solo ou pela planta. A recomendação é combinar clima e solo.

  • Solo: o tensiômetro ou o sensor de umidade mostra se a água disponível chegou ao limite da cultura. É o sinal de quando ligar.

  • Clima: o balanço hídrico soma o que a lavoura gastou desde a última irrigação. É o sinal de quanto repor.

  • Chuva: o pluviômetro na área mostra quanto entrou. Desconte do balanço e releia o solo antes de ligar.

Como cada sensor funciona e onde instalar está em sensores para irrigação: chuva e umidade do solo. Aqui o assunto é a decisão: ligar agora, esperar ou segurar a volta.

Infográfico com as cinco perguntas antes de ligar o pivô: se choveu, se o tensiômetro chegou a 40 a 60 kPa, se a lâmina passa de 80% do L100, se está na janela de energia e como ligar e acompanhar pelo celular.

Quantos kPa o tensiômetro precisa marcar para ligar o pivô?

No Cerrado, para feijão, trigo e milho, irrigue quando o tensiômetro a 10 cm marcar de 40 a 60 kPa. A faixa é da Embrapa Cerrados (Comunicado Técnico 83, 2002). Ela recomenda instalar os tensiômetros a 15 e 30 cm ou a 10, 20 e 30 cm de profundidade.

O tensiômetro mostra com que força o solo está segurando a água. Quanto maior o número, mais seco o solo e mais a raiz trabalha para tirar água. Abaixo da faixa ainda há água; dentro dela, é hora de ligar.

O que você vê

O que indica

Decisão

Tensiômetro a 10 cm abaixo de 40 kPa

Solo ainda com água para a cultura

Esperar e acompanhar

Tensiômetro a 10 cm entre 40 e 60 kPa

Ponto de irrigar feijão, trigo e milho no Cerrado

Ligar na próxima janela de energia

Tensiômetro a 10 cm acima de 60 kPa

Passou da faixa indicada pela Embrapa

Ligar assim que possível e rever o turno

Choveu na área

Parte da água foi reposta

Descontar no balanço e reler o solo

Lâmina a repor abaixo de 80% do L100 do pivô

O pivô aplicaria mais que o necessário

Esperar, como faz a planilha da Embrapa

Lavoura em fase crítica

Falta de água custa mais caro

Não deixar passar do ponto

As faixas valem para as condições dos estudos da Embrapa no Cerrado. Para outro solo ou outra cultura, confirme com o seu agrônomo.

O critério dá resultado. Com tensiometria em pivô, a Embrapa Cerrados colheu 3.445 kg/ha de feijão com 336 mm e 5.216 kg/ha de trigo com 451 mm. Também estimou economia de 25% a 40% de água ao manejar com tensiômetro e curva de retenção, em vez de irrigar sem critério. Para escolher o sensor, veja o sensor de umidade do solo para irrigação.

Como o balanço hídrico mostra quanto repor?

O balanço soma o que a lavoura gastou e desconta a chuva. O gasto do dia é a evapotranspiração de referência (ETo, a demanda do clima) vezes o coeficiente da cultura (Kc). O Kc muda com a fase da lavoura.

No Cerrado, a Embrapa encontrou Kc cerca de 30% maiores que os da literatura (Boletim de Pesquisa 100, 2003). O consumo máximo chegou a 7,3 mm/dia no feijão, 6,6 no milho e 6,2 no trigo. Usar Kc de tabela genérica pode fazer você ligar o pivô tarde.

Gráfico de barras com o consumo máximo de água das culturas irrigadas no Cerrado: feijão 7,3 mm por dia, milho 6,6 e trigo 6,2, segundo a Embrapa Cerrados.

A planilha de manejo da Embrapa Milho e Sorgo (Circular 25, 2003) usa o L100 do pivô. É a lâmina que ele aplica na velocidade máxima, tirada da tabela do fabricante ou de teste de campo. A planilha só recomenda irrigar quando a lâmina a repor passa de 80% do L100. Abaixo disso, o pivô aplicaria bem mais água do que o solo pede.

Exemplo ilustrativo, com conta simplificada: milho gastando 6,6 mm/dia e 12 mm de chuva no dia 2. O pivô tem L100 de 4,3 mm, valor usado em exemplo da Embrapa Arroz e Feijão. O piso de 80% do L100 fica em 3,4 mm.

Dia

Lâmina a repor (mm)

Tensiômetro a 10 cm

Decisão

1

6,6

25 kPa

Esperar: solo ainda úmido

2 (choveu 12 mm)

1,2

15 kPa

Esperar: abaixo do piso de 3,4 mm

3

7,8

32 kPa

Esperar: solo ainda úmido

4

14,4

48 kPa

Ligar e repor cerca de 14 mm

No exemplo da Embrapa, esse pivô aplica cerca de 14 mm com o percentímetro em 31% (4,3 ÷ 0,31). A conta não considera a água que o solo ainda guarda nem as perdas. Na prática, a lâmina bruta é um pouco maior, e a Embrapa Milho e Sorgo recomenda eficiência do pivô acima de 85%.

