Quando Ligar o Pivô: Umidade do Solo, Chuva e o Momento Certo

Saber quando ligar o pivô depende do solo e da cultura, não do calendário. No Cerrado, a Embrapa indica irrigar feijão, trigo e milho quando o tensiômetro a 10 cm marca 40 a 60 kPa. O balanço hídrico diz quanto repor, e a chuva medida no pluviômetro entra na conta antes de ligar.

Quer ver chuva, umidade do solo e o pivô na mesma tela? Chame no WhatsApp e veja como montar o painel da sua área.
Quais sinais dizem que é hora de ligar o pivô?
O solo diz quando, o clima diz quanto e a chuva desconta. A Embrapa Arroz e Feijão (Circular Técnica 84, 2009) lista três formas de manejo: pelo clima, pela água no solo ou pela planta. A recomendação é combinar clima e solo.
Solo: o tensiômetro ou o sensor de umidade mostra se a água disponível chegou ao limite da cultura. É o sinal de quando ligar.
Clima: o balanço hídrico soma o que a lavoura gastou desde a última irrigação. É o sinal de quanto repor.
Chuva: o pluviômetro na área mostra quanto entrou. Desconte do balanço e releia o solo antes de ligar.
Como cada sensor funciona e onde instalar está em sensores para irrigação: chuva e umidade do solo. Aqui o assunto é a decisão: ligar agora, esperar ou segurar a volta.

Quantos kPa o tensiômetro precisa marcar para ligar o pivô?
No Cerrado, para feijão, trigo e milho, irrigue quando o tensiômetro a 10 cm marcar de 40 a 60 kPa. A faixa é da Embrapa Cerrados (Comunicado Técnico 83, 2002). Ela recomenda instalar os tensiômetros a 15 e 30 cm ou a 10, 20 e 30 cm de profundidade.
O tensiômetro mostra com que força o solo está segurando a água. Quanto maior o número, mais seco o solo e mais a raiz trabalha para tirar água. Abaixo da faixa ainda há água; dentro dela, é hora de ligar.
O que você vê | O que indica | Decisão |
Tensiômetro a 10 cm abaixo de 40 kPa | Solo ainda com água para a cultura | Esperar e acompanhar |
Tensiômetro a 10 cm entre 40 e 60 kPa | Ponto de irrigar feijão, trigo e milho no Cerrado | Ligar na próxima janela de energia |
Tensiômetro a 10 cm acima de 60 kPa | Passou da faixa indicada pela Embrapa | Ligar assim que possível e rever o turno |
Choveu na área | Parte da água foi reposta | Descontar no balanço e reler o solo |
Lâmina a repor abaixo de 80% do L100 do pivô | O pivô aplicaria mais que o necessário | Esperar, como faz a planilha da Embrapa |
Lavoura em fase crítica | Falta de água custa mais caro | Não deixar passar do ponto |
As faixas valem para as condições dos estudos da Embrapa no Cerrado. Para outro solo ou outra cultura, confirme com o seu agrônomo.
O critério dá resultado. Com tensiometria em pivô, a Embrapa Cerrados colheu 3.445 kg/ha de feijão com 336 mm e 5.216 kg/ha de trigo com 451 mm. Também estimou economia de 25% a 40% de água ao manejar com tensiômetro e curva de retenção, em vez de irrigar sem critério. Para escolher o sensor, veja o sensor de umidade do solo para irrigação.
Como o balanço hídrico mostra quanto repor?
O balanço soma o que a lavoura gastou e desconta a chuva. O gasto do dia é a evapotranspiração de referência (ETo, a demanda do clima) vezes o coeficiente da cultura (Kc). O Kc muda com a fase da lavoura.
No Cerrado, a Embrapa encontrou Kc cerca de 30% maiores que os da literatura (Boletim de Pesquisa 100, 2003). O consumo máximo chegou a 7,3 mm/dia no feijão, 6,6 no milho e 6,2 no trigo. Usar Kc de tabela genérica pode fazer você ligar o pivô tarde.

