Cloro Residual Livre: Valor Mínimo e Máximo na Água Potável (Portaria 888)

Atualizado: há 1 dia
O valor permitido de cloro residual livre na água potável vai de 0,2 mg/L, no mínimo, a 5 mg/L, no máximo, pela Portaria GM/MS 888/2021. O mínimo vale em todo o sistema de distribuição e nos pontos de consumo, e sobe para 0,5 mg/L na água de carro-pipa. A 888 não traz recomendação de manter o cloro em até 2 mg/L.

Quer acompanhar o cloro dentro dessa faixa pelo celular? Veja como funciona o monitoramento de cloro do HIDROPAAS.
Qual é o valor mínimo e máximo de cloro residual livre?
O mínimo é 0,2 mg/L e o máximo é 5 mg/L. O mínimo está no Art. 32 da Portaria GM/MS 888/2021, do Ministério da Saúde, hoje Anexo XX da Portaria de Consolidação nº 5/2017. O máximo, chamado de valor máximo permitido (VMP), está no Anexo 9.
O mínimo não vale só na saída do tratamento. Ele vale em toda a extensão do sistema de distribuição, reservatório e rede, e nos pontos de consumo. Por isso a ponta da rede costuma ser o ponto mais difícil de cumprir, como explicamos em cloro residual baixo na rede: causas e como achar onde o cloro some.
A Portaria também traz valores para outras formas de desinfetante. Quem usa cloramina ou dióxido de cloro segue números próprios, resumidos na tabela abaixo.
Parâmetro | Valor | Onde na Portaria 888 |
Cloro residual livre, mínimo | 0,2 mg/L em todo o sistema (reservatório e rede) e nos pontos de consumo | Art. 32 |
Cloro residual livre, máximo (VMP) | 5 mg/L | Anexo 9 |
Cloro residual livre no carro-pipa, mínimo | 0,5 mg/L | Art. 16, VI |
Cloro residual combinado, mínimo | 2 mg/L | Art. 32 |
Cloraminas totais, máximo (VMP) | 4 mg/L | Anexo 9 |
Dióxido de cloro, mínimo | 0,2 mg/L | Art. 32 |
Clorito e clorato, máximo (VMP) | 0,7 mg/L cada | Anexo 9 |
Fonte da tabela: Portaria GM/MS 888/2021, republicada, com a retificação no DOU de 14/06/2021 e as alterações da Portaria GM/MS 2.472/2021.

A Portaria 888 recomenda no máximo 2 mg/L de cloro?
Não. A recomendação de manter o cloro residual livre em até 2 mg/L era da Portaria 2.914/2011, que foi revogada. A Portaria 888 não repete essa recomendação, e o limite superior do cloro livre passou a ser só o VMP de 5 mg/L.
O número 2 continua na 888, mas com outro sentido. Ele é o mínimo de cloro residual combinado, para quem desinfeta com cloramina, e não um teto para o cloro livre. Vale conferir se o procedimento interno, o POP ou o plano de amostragem da sua água ainda citam a regra antiga.
Isso não quer dizer que qualquer valor até 5 mg/L dê no mesmo. A dose certa é a que mantém o mínimo na ponta da rede sem deixar cloro alto perto do tratamento. Ela depende da água, do tamanho do sistema e do consumo, e por isso se ajusta com medição, e não com um número fixo.