O que você perde quando liga o pivô na hora errada?

Ligar tarde custa produção; ligar sem critério custa água e energia. As duas perdas têm número medido pela Embrapa.

Tarde demais, na fase crítica

  • Milho no florescimento: uma semana de falta de água pode reduzir o rendimento em 50%; depois da polinização, em 30%. Os dados são de Nickell (1983), citado pela Embrapa Milho e Sorgo.

  • Milho, 25 dias sem irrigação: em Janaúba (MG), a produção caiu de 41% a 66%, conforme o híbrido (Embrapa Milho e Sorgo).

  • 36 híbridos de milho: com déficit do pré-pendoamento ao enchimento de grãos, em Teresina, a média caiu de 8.587 para 2.548 kg/ha, ou 70% (Cardoso et al., Embrapa).

Segundo a Embrapa Cerrados, há períodos em que não pode faltar água. No milho, do embonecamento à polinização; no feijão, da floração ao desenvolvimento das vagens; no trigo, do emborrachamento ao fim do espigamento. Na soja, as fases críticas são germinação e emergência e floração ao enchimento, com pico de 7 a 8 mm/dia (Embrapa Soja, 2016).

Cedo demais ou sem critério

A volta que não precisava rodar gasta água, energia e horas da escala do desconto. Quanto o manejo com dados reduz a energia, e como medir isso no seu pivô, está em manejo de irrigação no pivô.

Com o solo na faixa e a lavoura no florescimento, adiar a volta é apostar contra os números acima. Fora da fase crítica, esperar a leitura certa é o que poupa água e energia.

Como o HIDROPAAS ajuda a decidir quando ligar o pivô

O HIDROPAAS junta no mesmo painel a chuva, a umidade do solo e o status do pivô, e deixa você ligar e desligar pelo celular. A decisão agronômica continua com você e com o seu agrônomo: o sistema mostra os dados e executa o comando.

  • Chuva: pluviômetro na área, com a chuva registrada para descontar no balanço.

  • Umidade do solo: com os sensores adequados, a leitura chega ao celular sem ninguém ir à lavoura.

  • Status do pivô: ligado ou parado, aviso quando para e o ponto da volta em que ele está.

  • Comando: liga e desliga pelo celular e programação por horário, para irrigar dentro da janela do desconto.

  • Fonte de água: nível do poço, rio ou barragem e vazão captada, para saber se há água antes de ligar.

  • Pressão e energia: aviso quando a pressão sai do normal e monitoramento de corrente e falta de fase.

Ilustração de um pivô central visto de cima, desligado pelo celular às 03:20 depois de uma chuva de 18 mm, com o alerta no celular mostrando a chuva medida e o ponto da volta em que o pivô parou.

Se uma chuva forte cai com o pivô rodando, você vê no painel e pode desligar pelo celular. Pivô antigo ou de outra marca? Avaliamos o seu pivô no projeto. O panorama completo está no guia de monitoramento de pivô central.

Para irrigar com desconto, combine o momento do solo com a escala de energia: veja energia do pivô no horário do desconto irrigante. Para transformar a decisão em rotina, veja o manejo de irrigação no pivô semana a semana.

Perguntas frequentes

Qual o melhor horário para ligar o pivô?

Para a conta de luz, dentro da escala do desconto irrigante, que pela Portaria MME 137/2026 fica fora das 17h às 21h30. Para a lavoura, o momento é quando o solo chega ao limite da cultura. O ideal é casar os dois.

Com quantos kPa no tensiômetro devo ligar o pivô?

No Cerrado, para feijão, trigo e milho, a Embrapa Cerrados indica irrigar quando o tensiômetro a 10 cm marcar de 40 a 60 kPa. Para outras culturas e solos, confirme a faixa com o seu agrônomo.

Choveu: preciso ligar o pivô?

Depende de quanto choveu e de quanto a lavoura gastou. Desconte a chuva medida no pluviômetro da área e confira o solo antes de ligar. Se a lâmina a repor ficar abaixo de 80% do L100 do pivô, a planilha da Embrapa recomenda esperar.

Dá para irrigar por turno fixo, sem sensor?

Dá, mas o turno fixo não acompanha a chuva, o clima da semana nem a fase da lavoura. A Embrapa Cerrados estimou economia de 25% a 40% de água ao manejar com tensiômetro e curva de retenção, em vez de irrigar sem critério.

Qual fase da lavoura não pode ficar sem água?

Segundo a Embrapa Cerrados, o milho do embonecamento à polinização, o feijão da floração ao desenvolvimento das vagens e o trigo do emborrachamento ao fim do espigamento. Na soja, segundo a Embrapa Soja, as fases críticas são germinação e emergência e floração ao enchimento de grãos.

O HIDROPAAS liga o pivô sozinho quando o solo seca?

O que está disponível é o comando pelo celular e a programação por horário. O HIDROPAAS mostra chuva, umidade do solo e o status do pivô no mesmo painel, e a decisão de irrigar continua com você e com o seu agrônomo.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Ligue o pivô quando o solo pedir, desconte a chuva e respeite a janela de energia: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

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