A planilha de manejo da Embrapa Milho e Sorgo (Circular 25, 2003) usa o L100 do pivô. É a lâmina que ele aplica na velocidade máxima, tirada da tabela do fabricante ou de teste de campo. A planilha só recomenda irrigar quando a lâmina a repor passa de 80% do L100. Abaixo disso, o pivô aplicaria bem mais água do que o solo pede.
Exemplo ilustrativo, com conta simplificada: milho gastando 6,6 mm/dia e 12 mm de chuva no dia 2. O pivô tem L100 de 4,3 mm, valor usado em exemplo da Embrapa Arroz e Feijão. O piso de 80% do L100 fica em 3,4 mm.
Dia | Lâmina a repor (mm) | Tensiômetro a 10 cm | Decisão |
1 | 6,6 | 25 kPa | Esperar: solo ainda úmido |
2 (choveu 12 mm) | 1,2 | 15 kPa | Esperar: abaixo do piso de 3,4 mm |
3 | 7,8 | 32 kPa | Esperar: solo ainda úmido |
4 | 14,4 | 48 kPa | Ligar e repor cerca de 14 mm |
No exemplo da Embrapa, esse pivô aplica cerca de 14 mm com o percentímetro em 31% (4,3 ÷ 0,31). A conta não considera a água que o solo ainda guarda nem as perdas. Na prática, a lâmina bruta é um pouco maior, e a Embrapa Milho e Sorgo recomenda eficiência do pivô acima de 85%.
O que você perde quando liga o pivô na hora errada?
Ligar tarde custa produção; ligar sem critério custa água e energia. As duas perdas têm número medido pela Embrapa.
Tarde demais, na fase crítica
Milho no florescimento: uma semana de falta de água pode reduzir o rendimento em 50%; depois da polinização, em 30%. Os dados são de Nickell (1983), citado pela Embrapa Milho e Sorgo.
Milho, 25 dias sem irrigação: em Janaúba (MG), a produção caiu de 41% a 66%, conforme o híbrido (Embrapa Milho e Sorgo).
36 híbridos de milho: com déficit do pré-pendoamento ao enchimento de grãos, em Teresina, a média caiu de 8.587 para 2.548 kg/ha, ou 70% (Cardoso et al., Embrapa).
Segundo a Embrapa Cerrados, há períodos em que não pode faltar água. No milho, do embonecamento à polinização; no feijão, da floração ao desenvolvimento das vagens; no trigo, do emborrachamento ao fim do espigamento. Na soja, as fases críticas são germinação e emergência e floração ao enchimento, com pico de 7 a 8 mm/dia (Embrapa Soja, 2016).
Cedo demais ou sem critério
A volta que não precisava rodar gasta água, energia e horas da escala do desconto. Quanto o manejo com dados reduz a energia, e como medir isso no seu pivô, está em manejo de irrigação no pivô.
Com o solo na faixa e a lavoura no florescimento, adiar a volta é apostar contra os números acima. Fora da fase crítica, esperar a leitura certa é o que poupa água e energia.
Como o HIDROPAAS ajuda a decidir quando ligar o pivô
O HIDROPAAS junta no mesmo painel a chuva, a umidade do solo e o status do pivô, e deixa você ligar e desligar pelo celular. A decisão agronômica continua com você e com o seu agrônomo: o sistema mostra os dados e executa o comando.
Chuva: pluviômetro na área, com a chuva registrada para descontar no balanço.
Umidade do solo: com os sensores adequados, a leitura chega ao celular sem ninguém ir à lavoura.
Status do pivô: ligado ou parado, aviso quando para e o ponto da volta em que ele está.
Comando: liga e desliga pelo celular e programação por horário, para irrigar dentro da janela do desconto.
Fonte de água: nível do poço, rio ou barragem e vazão captada, para saber se há água antes de ligar.
Pressão e energia: aviso quando a pressão sai do normal e monitoramento de corrente e falta de fase.

Se uma chuva forte cai com o pivô rodando, você vê no painel e pode desligar pelo celular. Pivô antigo ou de outra marca? Avaliamos o seu pivô no projeto. O panorama completo está no guia de monitoramento de pivô central.
Para irrigar com desconto, combine o momento do solo com a escala de energia: veja energia do pivô no horário do desconto irrigante. Para transformar a decisão em rotina, veja o manejo de irrigação no pivô semana a semana.
Perguntas frequentes
Qual o melhor horário para ligar o pivô?
Para a conta de luz, dentro da escala do desconto irrigante, que pela Portaria MME 137/2026 fica fora das 17h às 21h30. Para a lavoura, o momento é quando o solo chega ao limite da cultura. O ideal é casar os dois.
Com quantos kPa no tensiômetro devo ligar o pivô?
No Cerrado, para feijão, trigo e milho, a Embrapa Cerrados indica irrigar quando o tensiômetro a 10 cm marcar de 40 a 60 kPa. Para outras culturas e solos, confirme a faixa com o seu agrônomo.
Choveu: preciso ligar o pivô?
Depende de quanto choveu e de quanto a lavoura gastou. Desconte a chuva medida no pluviômetro da área e confira o solo antes de ligar. Se a lâmina a repor ficar abaixo de 80% do L100 do pivô, a planilha da Embrapa recomenda esperar.
Dá para irrigar por turno fixo, sem sensor?
Dá, mas o turno fixo não acompanha a chuva, o clima da semana nem a fase da lavoura. A Embrapa Cerrados estimou economia de 25% a 40% de água ao manejar com tensiômetro e curva de retenção, em vez de irrigar sem critério.
Qual fase da lavoura não pode ficar sem água?
Segundo a Embrapa Cerrados, o milho do embonecamento à polinização, o feijão da floração ao desenvolvimento das vagens e o trigo do emborrachamento ao fim do espigamento. Na soja, segundo a Embrapa Soja, as fases críticas são germinação e emergência e floração ao enchimento de grãos.
O HIDROPAAS liga o pivô sozinho quando o solo seca?
O que está disponível é o comando pelo celular e a programação por horário. O HIDROPAAS mostra chuva, umidade do solo e o status do pivô no mesmo painel, e a decisão de irrigar continua com você e com o seu agrônomo.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Ligue o pivô quando o solo pedir, desconte a chuva e respeite a janela de energia: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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