Qual a diferença entre cloro residual livre, combinado e total?
Cloro livre é o cloro ativo que sobra na água, nas formas de ácido hipocloroso (HOCl) e íon hipoclorito (OCl-). Cloro combinado é o que se ligou à amônia e virou cloramina. Cloro total é a soma dos dois.
A diferença pesa na desinfecção. Segundo o guia de desinfetantes alternativos da EPA, a agência ambiental dos EUA (1999), a cloramina é cerca de 200 vezes menos germicida que o cloro livre. Dentro do cloro livre, o HOCl é de 70 a 80 vezes mais germicida que o OCl-, e a proporção entre os dois depende do pH.
Essa diferença ajuda a entender por que os mínimos são tão diferentes: 0,2 mg/L de cloro livre ou 2 mg/L de cloro combinado. O teste DPD de bancada mede o cloro livre e o total. Quando o total fica bem acima do livre, há cloro combinado na água.
Com que frequência o cloro residual precisa ser medido?
Depende de quem abastece. Na solução alternativa coletiva (SAC), como o poço de um condomínio, de uma indústria ou de um hospital, o residual de desinfetante é medido todos os dias, segundo o Anexo 15 da Portaria 888. A rotina do teste diário com DPD está no guia da PAAS sobre como medir o cloro residual livre todo dia na água do poço.
Situação | Frequência | Onde na Portaria 888 |
SAC (solução alternativa coletiva) | Residual de desinfetante diário | Anexo 15 |
Sistema de abastecimento, saída da ETA, manancial superficial | 1 amostra a cada 2 horas (cor, turbidez, residual e pH) | Anexo 13 |
Sistema de abastecimento, saída do tratamento, manancial subterrâneo | Semanal (cor, turbidez, residual e pH) | Anexo 13 |
Toda amostra para análise bacteriológica | Mede também cor aparente, turbidez e residual de desinfetante | Art. 44, §3º |
Fonte da tabela: Portaria GM/MS 888/2021; Anexo 13 e Art. 44, §3º com a redação da Portaria GM/MS 2.472/2021.
A análise segue método de norma nacional ou internacional, como Standard Methods, USEPA, ISO ou OMS, conforme o Art. 22. O responsável pela SAC também mantém um plano de amostragem anual e envia relatórios no modelo da autoridade de saúde (Arts. 14, 15 e 44). O que mais a Vigilância pede para poço de uso coletivo está no guia da PAAS sobre água de poço para consumo coletivo e as exigências da Portaria 888.
No Rio Grande do Sul, a Portaria SES-RS 276/2021 prevê que a SAC lance os dados de controle no SISAGUA até o dia 25, com cadastro e plano até 30 de janeiro. Os prazos estão no post da PAAS sobre o SISAGUA no RS e a Portaria SES 276/2021.
O que você perde quando o cloro sai do valor permitido?
Abaixo de 0,2 mg/L, a água fica sem a reserva de desinfetante que a protege no caminho e sai do padrão naquele ponto. Acima de 5 mg/L, passa do valor máximo permitido.
Laudo fora do padrão. Pelo Art. 44, §3º, toda coleta para análise bacteriológica mede também o residual de desinfetante. Cloro fora da faixa no dia da coleta aparece no laudo.
Obrigação de comunicar. O responsável pelo sistema ou pela SAC precisa avisar a autoridade de saúde quando há risco à saúde, conforme os Arts. 14, 15 e 44.
Multa. Descumprir norma sanitária pode ser enquadrado na Lei 6.437/1977, Art. 10, XXIX. As multas vão de R$ 2.000 a R$ 75.000 na infração leve, de R$ 75.000 a R$ 200.000 na grave e de R$ 200.000 a R$ 1.500.000 na gravíssima, e dobram na reincidência.
Risco em uso sensível. Em clínica de diálise, a lógica se inverte. A RDC 11/2014 da Anvisa pede cloro residual livre acima de 0,2 mg/L na água de abastecimento da rede pública, ou acima de 0,5 mg/L em fonte alternativa, mas a água para hemodiálise precisa ter cloro total de no máximo 0,1 mg/L.
O excesso de cloro nesse uso já teve consequência registrada. Num caso de Minas Gerais publicado em 2001 por Calderaro e Heller na Revista de Saúde Pública, foram registrados 22 casos de reações hemolíticas, com cloro total acima de 2,75 mg/L no reservatório de reúso. Veja cloro na água de hemodiálise: onde o sensor online ajuda.
Um desvio pode começar e terminar entre uma medição diária e a seguinte: uma bomba dosadora parada à noite ou um pico de consumo no fim de semana, por exemplo.
Como o HIDROPAAS acompanha o cloro dentro do valor permitido
O HIDROPAAS mede o cloro residual livre de forma contínua e avisa no celular quando ele cai abaixo do mínimo ou sobe demais. Você define os limites de alerta com folga em relação ao 0,2 e aos 5 mg/L, para receber o aviso enquanto ainda há margem para corrigir a dosagem.

Sensor e controlador: sonda em célula de fluxo e controlador de parede com display, no ponto definido no projeto.
Painel com histórico: leitura no app, com gráficos que mostram em que horário o cloro se aproxima dos limites.
Alerta no celular: aviso quando o cloro fica abaixo do mínimo ou acima do limite que você definir.
Comando da bomba dosadora: o controlador pode ligar ou ajustar a dosagem conforme o residual medido.
Relatório: exporta o registro de cloro e turbidez para a Vigilância e o SISAGUA.
No projeto, escolhemos a escala certa para a sua água: baixa para consumo, alta para efluente. O sensor entra no mesmo painel de nível, vazão, energia e pH do HIDROPAAS, com a comunicação que o local permitir, de 4G a satélite. Os detalhes do equipamento estão no guia do sensor de cloro residual livre para água.
O sensor é apoio, alarme e registro contínuo. A Portaria 888 não prevê medição online, então a análise com DPD de bancada ou de laboratório e a coleta oficial continuam. Por trás do HIDROPAAS está a PAAS, no ramo de poços e água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA. Veja como funciona o monitoramento de cloro do HIDROPAAS.
Leia também no blog da PAAS
Cloro de menos e cloro de mais:
Perguntas frequentes
Qual é o valor mínimo de cloro residual livre na água potável?
É de 0,2 mg/L, pelo Art. 32 da Portaria GM/MS 888/2021. O mínimo vale em toda a extensão do sistema de distribuição, reservatório e rede, e nos pontos de consumo, e não só na saída do tratamento.
Qual é o valor máximo de cloro residual livre permitido?
É de 5 mg/L, o valor máximo permitido (VMP) do Anexo 9 da Portaria 888. Para cloraminas totais, o VMP é de 4 mg/L; para clorito e clorato, de 0,7 mg/L cada.
A Portaria 888 recomenda no máximo 2 mg/L de cloro livre?
Não. Essa recomendação era da Portaria 2.914/2011, que foi revogada. Na 888, o número 2 aparece como mínimo de cloro residual combinado, para quem desinfeta com cloramina.
Qual é o cloro mínimo na água de carro-pipa?
É de 0,5 mg/L de cloro residual livre, pelo Art. 16, VI da Portaria 888. É um mínimo maior que o da rede, que é de 0,2 mg/L.
Com que frequência a SAC precisa medir o cloro residual?
Todos os dias, segundo o Anexo 15 da Portaria 888, com método de norma como o DPD. Além disso, toda amostra para análise bacteriológica mede também o residual de desinfetante.
O sensor online substitui a análise de cloro exigida?
Não. A Portaria 888 não prevê medição contínua e pede métodos de norma no Art. 22, então o DPD de bancada ou de laboratório e a coleta oficial continuam. O sensor serve de apoio, alarme e registro entre uma análise e outra.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de água e energia da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e atende empresas, produtores rurais e condomínios em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
O cloro residual livre precisa ficar entre 0,2 e 5 mg/L em todo o sistema, e a regra dos 2 mg/L ficou na portaria revogada. Para acompanhar o cloro dentro da faixa pelo celular, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.
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